Arquivo de 04/11/2010

Na foto, uma reunião do pessoal do SP só para SP

O Conversa Afiada reproduz e-mail do amigo navegante Miguel, do “http://limpinhocheiroso.blogspot.com Limpinho e Cheiroso:

Caros amigos do Conversa Afiada,
Fiquei estupefacto ao ler o Terra Magazine, do Bob Fernandes. A repórter Ana Cláudia Barros fez duas matérias de cair o queixo. Numa, ela entrevistou Fabiana Pereira, 35 anos, autora intelectual (sic) do manifesto que circula na internet “São Paulo para os paulistas”. Em outra, Ana Cláudia entrevistou Willian Godoy Navarro, 22 anos, signatário do manifesto e articulador, juntamente com Fabiana e outros 600 paulistas, do Movimento Juventude Paulistana.Com o Movimento Juventude Paulistana, eles querem mudar, quer dizer, melhorar São Paulo e fazer manifestações à la Greenpeace. A primeira será, observe a coincidência, na Ponte Estaiada. Outra coisa: a Fabiana defende a atitude da xenófoba-estudante de Direito-paulistana Mayara.

Sério! Dá medo ao ler as matérias… Nossa Senhora da Antixenofobia que nos proteja.

O Limpinho reproduziu os textos:

http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/11/em-manifesto-na-web-jovens-paulistas.html”

Depois de ler os artigos o Limpinho chegou às seguintes conclusões:

1. Em São Paulo, a coisa está muito pior do que eu imaginava. Muito pior…

2. Fazer manifestação na Ponte Estaiada é sintomático. Quem é da capital de São Paulo sabe que o pano de fundo do jornalismo paulistano da Rede Globo é a Ponte Estaiada. Que coincidência!

3. Willian Godoy Navarro, mesmo medindo suas palavras, se entregou: “Essas pessoas [Movimento São Paulo para os paulistas] querem mudar São Paulo, mudar não, pelo menos, melhorar.”

4. A Fabiana Pereira, com todo respeito, não diz coisa com coisa: “Acabaram usando tudo isso [a xenofobia da Mayara] para colocar até um pouco como vítima, né?!”

5. Eles querem usar a mesma tática do Greenpeace, aquele movimento que se calou durante o vazamento de petróleo no Golfo do México, cuja culpa foi da British Petroleum, que se tornou um dos piores da história dos Estados Unidos. Só falta eles querem também seguir os Repórteres com, quer dizer, Sem Fronteiras.

Miguel Baia Bargas

Como foi que tudo isso começou, amigo navegante ?

Começou aqui, amigo navegante: Serra semeou o ódio e agora o Brasil colhe a tempestade do preconceito, da discriminação e da xenofobia.

Recomenda-se reler o texto da professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco, em Mauricio Dias da Carta Capital: “O Nordeste não trocou o voto pelo miolo do pão”.

E aqui para ler “Serra perdeu porque São Paulo só pensa em São Paulo”.

Que horror !

Paulo Henrique Amorim

Flavia Bemfica
Direto de Porto Alegre

Teve tom de desabafo a apresentação que a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB) fez nesta quinta-feira (4), no auditório do Centro Administrativo do governo, dos chamados programas estruturantes de sua administração. Os programas, em número de 12, concentram as ações do governo nas diversas áreas da administração, como segurança, educação e saúde. “Levamos uma surra nas urnas”, resumiu ela, referindo-se ao processo eleitoral. Yeda, que disputou a reeleição, acabou em terceiro lugar. No Rio Grande do Sul, a corrida para o governo terminou no primeiro turno, com a vitória do petista Tarso Genro.

Yeda, que vem se mantendo distante dos holofotes desde o resultado da eleição estadual e que teve ínfima participação na campanha do segundo turno do pleito presidencial no Estado, aproveitou a solenidade para fazer também uma espécie de balanço de seus quatro anos de governo. Em determinado momento, ela chegou a comparar a derrota ao episódio envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que acaba de ver o Partido Republicano (de oposição) assumir o controle da Câmara dos Representantes.

A governadora também falou sobre episódios polêmicos de sua administração, entre eles alguns referentes à Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou uma fraude milionária no Detran gaúcho. E, ainda, abordou a Operação Mercari, divulgada durante o processo eleitoral de 2010, e que investigou o desvio de recursos da área de marketing do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, o Banrisul.

Yeda e Tarso vêm adotando um tom conciliador quando se referem um ao outro, e a governadora adiantou não se opor que a posse do governador eleito aconteça na manhã de 1º de janeiro, de forma a que ele possa acompanhar, no mesmo dia, a posse de Dilma Rousseff como presidente da República em Brasília. Mas, nesta quinta-feira, Yeda também aproveitou para enviar um recado, quando assegurou que dará prosseguimento a aprovação de projetos e a assinatura de contratos que o PT preferia que ficassem congelados até 2011.

Fonte: Portal Terra.

de Lucio Costa

É inegável que os votos das regiões mais pobres do país – Norte e Nordeste – consolidaram a ampla vantagem de 12 milhões de votos que Dilma Rousseff (PT) teve sobre o seu adversário do segundo turno, José Serra (PSDB), na eleição presidencial deste domingo. Porém, mesmo se tivesse saído dessas duas regiões sem qualquer vantagem, a nova presidente do Brasil garantiria a vitória. Ou seja: a diferença que Dilma fez em Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal já seria suficiente para anular as perdas que teve em todos os estados onde Serra ganhou.

Considerando apenas os votos do Centro-Oeste, Sul e Su­­deste, Dilma teria 33,2 milhões de votos contra 32,9 milhões de Serra – uma diferença de apenas 275 mil votos, mas que daria a Presidência à petista. Dilma venceu no Sudeste com um diferença de 1,6 milhão de eleitores e, por isso, neutralizou as vitórias de Serra nos estados do Sul, onde ele teve vantagem de 1,2 milhão de votos, e no Centro-Oeste, região em que a diferença pró-Serra foi de apenas 129 mil votos (veja mapa nesta página).

Dessa maneira, cai por terra o argumento de que foram apenas o Nordeste e o Norte que garantiram a eleição de Dilma. É o que diz o cientista político Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR. “A interpretação de que Dilma teve uma vitória ‘geográfica’ é um pouco enganosa”, afirma.

A campanha de Dilma conseguiu dois trunfos para isso. O primeiro foi garantir a vitória em dois estados importantes do Sudeste: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Juntos, os dois estados tiveram 18,8 milhões de votantes. E 11,1 milhões deles (59,3%) votaram em Dilma, contra outros 7,6 milhões (40,6%) que preferirar Serra. A segunda vantagem dela foi dividir o eleitorado nos demais estados. Exemplo mais claro disso é São Paulo. Apesar de ser o principal reduto político de Serra, o estado teve uma votação menos elástica do que poderiam prever os tucanos. Serra venceu no estado com 12,3 milhões de votos (54%) contra 10,4 milhões (45,9%) da petista.

Arranjos regionais

A professora e cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Maria do So­­corro Braga, acredita que este desempenho de Dilma nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste é reflexo dos arranjos políticos regionais. Para ela, a votação em São Paulo foi apertada como a eleição para governador, em que Geraldo Alckmin (PSDB) conseguiu a vitória depois de uma disputa forte com o candidato petista Aloizio Mercadante (PT).

Já em Minas, a vitória da petista se deveria ao pouco em­­penho de Aécio Neves (PSDB) – principal liderança estadual, ex-governador e senador eleito – na campanha de Serra. Para ela, a vitória do PSDB no Sul e Centro-Oeste deve-se a forte identificação do agronegócio com o candidato. “Ele enfatizou muito esse assunto de produção, do escoamento (da safra). Isso gerou uma linha do agronegócio (a favor de Serra), que começa em Roraima, passa pelo Centro-Oeste e vai até o Sul”.

Já o cientista político da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Wilson Ferreira da Cunha, considera que o “uso da máquina”, ou seja, de funcionários e da estrutura do governo federal na eleição, explica o desempenho de Dilma nas três regiões. Outra explicação, no entendimento do especialista, é que Minas Gerais e Rio de Janeiro são estados que recebem muita transferência direta de renda com os programas sociais. “Existe muita pobreza (nos dois estados). Isso reflete na exploração pelo Bolsa-Família”, afirma o professor.

Fonte: Gazeta do Povo

Para a esquerda, segundo ele, “repressão” é melhor do que “cooptação”

Por: Redação da Rede Brasil Atual

Publicado em 03/11/2010, 17:00

Última atualização às 18:59

Plínio afirma que preferiria governo Serra ao de Dilma Plínio vê PSOL fortalecido após pleito (Foto: Divulgação)

São Paulo – O quarto colocado na disputa presidencial, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) declarou preferir um governo de repressão a um de cooptação. Os termos foram usados por ele para definir, respectivamente, o que seria um governo comandado por José Serra (PSDB), candidato derrotado no segundo turno, e o que foi o governo Lula. As declarações constam de entrevista concedida à edição digital do Jornal do Brasil.

Plínio deixa claro que considera que um eventual novo governo encabeçado pelo PSDB “seria ruim também”. Ele avalia que a gestão de Dilma Rousseff, eleita no dia 31, é “um horror”, e que ocorrerá uma nova forma de mensalão. “No (eventual governo) Serra, temos a repressão, em Lula a cooptação”, qualificou. “Acho mais favorável (para a esquerda) a repressão, que aliás já enfrentei. Mas é melhor porque a repressão unifica, as pessoas se unem, vão para as ruas”, especulou.

O candidato Plínio avalia que seu partido sai fortalecido do pleito, por ter aumentado as bancadas federal e estaduais, conquistando a “hegemonia da esquerda”. “O PSOL saiu unido, um partido de opinião pública. Ninguém duvida que o partido que faz oposição real é o PSOL, lugar que o PT já ocupou e que deixou vago”, analisou.

O melhor momento da campanha eleitoral, na avaliação do promotor de Justiça aposentado, foram os debates. “Furei uma barreira de omissão, porque a estratégia da direita não se dirigia contra mim, mas contra o que eu falava, porque a burguesia, apesar da hegemonia em que se encontra, tem medo do povo. É um traço sociológico conhecido”, criticou.

Ainda na entrevista, Plínio defende uma reforma tributária com taxação sobre grandes fortunas para garantir recursos suficientes para arcar com um salário mínimo de R$ 2 mil. O valor foi defendido na campanha eleitoral a partir do valor calculado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) como necessário para assegurar o preceito constitucional que estabelece o piso salarial nacional.

Plínio defendeu ainda o não pagamento da dívida pública. “Só aí, seria R$ 280 bilhões para isso (bancar o aumento do salário mínimo)”. Ele promete nem passar perto do Palácio do Planalto, quando questionado se aceitaria algum cargo no governo Dilma. E ainda afirmou que o PSOL representa uma opção contra o regime capitalista, cuja “lógica interna é perversa, excludente por natureza e perpetuadora da desigualdade”.

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