Arquivo de 29/10/2010

Em debate transmitido na noite de hoje, os dois candidatos ao governo do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB) e Lucas Barreto (PTB), trocaram acusações sobre o apoio de suspeitos presos na operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, realizada no dia 10 de setembro, que investigou um esquema de desvios de verbas federais por políticos, empresários e funcionários públicos do Estado.

Capiberibe disse que Barreto tem o apoio do ex-governador e candidato derrotado ao Senado Waldez Góes (PDT), preso na operação da PF.

Barreto rebateu afirmando que Capiberibe tem o apoio do atual governador, Pedro Paulo Dias (PP), outro preso pela PF na operação. “Ele [Capiberibe] tem o apoio do Pedro Paulo Dias, mas ele esconde. É na calada da noite que eles se encontram”, disse Barreto, que ainda afirmou que Capiberibe se encontrou com Pedro Paulo no dia 14 de outubro.

Em outro momento, Capiberibe disse que Barreto é o candidato do senador e ex-presidente José Sarney (PMDB). “O senhor é o candidato do senhor Sarney, que mudança é essa?”

Barreto respondeu que Sarney não apoia ninguém no Estado, mas que pretende trabalhar com o senador, caso seja eleito. “Acho que temos que trazer o senador Sarney para o debate. Imagina ele [Capiberibe], se eleito, brigando com o senhor Sarney?”, disse Barreto.

Até mesmo o apoio de prefeitos foi usado na troca de acusações entre os candidatos. Capiberibe afirmou que Barreto tem o apoio de Roberto Góes (PDT), primo de Waldez e prefeito de Macapá. Roberto já foi ouvido pela PF duas vezes durante a operação Mãos Limpas. Barreto não negou o apoio e disse que o prefeito é “bem avaliado” pela população.

O tema do apoio de políticos presos na operação dominou todo o debate, inclusive quando os temas sorteados pela organização do debate incluíram saúde e habitação.

O debate entre os dois candidatos foi marcado pela tensão desde o início. Logo na primeira pergunta, Barreto perguntou para Capiberibe quantos hospitais foram construídos na gestão de João Capiberibe, seu pai e governador por dois mandatos (1995-2002).

“Isso não é um debate sobre o governo do PSB de oito anos atrás”, disse Capiberibe, que logo em seguida citou hospitais construídos na gestão de seu pai e disse o que pretende fazer na área caso eleito. Em diversos momentos do debate, Capiberibe acusou Barreto de “viver no passado”.

Os dois candidatos aproveitaram quase todos os momentos para atacar um ao outro. Barreto, ao perguntar quais seriam sua ações, como governador, para ajudar duas cidades do interior, ouviu de Capiberibe que “isso não é uma eleição para prefeito”.

Nas suas considerações finais, Barreto afirmou que queria se solidarizar com Wagner Aleluia, um militante de seu partido, que foi baleado em frente ao comitê do PSB na madrugada de sábado, quando voltava num ônibus alugado pelo PTB depois de um comício.

Os dois candidatos afirmaram que consideraram o debate “positivo”. Capiberibe, que teve dois direitos de resposta negados, afirmou que nunca se encontrou com o governador Pedro Paulo e que não tem seu apoio, ele também voltou a falar de Sarney e disse que o senador “representa o atraso no Amapá”. Barreto, ao comentar seus apoios, disse “que os presos voltam”, e que ele não pode julgar ninguém que ainda não tenha sido julgado.

Fonte: Folha Poder

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (29) que o Brasil é um país democrático e laico, por isso a população se manifesta do jeito que quiser. “Eu acho que cada um vai de acordo com a sua consciência”, disse, em referência à declaração dada ontem pelo papa Bento 16 para que os bispos brasileiros condenem a descriminalização do aborto. O tema vem sendo usado pela campanha dos candidatos a Presidência da República para conquistar votos

Não vejo nenhuma novidade na declaração do Papa. Esse é o comportamento da Igreja Católica desde que ela existe. Se você for ver o que a Igreja Católica falava há 2 mil anos, ela falava exatamente o que o papa falou”, declarou Lula durante sua participação na 26ª edição do Salão Internacional do Automóvel, que acontece em São Paulo.

O presidente minimizou a polêmica criada em torno da fala do pontífice e sua possível interferência no pleito de domingo (31). “Isso pode ser falado a qualquer momento. Pode ser falado ontem, hoje, amanhã, depois de amanhã”, afirmou.

Para Lula, a declaração da Igreja reforça a liberdade que existe no país, porque “a gente se manifesta, a gente ganha ou a gente perde, a gente pode pagar o preço pelos erros que cometer”. “Pelo reconhecimento da sociedade brasileira, parece que a gente teve mais acerto”, concluiu.