Arquivo de Setembro, 2010

 

(atualizada às 14h55 e às 15h11)

O presidente do Equador, Rafael Correa, denunciou que a rebelião policial que sitiou a capital do país, Quito, nesta quinta-feira (30/9), é uma tentativa de golpe e disse ter receio de ser assassinado.

“Se algo acontecer comigo, saibam que meu amor pela pátria é infinito e que amarei eternamente minha família, e que tudo terá valido a pena”, declarou.

Em discurso ao vivo transmitido pela Rádio Pública do Equador, o presidente disse que se sente “sequestrado” e contou que dispararam bombas de gás lacrimogêneo em sua direção , por isso ele foi hospitalizado. Segundo ele, a bomba passou a centímetros de seu rosto. Outro artefato teria provocado um ferimento em sua perna, e o presidente foi levado para o Hospital da Polícia Nacional, em Quito.

“Estão me dizendo que o hospital está cercado, que estão revistando ambulâncias que saem e chegam, e que ninguém poderia sair nem entrar. Se isso for verdade, seria o sequestro do presidente da repúbica, o que seria algo extremamente grave. Seria traição à pátria”, afirmou.

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Falando à rádio de dentro do hospital, de onde disse não ter visão do lado de fora, Correa acusou setores da oposição de terem enganado os policiais sobre os efeitos da nova lei do funcionalismo público.

“Espalharam a eles que íamos cortar o soldo pela metade, mas na verdade dobramos, e é justamente isso o que estabelece a nova lei! A lei estabelece que o Ministério do Trabalho definirá compensações para os policiais que têm de trabalhar horas extras. Inventaram uma mentira verossímil, e lamentavelmente os policiais foram ludibriados. Mas, por mais, que se tenham enganado as pessoas, é inadmissível q tenham ignorado os apelos a manter a ordem pública”, afirmou o presidente.

Entre os possíveis responsáveis pela suposta tentativa de golpe, o presidente Rafael Correa mencionou seu antecessor no cargo, Lucio Gutiérrez, derrubado por uma revolta popular em 2004.

“Está claríssimo de onde vêm essas intenções desestabilizadoras. São pessoas que estão tentando um golpe de estado porque não podem ganhar nas urnas”, disse.

Correa disse que, assim que possível, vai voltar para negociar e chamou os policiais de covarde por terem “apontado contra o presidente”.

“Impediram as pessoas de respirarem”, disse. “É impressionante: nossa força pública alvejou o presidente!”, desabafou.

Apesar de condenar a insurreição e de expressar confiança na “maioria” da corporação, que “sabe o carinho que temos por ela”, o presidente deu a entender que teme pela própria vida.

“O máximo que posso perder é a vida, e perderei com custo se for para salvar a democracia. Prefiro estar morto do que preso. Se quiserem, venham aqui e me deem um tiro, mas não derrubarão a república. Como disse [o poeta chileno Pablo] Neruda, ‘poderão cortar as flores, mas não poderão impedir que chegue a primavera'”, afirmou Correa.

Em discurso na praça pública, o chanceler do país, Ricardo Patiño, afirmou que pessoas estariam tentando invadir o hospital para “atacar a integridade física” do presidente e conclamou a população a rumar para o prédio e libertar Correa.

“Companheiros valentes aqui presentes, vamos juntos resgatar o presidente!”, pediu Patiño.

Ainda de acordo com a emissora, chanceleres de outros países estariam indo para o Equador para ajudar a mediar a crise. Um jornalista da rádio teria sido espancado e asfixiado por rebelados, mas já estaria socorrido.

No Equador, além das forças armadas, que reafirmaram sua subordinação ao presidente, que, pela Constituição (assim como no Brasil, no EUA e várias repúblicas democráticas), é o comandante supremo das forças armadas. Além disso, os prefeitos de cidades de porte médio como San Lorenzo e San Domingo expressou apoio ao presidente.

O governo da Espanha soltou uma nota oficial condenando uma suposta tentativa de golpe e declarou apoio incondicional ao governo eleito de Rafael Correa.

Reproduzo texto do brilhante jurista Walter Maierovitch, publicado no blog dele, no Terra.

NOS CORREDORES DO SUPREMO, FALA-SE EM IMPEACHMENT DE GILMAR MENDES

por Walter Maierovitch

A matéria apresentada pelo Jornal Folha de S. Paulo é de extrema gravidade. Pelo noticiado, e se verdadeiro, o ministro Gilmar Mendes e o candidato José Serra tentaram, por manobra criminosa, retardar julgamento sobre questão fundamental, referente ao exercício ativo da cidadania: o direito que o cidadão tem de votar.

Atenção: Gilmar e Serra negam ter se falado. Em outras palavras, a matéria da Folha de S.Paulo não seria verdadeira.

Pelo que se infere da matéria, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes interrompeu o julgamento do recurso apresentado pelo PT. Pela ação proposta, considera-se inconstitucional a obrigatoriedade do título eleitoral, acrescido de um documento oficial com fotografia.

O barômetro em Brasília indica alta pressão. Pressão que subiu com o surpreendente pedido de “vista” de Mendes. E que chegou no vermelho do barômetro com a matéria da Folha. Ligado o fato “a” (adiamento) com o “b” (pedido de Serra), pode-se pensar no artigo 319 do Código Penal: crime de prevaricação.

Já se fala entre políticos, operadores do Direito e experientes juristas, caso o fato noticiado na Folha de S.Paulo tenha ocorrido e caracterizado o pedido de Serra para Gilmar “parar” o julgamento, em impeachment do ministro.

O impeachement ecoa na “rádio corredor” do Supremo. E por eles circulam ministros e assessores.

Com efeito. O julgamento da ação proposta pelo PT transcorria sem sobressaltos. Não havia nenhuma dificuldade de ordem técnica-processual. Trocando em miúdos, a matéria sob exame dos ministros não tinha complexidade jurídica. Portanto, nenhuma divergência e com dissensos acomodados e acertados.

Sete ministros já tinham votado pelo acolhimento da pretensão apresentada, ou seja, ao eleitor, sem título eleitoral, bastaria apresentar um documento oficial, com fotografia. A propósito, a ministra Ellen Gracie observou que a exigência da lei “só complica” o exercício do voto.

O que surpreendeu, causou estranheza, foi o pedido de vistas de Gilmar Mendes. Como regra, o pedido de vistas ocorre quando a matéria é de alta complexidade. Ou quando algum ministro apresenta argumento que surpreende, provocando a exigência de novo exame da questão. Isso para que quem pediu vista reflita, mude de posição ou reforce os argumentos em contrário.

Também causou estranheza um pedido de vista de matéria não complexa, quando, pela proximidade das eleições, exigia-se urgência.

Dispensável afirmar que não adianta só a decisão do Supremo. É preciso tempo para a sua repercussão. Quanto antes for divulgado, esclarecido, melhor será.

Terceiro ponto: a votação no plenário do STF se orientava no sentido de que a matéria era de relevância, pois em jogo estava o exercício da cidadania. A meta toda era, como se disse no julgamento,  facilitar e não complicar o exercício da cidadania, que vai ocorrer, pelo voto, no próximo domingo, dia das eleições.

Um pedido de vista, a esta altura, numa questão simples, em que os sete ministros concluíram que a lei sobre a apresentação de dois documentos para votar veio para complicar, na realidade, dificultava esse mencionado exercício de cidadania ativa (votar).

O pedido de vista numa questão que tem repercussão, é urgente e nada complexa, provocou mal-estar.

Os ministros não querem se manifestar sobre a notícia divulgada pela Folha, uma vez que, tanto José Serra quanto Gilmar Mendes negaram. Mas vários deles acham que a apuração do fato, dado como gravíssimo, se for verdadeiro, é muito simples. Basta quebrar o sigilo telefônico.

Pano rápido. Como qualquer toga sabe, a matéria da Folha de S.Paulo é grave porque envolve, caso verdadeira, uma tentiva de manipulação que prejudica o direito de cidadania. Trata-se de um ministro do Supremo, que tem como obrigação a insenção. Serra e Mendes desmentiram. A denúncia precisa ser apurada pelo Ministério Público e, acredita-se, que a dra Cureau não vai deixar de apurar e solicitar, judicialmente, a quebra dos sigilos telefônicos de Serra e Mendes.

A única forma de se cassar um ministro do Supremo, já que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não tem poder correcional sobre eles, é o impeachment. Ministros do Supremo só perdem o cargo por impeachment.

O único caminho, quando se trata de grave irregularidade, de crime perpetrado — e esse caso, se comprovado, pode ser caracterizado como crime —, é o impeachment.

Na historiografia judiciária brasileira nunca houve impeachment de ministro do STF. Já houve cassação pela ditadura militar, e por motivo ideológico

Flavia Bemfica

Direto de Porto Alegre

Pesquisa Datafolha encomendada pelo Grupo RBS e o jornal Folha de S. Paulo, divulgada nesta quinta-feira (30), confirma a liderança do petista Tarso Genro na corrida pelo governo no Rio Grande do Sul. Genro tem 45% das intenções de voto. O peemedebista José Fogaça aparece em segundo, com 25%.

A governadora Yeda Crusius (PSDB), candidata à reeleição, está em terceiro, com 15%. Pedro Ruas (Psol) aparece com 1%. Os demais candidatos não pontuaram. Brancos e nulos somam 3% e indecisos 10%.

Quando contabilizados apenas os votos válidos, Genro aparece com 52%, o que, de novo, indica a possibilidade de vitória no primeiro turno. Mas como a margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, o resultado é uma incógnita e deixa petistas e peemedebistas na expectativa de um pleito que já se coloca entre os mais disputados da história do Estado.

Quando o que é medido é a rejeição aos candidatos, Yeda continua à frente. Ela tem 41% de rejeição; Genro está com 15% e Fogaça tem 13%.

Senado
A pesquisa também mediu as intenções de voto para o Senado e para a presidência da República entre os gaúchos. No Senado, a progressista Ana Amélia Lemos, que tem 53%, segue na liderança e continua a crescer. Em segundo, aparece o senador Paulo Paim (PT), candidato à reeleição, com 49%. O peemedebista Germano Rigotto está com 39%. Abgail Pereira (PCdoB), companheira de chapa de Paim, tem 12%, enquanto Vera Guasso (PSTU) está com 2%. Os demais candidatos têm 1% ou menos cada. Brancos e nulos para uma das vagas somam 6% e, para as duas vagas, 3%. Indecisos para uma das vagas são 23% e, para as duas, 9%. Este ano os eleitores devem votar em dois candidatos para o Senado.

Para a presidência da República a pesquisa apontou mais uma vez a liderança de Dilma Rousseff (PT). A pestista tem 43%. Já José Serra (PSDB) está com 35% e Marina Silva (PV), com 10%. Plínio de Arruda Sampaio (Psol) está com 1%. Os demais candidatos não atingiram 1%.

A pesquisa foi realizada, entre os dias 28 e 29 de setembro, com 1.400 entrevistados, e está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sob o protocolo número 50.164/2010 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo número 33.146/2010.

Fonte: Portal Terra

 

DE SÃO PAULO

O Datafolha aponta que Ana Amélia Lemos (PP) e Paulo Paim (PT) consolidaram a lideranla na disputa pelo Senado no Rio Grande do Sul. A pepista soma 53% das intenções de voto, e o petista, 49%.

Em terceiro lugar aparece o ex-governador Germano Rigotto (PMDB), com 39%.

Considerando só os votos válidos, Ana Amélia teria 33%, ante 31% de Paim. O peemedebista somaria 25%.

A pesquisa foi feita com 1.400 eleitores, em 56 municípios, nos dias 28 e 29 de setembro. A margem de erro é de três pontos. O número do registro no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é 33146/2010.

Anna Ruth Dantas

Direto de Natal

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), paralisou as mobilizações da sua própria campanha à reeleição e foi ao Rio Grande do Norte para tentar alavancar a candidatura do correligionário Iberê Ferreira. Candidato à reeleição ao governo do Estado, Iberê está em segundo lugar nas pesquisas, 20 pontos atrás da senadora Rosalba Ciarlini (DEM).

O discurso de Eduardo Campos foi centrado na tese de que pesquisas erram e que Iberê Ferreira irá para o segundo turno. Eduardo lembrou que em 2006, quando disputou pela primeira vez o governo de Pernambuco, não era apontado como líder nas pesquisas, mas terminou ganhando o pleito. Campos ressaltou que os pernambucanos “farão uma grande fila” para irem ao Rio Grande do Norte saudar “a eleição no segundo turno”.

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

A menos de uma semana da eleição que o coloca em condição de conquistar uma das duas vagas destinadas ao Senado para o Estado de São Paulo, o candidato Netinho de Paula (PCdoB) afirma em entrevista exclusiva ao Terra que essa possibilidade representa para algumas pessoas um sentimento de “raiva”, especialmente entre os integrantes da elite paulista. Na opinião do candidato, há uma superexposição do caso de agressão à sua ex-mulher e de outras acusações a ele que envolveriam violência física, além de problemas financeiros na Organização Não-Governamental que criou em Carapicuíba. Por trás de alguns desses ataques “tem um grande apelo de desconforto racial”, diz ele.

Porém, Netinho diz que o movimento feminista sai fortalecido desta campanha. “Eu acho que cumpri um papel positivo, porque você falar sobre um assunto de agressão, falar sobre a (lei) Maria da Penha, numa candidatura para o Senado em São Paulo, isso nunca foi pauta de discussão de Senado, entende?”

Netinho falou também da relação com a sua companheira de chapa, Marta Suplicy (PT), que ele caracteriza como “cordial”, ainda que não íntima. Segundo ele, durante o período eleitoral, houve orientações diferentes para as duas campanhas que os mantiveram afastados. Descontente com a postura, Lula chamou os dois na semana passada para gravarem juntos, o que se repetiu posteriormente com Mercadante. “É isso que a gente queria desde o início. Antes tarde do que nunca”, disse ele.

Terra – Durante uma entrevista ao Terra, em maio, você disse que se sentia um tanto preterido pelo PT. Ali era o momento que os petistas ainda contavam com a possibilidade de o Gabriel Chalita (PSB) disputar o Senado na coligação. Você acha que hoje, dentro do PT, há uma aceitação total ou você ainda sente que está descolado do partido?
Netinho de Paula – Não, eu acho que a partir do momento em que ficou decidido que eu era o senador que completava a chapa, a nossa opção foi colar no governador (Aloizio Mercadante) e fazer todas as agendas com o governador. Eu acho que isso foi um grande acerto da nossa campanha.

Terra – Isso partiu do PT? Ou foi uma ideia de vocês?
Netinho de Paula – Não, isso partiu do PCdoB, da nossa direção, até porque, em termos de condição de campanha, nossa condição era muito pequena. E o Mercadante também achou que isso seria muito bom. A questão de eu ser uma pessoa bem popular e de ele já ter uma organização política o aguardando para chegar na cidade e tudo mais. A soma disso ia ser muito boa para o nosso trabalho. E foi exatamente o que aconteceu. Eu fui muito bem recebido. Acho que a maioria dos deputados e dos presidentes dos “PTs” que a gente visitou foram todos muito gentis, receberam a gente de braços abertos, entendendo que era um candidato da chapa. O PT do Estado todo abraçou a candidatura.

Terra – Deu para perceber que você realmente ficou muito próximo do Mercadante, até do senador Eduardo Suplicy (PT), que tem participado quase todos os dias na campanha. Vocês tem conversado bastante no sentido de eles te orientarem para saber o que você vai encontrar lá na frente, caso seja eleito?
Netinho de Paula – Eles tem dito muito para mim sobre como o trabalho parlamentar é, em alguns momentos, desgastante. Ainda mais quando você é da base do governo. A função de você estar conversando, dialogando, foi uma opção que eles fizeram. Cada um tem um estilo muito diferente. O Aloizio muito mais voltado para o setor econômico e o Suplicy para a questão social. Isso foi uma química muito boa na defesa do Estado. Eles não queriam que a gente perdesse isso, no caso de dar certo. Eles passam sim muitas dicas do que fazer, do que não fazer, do que é legal, do que não é legal. Têm sido pessoas muito próximas. Esse tempo todo a gente tem conversado, não só em campanha, mas jantando um na casa do outro, trocando ideias.

Terra – Você acha que está preparado? Quando a gente conversou lá no começo da campanha ainda era uma possibilidade, você estava entrando, ninguém sabia exatamente se ia crescer, se não ia. Hoje você está muito próximo, pelo resultado das pesquisas, de ser eleito senador. Você acha que está preparado para a responsabilidade de representar São Paulo no Senado?
Netinho de Paula – Eu acho que eu estou muito preparado. Eu não toparia me candidatar ao Senado sem me sentir capaz de representar esse Estado, de entender as burocracias, os nós que a gente tem no nosso Estado, estar ao lado de pessoas que eu estive, da Dilma, do Mercadante, do próprio Lula, dessas pessoas, nesse tempo todo. Essa parte técnica, de onde a gente vai ter que trabalhar daqui para frente, não só em São Paulo, mas no País. Isso tudo me deu muita base.

Terra – Você estava fazendo uma faculdade de ciência política?
Netinho de Paula – Sociologia. Tive que parar em função de tudo o que a gente está fazendo. Pretendo continuar, eu gosto muito. E a FESP é uma faculdade que se dedica muito ao aluno e faz com que a gente queira cada vez mais aprender também.

Terra – Ao mesmo tempo em que você esteve muito próximo do Aloizio Mercadante, do senador Suplicy, tem sido noticiado também um ponto de atrito com a Marta Suplicy. Nessa última semana vocês estiveram em Brasília, gravaram com o presidente Lula. Depois, no horário político, entrou uma gravação de vocês com o Aloizio Mercadante. Como é que foi a sua receptividade por parte dela?
Netinho de Paula – Eu acho que (as candidaturas) partiram de orientações diferentes. A minha candidatura ficou muito colada à do Mercadante, com a ideia de que nós somos um time e que esse time tinha que trabalhar coeso e que um não disputava, não atrapalhava o público do outro. Eu acho que a Marta teve uma outra orientação, de que atrapalhava e tal. O bacana é que eu acho que, com o tempo, não só os números, os dados, as pesquisas, fizeram os dois lados perceberem que trabalhar junto, num sentido só, como um time, era o melhor. É esse o filme que você viu e é a tentativa que o Lula já vinha fazendo desde o primeiro comício que ele fez aqui em São Paulo, falando: “Quem votar na Marta, vota no Netinho. Quem votar no Netinho, vota na Marta”. Essa é a ideia que a gente defendeu desde o início, mas a direção da campanha da Marta tinha uma outra visão. Eu também não posso dizer que a Marta tenha sido indelicada, ou tenha cometido algum ato falho comigo. Isso não aconteceu.

Terra – A impressão que dá é que ela pode até não ter sido indelicada, mas que também não se envolveu muito. Sempre manteve uma certa distância…
Netinho de Paula – Acho que por orientação, mas todas as vezes em que nós estivemos juntos, a gente sempre conversou, sempre teve uma troca de ideias, sempre foi muito cordial. Houve também aquele episódio de uma pessoa da equipe ter soltado um vídeo, ter mandado para a imprensa, e que para mim também foi superado, porque no mesmo dia em que aconteceu isso ela me ligou dizendo: “Netinho, eu quero que você acredite que não fui eu. Não tem minha autorização. Eu quero que você não leve isso em conta”. A minha relação com ela tem sido de trabalho. Eu não tive tempo, nesses meses, para pensar no que as pessoas estão pensando sobre mim, não dava. Eu tinha que estar na rua, trabalhando, andando, viajando pelo Estado, então, para mim, tudo foi muito válido. A minha relação com ela tem sido melhor a cada dia. Na semana passada, nós fomos para Brasília, gravamos juntos. O vídeo tem tido uma repercussão excelente. É isso que a gente queria desde o início. Antes tarde do que nunca.

Terra – Sua relação pessoal com ela, hoje, é boa?
Netinho de Paula – Acho que é uma relação boa, cordial. Isso… inalterou. Sempre foi, de cumprimento, de troca de ideias. Nós nunca fomos íntimos, né? Estamos mais próximos agora, nessa reta final de campanha.

Terra – Vocês estão disputando o mesmo eleitorado?
Netinho de Paula – Absolutamente, porque são dois votos. Muito pelo contrário, eu acho que a Marta traz com ela, inclusive, um voto para um segmento até mais qualificado, de uma classe média, que eu nunca tive nem acesso. Ela dialoga bem com essa classe. E ela sempre foi uma prefeita que fez um mandato para a periferia. Muito semelhante ao que eu sempre trabalhei, tanto como vereador, ou nas minhas propostas, na música, ou no programa que eu apresentei. Não é conflitante, é complemetar.

Terra – Você foi surpreendido de alguma maneira com tudo que tem vindo à tona nas duas últimas semanas de campanha em relação a você?
Netinho de Paula – No início, eu achava que não iria acontecer nada, esse tipo de ataque e tal, mas, depois que eu vi como eles estavam se comportando no horário eleitoral, eu esperava que, no final, eles iam tentar centrar fogo mesmo. Minha vida, no fundo, nunca foi diferente disso. Sempre foi tudo muito difícil. Eu sei o que representa uma candidatura minha para alguns setores da sociedade, particularmente para essa elite que a gente tem aqui em São Paulo. Um cara que veio do gueto, que vendia doce, que é da periferia, chegar, disputar e ganhar o Senado em São Paulo, para algumas pessoas tem o sentido de raiva. Por trás de muitos desses ataques, de informações falsas, de coisas que eles publicam, tem um grande apelo de desconforto racial.

Terra – O que você considera falso?
Netinho de Paula – Muita coisa do que eles falaram, de falta, de ficar me xingando, falando que eu sou um covarde, de falar do projeto, que é uma coisa que eu sempre amei tanto, lá na Cohab, nossa galerinha, a molecada, de falar dessas coisas da minha vida pessoal. Aí é apelação, eles estão raivosos mesmo.

Terra – A questão da agressão à sua ex-mulher… Você acha que vai carregar esse peso para sempre?
Netinho de Paula – Eu não acho. Na verdade, eles não tinham muito o que falar de mim. Eles pegaram alguma coisa que aconteceu em 2005 e trouxeram à tona para um debate de Senado. Eu acho que a gente tem que ver por dois lados esse assunto. Eu acho que cumpri um papel positivo, porque você falar sobre um assunto de agressão, falar sobre a (lei) Maria da Penha, numa candidatura para o Senado em São Paulo, isso nunca foi pauta de discussão de Senado, entende? Eu acho que o movimento feminista sai fortalecido dessa eleição. Quanto à minha posição, a população em geral, não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil, já sabia minha posição, já sabia o que eu tinha feito, e eu fui eleito depois disso, voltei com o meu programa depois disso, com altos índices de audiência, e fui muito bem votado, dizendo o seguinte: “Legal. Fato superado”. Então eu acho que eles não tinham muito por onde me pegar. Acho que foi uma falha de marketing da campanha dele (Aloysio Nunes Ferreira). Para mim, isso é uma coisa já resolvida na minha vida.

Terra – Você acha que, hoje, é o Aloysio quem pode colocar uma das vagas de vocês em risco? Como é que vocês estão lidando com esse crescimento dele nessa reta final? Você e a Marta estão estabilizados nas últimas pesquisas e ele tem apresentado um crescimento. De alguma maneira, um dos três vai sobrar…
Netinho de Paula – Eu acho que o crescimento dele é algo natural nesse processo, com a saída do Quércia, com o afastamento do senador Tuma, em função de ele ter ficado doente e não estar fazendo corpo-a-corpo na rua. Com o tempo de TV que ele herdou, com a força do PSDB no Estado, a tendência não era ele ficar com 4, 5, 6 pontos, como ele estava. Acho que é natural ele crescer. Eu acho que nós trabalhamos, tanto eu como a Marta, nós fomos para o vídeo para fazer propostas, para falar o que acha que seria bacana para São Paulo e de que forma o Senado podia influenciar nessas propostas que a gente pretende implantar. Acho que o povo comprou essa ideia, enquanto ele ficou voltado para mim. Acho que isso atrapalhou um pouco sim.

Terra – No domingo, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre uma outra agressão a uma funcionária da Vasp. Como é que você explica isso?
Netinho de Paula – Além de ser uma inverdade, teve até um acordo para não ter problema. Ela tinha que provar que houve a agressão. Não houve a agressão. Ela sentiu que foi um dano moral, porque tivemos uma discussão no aeroporto por atraso do voo. Eu tinha que embarcar, estava com overbooking, eu queria falar com ela e ela deu as costas. Eu falei: “moça, você não pode me dar as costas. Eu estou falando com a senhora”, ela falou: “você está gritando comigo”, e foi parar tudo na delegacia. Foi uma discussão, que virou um processo, porque ela disse que em função dessa discussão a saúde dela complicou e tal. O juiz perguntou: “tem acordo”, eu falei: “tem acordo”. Fizemos um acordo e segui minha vida. Ela entrou com uma ação de R$ 80 mil, mas foi feito um acordo em um valor menor e ela foi embora. Eu não entendi quando voltou esse assunto, eu fiquei pensando “espera aí, a Folha trouxe isso agora, na semana da eleição, por qual motivo? Alguma coisa tem”. A mulher eu nunca mais vi desde 2001 e, resolvido, toquei a minha vida. A briga com a Sandra, a minha ex-esposa, foi em 2005, inclusive a Sandra estava comigo no aeroporto quando aconteceu isso. Não tem nada a ver com a discussão no Senado. Eu não entendi o porquê estão fazendo isso. Quer dizer, não sou tão inocente. Essa semana, tudo o que eles puderem fazer, eles vão fazer. Se tiver algum carnê que eu não paguei, que eu atrasei… Na época que eu morava na Cohab, eu recebi umas cartas pretas que estavam atrasadas, porque era difícil, mas eu paguei tudo. Se eles trouxerem isso também, é a minha vida, é isso aí.

Terra – Você citou o projeto social Casa da Gente, tem também essa questão da dívida, o que se passa aí?
Netinho de Paula – Isso não tem nada a ver comigo. O instituto tem a vida dele, tem a direção que pode responder por ele, pelas coisas que eles fazem…

Terra – Mas tem o seu nome associado, de alguma maneira…
Netinho de Paula – Com muito orgulho. A gente que ajudou a criar aquilo, a gente que sonhou com aquilo. Se tiver dívida, paga a dívida, não tem problema nenhum. Não tem como as pessoas pegarem o dinheiro do instituto. Eles tiveram problema na prestação de contas, foi isso que aconteceu. Pelo menos nisso eu acho que a matéria foi verdadeira, de dizer que está na tomada de contas e que não houve má fé. O problema é que eles põe na chamada “ONG do Netinho deve não sei quanto”, aí neguinho já pensa “ai, meu Deus, roubaram as crianças”. Aí é armação.

Terra – Mas é a ONG no Netinho, não é? Todo mundo conhece aquilo como a ONG do Netinho. Para o bem ou para o mal…
Netinho de Paula – É verdade, mas, poxa, falar isso da ONG é mancada, né? Continua falando de mim, me xinga, mas deixa nossa Cohab tranquila lá.

Terra – Mas tem problemas, não é? E não é um valor baixo, convenhamos…
Netinho de Paula – Porque os projetos que foram executados não foram pequenos, né? Eles dizem, por exemplo, que o dinheiro foi usado para a construção da sede. Como é que ia construir a sede se ela já existia? O governo não ia dar rescurso para implementar programas se não tivesse a sede. Eu conheci a nossa imprensa, de verdade, nessas últimas duas semanas. Fica muito claro que ela tem lado, né? Ela está a serviço de algumas coisas. Fiquei muito triste mesmo.

Terra – Isso embasa o discurso do Lula, no comício em Campinas, em que ele falou que a imprensa estava tomando partido político, que até gerou uma discussão sobre liberdade de imprensa. Como é que você vê isso?
Netinho de Paula – Acho que é legítimo. Acho que você tem até que ter lado, desde que você assuma. Eu não acho que tem que ter isenção não. Quem optar por isenção, que seja isento e fale: “eu sou isento”, mas quando você começa a colocar coisas que não são verdades… A minha pergunta é a seguinte: então, se a ONG do Netinho tem problemas, nenhum dos outros candidatos que estão disputando ao Senado têm problemas? É só o Netinho que tem problemas? Essa é a pergunta que fica. Por que não é dado aos outros candidatos a mesma invasão de privacidade, de problemas, de vida, de questões pessoais? O nosso povo não está mais bobo, entende? A galera meio que se liga. É o que eles falam para mim na rua, o povo fala: “Neto, fica firme. Eu poderia ficar sentado no sofá dando risada de vários programas, como todo mundo faz, mas eu vim para a política porque eu acho que eu posso ser melhor do que está, eu acho que eu posso contribuir. Eu vim porque eu quero contribuir, não é porque eu preciso da política para poder viver. Se eu fizer meus shows, eu vou viver muito bem.

Terra – Você tem uma carreira dentro do mundo artístico e deve ter tomado conhecimento que no Twitter, a Rita Lee desceu a lenha, escreveu uma historinha referente a você. Você chegou a ver, soube disso?
Netinho de Paula – A Rita Lee?

Terra – Ela escreveu uma história de ficção que envolvia o seu nome, falando de episódios de violência… Você acha que de alguma maneira, esses episódios podem deixar em você uma marca de uma pessoa violenta? Tem o caso da sua ex-mulher, esse outro caso da Vasp, a história do pessoal do Pânico, que você também teve atrito…
Netinho de Paula – Eu faço a seguinte análise para você. Eu tenho 40 anos de idade. Em termos de violência, você citou três episódios.

Terra – Da última década…
Netinho de Paula – Eu não lembro de ter mais, mas digamos que eu tenho três episódios que vocês então citam como eu sendo violento. Será que em 40 anos de tudo o que eu fiz, de bom, ninguém vai perguntar… O Neto fica como uma pessoa que fez isso, que foi o primeiro negro aí nos últimos 40 anos a ter um programa de televisão, que trouxe uma discussão sobre a periferia urbana de São Paulo com o seriado Turma do Gueto, que organizou como o primeiro grupo aqui da cidade de São Paulo uma ONG em um município que precisa. Eu acho que tem coisa muito mais positiva do que isso. E é essa resposta, essa força que o povo me dá. É diferente dessa imprensa que tem feito isso massivamente nesses últimos dois três meses em que eu me tornei candidato ao Senado. Porque o Senado é algo que mexe muito com essa nossa elite conservadora. E eu quero ter muito a oportunidade de mostrar que sem revanchismo, essa elite estava equivocada. Eu quero mostrar que a gente vai melhorar a receita do nosso Estado, que a gente vai implementar boas políticas públicas e que eles possam falar assim: realmente a gente estava enganado com relação ao Netinho. Esse é o meu anseio.

Terra – Você foi eleito vereador com 88 mil votos em 2008. Você acha que o seu mandato que tem pouco mais de um ano e meio foi suficiente para convencer o eleitorado de que você pode ser um bom Senador?
Netinho de Paula – Não é um mandato de vereador, em um ano e meio ou dois anos que vai falar se uma pessoa vai ser um bom senador ou se a pessoa pode ser um bom prefeito ou um bom governador. São os projetos, os planos, os desejos, os sonhos, o seu poder de convencimento, a sua história de vida que te credencia. Ou para você ser um bom vereador ou para você ser um presidente da República, como foi o Lula. Eu acho que esses rótulos que são dados… Como é que pode, o cara passou um mês como vereador e quer ser presidente da República. Eu acho que isso aí, não é esse trâmite que deve ser questionado. O que tem de ser questionado é o seu desejo. Para ser senador, você precisa ter popularidade? Um pouco. Você precisa conhecer um pouco do Estado? Precisa conhecer… Precisa ter bons projetos? Precisa ter boas alianças, precisa ter bons aliados? Isso eu acho que eu tenho. Acho não, eu tenho certeza que tenho. Não é à toa que a maioria desses meus aliados são pessoas que estão aí para ser entre os mais votados esse ano. Portanto eu me sinto muito tranqüilo em relação a isso.

Terra – Que garantias o senhor pode dar para o eleitor que cumprirá os oito anos de mandato no Senado. Aliados seus, em conversas particulares, falam até de o ser candidato a prefeito em 2012…
Netinho de Paula – Diferente de outros políticos, eu tenho o compromisso de ser um bom senador, no tempo que eu puder ser um bom senador. Porque ser candidato a governador, ou ser candidato a prefeito ou a presidente, é muito mais do que você querer. É você ter um grupo e uma quantidade expressiva de pessoas que queiram. Portanto, se eu fui durante quase dois anos vereador e acredito que serei eleito para o Senado, é porque o povo quis. Se o povo quiser que eu seja um prefeito ou que eu seja um governador, eu farei a vontade do povo. Eu hoje, eu Netinho, tenho a vontade de ser um ótimo senador.

Terra – Você tem ambições políticas, ainda que não seja agora, mais adiante…
Netinho de Paula – Acho que o político que não tiver ambições de crescer, de poder ampliar os seus horizontes, não deveria ser político. Mas acho que tudo isso é construído ao longo do tempo. Eu entrei como vereador sabendo e comunicando a todos que queria disputar para o Senado. Com relação a outros pleitos, hoje eu não tenho, nem essa pretensão. Minha vontade hoje é de fato ser um bom senador.

Terra – E como conciliar essa carreira de Senador. O senhor tem sido alvo de críticas por ter faltado aqui como vereador ter mantido a carreira de artista, que isso tenha talvez prejudicado um pouco o seu mandato como vereador. Dá para conciliar as duas coisas, o senhor no Senado com a carreira de artista. Como se concilia isso?
Netinho de Paula – É com essas coisas que eu fico triste. Com mentiras, com inverdades. Porque eu não tenho porque faltar na Câmara, onde as sessões são à tarde e acabam geralmente às 9 horas da noite. Quem é que vai fazer show, terça, quarta e quinta, das 15h às 21h? Estão chamando o povo de burro. O povo não é burro. Falar essas coisas é querer instigar o povo a uma coisa que o povo… O nosso povo, quando vai curtir, é sexta-feira depois das 10 da noite, é sábado, é domingo. É onde eu sempre me apresentei a vida inteira. Então, falar uma coisa dessa é xingar o povo.

Terra – Mas há registro de faltas lá. Aconteceu alguma outra coisa?
Netinho de Paula – Não há. A gente tem de ser verdadeiro. Foram 190 sessões que a gente teve. Dessas 190 sessões, eu tive duas ausências que não foram justificadas. Duas ausências que não foram justificadas e todas as outras ausências foram representando a Câmara em alguma cidade. Então não tem sentido. A informação é fruto de um levantamento de uma entidade que sequer leva em consideração a comissão que eu presido, que é a Comissão da Criança e do Adolescente. Porque como ela é extraordinária, eles não dão atenção para essa comissão. Ela serve a alguns interesses que eu fico muito triste de saber… Então não é verdade. Eu pediria, para pelo menos a imprensa que for séria, não faça isso… Porque é mexer com 86 mil votos, pessoas que acreditaram em mim. Já pensou eu faltar porque eu fui fazer um show à tarde? Isso é chamar o povo… é brincar com o povo. Então isso não pode fazer, não é verdade.

DE SÃO PAULO

O ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, criticou nesta quinta-feira, pelo Twitter, o tucano José Serra por ele ter telefonado e “exposto” o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes.

“Serra expos o Ministro Gilmar Mendes de (sic) publico. Mandou mal”, disse Jefferson. “As vezes penso que o Serra e altista [autista]. Só pensa em si próprio. Ruim, expos o Gilmar Mendes”, reiterou.

Após receber uma ligação do candidato do PSDB, Mendes interrompeu o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação dos dois documentos na hora de votar.

Serra pediu que um assessor telefonasse para Mendes pouco antes das 14h, depois de participar de um encontro com representantes de servidores públicos em São Paulo. A solicitação foi testemunhada pela Folha.

No fim da tarde, Mendes pediu vista, adiando o julgamento. Sete ministros já haviam votado pela exigência de apresentação de apenas um documento com foto, descartando a necessidade do título de eleitor.

A obrigatoriedade da apresentação de dois documentos é apontada por tucanos como um fator a favor de Serra e contra sua adversária, Dilma Rousseff (PT).

A petista tem o dobro da intenção de votos de Serra entre os eleitores com menor nível de escolaridade.

 

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, lidera a corrida eleitoral com 49% das intenções de voto e venceria no primeiro turno caso as eleições fossem hoje, é o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (30) pelo jornal Folha de S. Paulo. O petista Aloizio Mercadante registra 27%, seguido por Celso Russomanno (PP) que foi lembrado por 9% dos entrevistados.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 23 de setembro, o candidato tucano aparecia com 51% das intenções de voto contra 23% de Mercadante.

Segundo o novo levantamento, o candidato do PSB, Paulo Skaf, tem 4% e Fábio Feldmann, 1%. Os votos brancos e nulos somam 4%. Enquanto 5% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Encomendada pela Folha de S. Paulo e pela Rede Globo , a pesquisa foi realizada entre os dias 28 e 29 de setembro, com 2.202 entrevistados em todo Estado, e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 24 de setembro de 2010, sob o número 33151/2010.

Fonte: Portal Terra

O candidato do PT acusou, depois do debate, militantes do PSC de agredir fisicamente militantes adversários

Por: Thalita Pires, especial para a Rede Brasil Atual

Rio de Janeiro – O candidato do PT ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, disse na madrugada desta quarta-feira (29), que vai pedir a atuação da Polícia Federal e do Exército para garantir a segurança durante a eleição local. “Vou pedir segurança e proteção, tropas, para ter segurança no pleito aqui”, afirmou, logo depois do debate entre os postulantes ao Palácio do Buriti.

Agnelo declarou temer que os militantes da candidata Weslian Roriz (PSC) pratiquem atos de violência. “Acho que eles estão desesperados, partindo para a agressão.” No início da noite de terça-feira (28), um confronto entre militantes do PT e defensores da família Roriz ocorreu pouco antes do debate da noite em Brasília (DF).

Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas, segundo a agência Estado, incluindo dois cinegrafistas e um repórter fotográfico, que levaram pedradas dos brigões. O carro que trazia o candidato do PV, Eduardo Brandão, teve o vidro traseiro quebrado ao entrar na emissora, mas ele não foi ferido.

Agnelo disse ainda que, no último final de semana, foi intimidado ao visitar uma feira em Sobradinho II, cidade-satélite do Distrito Federal. Segundo ele, a presença da Polícia Federal e do Exército vão “poder garantir a lisura e, sobretudo, a paz na eleição”.

Nestas eleições um fato novo está acontecendo. Fato verdadeiramente relevante. Mas que não precisa ser publicado na grande imprensa. Aliás, o fato relevante consiste exatamente nisto: o povo já não se guia pelos “fatos relevantes” publicados pela mídia. A grande imprensa perdeu o poder de criar a “opinião pública”.

A “opinião pública” não coincide mais com a “opinião publicada”.
O povo encontrou outros caminhos para chegar às suas próprias opiniões, e traduzi-las em suas opções eleitorais.
Já houve eleições que mudaram de rumo por causa do impacto produzido pela divulgação de “fatos relevantes”, tidos assim porque assim divulgados pela grande imprensa.
Agora, a grande imprensa fica falando sozinha, enquanto o povo vai tomando suas decisões.
Bem que ela insiste em lançar fatos novos, na evidente tentativa de influenciar os eleitores, e mudar o rumo das eleições. Mas não encontram mais eco. São como foguetes pífios, que explodem sem produzir ruído.
A reiterada publicação de fatos, que ainda continua, já não encontra sua justificativa nas reações suscitadas, que inexistem. Assim, as publicações necessitam se apoiar mutuamente, uma confirmando o que divulga a outra, mostrando-se interdependentes mais que duas irmãs siamesas, tal a impressão que deixam, por exemplo, determinado jornal e determinada revista.
Esta autonomia frente à grande imprensa, se traduz também em liberdade diante das recomendações de ordem autoritária. Elas também já não influenciam. Ao contrário, parecem produzir efeito contrário. Quando mais o bispo insiste, mais o povo vota contra a opinião do bispo.
Este também é um “fato relevante”, às avessas. Não pela intervenção da Igreja no processo eleitoral. Mas pela constatação de que o povo dispensa suas recomendações, e faz questão de usar sua liberdade.
Este “fato relevante” antecede o próprio resultado eleitoral, e pode se tornar ponto de partida para um processo político muito promissor. O povo brasileiro mostra que já aprendeu a formar sua opinião a partir de “fatos concretos”, que ele experimenta no dia a dia, dos quais ele próprio é sujeito. Já passou o tempo das falácias divulgadas pela imprensa, onde o povo era reduzido a mero expectador.
Em tempos de eleições, como agora, fica mais fácil o povo identificar em determinadas candidaturas a concretização da nova situação que passou a viver nos últimos anos. Mas para consolidar esta mudança, e atingir um patamar de maior responsabilidade política, certamente será necessário trabalhar estes espaços novos de autonomia e de participação, que o povo começou a experimentar.
Temos aí o ponto de partida para engatar bem a proposta de uma urgente reforma política, e também de outras reformas estruturais, indispensáveis para superar os gargalos que impedem a implementação de um processo democrático amplo e eficaz.
O fato novo, a boa notícia, não consiste só em saber quem estará na Presidência da República, nos Governos Estaduais, e nos parlamentos nacionais e estaduais. A boa notícia é que o povo se mostra disposto a tomar posição e assumir o seu destino de maneira soberana e responsável.