Arquivo de 29/07/2010

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

Desde a última segunda-feira, quando se encontrou com engenheiros em São Paulo, o candidato do PT, Aloizio Mercadante, procura trazer para o debate político o atual modelo de gestão da Sabesp, que em sua opinião tem priorizado os acionistas da empresa, em detrimento de investimentos mais pesados, notadamente na área de saneamento básico.

Segundo ele, a Sabesp precisa de uma mudança clara em sua gestão. “É preciso ser mais exigente no investimento para o tratamento de esgoto e no combate ao desperdício, que hoje chega a 25% da água que é produzida. São investimentos pesados, que diminuiríam o lucro da empresa. Porém, é preciso lembrar que a Sabesp precisa cumprir o seu papel social”.

Questionado pelo Terra sobre o tema no mesmo dia, Alckmin afirmou que Mercadante estava mal informado. “O grande problema são grandes municípios não operados pela Sabesp e que tem tratamento de esgoto de quase 0%. Você tem grandes municípios quase sem tratamento de esgoto. Pela Sabesp nenhum. A Sabesp universalizou praticamente o tratamento de água, aumentou muito a coleta de esgoto e agora o tratamento”, disse Alckmin.

Mercadante voltou ao tema. “Esse argumento não é verdadeiro. Cidades grandes como Osasco tem apenas 15% de tratamento de esgoto. Carapicuíba tem 8%, Itapevi, 5%. Vargem Grande Paulista não tem tratamento”, disse. Segundo o candidato petista, cidades como Campinas, e Santo André, que contam com o serviço de empresas municipais, tem 85% e 60% do esgoto tratado.

Em uma posição confortável nas pequisas, Alckmin tem evitado citar Mercadante ou o PT nas entrevistas e procura não se envolver em polêmicas.

O PSDB delegou a Sydney Beraldo, coordenador da campanha, a tarefa de defender a gestão empresa pública. Segundo ele, a Sabesp realiza hoje a maior iniciativa de saneamento do País e uma das maiores, em termos ambientais, em todo o mundo.

Beraldo diz que para a terceira fase do Projeto Tietê, em andamento, estão previstos investimentos de cerca de R$ 1 bilhão em toda a região Metropolitana de São Paulo. O projeto foi iniciado em 1992 e a terceira fase está prevista para ser concluída em 2015.

“Nas duas primeiras fases já foi investido US$ 1,6 bilhão. Ao todo, serão mais de U$ 2,5 bilhões em ações para melhorar a qualidade de vida dos moradores da região”, disse.

Segundo Beraldo, na terceira etapa, serão construídos 580 km de coletores e interceptores, 1.250 km de redes coletoras e efetivadas 200 mil ligações domiciliares. As estações de tratamento de esgotos também terão sua capacidade de tratamento ampliada, em média, em 7,4 m³/s.

“Afirmar que a Sabesp não prioriza investimento em saneamento demonstra desconhecimento do assunto e do trabalho da companhia no Estado”, diz Beraldo.

Procurada, a Sabesp preferiu não se manifestar, sob a alegação de não se envolver em questões político-eleitorais.

Colaborou Marina Gama

29/07/2010 – 06h59 / Atualizada 29/07/2010 – 06h59
FERNANDA CALGARO||Para o UOL Tecnologia
De Londres

Fernanda Calgaro/UOL

  • Georgia Lester, 13, participa do CyberMentors, programa de ajuda a vítimas do ciberbullying

A prática da intimidação virtual, realizada via computador ou telefone celular, já afetou um terço dos jovens ativos na internet, de acordo com uma pesquisa global realizada pela empresa de segurança Trend Micro. Em busca do combate desse problema, também conhecido como ciberbullying, uma entidade britânica criou uma alternativa inovadora: bate-papos online como forma de ajudar as vítimas de humilhações e ameaças via meios eletrônicos. Nesse projeto, tanto aqueles que buscam como aqueles que dão conselhos têm a mesma faixa etária, que vai dos 11 aos 18 anos.

O que é


Ciberbullying
é a intimidação virtual realizada por meio de ações intencionalmente hostis e repetidas, cometidas por alguém de hierarquia superior, como um colega de escola mais popular.

O prefixo ciber deve-se ao fato de essas ações serem realizadas via telefone celular (mensagens de texto) ou internet (redes sociais).

A ideia da Beatbullying (combata o bullying, na tradução livre), instituição referência no tema, foi se valer da própria tecnologia para se aproximar do seu público alvo. A principal sacada, porém, está no fato de dar à vítima a oportunidade de se abrir com alguém de igual para igual.

No país onde um em cada três adolescentes de 11 a 16 anos sofre com a intimidação virtual, o programa CyberMentors (mentores online) se mostrou acertado. Há quase um ano e meio no ar, recebeu a visita de mais de 600 mil jovens em busca de ajuda ou de apenas alguém para desabafar. Desde então, para dar conta da empreitada, foram capacitados cerca de 2 mil mentores, que trabalham como voluntários virtuais, em toda a Inglaterra.

“Normalmente, os adolescentes procuram os amigos para contar o que está acontecendo com eles. E é essa a filosofia por trás do programa, que atende não só as vítimas de ciberbullying mas também de bullying”, afirma Richard Piggin, um dos diretores executivos da Beatbullying. Pesquisa conduzida pela instituição com 2.094 adolescentes apontou ainda que 69% das vítimas de ciberbullying gostariam de receber conselhos de colegas online.

Programa similar, o MiniMentors (ou mentores mirins), voltado para um público com idade entre 8 e 11 anos, deve ser lançado em 2011. Com o mesmo objetivo de prevenir e combater o bullying, a abordagem será ligeiramente diferente. “Ensinamos como navegar com segurança na internet, mas falamos também de amizade e de como cultivar amigos, tudo para manter a autoconfiança em alta”, diz Piggin.

  • Fernanda Calgaro/UOL“Normalmente, os adolescentes procuram os amigos para contar o que está acontecendo com eles. E é essa a filosofia por trás do programa, que atende não só as vítimas de ciberbullying mas também de bullying”, diz Piggin
  • Autoestima

    Diante do abalo emocional provocado pelo bullying, ajudar a resgatar a autoestima é tarefa corriqueira dos mentores online. Para a estudante londrina Georgia Alexandra Lester, de 13 anos, ela mesma uma ex-vítima, participar do programa como mentora é uma troca importante. “Passamos algo de bom para alguém que está se sentindo sozinho e sem saída.”

    Joe Paterson, 15, concorda. Morador de Northamptonshire, a cerca de 100 km de Londres, o estudante é mentor há um ano. “Muitas vezes, a pessoa não se sente segura para contar o que acontece para ninguém, com medo de que a situação piore. Pelo chat, isso fica mais fácil”, opina o jovem, que também foi alvo de ameaças na rede social Facebook.

    Treinamento

    Os novos mentores são angariados em visitas da Beatbullying a escolas. Antes de sentarem em frente ao computador e começarem a teclar, eles recebem treinamento intensivo presencial de dois dias, quando aprendem a lidar e a reportar episódios de bullying para pessoas mais experientes na organização. Apesar de muitos voluntários terem sido vítimas dos alunos valentões de suas escolas ou assediados no ambiente virtual, não é necessário ter passado por essa experiência para ajudar aqueles que procuram o chat da Beatbullying.

    Casos mais complexos, em que a vítima fala em suicídio ou automutilação, devem ser repassados para os mentores seniores, que têm entre 16 e 25 anos, ou para conselheiros profissionais da instituição. Dependendo da gravidade, o conselho tutelar ou a polícia podem ser acionados.

    Por segurança, o teor dos chats entre os jovens é monitorado por um software que filtra determinados termos. Quando a palavra suicídio é detectada, por exemplo, um alerta aparece no computador dos moderadores da entidade, que intervêm e assumem o caso.

    • Fernanda Calgaro/UOLHenal Granata, 17, atua como mentor no programa, já foi vítima de ciberbullying. “Eram chutes, empurrões. Acontecia na hora do intervalo ou na sala de aula, quando o professor não estava vendo”, relembra o estudante

    Os mentores não têm uma carga horária a cumprir, e as 2 mil pessoas capacitadas podem exercer essa função. Esses voluntários podem entrar online a hora que quiserem, pois assim conseguem conciliar o voluntariado com a escola. No entanto, a equipe de conselheiros profissionais fica online o dia todo. “Como os adolescentes acessam com mais frequência antes de irem para a escola de manhã e antes de dormir, a equipe sempre fica de plantão das 8h às 2h”, explica Piggin.

    Apesar de não haver nenhuma obrigatoriedade, Henal Granata, 17, faz questão de entrar com regularidade no site para atuar como mentor. Ele conta que, dos 8 aos 11 anos de idade, apanhou de colegas quase que diariamente na escola.

    “Eram chutes, empurrões. Acontecia na hora do intervalo ou na sala de aula, quando o professor não estava vendo”, relembra o estudante, que mora em Croydon, subúrbio ao sul de Londres.

    Portador de uma deficiência física que dificulta a sua locomoção, Henal atribui as agressões também a sua religião (hindu) e ao fato de que não falava inglês quando começou a escola (sua família havia mudado da Índia para a Inglaterra). “Você vira alvo simplesmente por não saber se comunicar direito ou por ser diferente. Foi muito difícil.”

    Superada essa fase, Henal agora só pensa em se concentrar na escolha da faculdade, curtir a namorada e continuar escrevendo letras de hip hop. E do que falam as suas músicas? “De coisas boas”, diz.

29/07/2010  – 09h33

 FELIPE BÄCHTOLD
DE SÃO PAULO
JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BELÉM

Ao menos 14 candidatos pelo país declararam, somados, possuir R$ 21,7 milhões guardados em bancos no exterior, incluindo paraísos fiscais, como a Suíça.

Outros dois disseram à Justiça Eleitoral ter investimentos nas Ilhas Virgens Britânicas (Caribe), conhecidas pelos baixíssimos impostos e a flexibilidade na legislação. Em todos esses 16 casos, a prática não é ilegal.

Um deles é Blairo Maggi (PR), ex-governador de Mato Grosso, que concorre ao Senado e é um dos maiores plantadores de soja do mundo.

Em sua lista de patrimônio, aparece uma “integralização de capital” em uma empresa que leva o nome de seu pai. O valor listado é de R$ 4 milhões.

Outro candidato com patrimônio no país caribenho é Ronaldo Cezar Coelho (PSDB), que concorre como suplente ao Senado no Rio.

Ele declarou ter R$ 227 milhões em “quotas do capital social” da empresa Samambaia Investiments.

Entre os que possuem dinheiro depositado em bancos fora do país está o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), que tenta reeleição.

Ele diz ter R$ 5,9 milhões no banco Caisse Régionale, de Paris, em nome da mulher. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que tenta um novo mandato, declarou R$ 4,7 milhões no Clarriden Bank, de Zurique (Suíça).

O presidenciável do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, declarou possuir R$ 46 mil em depósito nos EUA.

De acordo com a Receita Federal, não há crime na prática, desde que a quantia seja declarada e sua origem, explicitada e, se for o caso, checada pelo fisco.

Mas o jurista Walter Maierovitch, que pesquisa criminalidade internacional e lavagem de dinheiro, diz que o candidato precisa explicar ao eleitor a razão de manter dinheiro fora do país.

Há um histórico de dinheiro público desviado por meio da corrupção que foi parar no exterior, afirma ele.

SEGURANÇA

Blairo Maggi disse, por meio de sua assessoria, que não comenta sua declaração de bens para “preservar a segurança de sua família”.

Maluf, por meio de sua assessoria, diz que o dinheiro na França foi enviado legalmente por meio de uma operação do Banco Central e tem como origem a venda de um terreno em São Paulo.

A assessoria de Tasso Jereissati não respondeu ao e-mail da reportagem. Ronaldo Cezar Coelho não foi localizado pela Folha ontem.

  Editoria de Arte/Folhapress  

http://www1.folha.uol.com.br/poder