Caros e caras,
 
Criticar o governo que faz “coisas boas” para poucos, como o fez Mercadante, é a outra face da crítica de Dilma Rousseff ao condomínio demotucano: “eles governavam para [no máximo, acrescento] 1/3 da população”.
 
Isto é competente mas exige desassombro e explicitação menos genérica. Explico: o candidato deve mostrar – escrevi mostrar -, em cada área, como a gestão demotucana governa para no máximo 1/3 da população. Darei três simples exemplos:
 
1. transportes urbanos e meios de transportes.
 
A lentidão inconcebível das obras para ampliar o metrô da capital, que até hoje não o levou a regiões geograficamente enormes da capital – populares e densamente ocupadas, naturalmente – e a centros importantes da grande São Paulo – ABC, Guarulhos e Osasco.
 
O desmonte de Sistemas Municipais de Transportes Urbanos mais eficazes, voltados para a maioria da população, organizados por Luiza Erundina e Marta Suplicy.
No caso de Marta Suplicy tem-se ainda as dificuldades, impostas pelo então governador Geraldo Alckmin, à articulação do Sistema Municipal de Transporte Urbano com o metrô. 
 
Quanto aos pedágios das estradas estaduais terceirizadas, o que se cobra é o “fim da picada”. Atinge o transporte relacionado às necessidades da produção e à locomoção individual de pessoas das camadas médias – economicamente falando (que não são tão homogêneas ideologicamente assim, como querem nos fazer acreditar);
 
2. Educação.  
 
A pouca qualidade do ensino fundamental e médio fornecido pelas escolas públicas estaduais penalizam quase toda a sociedade paulista, a não ser os ricos – ricos de fato! -, a saber:
 
a) as camadas médias que tem que pagar escolas particulares, o que, em geral, não fariam se as escolas públicas estaduais fornecessem ensino de melhor qualidade;
b) o restante da população paulista – milhões e milhões – que se vê, assim, discriminada, mais uma vez, pelo fato de seus filhos não acessarem aos benefícios do ensino qualificado, da cultura, o que é vital para a inserção no mercado de trabalho e para a ampliação das possibilidades de ascenção social;
 
3. Saúde.
 
A terceirização de equipamentos de saúde e de funções regulatórias de Estado, entre muitos outros pontos, faz com que a política privatizante do SUS no estado, em curso a partir de 1998, penalize a maioria da população paulista e se constitua em elemento de reforço à não-construção e à desconstrução – planejada e que vem se dando desde 1989 – do SUS. 
 
Os diversos setoriais do PT certamente propiciarão demonstrações ao candidato Mercadante de como as gestões demotucanas no estado de São Paulo governaram para no máximo 1/3 da população.   
     
Segue o noticiário.
 
Um abraço
Ricardo
O “colapso” de Serra e as chances de Mercadante em SP
por Luiz Carlos Azenha
 

A Folha dá no manchetão que “Lula prepara ofensiva para tentar mudar eleição em SP”.

Faz sentido: se não levar Aloízio Mercadante, o candidato do PT, ao segundo turno, pelo menos garante no estado os votos para liquidar a fatura da eleição presidencial no primeiro turno.

Eu, como sou precavido, acho meio estranha essa história de cantar vitória antes da hora, como vejo muita gente fazer.

Pesquisa é pesquisa, voto é voto.

Mas, não há dúvida, a curva das pesquisas não sofreu alteração desde que se iniciou a campanha, lá atrás.

O diretor do Sensus, Ricardo Guedes, acha que a tendência de crescimento de Dilma é sólida:

 

 

Na terça-feira sai mais uma pesquisa CNT/Sensus.

Um dos fatos incontestáveis deste periodo eleitoral é o fortalecimento da reputação de Vox Populi e Sensus, que desde lá atrás cantaram a pedra.

Em São Paulo, o jogo é diferente.

Fiz minha previsão, muito criticada pelos leitores do blog.

Acho que o problema de fundo do PT em São Paulo é não ter entendido lá atrás que era necessário definir uma estratégia para driblar a blindagem da mídia. Presumo, mas é apenas uma presunção, que o partido prefere manter os espaços (?) que tem nos veículos tradicionais.

Seja como for, vi um trecho da propaganda do candidato Mercadante na TV e achei boa: ele elogia algumas coisas existentes em São Paulo, mas diz que o bom não é para todos. Acho que é uma boa linha de campanha. Com certeza encontra ressonância em uma parcela considerável da população.

Noto, inclusive, que o candidato Geraldo Alckmin já fala em rever os contratos dos pedágios paulistas.

Presumo que seja uma vacina contra a nova estratégia de Lula, Dilma e Mercadante.

Será que as coisas vão ficar “interessantes” por aqui?

Fonte: http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog

Comentários
  1. Camaradas,

    Muito boas as colocações do camarada Ricardo.

    No entanto, tenho algo a observar sobre essa história de “um terço”. Ora, ao estimar em “1/3”, esse discurso acaba por jogar boa parte da dita “classe média” entre aqueles que seriam beneficiados pelos governos tucanos. Pode parecer uma filigrana, mas esta é uma estimativa que reforça o sentimento prevalecente em boa parte destes setores, de que os governos petistas servem apenas aos “mais pobres”, e, portanto, “não servem para mim”.

    Esse discurso vai na onda daqueles que, mais que segmentar a sociedade em estratos de acordo apenas com sua capacidade de consumo (o que criou essa história de “classes A, B, C, D e E”), ainda rebaixaram bastante a linha a partir da qual uma família passe a ser considerada de “classe média”. Caramba, os caras tem a pachorra de dizer que quem tem renda familiar acima de 3 salários mínimos já seria integrante da classe média! E nós aceitamos isso…

    O discurso precisa ser mudado. Quando muito, os governos tucanos serviram, objetivamente, a no máximo, estourando, uns 3% da população, quando muito. Ou seja, àqueles que, objetivamente, fazem parte da burguesia, e de setores das “classes médias” (vá lá…), de renda mais alta mesmo e que, de alguma forma, são “sócias” nos projetos privatizantes e congêneres.

    Abraços,

    Aylton

  2. Aylton,

    Concordo plenamente. Temos que encher o saco do Mercadante, e da coordenação da campanha dele, para bater nesta tecla.

    Um abraço
    Ricardo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s