Arquivo de 07/12/2010

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi escolhida a nova relatora do Orçamento 2011.

A indicação acontece depois do senador Gim Argello (PTB-DF) entregar na tarde desta terça-feira sua carta de renúncia do cargo de relator. Ele também deixou de fazer parte da Comissão Mista.

O presidente da Comissão, Waldemir Moka (PMDB-MS), anunciou a indicação de Ideli depois que ela foi confirmada pelos líderes da base aliado do governo no Senado. Ela tomou posse do cargo hoje mesmo

Alan Marques/Folhapress

Senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi escolhida a nova relatora do Orçamento 2011 após saída de Gim Argello
Senadora Ideli Salvatti (PT-SC) foi escolhida a nova relatora do Orçamento 2011 após saída de Gim Argello (PTB-DF)

Gim Argello deixou o cargo após denúncias contra ele.

“Há uma tentativa recorrente de associar esta Comissão a supostas irregularidades na aplicação de verbas públicas. Como parlamentar atento aos meus deveres e obrigações, considero que meu afastamento é uma iniciativa que deve contribuir para não contaminar os bons trabalhos que aqui vêm sendo realizados em prol da sociedade”, disse o senador em carta entregue à comissão.

“Da mesma forma evitamos que manobras políticas instalem uma crise artificial no limiar do novo governo. Desta forma espero também contribuir para votação serena responsável da peça orçamentária”, completou.

Reportagem da Folha de hoje mostra que Gim Argello incluiu em sua relação de emendas para 2011 o repasse de R$ 250 mil para uma ONG controlada por uma amiga. Ex-socialite em Brasília, Wilma Magalhães Soares, 48, foi condenada pela Justiça Federal por evasão de divisas na esteira do escândalo dos Anões do Orçamento, nos anos 90.

No mês passado, reportagem da revista “Veja” mostrava que Gim fez uma emenda ao Orçamento-2009, de R$ 550 mil, que teria acabado beneficiando a rádio de um de seus filhos. Segundo reportagem de domingo do jornal “O Estado de S. Paulo”, ele destinou ainda R$ 3 milhões em emendas de sua cota individual, neste ano, para entidades fantasmas no DF. Ele diz que não pode ser responsabilizado.

Mais cedo, o senador havia afirmado que não pretendia se afastar da relatoria do Orçamento. “Isso não prejudica o andamento dos trabalhos porque são emendas referentes a um único parlamentar.”

Ele disse também que vai pedir ao TCU (Tribunal de Contas da União), PGR (Procuradoria Geral da República) e Controladoria Geral da União para investigar as denúncias envolvendo as entidades fantasmas.

Enviado por luisnassif, ter, 07/12/2010 – 17:04

Por baarbaaraa

Texto de Julian Assange escrito horas antes de sua prisão 

Em 1958 um jovem Rupert Murdoch, então proprietário e editor do “The News” de Adelaide(Austrália), escreveu: “Na corrida entre o segredo e a verdade, parece inevitável que a verdade sempre vença.”

Sua observação talvez tenha sido um reflexo da revelação de seu pai, Keith Murdoch, sobre o sacrifício desnecessário de tropas australianas nas costas de Gallipoli, por parte de comandantes britânicos incompetentes. Os britânicos tentaram calá-lo, mas Keith Murdoch não seria silenciado e seus esforços levaram ao termino da desastrosa campanha de Gallipoli.

Quase um século depois, o Wikileaks também publica sem medo fatos que precisam ser tornados públicos.

Eu cresci numa cidade do interior do estado de Queensland, onde as pessoas falavam de maneira curta e grossa aquilo que pensavam. Eles desconfiavam do governo (‘big government’) como algo que poderia ser corrompido caso não fosse vigiados cuidadosamente. Os dias sombrios de corrupção no governo de Queensland, que antecederam a investigação Fitzgerald, são testemunhos do que acontece quando políticos impedem a mídia de reportar a verdade.

Essas coisas ficaram comigo. O Wikileaks foi criado em torno desses valores centrais. A ideia concebida na Austrália era usar as tecnologias da internet de maneira a reportar a verdade. O Wikileaks cunhou um novo tipo de jornalismo: o jornalismo científico. Nós trabalhamos com outros suportes de mídia para trazer as notícias para as pessoas, mas também para provar que essas notícias são verdadeiras. O jornalismo científico permite que você leia as notícias, e então clique num link para ver o documento original no qual a notícia foi baseada. Desta maneira você mesmo pode julgar: Esta notícia é verdadeira? Os jornalistas a reportaram de maneira precisa?

Sociedades democráticas precisam de uma mídia forte e o Wikileaks faz parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter um governo honesto. Wikileaks revelou algumas duras verdades sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, e notícias defeituosas (‘broken stories’) sobre corrupção corporativa.

As pessoas afirmaram que sou anti-guerra: que fique registrado, eu não sou. Algumas vezes, nações precisam ir à guerra, e simplesmente há guerras. Mas não há nada mais errado do que um governo mentir à sua população sobre estas guerras, e então pedir a estes mesmos cidadãos que coloquem suas vidas e o dinheiro de seus impostos a serviço destas mentiras. Se uma guerra é justificável, então diga a verdade e a população dirá se deve apoiá-la ou não.

Se você leu qualquer um dos relatórios de guerra sobre o Afeganistão e o Iraque, qualquer um dos telegramas das embaixadas estadunidense ou qualquer uma das notícias sobre as coisas que o Wikileaks tem reportado, considere quão importante é que toda a mídia possa reportar tais fatos livremente.

O Wikileaks não é o único que publicou os telegramas das embaixadas dos Estados Unidos. Outros suportes de mídia, incluindo o britânico The Guardian, o The New York Times, o El País e o Der Spiegel na Alemanha publicaram os mesmos telegramas. Porém é o Wikileaks como coordenador destes outros grupos, que tem sido alvo dos mais virulentos ataques e acusações por parte do governo estadunidense e seus acólitos. Eu tenho sido acusado de traição, mesmo sendo cidadão australiano e não estadunidense. Tem havido inúmeros sérios clamores nos EUA para que eu seja capturado por forças especiais estadunidenses. Sarah Palin diz que eu deveria ser “caçado como Osama Bin Laden”. Uma lei republicana tramita no senado norte-americano buscando declarar-me uma “ameaça transnacional” e tratar-me correspondentemente. Um assessor do gabinete do primeiro-ministro canadense clamou em rede nacional de televisão que eu fosse assassinado. Um blogueiro americano clamou para que o meu filho de 20 anos de idade aqui na Austrália fosse sequestrado e ferido por nenhum outro motivo além de um meio de chegar até mim.

E os australianos devem observar sem orgulho a desgraçada anuência a estes sentimentos por parte da Primeira ministra australiana Guillard e a secretária do Estado dos EUA Hillary Clinton, as quais não emitiram sequer uma palavra de crítica às demais organizações midiáticas. Isto por que o The Guardian, The New York Times e Der Spiegel são velhos e grandes, enquanto o Wikileaks é ainda jovem e pequeno.

Nós somos os vira-latas. O governo Guillard está tentanto atirar no mensageiro porque não quer que a verdade seja revelada, incluindo informações sobre as suas próprias negociações diplomáticas e políticas.

Houve alguma resposta por parte do governo australiano às inúmeras ameaças públicas de violência contra mim e outros colaboradores do Wikileaks? Não me parece absurdo supor que a primeira ministra australiana deveria estar defendendo os seus cidadãos de ações dessa natureza, porém, de sua parte, tem havido apenas alegações infundadas de ilegalidade. A Primeira ministra e especialmente o Procurador-Geral deveriam levar a cabo suas obrigações com dignidade e acima das disputas. Que fique claro que esses dois pretendem salvar a própria pele. Eles não conseguirão.

Toda vez que o Wikileaks publica a verdade sobre abusos cometidos pelas agências dos EUA, políticos australianos entoam o coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Você colocará vidas em risco! Segurança nacional! Você colocará em perigo as nossas tropas!” E então eles dizem que não há nada de importante no que o Wikileaks publica.

Mas as nossas publicações  estão longe de serem desimportantes.  Os telegramas diplomáticos dos EUA revelam alguns fatos inquietantes:

Os EUA pediram a sua diplomacia para que roubassem material humano (“personal human material”) e informações de oficiais da ONU e grupos de direitos humanos, incluindo DNA, impressões digital, scans de íris, números de cartão de crédito, senhas da internet e fotos de identificação, em violação a tratados internacionais. É provável que diplomatas australianos da ONU também sejam alvos.

O Rei Abdullah da Arabia Saudita pediu aos oficiais dos EUA na Jordânia e Bahrein que interrompam o programa nuclear iraniano a qualquer custo.

A investigação britânica sobre o Iraque foi adulterada para proteger “interesses dos EUA”

A Suécia é um membro secreto da OTAN e a Inteligência dos EUA não divulga suas informações ao parlamento.

Os EUA está forçando a barra para tentar fazer com que outros países recebam detentos libertados de Guantanamo. Barack Obama concordou em encontrar o presidente esloveno apenas se a Eslovênia recebesse um prisioneiro. Nosso vizinho do Pacífico, Kiribati, foi oferecido milhões de dólares para receber detentos.

Em sua decisão histórica no caso dos Documentos do Pentágono, a Suprema Corte Americana disse: “ apenas uma impresa livre e sem amarras pode eficientemente expor fraudes no governo”. A tempestade turbulenta em torno do Wikileaks hoje reforça a necessidade de defender o direito de toda a mídia de revelar a verdade.

Julian Assange é o editor-chefe do Wikileaks

http://blogs.theaustralian.news.com.au/mediadiary/index.php

O PPS dará entrada hoje (7) pela manhã no pedido de afastamento do senador Gim Argello (PTB-DF) da relatoria-geral do Orçamento de 2011. “De imediato, o partido vai pedir o afastamento. Até porque quem deveria zelar pela lisura do Orçamento, no caso o senador Gim Argello, está no centro do escândalo”, critica o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE).

Para o deputado, a manutenção do senador na relatoria do Orçamento coloca sob suspeita todo o planejamento financeiro da União para 2011. “Não podemos macular o Orçamento Geral da União”, enfatiza. Para o presidente nacional do partido e deputado federal eleito Roberto Freire (SP), “torna-se incompatível a atuação (de Argello) como relator do Orçamento. Caso contrário, teremos de novo o Congresso envolvido com uma CPI do Orçamento”.

Outros quatro deputados – O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), um dos autores do requerimento para CPI dos Anões do Orçamento em 1993, conversou com Argello e pediu a ele que explique as denúncias o quanto antes. Suplicy pontua que esta é uma situação que afeta não só a Comissão de Orçamento, mas todo o Congresso Nacional. “É necessário que ele esclareça ao Congresso Nacional e à opinião pública de que não houve, da sua parte, qualquer envolvimento com entidades fantasmas”, ressalta Suplicy.

O jornal O Estado de S.Paulo traz mais nomes de parlamentares que poderiam estar envolvidos em um esquema de repasse de verbas para institutos fantasmas. O montante repassado teria atingido os R$ 3 milhões. Além do senador petebista, os deputados Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO), Sandro Mabel (PR-GO), Rodovalho (PP-DF) e Laerte Bessa (PSC-DF) estariam sob suspeição. Ele teriam destinado recursos de suas emendas para projetos que apresentaram prestações de contas superfaturadas endereços falsos e uso de “laranjas”.

Argello se defende – Em sua defesa, nesta segunda-feira (6), Argello afirma que as empresas que receberam dinheiro de suas emendas individuais foram escolhidas pelo Ministério da Cultura e que não cabe a ele fiscalizá-las. “Cabe ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao governo federal, por meio de seus órgãos controladores, investigar a idoneidade dessas empresas beneficiadas com recursos orçamentários”.

O deputado Rodovalho utiliza o mesmo argumento: “foi o ministério que definiu para quem ia a verba”. O deputado Carlos Alberto Lereia ainda está procurando em qual município está a irregularidade para se manifestar. Já Mabel e Bessa prometeram emitir nota, assim que se interarem melhor sobre a denúncia.

Fonte: Brasília Confidencial