Por Hermann Hoffman
Não bastava mais de 400 anos com a saúde pública do Brasil sucateada para Alberto Goldman, governador de São Paulo e tantos outros tucanos da ultra direita do nosso país tentar ferir hemorragicamente mais uma vez o Sistema Público de Saúde do Brasil já fragilizado, em específico de São Paulo. Para eles os hospitais privatizados que outrora foram da nação, não devem mais oferecer serviços aos usuários do Sistema Único de Saúde.

Não precisa de explicações técnicas para evidenciar que o sistema de saúde pública do nosso país por vários anos, vem sendo sucateado pelas administrações que defendem um modelo de saúde neoliberal, votado exclusivamente para o lucro, para a indústria da doença, agora sim entendo porque durante um tempo o Ministério da Saúde era chamado de Ministério da Doença. O raciocínio não é recente e recorre décadas atrás.

Poucos sabem, mas no início, pouco depois de 1500 no Rio de Janeiro, constavam apenas de 04 médicos em toda cidade, e a quem eles atendiam? A família Real portuguesa, assim que atendiam a classe nobre… O tempo passou, foram criadas as universidades de Medicina no Brasil, mesmo contra o que Metrópole portuguesa instituía, que nas colônias não poderia existir instituições acadêmicas, porém depois de criadas algumas Universidades aqui no Brasil, os médicos ali formados eram totalmente voltados para a nobre classe.

O Rio de Janeiro era conhecida como a cidade mais suja do planeta, isso é saúde pública também, mas ora, será que essa “sujeira toda vinha da classe rica que tudo tinha”. Avançando alguns anos, ou melhor, algumas dezenas de anos, chegamos entre 1930 e 1940, período de criação do antigo SESP e de tantas outras instituições já extintas tida como saudosas por muitos e nada avançou, a saúde pública continuava num estado de precariedade esférica, de qualquer parte que fosse analisada era precária, com a falta de investimentos, parece até que era mais fácil e mais barato sepultar que cuidar. Por muito fácil que seja hoje retratar esse fato, ontem era muito difícil perder um parente querido porque acabou falecendo de doenças que afrontam a sociedade e poderiam ser evitadas.

Na ditadura militar, tudo foi ditado, o que era público virou particular, prevaleceu o modelo de saúde curativa privada, primeiro porque era o modelo mais caro segundo porque estava de acordo com a política nebulosa dos anos 60 e 70.

Nos anos 80 surge o que foi nossa esperança, o Movimento Sanitário impulsionado pelos Centros Brasileiros de Estudos de Saúde que lutou por anos por um modelo de saúde lúcido e voltado para a sociedade com princípios consolidado na transcendental VII Conferencia Nacional de Saúde, mas quando entra Collor, adeus todos os sonhos. Ele sucateou o que nem se pode chamar de saúde pública naquele período de 1990 a 1992, privatizou o que poderia privatizar, criou resistência a participação popular nas decisões e por pouco não elimina a regulamentação do SUS, entrando assim na década de 90 com a saúde pública moldada nos parâmetros neoliberais.

Itamar Franco e FHC imprimiram a mesma marca, isso só foi mudar pouco a pouco depois da eleição de Lula, e pra muitos que criticam os 08 anos de Lula no governo desafio a fazer um comparativo com os 500 anos da ultra direita no poder para ver quem mais avançou.

Todo esse tour foi apenas para fazer um upgrade histórico e dizer a posição do Governador de São Paulo, Alberto Goldman, não é nada de surpreender já que os governos neoliberais marcham contra as políticas sociais, aqui onde termino de falar sobre esse tema.

Cabe a todo brasileiro com a eleição de Dilma cobrar as mudanças no panorama publico de saúde se situando em tempo, espaço e lugar e entender que o processo para reverter mais de 400 anos de corrosão na saúde pública não é de um dia pra outro. Teremos que dizer que nos situamos como instrumentos de mudanças e que queremos a partir desse momento uma saúde pública mais universal, queremos a Reforma Sanitária que não requer efetivamente de grandes custos, mas sim de investimentos responsáveis, queremos as mudanças que acreditamos e certamente alcançaremos.

Fonte: pagina13.org.br

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