Arquivo de 26/07/2010

Sáb, 24 de Julho de 2010 12:47 Rosiane Freitas

Diferença entre Datafolha e Vox Populi gera irritação no meio político


 

Dois dos maiores institutos de pesquisa de opinião pública do país divulgaram levantamentos sobre intenção de voto para presidente nas últimas 24 horas. Os resultados de Vox Populi e Datafolha, porém, são bastante diferentes. Enquanto o Vox Populi dá oito pontos de vantagem a Dilma Rousseff (PT) sobre José Serra (PSDB), o Datafolha aponta empate técnico entre os dois candidatos, inclusive com Serra um ponto à frente de Dilma.

A discrepância nos números levou ao ressurgimento de um fenômeno típico das últimas eleições no Brasil: partidários de um e de outro lado começam a questionar os institutos e a própria divulgação dos dados pelos veículos de comunicação.

A atual rodada de pesquisas, por exemplo, causou comentários entre os apoiadores de Dilma Rousseff. O deputado federal paranaense Dr. Rosinha (PT), por exemplo, escreveu nja internet que o jornalismo de rádios e televisões estaria sendo parcial aon dar mais destaque para o Datafolha, que mostra Serra empatado com Dilma,. Segundo o deputado, a Rede Globo teria decidido dar apenas informações de Datafolha e Ibope. “Como se Vox e Sensus não existissem. Que jornalismo é esse, que omite informações do público?”

O blogueiro Paulo Henrique Amorim, do iG, também reclamou do resultado. Falando sobre o pequeno tempo que separou as duas pesquisas, escreveu que se trata “de um fenômeno extraordinário”. “Em menos de 24 horas a opinião pública brasileira joga fora oito pontos percentuais de diferença”, disse.

Do outro lado, também houve reclamações. O presidente do PSDB nacional, Sérgio Guerra, afirmou que o uso de instituto de pesquisas tem sido comum por parte dos adversários do partido. “O PT nunca se reduz à luta democrática normal. Sempre usa expedientes deploráveis e depois posa de vítima. O mais recente é o uso do Vox Populi para manipular a opinião pública com pesquisas eleitorais, inventando uma liderança que não existe. Ainda bem que tudo desmentido no mesmo dia, por uma pesquisa séria. O Datafolha é um instituto que não se rende a nenhum interesse”, afirmou.

Na verdade, os institutos usam metodologias diferentes e contam sempre com margens de erro em seus levantamentos. Uma diferença, por exemplo, é que o Datafolha faz pesquisas nas ruas, enquanto o Vox Populi prefere ouvir as pessoas em suas casas. O Vox Populi também costuma ouvir eleitores na zona rural, ao contrário do Datafolha.

A escolha do universo pesquisado também é diferente. O Datafolha usa dados sobre o eleitorado do Tribunal Superior Eleitoral, mas não considera informações sobre renda ou classe social. Já o Vox Populi usa dados do IBGE e faz um roteiro “aleatório” para escolher os domicílios pesquisados.

http://tli.tl/6CUS5E

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Wikileaks vaza vídeos que mostram crimes de guerra no Afeganistão

Nesta segunda-feira (25) ocorreu o que se tem chamado na mídia de “uma das maiores fugas de informação de inteligência militar da História. O site Wikileaks, que se transformou no principal meio para divulgar os excessos militares, repassou uma informação a três meios de comunicação ocidentais — The Guardian (britânico), Der Spiegel (alemão) e The New York Times (Estados Unidos) — que envolve tropas americanas.
A maciça quantidade de informações que o site abarca desde janeiro de 2004 até dezembro de 2009 e o teor delicado do conteúdo converte a divulgação em um incidente de vazamento de informações mais importante dos tempos modernos.

As ações detalhadas de mais de 90 mil incidentes publicados envolvem militares americanos, forças da Otan, tropas britânicas, francesas e polonesas e expõem um cenário sombrio e pouco convincente em relação aos “avanços” que, segundo o governo americano, teriam ocorrido no Afeganistão.

Segundo esses três meios de comunicação, entre as ações secretas mais delicadas que vieram à tona estão:

  • A existência de uma unidade especializada (paramilitares) em assassinatos de líderes talibãs e guerrilheiros sem nenhum julgamento ou tribunal.
  • Centenas de incidentes nos quais civis acabam mortos ou feritos por causa das tropas invasoras.
  • O uso crescente de dispositivos letais de controle remoto por parte da coalizão.
  • Comos os EUA ocultaram a aquisição de mísseis terra-ar por parte das forças talibãs.
  • A falta de cooperação dos militares do Paquistão na luta contra os guerrilheiros que os EUA estão combatendo e até a participação direta deles no auxílio a esses guerrilheiros.
  • O ocultamento sistemático dos assassinatos de civis inocentes por parte das forças de ocupação.

A divulgação desses documentos acontece em um momento tenso, já que aumentou a dúvida sobre a viabilidade da guerra no Afeganistão entre o público americano e certos setores do Congresso, que há pouco aumentaram ainda mais com a renúncia do comandante das tropas no Afeganistão, Stanley McChrystal. A própria existência dessa guerra e os métodos de contra-guerrilha estarão na mira de um questionamento mais profundo.

A reação da Casa Branca foi de criticar a publicação pelo Wikileaks, alegando que a divulgação dessa informação de inteligência coloca em perigo seus efetivos no Afeganistão e também a sua segurança nacional. O governo americano não fez nenhum esforço para ocultar o que é agora uma aberta perseguição aos criadores e informantes do Wikileaks.

A Wikileaks colocou novamento o governo dos Estados Unidos na defensiva com esse vazamento de documentos secretos, desta vez relacionados com a ocupação do Afeganistão. O fundador do site, Julian Assange, explicou sua decisão de publicar os documentos como parte da obrigação de “bom jornalismo”, que deve se encarregar de desmascarar os “abusos daqueles no poder” e que esses documentos iluminam “a verdadeira natureza da guerra”, para que o público “no Afeganistão e em outros países conheçam a verdade e possam assim lidar com este problema”.

Os incidentes redigidos em códigos e jargões militares detalham desde assassinatos de civis até uma quantidade inusual de incidentes de “fogo amigo”, passando por numerosos incidentes de fogo entre tropas do Afeganistão e das forças de ocupação.

O arquivo completo está disponível para se baixar a partir da página da Wikileaks (no momento de publicação deste texto, o site estava indisponível).

Fim de mais um patrimônio público: PSDB de São Paulo quer privatizar TV Cultura 

CUT 

Sinônimo de programação de qualidade e premiada em festivais internacionais, a TV Cultura de São Paulo passa por um processo mascarado de privatização iniciado na administração do ex-governador Geraldo Alckmin, mantido e aprofundado na gestão do atual candidato à presidência, José Serra. 

Conforme denuncia o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em nota de desagravo público (clique aqui para ler), o governo tucano pretende “alterar” a função e o papel social da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da rádio e TV Cultura. 

Segundo o presidente do sindicato, José Augusto de Camargo, o Guto, o mais recente exemplo da mutação da TV educativa para uma emissora com caráter comercial está na nomeação do economista João Sayad, ex-secretário de Estado da Cultura de São Paulo, e indicado por Serra para a presidência da Fundação José Anchieta 

“No momento em que o Brasil busca construir uma rede pública de comunicação de qualidade, o governo de São Paulo acena com a nomeação de alguém sem qualquer vínculo com a área, cuja missão parece ser dar uma nova cara administrativa à Fundação. Há algum tempo já observamos que a marca de qualidade da programação vem sendo desconstruída, especialmente no jornalismo”, afirma Guto. 

Pergunta que eu demito – Guto cita casos recentes para ilustrar essa desconstrução. “O Roda Viva, que era uma referência nacional no debate político em rede nacional, sofreu um grave ataque com a demissão mal explicada do Heródoto Barbeiro. Também não entendemos o afastamento do Gabriel Priolli (ex-diretor de jornalismo da Cultura) e o fato do jornalista Paulo Markun (ex-presidente da Fundação Padre Anchieta) não ter tido apoio do governo para continuar a gestão”, acrescenta. 

Barbeiro era o apresentador do Roda Viva e foi afastado após perguntar para Serra durante o programa Roda Viva se levaria para todo o Brasil “pedágios tão caros como são cobrados no Estado de São Paulo”. Priolli também perdeu o cargo depois de planejar uma matéria sobre o mesmo tema. Já Markun parece ter sido vítima da necessidade de aprofundar a mudança de direção da emissora. 

OSs na linha de frente – Segundo o dirigente, há a intenção de passar a gestão da fundação para Organizações Sociais (OSs), entidades não governamentais ligadas a grandes grupos comerciais que recebem do Estado para administrar equipamentos públicos e fazer o papel que caberia a quem foi eleito. 

No caso da saúde, onde estão muito presentes em hospitais e laboratórios, um dos problemas da atuação das OSs é a definição de quantos e quais atendimentos irão ocorrer. Caso aconteça um surto ou uma epidemia como a gripe H1N1, por exemplo, o Estado precisa fazer um novo contrato com mais recursos para cobrir o que não estava previsto no acordo inicial. Além disso, por serem empresas privadas não estão sujeitas ao controle social por meio de um conselho gestor e, principalmente, não tem como princípio fundamental suprir as necessidades da população. 

Cheiro de privatização – Ainda na nota, o Sindicato dos Jornalistas aponta demissões e o clima de “coação, pressão, assédio moral e incerteza” que ronda o processo de mudança.  Trata também de irregularidades como a existência de jornalistas que mantém vínculo empregatício, mas trabalham como PJs (pessoas jurídicos), emitindo notas fiscais, algo que é considerado fraude pela legislação trabalhista. 

A nota afirma ainda que a entidade adotará “medidas necessárias para garantir os direitos trabalhistas e o ambiente de trabalho saudável, inclusive junto a SRT (Superintendência Regional do Trabalho)” e que questionará a dispensa dos profissionais no período eleitoral. 

Vale lembrar – Desde 1995, o governo do PSDB em São Paulo vendeu, entre outras empresas, a CPFL, a Eletropaulo e a Comgás. Para a administração federal passaram Fepasa, Ceagesp e Banespa. 

Os tucanos venderam ainda as rodovias como Anhanguera, Bandeirantes, Imigrantes, Anchieta, Raposo Tavares e Castelo Branco. 

Como resultado da concessão, que leva em conta o valor a ser pago pela concessionária e não o valor da tarifa a ser cobrada do usuário – como ocorre na esfera federal – São Paulo possui os pedágios mais caros do mundo.

 http://www.fup.org.br/noticias.php?id=4156

Enviado por luisnassif, seg, 26/07/2010 – 13:59

Depois de São Paulo, o estado-chave para definir o novo quadro partidário será Minas Gerais. Inclusive por ser decisivo para o futuro político da maior esperança do PSDB: Aécio Neves.

Aparentemente, Aécio está em seu melhor momento, pronto para herdar a estrutura do PSDB. Mas, ao mesmo tempo, está exposto à maior vulnerabilidade de sua carreira política.

Se seu candidato Antonio Anastasia for derrotado, mesmo sendo o senador mais votado do país Aécio perderá a estrutura partidária em Minas. E, no restante do país, não existe uma estrutura partidária Aécio. Ele sempre foi um líder individualista, não um articulador de bases partidárias. Beneficiou-se da onda Tancredo e dos anos dourados do PSDB, foi um eficiente presidente da Câmara, e aproveitou bastante o cargo de governador de Minas. Mas esse tempo passou. Perdendo Minas, não irá para o limbo, mas voltará 15 anos no tempo.

Nesse caso, dificilmente evitará que o PSDB passe para as mãos de Geraldo Alckmin, caso este vença as eleições para o governo de Sâo Paulo. Alckmin não tem fôlego para conduzir um partido nacional mas quem o conhece sabe que dificilmente aceitará ser conduzido por qualquer outra liderança partidária. Aí, a reconstrução da oposição levará muito tempo para se completar e não será ancorada no PSDB, principalmente se ocorrer a redução prevista em sua bancada parlamentar.

Obviamente, todo esse cenário depende dos resultados das eleições mineiras.

As eleições mineiras

Do lado de Hélio Costa, a avaliação é que Anastasia empacou nos 18% há seis meses e que, além de ter demorado muito a entrar na campanha, Aécio ocupou um espaço prejudicial ao seu candidato: brilha demais, aparece em todo material de campanha, impedindo o leitor de conhecer melhor Anastasia. Mesmo assim, pesquisas qualitativas atestam o excelente potencial de transferência de votos de Aécio para Anastasia.

Ocorreu a mesma coisa com Márcio Lacerda, cuja candidatura só conseguiu deslanchar na undécima hora quando saiu para o primeiro plano.

Há um paradoxo curioso nas pesquisas qualitativas. Aécio é sempre muito bem avaliado. Mas quando se entram em temas específicos – saúde, educação, segurança – cai a boa avaliação. A análise da campanha de Hélio, no imaginário do mineiro há um choque bom, do Aécio, e um choque ruim, do Anastasia – salários baixos para o funcionalismo etc. Inclusive devido ao fato de Aécio ter transferido o cargo para Anastasia com uma bomba no meio: greve do funcionalismo. Nem a mão pesada de Andréa Neves – primeira-irmã – prejudicou a imagem de Aécio.

Tudo dependerá do horário gratuito e do desempenho de Anastasia.

Dos homens públicos que conheço, não tenho dúvida em classificá-lo como o mais articulado. Além disso, conhece Minas na palma da mão. Foi a Dilma do Aécio, monitorando todos os planos de ação. Mas em televisão nem sempre é o conteúdo e a fluência que fazem a diferença. Daí a incógnita do horário gratuito.

Uma coisa é certa: se Anastasia for eleito governador, assim como Dilma não será nem poste nem interino: assumirá integralmente as funções. 

O quadro partidário

Aí se entra em uma equação complicada. Com Dilma ganhando e se Anastasia for derrotado, dificilmente o PSDB sobreviverá como força autônoma. José Serra e FHC serão cartas fora do baralho. Aécio terá que reconstruir sua liderança em uma base mais ampla.

E como ficará Minas nisso?

A aliança Hélio Costa-Patrus Ananias tem estimulado seus seguidores a imaginar que de Minas sairá a semente de consolidação de um novo eixo partidário, da aliança PT-PMDB.

Até então, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel controlava a máquina do partido, alijando Patrus Ananias. Com a aliança para o governo do Estado, Patrus recuperou espaço. Em caso de vitória da chapa, se incumbirá da área social do governo, podendo repetir o feito do Bolsa Família. E se projetará como nome forte no cenário nacional.

De seu lado, embora enfraquecido pelos episódios recentes da campanha e de ter poucas chances nas eleições para o Senado – está em terceiro em Minas, b em atrás de Aécio e Itamar Franco – Pimentel deverá ser um dos homens fortes do governo Dilma. 

Tudo isso leva a uma situação de extraordinária imprevisibilidade e riqueza sobre o quadro partidário pós-Lula. O eixo sairá de Sâo Paulo para onde? Para Minas? O lulismo conseguirá ampliar o leque do petismo, com a incorporação de quadros de outros partidos? Há espaço para um novo partido, com as lideranças não-petistas que emergirão nacionalmente das eleições: Aécio, Eduardo Campos, Sérgio Cabral?

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-politica-nacional-e-o-fator-minas