Arquivo de 15/12/2010

Presidente disse, no entanto, que ato era de trabalho e negou que evento fosse despedida: ‘Teremos outras oportunidades para despedida’

Karla Mendes, Fabio Graner, Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues / BRASÍLIA – Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregou no início da tarde desta quarta-feira, 15, o balanço de oito anos de governo para registro em cartório frente à plateia na qual estavam o ex-ministro José Dirceu e a senadora Marina Silva. Após a entrega, realizada no Palácio do Planalto, ele foi aplaudido pelos presentes, que gritaram: “Olê, Olê, olê, Lula, Lula”. O presidente se emocionou com as homenagens prestadas. Todos os ministros de Estado assinaram o documento. 


Acompanhado de Dilma, presidente se emocionou ao ouvir o discurso do governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner

Lula se disse surpreendido. “Eu achava que era um ato que íamos receber os ministros, registrar em cartório e ia acabar o ato. É um grande evento. Mas vamos tirar proveito dele”, afirmou Lula. No entanto, observou que a divulgação do balanço dos oito de governo não é uma despedida. “O que eu queria, na verdade era homenagear os companheiros de governo. Esse não é um ato de despedida, e sim de trabalho”, disse. “Teremos outras oportunidades para despedida”, acrescentou.

O presidente ressaltou também que a prestação de contas não tem como meta engrandecer os atos do governo, mas principalmente mostrar o que precisa ser feito na nova gestão. “Essa prestação de contas é menos para engrandecer o que fizemos e mais para dar uma fotografia à sociedade brasileira, para saber o que foi feito, o que não foi feito e o que precisa ser feito”, disse Lula, referindo-se à presidente eleita, Dilma Rousseff. “É para isso que Deus e os políticos garantiram a eleição, a reeleição e a continuidade”, brincou.

Segundo Lula, quando usa a expressão “nunca antes na história do Brasil”, não quer dizer que foi ele que descobriu o País, mas que realizou coisas que outros não fizeram. “Muita gente fica incomodada quando falo ”nunca antes na história do Brasil”. Não é que descobrimos o País, mas fizemos aquilo que outros não fizeram”, disse.

Ainda de acordo com ele, o documento servirá para que a imprensa nacional descubra medidas que foram tomadas durante os seus dois mandatos. “No mundo inteiro, com Cuba e China de exceção, a imprensa cobre o que tem mais apelo, e às vezes destruir tem apelo”, disse o presidente. “Gostaria que tivesse manchete favorável, mas não tem. Quando leio o jornal e não tem matéria favorável, prefiro viajar o Brasil e falar de mim”, completou Lula.

 

O presidente destacou os mais de 80% de aprovação de sua gestão ao fim do segundo mandato e lembrou que se somadas às avaliações de “regular”, sua aprovação chega a 96% da população. “É quase a unanimidade”, afirmou Lula. “Peço aos outros 4% que nos classificaram como ruins ou péssimos, que nos olhem com bondade e que olhem para a ”Dilminha” com bondade”, acrescentou.

O presidente afirmou que, ao contrário do que impressa publicou, não foi ele quem escolheu a continuidade dos ministros Mantega e Paulo Bernardo (que deixa o Planejamento e assume as Comunicações) no próximo governo. “A Dilma os conhece muito mais do que eu. Cada vez que eles entravam na minha sala, já tinham feito duas ou três reuniões com ela. Ela que escolheu, com o livre arbítrio dela”, disse Lula. Ao final do seu discurso, Lula afirmou que “o dinheiro está ficando curto para os ministérios que fazem desenvolvimento e está ficando gordo para o Guido e para o Paulo (Bernardo)”.

5ª economia em 2016

Lula disse ainda que o Brasil deve se tornar a quinta maior economia do mundo em 2016 se depender da presidente eleita, Dilma Rousseff, e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que continuará no cargo. “Somos a nação do pré-sal, a nação da Copa do Mundo, da Olimpíada, e se depender da dona Dilma e do ”dom Guido”, vamos ser a quinta economia do mundo em 2016 e vamos conquistar essa medalha de ouro”, disse Lula, durante cerimônia em que apresentou o balanço de seus oito anos de governo.

O presidente destacou também ações do governo no plano econômico, que combinaram crescimento econômico, expansão da renda do trabalhador e empregos formais. “As taxas de desemprego estão nos menores níveis em décadas: 6,1%. Pela primeira vez, temos mais trabalhadores formais que informais”, comemorou.

A mudança do posicionamento do Brasil, que passou de devedor a credor internacional, foi comemorada. “Pela primeira vez, o Brasil é credor externo e emprestou ao Fundo Monetário Internacional (FMI)”, celebrou Lula.

Ele lembrou que, no início de sua gestão, em 2003, o Brasil tinha apenas US$ 80 bilhões em reservas internacionais e que hoje esse montante é de US$ 285 bilhões só no Banco Central. “E ainda emprestamos US$ 14 bilhões ao FMI”, lembrou. “Isso explica porque as empresas de capital aberto do setor produtivo alcançaram a maior rentabilidade dos últimos anos”, ressaltou.

Lula festejou também os recordes sucessivos das exportações agrícolas. “Teremos a maior safra de grãos em 2010: 148 milhões de toneladas”, afirmou.

Ele fez questão de ressaltar o papel do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Hoje o estado está se tornando de fato um indutor do desenvolvimento. O PAC transformou o País em um imenso canteiro de obras, mudou a cara de nossa sociedade”, afirmou.

O presidente citou que, por meio do PAC, foi possível oferecer moradia digna à população e retomar os investimentos na indústria naval e ferroviária. “Há 18 anos esse país não produz um trilho porque teve um momento em que se pensou em acabar com as ferrovias”, criticou. Ele destacou que o País está vivendo um “longo e duradouro processo de desenvolvimento” e que esse progresso econômico “beneficia a todos”, inclusive regiões do País, como o Nordeste, que estavam excluídas desse processo.Melhorias sociaisLula lembrou também as ações dos oito anos de sua gestão, que transformaram o combate à fome em “causa nacional”, garantindo aos brasileiros pelo menos três refeições diárias. O presidente enfatizou ainda o fortalecimento da agricultura familiar e o assentamento de 586 mil famílias.

Segundo ele, em seu governo todos os setores da sociedade brasileira melhoraram de vida, mas os segmentos mais pobres da população progrediram mais. “Nós viemos com o compromisso de desenvolver o Brasil, enfrentando a miséria e a fome, e as causas da desigualdade. Viemos para fazer crescer mais as regiões que historicamente ficaram para trás”, disse.

Lula afirmou que o Nordeste, que antes não recebia recursos, hoje é berço de grandes obras de infraestrutura. “O mesmo ocorre no Norte”, afirmou. Ao falar dos avanços na área de ciência e tecnologia e educação, o presidente disse que não se quer “tirar nenhum doutor” da região nordestina. “Nós queremos formar mais doutores no Nordeste”, afirmou, ao relatar que “alguns achavam” que a região só formava pedreiros.

O presidente falou sobre o que classificou de “transformações” na Região Norte, onde, de acordo com ele, estão sendo construídas as maiores e mais modernas usinas hidrelétricas do mundo, ambientalmente sustentáveis. “Consolidamos nossa posição como potência da agroenergia, com o etanol”, disse, ao ressaltar que o governo implantou em tempo recorde um programa nacional de biodiesel.

Lula disse ainda que o governo investiu fortemente na educação, beneficiando todos os níveis de ensino. Hoje, afirmou Lula durante cerimônia de balanço do governo no Palácio do Planalto, muitas famílias têm um integrante com diploma universitário. Segundo ele, o Brasil passou a Rússia e a Holanda na publicação de artigos científicos. “É pouco, a Dilma (Rousseff, presidente eleita) vai fazer muito mais.”

  

José Alencar

O presidente fez uma homenagem especial ao vice-presidente José Alencar, que se encontra internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele lembrou do jantar no qual conheceu Alencar e que, na hora, pensou que ele seria seu vice.

Ele afirmou duvidar que algum governante mundial tenha tido um vice-presidente tão bom quanto Alencar. “Pode ter igual, mas melhor eu duvido, um companheiro fiel como eu nunca vi na vida”, disse. “O grande empresário e um médio sindicalista se juntaram e fizeram pelo Brasil o que muitos outros não fizeram”, concluiu.

WikiLeaks

Para Lula, com a divulgação de todos os atos do governo, inclusive do Itamaraty, o site WikiLeaks não vai precisar de ações clandestinas para obter informações do governo brasileiro. “Não vai ter vazamento do WikiLeaks porque nós vamos vazar antes”, brincou.

O presidente afirmou ainda que as realizações de seus dois mandatos foram feitas de maneira “verdadeiramente democrática”, valorizando o Congresso Nacional e ampliando a participação da sociedade nas decisões. “Temos instituições consolidadas e funcionando. Há plena harmonia entre os Poderes da República”, completou.

Por: Lucio Uberdan

O Mestre dos Magos de “A caverna do Dragão” sabia tudo, menos o que realmente importava aos seus pupilos, voltar para casa.

Ótimo debate traz o artigo de Walter Lima publicado no IdgNow, avessos a leitura, pesquisa, experimentação, bem como ao tempo necessário para que as boas idéias e questões constituam-se de forma coesa, o mercado brasileiro deu a luz  no último período ao Guru Digital movido a achismo e um discurso Hiper Megalomaníaco Conectado. Por vezes acertam, é bem verdade, mas no geral seguem tendências e conceitos de gigantes do setor, são máquinas de disperdiçar dinheiro, afinal, quem e como irá se medir o fracasso? Assim como o Mestre dos Magos de “A Caverna do Dragão”, o Guru Digital fornece ferramentas e enigmas,  mas raramente a saída para as questões principais.

“O guru das redes sociais é uma espécie de Paulo Coelho conectado” por Walter Lima

Vivemos uma era interessante do ponto de vista do entendimento humano de como se estruturam e funcionam os sistemas complexos. Para Hermann Haken, “de uma maneira ingênua nós podemos descrevê-los como sistemas que são compostos por muitas partes, elementos, ou componentes que podem ser do mesmo ou de diferentes tipos.

Os componentes ou partes podem ser conectados de modo mais ou menos complicado”, sendo percebidos como coerentes no seu todo e possuindo todos os seus componentes relacionados em diversos níveis.

A partir desse conceito básico, pode-se afirmar que as redes computacionais estão na categoria dos sistemas complexos, pois proporcionam ambiente de numerosas conexões para troca de dados e informações, sendo elas produzidas, distribuídas e apropriadas pelo ser humano por diversas maneiras.

A Web é um sistema complexo. Para analisar o ‘comportamento da Web’, é necessário entender quais são os seus componentes, as relações, as conexões, os laços, as tecnologias, as formas de apropriação, os tipos de dados etc.

Longo percurso – Dificil? Sim, muito difícil, mas não impossível. Estamos no início de uma tecnologia que ainda não completou duas décadas de existência. O entendimento sobre sistemas complexos na Biologia, por exemplo, o funcionamento de um determinado vírus, demanda muitos anos de pesquisa e a invenção de tecnologias apropriadas para entender aquele fenômeno.

Mas entre o espaço de tempo do não-entendimento sobre o funcionamento dos sistemas complexos (Web) e o surgimento de tecnologias eficientes que revelam o universo escondido da estrutura de funcionamento deles, emerge um tipo de ser humano “importante” para que os ‘leigos’ sejam levados ao ‘verdadeiro conhecimento’: o guru das redes sociais.

No livro “O Império do efêmero”, Gilles Lipovetsky discorre sobre o mundo da moda e do luxo, no qual as grandes estruturas determinaram a organização social das aparências. Nesse universo existe um exército de consultores, mas poucos profissionais compreendem como se configura a organização social das aparências.

O vácuo entre o que achamos que acontece com os sistemas complexos e o seu entendimento científico pode demorar dezenas de anos. Nesse período, acontece o que o astrônomo e pesquisador no campo da astrobiologia Carl Sagan denominou de “O mundo assombrado pelos demônios”, título de um dos livros mais importantes do divulgador científico. O que não conseguimos explicar racionalmente, encontramos justificativas no ‘mundo mágico’.

Leia mais: http://relatividade.wordpress.com/2010/12/15/tem-guruzada-digital-que-vive-de-achismo/

Enviado por luisnassif,

Por Bruno Moreno

A disputa no PT é constante, o que é saudável, mas muitas vezes também ganha contornos fratricidas. Em 2005 pela disputa da Câmara foi assim e trouxe grandes prejuízos não só ao PT e ao Governo, como ao Brasil. No mesmo ano, por conta da crise do governo a disputa interna se acirrou, levando inclusive ao fim do “Campo Majoritário”. Aquela foi uma disputa fortemente político e que contribuiu para rearrumar o PT.

Esta disputa de agora também teve forte conotação política e não pessoal. Vaccarezza quis atropelar o partido, quis resolver “por cima”. Deu uma entrevista à Veja, revista vista como a pior inimiga dos petistas, de deixar com raiva qualquer militante petista, atropelou a bancada do PT na Câmara na questão do Código Florestal, atropelando inclusive o líder do PT na Câmara, Fernando Ferro, que tem militancia ambientalista, dentre outros acertos para tentar se projetar com outros partidos e assegurar a presidência da Câmara.

Obviamente estas manobras, achando que no PT as coisas já estavam resolvidas, lhe custou caro. Fora os adversários naturais que já teria politicamente, como os deputados da Mensagem ao Partido, Articulação de Esquerda e talvez Movimento PT, contou com rachas dentro da CNB, em especial por conta da questão sindical e a polêmcia com a CUT (Arthur Henrique é dirigente da CNB) e disputas internas da CNB, como no caso de Minas e a da própria CNB do RS, que lançou Marco Maia. 

Cabe lembrar que Vaccarezza até bem pouco tempo atrás não estava compondo internamente com a CNB, fazia parte da corrente “Novos Rumos” que no penúltimo processo de eleições diretas do PT (PED) apoiou a candidatura de Jilmar Tatto para a presidencia do partido e não a de Ricardo Berzoini, candidato da CNB.

A “reunificação” só veio acontecer no último PED, no qual a candidatura de Dutra, a necessidade de unidade partidária para a candidatura Dilma e o relativo enfraquecimento em SP do campo dos Tatto e Vaccarezza, fez com que não lançassem candidatura própria. É bom lembrar que a reaproximação se deu quando Vaccarezza derrotou Paulo Teixeira da Mensagem ao Partido na disputa pela liderança da bancada do PT na Câmara com os votos da CNB, em especial de SP.

Agora Paulo Teixeira será o novo líder da bancada do PT na Câmara.

A luta interna do PT quando baseada na grande política é uma boa luta.

PORTO VELHO – A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira em Rondônia uma operação para desarticular tráfico de armas e drogas no estado, batizada de Operação Príncipe da Beira. Dez pessoas já foram presas, além de 300 quilos de pasta base de cocaína. Também foram apreendidos sete veículos, uma pistola 9mm e munições.

No total, são cumpridos 24 mandados de prisão temporária, dos quais 22 em Rondônia e dois no Rio de Janeiro, além de 40 mandados de busca domiciliar – 37 em Rondônia, dois no Rio de Janeiro e um no Mato Grosso do Sul.

A investigação começou após apreensão de fuzis e grande quantidade de munição no município de Primavera do Leste, no Mato Grosso, armamento que teria sido comprado na cidade de Ji-Paraná/RO.

A quadrilha, segundo a PF, está baseada nas cidades de Costa Marques e Alvorada D’Oeste, em Rondônia, e tem ramificação em Guayaramerin, na Bolívia.

O bando era chefiado por um ex-foragido da justiça brasileira, que foi capturado na Bolívia em novembro passado e agora está no Presídio Federal de Segurança Máxima de Porto Velho, numa operação conjunta dos dois países.

Drogas e armas tinham como principais destinos Rio de Janeiro, Goiás e Ceará.

A operação inclui o sequestro de bens da quadrilha determinados pela Justiça – nada menos do que 10 fazendas localizadas entre os municípios de Costa Marques e Alvorada D’oeste, propriedades com áreas entre 500 a 5000 hectares. Algumas delas eram usadas para arremessos e pousos de carregamentos de pasta base de cocaína e armas oriundas da Bolívia. Seis mil cabeças de gado estão sendo confiscadas junto com as fazendas.

Também estão sendo sequestradas 11 residências em áreas urbanas nas cidades de Alvorada D’oeste e Espigão D’oeste, que eram usadas pelos criminosos, além de 60 veículos entre motos, carros e camionetas.

De acordo com a PF, o bando usava casas de câmbio clandestinas para movimentar dinheiro e enviar ao chefe da quadrilha na Bolívia.

A operação é feita em parceria com o Ministério Público Federal de Ji-Paraná. Participam 260 policiais, sendo 180 Policiais Federais, com o apoio do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Militar do Estado de Rondônia, da Força Nacional de Segurança Pública e de Agentes Penitenciários Federais.

Os investigados serão indiciados e estarão sujeitos às penas dos seguintes crimes: repressão ao tráfico de drogas; aquisição de drogas; associação para o tráfico; financiamento e custeio de tráfico de drogas; tráfico internacional; tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Fonte: globo.com

| Thais Romanelli | Redação

 

 

A Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão da OEA (Organização dos Estados Americanos), condenou a repressão e os crimes cometidos pelo regime militar brasileiro durante a guerrilha do Araguaia. A sentença divulgada nesta terça-feira (14/12) determina que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento forçado de 62 pessoas, entre os anos de 1972 e 1974. Esta é a primeira condenação internacional do Brasil em um caso envolvendo a ditadura militar (1964-1985).

No entanto, a aceitação da sentença pelo Brasil não é automática, pois depende de decisão do STF (Supremo Tribunal Federal). No julgamento que confirmou a Lei de Anistia, este ano, os ministros do Supremo chegaram a discutir a submissão do Brasil à jurisdição da OEA, mas não chegaram a uma conclusão sobre esse ponto.

De acordo com sentença divulgada hoje, para o juiz Roberto de Figueiredo Caldas, responsável pelo caso, a Lei da Anistia brasileira de 1979 serviu como obstáculo para a investigação e o julgamento dos crimes, como espécie de álibi, já que a Constituição do país não deixa brechas para a condenação penal de agentes da repressão. Para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Brasil, como signatário do Pacto de San José da Costa Rica (tratado que instituiu a CIDH), deveria respeitar as normas da CIDH, que preveem a garantia dos direitos humanos, e adaptar a Constituição nacional para respeitar os textos aceitos internacionalmente.

“Os dispositivos da Lei de Anistia são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem continuar representando um obstáculo para a investigação dos fatos”, determinou a sentença

Além disso, a CIDH entendeu que o Brasil é responsável pela violação do direito à integridade pessoal de determinados familiares das vítimas, entre outras razões, em razão do sofrimento ocasionado pela falta de investigações efetivas para o esclarecimento dos fatos.

Arquivos

A violação do direito de acesso à informação, estabelecido no artigo 13 da Convenção Americana, também foi apontada na sentença, já que o governo brasileiro se negou a divulgar e liberar o acesso aos arquivos em poder do Estado com informação sobre os crimes cometidos no período.

Com a condenação, o Brasil fica obrigado reconhecer o crime de desaparecimento forçado de pessoas seguindo as convenções interamericanas. Além disso, os acusados considerados culpados deverão ser punidos de acordo com os dispositivos já existentes na Constituição brasileira, até que se crie uma lei específica ou que o país reveja a decisão do STF sobre a Lei de Anistia.

O governo federal, porém, argumenta que “está sendo construída no país uma solução compatível com suas peculiaridades para a consolidação definitiva da reconciliação nacional”. Entretanto, mesmo assim a Corte determinou que o Estado terá que retomar a busca dos corpos desaparecidos, que devem ser restituídos aos parentes, e indenizar as famílias das vítimas financeiramente e com atendimento psicológico adequado.

Se o STF confirmar a sentença, todos os integrantes das forças armadas terão de passar por um curso permanente sobre direitos humanos

                                                              

A definição ocorreu na noite desta terça-feira (14). O parlamentar assume o cargo em fevereiro de 2011. Até lá os trabalhos da Liderança serão conduzidos pelo atual líder, deputado Fernando Ferro (PE). Paulo Teixeira destacou que, para 2011, a bancada terá o desafio de garantir a aprovação de matérias de importância para o governo Dilma e para o País.

Ele citou a reforma política. “Devemos aprovar o financiamento público das campanhas, rompendo o vínculo da política com o poder econômico”, disse.

Citou também a necessidade de se erradicar o trabalho escravo, aprofundar o processo de combate às desigualdades sociais, a reforma do Estado e também a democratização dos meios de comunicação e do acesso à internet.

O líder eleito agradeceu aos deputados Jilmar Tatto (SP) e José Guimarães (CE) por terem aberto mão da disputa, permitindo que seu nome fosse aclamado pela bancada.

Biografia
Advogado e mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo, Paulo Teixeira foi subprefeito de São Miguel Paulista no governo Luiza Erundina. Como vereador, foi autor do projeto de lei para exigir o cumprimento da função social da propriedade em São Paulo.

Foi deputado estadual por dois mandatos. Propôs a regulamentação dos planos de saúde para atender aos portadores do vírus HIV, além de ter participado da ação judicial que levou o Estado de São Paulo a distribuir a combinação de antiretrovirais para todos os portadores do vírus. Foi considerado um dos 100 nomes que fizeram a luta contra a aids no Brasil.

Como secretário da Habitação em São Paulo, no governo Marta Suplicy, desenvolveu o programa Morar no Centro e o Plantas On Line. Iniciou a urbanização de Paraisópolis e consolidou em Heliópolis. As iniciativas foram elogiadas em recente relatório da ONU.

Como deputado federal, é referência nas questões urbana, ambiental e de tecnologia. É autor da proposta de emenda à Constituição da Moradia Digna e do projeto de lei que cria o Serviço de Moradia Social. Foi o principal interlocutor do governo na discussão e aprovação do Marco Regulatório dos Resíduos Sólidos. Luiz Paulo Teixeira Ferreira nasceu em Águas da Prata (SP) e tem 49 anos. É filiado ao PT desde 1980 e vice-líder do partido na Câmara desde 2008.

As informações são da Liderança do PT na Câmara