Fonte: BBC de Londres

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, rebateu nesta terça-feira, 27, os críticos da política externa brasileira. Em entrevista exclusiva à BBC Brasil, desde Tel Aviv, o chanceler afirmou que os desafetos veem o Brasil com “olhos pequenos” e “não conseguem compreender” que o País ganhou “grandeza” internacional.

Amorim dividiu os críticos em dois grupos – as grandes potências, que segundo ele, querem manter o monopólio do poder, e críticos dentro do País que não compreendem que “o Brasil é um país grande”. Embora não tenha especificado a quais desafetos nacionais se referia, as declarações do ministro foram feitas um dia após o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, ter criticado a política de comércio exterior brasileira e as relações do País com Venezuela, Bolívia e Paraguai.

Serra critica apoio de Lula a Chávez, em quem vê ‘ameaça’ à paz regional

“No Brasil (os críticos) são pessoas que não conseguem compreender que – sem nenhuma megalomania, sem nenhum exagero – o Brasil tem um tamanho e uma grandeza no cenário internacional“, afirmou o ministro à BBC. Amorim também rejeitou as críticas de que a participação crescente do Brasil nas questões mundiais, especialmente no Oriente Médio, se dá em detrimento dos esforços para ajudar a resolver os problemas da América Latina.

“Na questão da crise entre a Venezuela e a Colômbia, a primeira coisa que o presidente (Luiz Inácio Lula da Silva) fez foi telefonar para o presidente (Hugo) Chávez, e também entramos em contato com os ministros colombianos. Uma coisa não interfere na outra, pelo contrário, o prestígio internacional do Brasil nos ajuda também a trabalhar na região”, disse.

O ministro acrescentou que a América do Sul tem mecanismos para resolver crises como a que está ocorrendo entre os dois países vizinhos e lembrou que na próxima quinta-feira, dia 29, os ministros da Unasul vão se reunir para discutir a questão.

Em discurso para empresários na segunda-feira, Serra ecoou as declarações de ministros colombianos que deram início à crise entre os dois países ao dizer que até “até as árvores da floresta amazônica” sabem que Chávez abriga as Farc. O candidato tucano também afirmou que o Brasil faz “filantropia” nas relações com o Paraguai e a Bolívia e que o País “não tem política de comércio exterior”.

Repercussão

As críticas aos países vizinhos repercutiram na imprensa paraguaia e venezuelana. Para o jornal Ultima Hora, de Assunção, Serra usou “tom irônico” para se referir às relações do Brasil com os países da região. Já o venezuelano Ultimas Noticias destacou não se tratar da primeira vez que Serra ataca Hugo Chávez.

Em seu discurso de segunda-feira, Serra também insinuou que os esforços do Itamaraty nas negociações sobre a questão nuclear iraniana teriam sido melhor empregados se voltados para as disputas entre Colômbia e Venezuela. Para a BBC, Amorim disse que a atuação do Brasil no Oriente Médio “valeram a pena”.

“Vale a pena o esforço, porque aqui (no Oriente Médio) estão concentrados os problemas principais da paz mundial, e o Brasil é um grande País e todos nós temos que pagar um preço pela manutenção da paz”, afirmou. “A paz é como a liberdade, é como ar, você só sente como ela é importante quando ela não existe”, continuou Amorim.

Eleições

Diante da aproximação das eleições no Brasil, Amorim afirmou que considera que mesmo na ausência do presidente Lula, o papel do Brasil no cenário internacional continuará crescendo. “Pelé só teve um, mas o Brasil continuou a ser campeão mundial”, comparou. De acordo com a avaliação do ministro, daqui a dez anos ninguém terá duvidas sobre o papel importante e central do Brasil nas relações internacionais, inclusive nas questões da paz e segurança mundiais.

Fonte: Política Externa Brasileira

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou ontem que “até as árvores da Floresta Amazônica” sabem que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, dá abrigo às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Poucos dias atrás, seu companheiro de chapa, o candidato à vice-presidente Índio da Costa, foi duramente criticado por ligar o PT ao grupo terrorista.

Os comentários ganharam destaque nos meios de comunicação. Os analistas políticos explicam que Serra deixou de se apresentar como o pós-Lula e partiu para o ataque em busca de um eleitorado mais conservador. Por enquanto, esse ataque está concentrado na política externa. Mas porque o tucano elegeu a política externa como alvo?

Primeiro, porque é a face mais esquerdista do governo Lula. Ao manter a política macroeconômica – câmbio flexível e metas de inflação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a política externa para afagar as alas mais radicais do PT. Sob a forte influência do professor Marco Aurélio Garcia, Lula implementou uma política externa de “solidariedade” com os países pobres e tratou muito bem governantes que atacam os Estados Unidos, como Chávez e o boliviano Evo Morales.

Segundo, porque a política macroeconômica “conservadora” funcionou e hoje é difícil para a oposição atacar o desempenho da economia brasileira. O PIB deve crescer 7% este ano, a inflação se mantém controlada, e a taxa de desemprego está em um nível historicamente baixo. Os maiores problemas do País hoje são o aumento da dependência de capital externo e os gastos públicos – conceitos complicados para o eleitor médio.

Essa é provavelmente uma das primeiras vezes que a política externa aparece como tema central em uma campanha presidencial no Brasil. Mas será que a estratégia de atacar o companheirismo de Lula e Chávez vai  se transformar em votos? Normalmente os brasileiros “não estão nem aí” para a política externa e sua principal preocupação é o salário no fim do mês. Lula escolheu essa área para agradar a esquerda do PT exatamente por  sua pouca importância junto à população. Se a estratégia do PSDB funcionar, vai marcar uma mudança e tanto nas percepções do eleitor brasileiro.

Fonte: Política Externa Brasileira | Política Externa Brasileira

http://www.politicaexterna.com/

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