Em projeto contra ciberbullying, adolescentes britânicos ajudam vítimas via chat

Posted: 29/07/2010 in Blogosfera, CYBERATIVISMO, DIREITOS HUMANOS, infancia e juventude, Uncategorized, VIOLENCIA
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29/07/2010 – 06h59 / Atualizada 29/07/2010 – 06h59
FERNANDA CALGARO||Para o UOL Tecnologia
De Londres

Fernanda Calgaro/UOL

  • Georgia Lester, 13, participa do CyberMentors, programa de ajuda a vítimas do ciberbullying

A prática da intimidação virtual, realizada via computador ou telefone celular, já afetou um terço dos jovens ativos na internet, de acordo com uma pesquisa global realizada pela empresa de segurança Trend Micro. Em busca do combate desse problema, também conhecido como ciberbullying, uma entidade britânica criou uma alternativa inovadora: bate-papos online como forma de ajudar as vítimas de humilhações e ameaças via meios eletrônicos. Nesse projeto, tanto aqueles que buscam como aqueles que dão conselhos têm a mesma faixa etária, que vai dos 11 aos 18 anos.

O que é


Ciberbullying
é a intimidação virtual realizada por meio de ações intencionalmente hostis e repetidas, cometidas por alguém de hierarquia superior, como um colega de escola mais popular.

O prefixo ciber deve-se ao fato de essas ações serem realizadas via telefone celular (mensagens de texto) ou internet (redes sociais).

A ideia da Beatbullying (combata o bullying, na tradução livre), instituição referência no tema, foi se valer da própria tecnologia para se aproximar do seu público alvo. A principal sacada, porém, está no fato de dar à vítima a oportunidade de se abrir com alguém de igual para igual.

No país onde um em cada três adolescentes de 11 a 16 anos sofre com a intimidação virtual, o programa CyberMentors (mentores online) se mostrou acertado. Há quase um ano e meio no ar, recebeu a visita de mais de 600 mil jovens em busca de ajuda ou de apenas alguém para desabafar. Desde então, para dar conta da empreitada, foram capacitados cerca de 2 mil mentores, que trabalham como voluntários virtuais, em toda a Inglaterra.

“Normalmente, os adolescentes procuram os amigos para contar o que está acontecendo com eles. E é essa a filosofia por trás do programa, que atende não só as vítimas de ciberbullying mas também de bullying”, afirma Richard Piggin, um dos diretores executivos da Beatbullying. Pesquisa conduzida pela instituição com 2.094 adolescentes apontou ainda que 69% das vítimas de ciberbullying gostariam de receber conselhos de colegas online.

Programa similar, o MiniMentors (ou mentores mirins), voltado para um público com idade entre 8 e 11 anos, deve ser lançado em 2011. Com o mesmo objetivo de prevenir e combater o bullying, a abordagem será ligeiramente diferente. “Ensinamos como navegar com segurança na internet, mas falamos também de amizade e de como cultivar amigos, tudo para manter a autoconfiança em alta”, diz Piggin.

  • Fernanda Calgaro/UOL“Normalmente, os adolescentes procuram os amigos para contar o que está acontecendo com eles. E é essa a filosofia por trás do programa, que atende não só as vítimas de ciberbullying mas também de bullying”, diz Piggin
  • Autoestima

    Diante do abalo emocional provocado pelo bullying, ajudar a resgatar a autoestima é tarefa corriqueira dos mentores online. Para a estudante londrina Georgia Alexandra Lester, de 13 anos, ela mesma uma ex-vítima, participar do programa como mentora é uma troca importante. “Passamos algo de bom para alguém que está se sentindo sozinho e sem saída.”

    Joe Paterson, 15, concorda. Morador de Northamptonshire, a cerca de 100 km de Londres, o estudante é mentor há um ano. “Muitas vezes, a pessoa não se sente segura para contar o que acontece para ninguém, com medo de que a situação piore. Pelo chat, isso fica mais fácil”, opina o jovem, que também foi alvo de ameaças na rede social Facebook.

    Treinamento

    Os novos mentores são angariados em visitas da Beatbullying a escolas. Antes de sentarem em frente ao computador e começarem a teclar, eles recebem treinamento intensivo presencial de dois dias, quando aprendem a lidar e a reportar episódios de bullying para pessoas mais experientes na organização. Apesar de muitos voluntários terem sido vítimas dos alunos valentões de suas escolas ou assediados no ambiente virtual, não é necessário ter passado por essa experiência para ajudar aqueles que procuram o chat da Beatbullying.

    Casos mais complexos, em que a vítima fala em suicídio ou automutilação, devem ser repassados para os mentores seniores, que têm entre 16 e 25 anos, ou para conselheiros profissionais da instituição. Dependendo da gravidade, o conselho tutelar ou a polícia podem ser acionados.

    Por segurança, o teor dos chats entre os jovens é monitorado por um software que filtra determinados termos. Quando a palavra suicídio é detectada, por exemplo, um alerta aparece no computador dos moderadores da entidade, que intervêm e assumem o caso.

    • Fernanda Calgaro/UOLHenal Granata, 17, atua como mentor no programa, já foi vítima de ciberbullying. “Eram chutes, empurrões. Acontecia na hora do intervalo ou na sala de aula, quando o professor não estava vendo”, relembra o estudante

    Os mentores não têm uma carga horária a cumprir, e as 2 mil pessoas capacitadas podem exercer essa função. Esses voluntários podem entrar online a hora que quiserem, pois assim conseguem conciliar o voluntariado com a escola. No entanto, a equipe de conselheiros profissionais fica online o dia todo. “Como os adolescentes acessam com mais frequência antes de irem para a escola de manhã e antes de dormir, a equipe sempre fica de plantão das 8h às 2h”, explica Piggin.

    Apesar de não haver nenhuma obrigatoriedade, Henal Granata, 17, faz questão de entrar com regularidade no site para atuar como mentor. Ele conta que, dos 8 aos 11 anos de idade, apanhou de colegas quase que diariamente na escola.

    “Eram chutes, empurrões. Acontecia na hora do intervalo ou na sala de aula, quando o professor não estava vendo”, relembra o estudante, que mora em Croydon, subúrbio ao sul de Londres.

    Portador de uma deficiência física que dificulta a sua locomoção, Henal atribui as agressões também a sua religião (hindu) e ao fato de que não falava inglês quando começou a escola (sua família havia mudado da Índia para a Inglaterra). “Você vira alvo simplesmente por não saber se comunicar direito ou por ser diferente. Foi muito difícil.”

    Superada essa fase, Henal agora só pensa em se concentrar na escolha da faculdade, curtir a namorada e continuar escrevendo letras de hip hop. E do que falam as suas músicas? “De coisas boas”, diz.

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