Arquivo de 23/11/2010

Andradina, Barretos, Bauru, Cubatão, Ribeirão Preto, São Sebastião, Taubaté e Tupã em Estado de Alerta.

 

 

O número de casos de dengue no Estado de São Paulo aumentou mais de 20 vezes, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Até o final de outubro, já  foram 120 mortes registradas

O número de casos de dengue no Estado de São Paulo aumentou quase 2.000%, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Foram registradas 201.312 mil ocorrências até o mês passado, sendo que em todo o ano de 2009 foram 9.710. Nunca o Estado teve tantos infectados: o maior índice havia acontecido em 2007, com 92.345. O saldo desta situação também é o pior possível: foram 120 óbitos registrados de janeiro até o final de outubro.

Em São Paulo, oito dos 33 municípios que enviaram dados ao Ministério da Saúde, até o momento, estão em estado de alerta para a dengue. São eles: Andradina, Barretos, Bauru, Cubatão, Ribeirão Preto, São Sebastião, Taubaté e Tupã.

A situação de alerta é medida pelo Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) que acima de 1 (um) já indica risco elevado de transmissão. Em Ribeirão Preto, o índice é de 1,8; São Sebastião, 1,6; e Tupã, 1,5.

Cinco destas cidades juntas (Ribeirão Preto, Barretos, Tupã, Cubatão e São Sebastião) apresentaram, só neste ano, mais de 34 mil casos da doença.

Na Baixada Santista, a situação também é muito preocupante. Das 120 mortes registradas no Estado, 81 delas foram na região.

A chegada verão torna ainda mais preocupante a situação, uma vez que dias quentes com muita chuva favorece o ciclo de vida do mosquito.

Também há o descaso do governo do Estado com relação ao combate da doença e às ações e campanhas preventivas, uma vez que transferiu às prefeituras toda a responsabilidade.

Estatísticas

Com relação aos dados do Estado de São Paulo, a explicação do Ministério da Saúde é a de que até o ano passado só entravam na estatística as ocorrências confirmadas em laboratório. Nesse ano, por exemplo, especialmente na Baixada Santista houve um grande número de casos, mas sem comprovação laboratorial.

Em Santos, em 2009, a cidade teve 127 casos confirmados, entre 448 notificações. Até outubro de 2010 a cidade teve 8.035 casos confirmados da doença, com 23 óbitos e 15.643 notificações.

Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam que 80% do total de casos registrados no primeiro semestre deste ano referem-se a 50 dos 645 municípios paulistas.

A Capital paulista também registrou aumento recorde. No ano passado, foram 552 infectados. Neste ano, até junho, o número já chega a 5.644 sendo que o pico foi em abril, com 2.129 ocorrências

 

 

A Comissão de Direitos Humanos escolheu na tarde de hoje os três ganhadores do Prêmio Santo Dias 2010.  O desembargador Antonio Carlos Malheiros, a Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo (APMDFESP) e o missionário Pedro Fukuyei Yamaguche Ferreira (in memorian) serão homenageados no Dia Internacional dos Direitos Humanos, em sessão solene na Assembleia Legislativa.

Membro da Comissão, o deputado petista Adriano Diogo elogiou a iniciativa inédita de contemplar três indicados com a premiação. Um dos homenageados, o missionário Pedro, filho do deputado federal Paulo Teixeira, participou da reunião da Comissão de Direitos Humanos no ano passado, para pedir que a Pastoral Carcerária também fosse homenageada, ao lado da Irma Lucina, contemplada com o Prêmio 2009.

“A indicação de dois nomes para a premiação e também da APMDFESP foi muito oportuna. A homenagem à Associação chama a atenção para um assunto muito atual, que é o desrespeito do Governo do Estado aos direitos básicos dos trabalhadores. É uma injustiça a situação precária dos policiais feridos em serviço e seus familiares”, disse o deputado petista Adriano Diogo, membro da Comissão de Direitos Humanos.

Conheça a história dos vencedores do Prêmio Santo Dias 2010

Desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Antonio Carlos Malheiros tem uma atuação notória na defesa dos Direitos Humanos, é coordenador da área na iniciação funcional dos novos juízes e de outras importantes Varas do TJ, além de lecionar Direitos Humanos na Faculdade de Direito da PUC de São Paulo. Entre outras iniciativas, foi responsável pela implantação da primeira sala dos advogados para deficientes visuais do 1º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo.

A Associação dos Policiais Militares Portadores de Deficiência do Estado de São Paulo -APMDFESP – atende, há 18 anos, PMs vítimas da violência que, por exigência da Legislação, são aposentados por invalidez e passam a receber uma pensão muito inferior aos salários da corporação. Existem aproximadamente 5.400 policiais nestas condições no Estado de São Paulo.

Pedro Fukuyei Yamaguchi Ferreira receberá uma homenagem póstuma ao seu trabalho como missionário leigo no Amazonas, onde foi trabalhar em defesa dos povos indígenas. Formado em Direito pela PUC de São Paulo, Pedro trabalhou ao lado de moradores de favela, na Pastoral Carcerária, antes de fazer a opção mais radical de tornar-se missionário. No dia 1º de junho, Pedro foi arrastado pela correnteza do Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, no extremo noroeste do Estado.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado José Cândido, a diversidade dos trabalhos dos premiados poderá servir de exemplo para que a Assembleia Legislativa proponha políticas públicas inspiradas pela luta de Malheiros, das Associação de Policiais e do missionário Pedro

DEBATE ABERTO


O militarismo engendrado pelo imperialismo é a ruína da própria democracia norteamericana. Os EUA devem abdicar de seu imperialismo caso queiram preservar sua democracia. Estas são algumas teses centrais formuladas pelo especialista em política internacional, Chalmers Johnson, que morreu aos 79 anos, dia 20 de novembro.
Antonio Lassance

O imperialismo é uma forma de tirania. O militarismo engendrado pelo imperialismo é a ruína da própria democracia norteamericana. Os Estados Unidos devem abdicar de seu imperialismo caso queiram preservar sua democracia.

Estas são algumas teses centrais formuladas pelo especialista em política internacional, Chalmers Johnson, que morreu aos 79 anos de idade, no último sábado, dia 20 de novembro de 2010.

Há quem diga que ele rivalizava com Henry Kissinger no que se referia à proposição de macro-objetivos para a política externa dos EUA. Uma espécie de espelho invertido do ex-chanceler de Nixon.

Conforme Johnson, a lógica da guerra absorvia a tal ponto a dinâmica da política norteamericana que sugava parte significativa de seus recursos, fazia que seu governo passasse a ser movido cada vez mais por segredos de Estado e elevava as ameaças aos direitos dos cidadãos dentro dos próprios Estados Unidos. A escalada militar tinha todos os ingredientes para a criação de um monstro, uma presidência imperial, com poderes demais e controle de menos, o reverso do sistema de pesos e contrapesos que os pais fundadores do constitucionalismo estadunidense haviam propugnado.

O livro “Blowback: the costs and consequences of American Empire” (“O tiro pela culatra: custos e consequências do Império americano”), de 2000, virou um sucesso de vendas após o 11 de setembro. Os EUA perceberam claramente que seus ataques a locais supostamente remotos os sujeitavam a contra-ataques domésticos ferozes, apocalípticos. Mais que isso, o governo Bush trilhou caminhos que cumpriam rigorosamente o roteiro da profecia de Johnson: restrições a direitos individuais, expansão armamentista, com a necessidade “imperiosa” de guerras como as do Afeganistão e Iraque, tibieza da oposição, multiplicação de operações secretas e explosão do orçamento militar.

O curioso é que Johnson foi consultor da CIA (Central de Inteligência Americana) durante a Guerra Fria. A amarga experiência da derrota no Vietnã parece ter sido decisiva para sua guinada anti-imperialista e antimilitarista.

Grande pesquisador dos países asiáticos e do Leste Europeu, disseminou nos EUA e Inglaterra conceitos importantes, mais comuns à América Latina e Europa, como os de “Estado desenvolvimentista” e “capitalismo de Estado”. Sua análise sobre o dirigismo estatal no capitalismo japonês tem sido resgatada recentemente como referencial para a análise do capitalismo chinês.

A propósito, com relação à China, ele insistiu na mesma tecla de suas análises tardias sobre a guerra do Vietnã: o pano de fundo capitalismo versus comunismo, na verdade, se movia por algo mais básico às relações internacionais, o nacionalismo. A mesma conclusão, igualmente tardia, que Robert McNamara (ex-secretário de Defesa de Kennedy) expressa melancolicamente no documentário de Errol Morris, “A névoa da guerra” (“The fog of war”, 2004).

Ilhado por defensores agressivos do neoliberalismo, Chalmers Johnson era um herético com suas teses sobre o desenvolvimento dirigido pelo Estado. Para os adeptos da teoria da escolha racional, cuja pretensão maior é a de reduzir os problemas da humanidade a expressões algébricas que podem ser resolvidas friamente, ele era tido por heterodoxo demais.

Alguns poderiam pensar que os riscos aventados por Johnson dissiparam-se com o fim da presidência de George W. Bush. Não é o que parece. O avanço de uma direita facista nos Estados Unidos, representada pelo movimento “Tea Party”, já foi considerado uma hipótese remota; hoje é um fato consumado. Se julgava, até pouco tempo, que os políticos tradicionais do Partido Republicano conseguiriam bloquear tal investida e evitariam uma radicalização. Dizia-se também que um descaminho pela ultradireita condenaria o partido à condição de absoluta minoria. Mais uma aposta desfeita. Ao que tudo indica, o profeta fez soar suas trombetas na direção certa, para os que estivessem dispostos a ouvi-lo.

Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política