Arquivo de 11/01/2011

Por Carlos Marques, de São Paulo


Incansável em sua tentativa de atacar Lula, Opfhir Cavalcanti presidente da OAB de São Paulo e a Folha de São Paulo fingem que ignoram suas próprias reportagens e constróem matérias sensacionalistas.

Sem mais nada para acusar Lula, os incansáveis Ophir e Otavinho ( que ganhou o “jornalão dë graça do seu papai) , querem atacar a concessão de passaporte diplomático aos filhos do então presidente.

Para isso, sem mais nada o que falar do ex-presidente, o herdeiro da FOLHA mandou por na primeira folha uma enorme manchete como se isso fosse um grave problema…

Ora, “seu” Otavinho…Tenha a santa paciência…

E por favor, “doutor” Ophir, não esqueça das leis….

Passaporte diplomático de familiares de governantes são uma necessidade, em qualquer país do mundo e não um luxo. como vocês estão querendo dar a entender…

E eles devem ser concedidos, segundo a legislação, exatamente nesses casos, de interesse nacional”, pois em jogo está a segurança de familiares do  presidente de república.

Ou será que a segurança dos familiares do governante não é do interesse do país?
Pode ser independente em suas decisões e corajoso e íntegro um governante que a todo momento temesse pela vida de sua mulher, de seus filhos e netos???

Ou será que, para a FOLHA, a idéia é essa mesmo: quanto mais inseguro for o presidente do Brasil, melhor?

Ou será que para o FOLHA,  bons presidente e ministros são aqueles que de medo, tremendo, tirem os sapatos e chinelos na hora de entrar nos EUA, como fazia Celso Lafer, ministro de FHC, na frente de qualquer guarda de aeroporto?

Ophir Cavalcante e Otavinho “esqueceram” as tentativas de seqüestro dos filhos de Lula e o assassinato do tenente EB Acir Tomasi?

Nós não esquecemos…

É por essas e outras que a FOLHA só vai de mal a pior em termos de circulação: mente muito, “esquece” muito e manipula muito…

Dá nisso: o povo pára de comprar!

Ora, “seu”Otavinho, fala sério!

A própria FOLHA já mostrou que Fernandinho Beira-Mar teria ordenado o seqüestro do filho de Lula, Luiz Fabio, em 2007 em matéria assinada por Hudson Correia e Diana Brito de 04.01.11.

Mas em sua matéria de desgaste de Lula com o assunto do passaporte diplomático, não faz a necessária conexão entre medidas de segurança especiais para os familiares do presidente e os  riscos dessa posição.

A intenção é que, para os leitores menos avisados, passar a idéia de que trata-se de “um privilégio” injustificado e não de uma razão de segurança, que envolve não só a família do governante mas a própria segurança nacional, pois um presidente sem segurança é mais vulnerável em suas decisões…. Inclusive sobre a segurança do país.

Vejam as reportagens e vejam como é manipuladora, “sacana”, a cobertura da FOLHA sobre esse fato corriqueiro.

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/jornais-ignoram-trama-pra-sequestrar-filho-de-lula

http://www1.folha.uol.com.br/poder/854497-fernandinho-beira-mar-tramou-de-presidio-sequestro-de-filho-de-lula.shtml

Ou seja ela publica os assuntos separados em folhas separadas, para enganar pelo menos aqueles que virem só a matéria dos passaportes.

Se alguém reclamar , ela pode dizer: “mas nós publicamos a matéria da tentativa de seqüestro…”

A FOLHA esqueceu completamente ainda que outra tentativa de seqüestrar o outro filho de Lula, Sandro Luiz, por bandidos fortemente armados resultou no assassinato a sangue frio de um sub-tenente do Exército Brasileiro chamado Acir Jose Tomasi, , que fazia a segurança dele, no dia 04 de janeiro de 2003.

Ou seja, tem ou não tem razão, o governo federal , em proteger a família do presidente se, no quarto dia de seu primeiro mandato, por uma estranha coincidência, “desconhecidos” fortemente armados quiseram roubar logo o Vectra que transportava Sandro Luiz Lula da Silva com dois seguranças dentro,  no mesmo dia em que o presidente foi a Washington para ter seu primeiro encontro com George Bush?

Veja o leitor a coincidência: o presidente viajando para Washington no “Sucatão”, no quarto dia de seu primeiro mandato, no dia 04 de janeiro de 2003, para encontrar George W.Bush,  o homem mais poderoso do mundo…

De repente, recebe pelo rádio a noticia que mataram um dos dois tenentes do Exército que faziam a segurança de Sandro, seu filho.

E feriram gravemente o outro…

Foi tudo coincidência?

Uma fatalidade?

Ou é mesmo não só necessário como indispensável que o Governo Federal tome todos os cuidados de segurança , inclusive emitindo passaportes diplomáticos para seus familiares, para que o chefe de estado tenha liberdade para tomar medidas a favor do Brasil? ,

Como por exemplo aquelas que Lula tomou para defender a punição que conseguimos impor na OMC ao protecionismo dos EUA nas questões da concorrência desleal com relação a entrada do nosso suco de laranja, do  nosso aço, do nosso algodão e dos nossos aviões da Embraer no mercado americano.

O certo é que o artigo do Matheus Leitão na FOLHA ( será parente da Míriam? ) simplesmente  esqueceu a reportagem da própria FOLHA sobre a segurança dos familiares do presidente e as tentativas de seqüestro de seus dois filhos, que ela mesma noticiou!!!

Êta  repórterzinho esquecido essi, genti!!!

Ophir e Otavinho, isso dá câncer!

Pára de ser mesquinho Otavinho! Pára de ser puxa-saco da FOLHA e do Serra , Ophir!

Qual é a comparação entre o custo de um passaporte diplomático e a receita com a nossa liberdade de exportar suco de laranja para os EUA como mandam as regras da OMC?

O que custa um passaporte diplomático para os familiares de Lula se compararmos com o que ele conseguiu com suas viagens e sua política exterior que nos deu a oportunidade de colocar o Brasil no lugar que sempre deveria ter tido, como uma das nações maiores do planeta e acabar com esse “complexo de vira-latas” que a mídia desde sempre quis que nós carregássemos em nossa consciência?

Pára, Otavinho, com essa obsessão e com esse ódio com relação ao Lula!

Isso dá câncer, cára!

Aceita a vontade do povo, Ophir! Não existe terceiro turno, cara!

Tá dando na vista essa sua obsessão de agradar a FOLHA para conseguir publicidade grátis!

Alô Matheus Leitão: faz o seguinte: pega o seu notebook e digita aí “seguranças do filho de Lula assassinados” e veja só o que aparece.

E pára de fazer matéria “por encomenda”, cara!

E se Você receber “encomendas” do patrão, “coleginha”Matheus, não abra mão de nosso direito e da nossa obrigação de como profissionais da informação, de analisarmos o fato de todos os pontos de vista….E não ficar parecendo um bobão, um escravo, que escreve só o que o seu “sinhôzinho” mandou…

Precisamos de um Conselho Federal de Jornalismo, já!

Me desculpem, mas diz o ditado popular que “Quem pariu Matheus que o embale” ….

Esse assunto estava esquecido, mas a falta de ética de Matheus Leitão e de seu “sinhozinho” Frias, ao tratarem do caso do passaporte de familiares do ex-presidente da republica, foi demais prá mim!

Mateus e Tavinho: vocês deixaram a bola quicando na porta do gol!!!E eu não resisto, é mais forte que eu…

É por essas e outras que precisamos urgente da criação de um Conselho Nacional de Jornalismo, como já possuem os médicos, os engenheiros, os veterinários, os corretores de imóveis, advogados e dezenas de outras profissões…

Com um Conselho disciplinando a ética do exercício da profissão, jornalistas não poderiam cometer nem serem pressionados a cometerem “esquecimentos” iguais ao do coleguinha Matheus…

Com um conselho de jornalismo, quando um patrão “encomendasse” uma matéria que ferisse o Código de Ética e falasse mentiras, “abobrinhas”, calúnias ou até esse tipo de “fofoca”, o profissional; poderia dizer : “Chefe, eu não posso fazer isso, pois o código de ética proíbe…”

Precisamos urgente de criar nosso conselho de classe, para regular o exercício de nossa profissão. E nossos patrões, os donos de jornais, não tem nada a ver com isso! Eles tem a ANJ, tem a SIP, tem a ABERT, tem um monte de sociedades e organizações para defender seus direitos.

Nós precisamos de um conselho para zelar pelo exercício correto de nossa profissão!

Pelo CONFEJOR já e por conselhos regionais, também!

Se existem os CREAs e o CONFEA, os CRMs e o COFEME, porque não podemos criar os CREJ nos Estados e o CONFEJOR a nível nacional?

Aproveitando a ocasião: atenção Doutor Ophir Cavalcante, o senhor que é presidente da OAB/SP é contra que exista um Conselho Regional de Jornalistas de São Paulo e um Conselho Federal de Jornalismo, como existe a OAB Nacional?

Onde está a proibição ou a ilegalidade nisso, “Dr Ophir?

Como se explica que a criação de nosso conselho, que existiria para regulamentar nossa profissão, como qualquer outra, pudesse ter sido “vetada” em 2003…exatamente pelos donos de jornais??

Já imaginaram se os donos de construtoras tivessem o poder de vetar a criação dos CREAs?

Ou os donos dos hospitais pudessem vetar a criação do Conselho Federal de Medicina, que fiscaliza seus atos? Ou se os donos de grandes escritórios de advocacia pudessem vetar a criação da OAB SP e da OAB Nacional?

Ah…Esse Brasil precisa mudar muito…

Dono de Jornal é só mais um patrão, gente!
Não é Deus!!

Ética no Jornalismo, Já!

Chega de usar jornal como lata de lixo e os ouvidos e a consciência dos leitores como penico!

Por favor, Otavinho! Por favor “doutores” Mesquitas e Marinhos!

Sejam éticos e deixem as pessoas que ainda trabalham para Vocês serem éticos também!

Leia também:

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI114495-EI306,00-Enterrado+o+corpo+de+seguranca+do+filho+de+Lula.html

http://www.jornalopcao.com.br/colunas/imprensa/jornais-ignoram-trama-pra-sequestrar-filho-de-lula

http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=69572

Fonte: pagina13.org

Incrível! No fim de semana mais de meio milhão de nós assinamos a petição para salvar as abelhas. Vamos conseguir 1 milhão pela proibição – assine agora, depois encaminhe para todo mundo

As abelhas estão morrendo em todo o mundo, colocando em perigo a nossa cadeia alimentar. Os cientistas culpam os agrotóxicos e quatro governos europeus já os proibiram. Se conseguirmos que os EUA e a União Europeia se unam à proibição, outros governos ao redor do mundo poderão seguir o exemplo e salvar da extinção milhares de abelhas. Assine a petição e encaminhe este apelo urgente:

Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, algumas populações de abelhas já estão se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais – esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder – o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra – a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, muitas das nossas frutas, legumes e óleos preferidos poderão desaparecer das prateleiras.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas – algumas espécies já estão extintas e semana passada ficamos sabendo que algumas espécies nos EUA chegaram a 4% da população normal. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas cada vez mais novos estudos independentes produzem fortes evidências que os culpados são os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é “altamente tóxico” e representa um “grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)”.

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos – apicultores e agricultores – querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:

https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

Com esperança,

Alex, Alice, Iain, David e todos da Avaaz

Leia mais:

Itália proibe agrotóxicos neonicotinóides associados à morte de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/09/22/italia-proibe-agrotoxicos-neonicotinoides-associados-a-morte-de-abelhas/

O desaparecimento das abelhas melíferas:
http://www.naturoverda.com.br/site/?p=180

Alemanha proíbe oito pesticidas neonicotinóides em razão da morte maciça de abelhas:
http://www.ecodebate.com.br/2008/08/30/alemanha-proibe-oito-pesticidas-neonicotinoides-em-razao-da-morte-macica-de-abelhas/

Campos silenciosos:
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/campos_silenciosos_imprimir.html

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Instituto Humanitas Unisinos

O professor Ariovaldo Umbelino, em entrevista à IHU On-Line defende a Reforma Agrária, pois, “o Brasil possui os maiores latifúndios que a humanidade já registrou, ou seja, não há limite para o tamanho de suas propriedades . É uma excrescência, do ponto de vista internacional, um país ter propriedades privadas que são maiores do que unidades federativas que possui, sem falar que algumas são ainda maiores do que muitos países existentes no mundo. Então, é evidente que existe uma questão fundiária e ela não está resolvida”.

Ariovaldo Umbelino é graduado em Geografia, pela Universidade de São Paulo, onde também realizou o doutorado em Geografia Humana e obteve o título de Livre Docência. Umbelino é professor e chefe do departamento de Geografia da USP. Autor de A geografia das lutas no campo (São Paulo: Contexto, 1996), entre outras obras, seu livro mais recente é Modo Capitalista de produção, agricultura e Reforma Agrária (São Paulo: FFLCU/LABUR EDIÇÕES, 2007).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Existe ainda, no Brasil, uma questão agrária? A Reforma Agrária ainda é uma necessidade?

Ariovaldo Umbelino – Ainda está em jogo o processo produtivo, de um lado, e a questão da propriedade privada da terra, de outro. Se analisarmos exclusivamente da ótica do processo produtivo, poderíamos dizer que não há uma questão agrária no Brasil porque não é um país que depende de importação de produção de alimento. A única exceção é o trigo e, vez ou outra, são importados arroz e feijão. De qualquer forma, o Brasil tem condições e vem produzindo excedentes exportáveis do ponto de vista agrícola. Então, se eu analiso dessa perspectiva do processo produtivo, não haveria uma questão agrária.

Mas, quando analiso a questão agrária, na perspectiva da formação da propriedade privada da terra no Brasil, penso que ela existe sim, ou seja, cerca de 1/5 das terras no Brasil foram cercadas por pessoas que não têm documentos hábeis legais para deter o controle dessa propriedade da terra. Isto quer dizer que uma parte dos que se dizem proprietários não são de fato proprietários. Além disso, há um grande número, que podemos classificar como posseiros, que, pela legislação brasileira, têm direito à legitimação dessa área que ocuparam e que, por direito, deveriam ter essa correção do ponto de vista da propriedade privada da terra no Brasil. Mas as médias e grandes propriedades não têm esse direito. Isso quer dizer que a questão fundiária não está resolvida.

Por outro lado, o Brasil possui os maiores latifúndios que a humanidade já registrou, ou seja, não há limite para o tamanho das propriedades do país. É uma excrescência, do ponto de vista internacional, um país ter propriedades privadas que são maiores do que unidades federativas que possui, sem falar que algumas são ainda maiores do que muitos países existentes no mundo. Então, é evidente, como eu disse, que existe uma questão fundiária ainda não resolvida.

Além disso, há a presença no país de movimentos sociais de luta por acesso à terra. Simultaneamente à luta desses momentos sociais, há uma parte do campesinato sem terra no Brasil que abre luta através da abertura de novas posses. Portanto, existe uma questão agrária, a questão fundiária não está resolvida, assim como um processo de luta. A questão da Reforma Agrária é atualíssima e faz parte do processo de diminuição da violência que existe no campo exatamente porque não está resolvida.

IHU On-Line – Como o senhor vê o processo de Reforma Agrária atual?

Ariovaldo Umbelino – A Reforma Agrária hoje, do ponto de vista como está posta no plano governamental, precisa ter dois pontos destacados. A primeira é que o governo atual, no primeiro mandato, por pressão dos movimentos, fez o segundo Plano Nacional de Reforma Agrária e se dispôs a assentar, em quatro anos, 400 mil famílias e no quinto ano mais 140 mil famílias. Isso daria, em cinco anos, portanto, 540 mil famílias. Entretanto, o Incra não cumpriu essa meta, embora tenha divulgado que fez assentamentos superiores a essa meta. Na realidade, os dados que o Incra divulga são relativos à relação de beneficiários da Reforma Agrária emitidas. Essas relações são emitidas tanto para os assentados novos como são emitidas para a regularização fundiária e reconhecimento de assentamentos antigos para que as famílias tenham acesso ao Pronaf. Além disso, nessa relação, também estão inclusas as emissões feitas aos quilombolas, as demarcações de terras extrativistas, os reassentamentos de atingidos por barragens. Tanto a regularização fundiária quanto a reorganização fundiária e os reassentamentos não são Reforma Agrária.

Reforma Agrária é aquele ato em que o Incra desapropria terras ou usa terras públicas disponíveis e faz assentamentos novos. Isto é Reforma Agrária, e o Incra não faz essa separação, e sim junta todos os dados e divulga um número que não condiz com a realidade. Se fôssemos fazer a desagregação desses dados que o Incra divulga, apenas 180 mil famílias de fato foram assentadas em processo de Reforma Agrária. O que estou querendo dizer é que o governo atual não fez a Reforma Agrária que prometeu. Ao mesmo tempo, estamos diante de um processo em que o governo não manifestou qualquer disposição de fazer um terceiro plano nacional de Reforma Agrária. Resta, evidentemente, aos movimentos sociais, ação e política de pressão para que o governo retome esse processo. Inclusive, o governo atual foi mais ainda adiante: ele não só não fez a Reforma Agrária como passou a privilegiar a regularização fundiária, ou seja, a concessão de terra aos grileiros na Amazônia Legal. Um contra-senso a todo programa político elaborado no âmbito do Partido dos Trabalhadores, que nunca defendeu a concessão de terras aos grileiros.

IHU On-Line – Como esse processo deveria acontecer para que o problema de distribuição de terras fosse sanado?

Ariovaldo Umbelino – A Constituição Brasileira é clara, límpida. A propriedade privada à terra está subordinada a sua função social. Isto quer dizer o seguinte: a propriedade privada da terra não é uma propriedade como outra qualquer. Quando uma pessoa tem um automóvel, pode deixá-lo na garagem da sua casa apodrecendo e ninguém poderá falar nada. É um direito dele, que tem o direito absoluto sobre aquela propriedade. Evidentemente, desde que não esteja atrapalhando terceiros. Com relação à propriedade privada da terra não, pois não é uma propriedade absoluta. Ou seja, está submetida ao seu uso produtivo e ao fato de essa produção seja feita respeitando as leis trabalhistas e as leis ambientais, e não se produza produtos interessando os tóxicos que estão definidos na Constituição como situação em que a propriedade não cumpriria a sua função social. Nós temos no Brasil hoje, do ponto de vista das grandes propriedades, 120 milhões de hectares de grandes propriedades, as quais, no cadastro do Incra, já estão identificadas como improdutivas, ou seja, que não cumprem a sua função social. Qual é a obrigação constitucional do Incra? Desapropriá-las e destiná-las à Reforma Agrária, para que cumpram sua função social.

Ao mesmo tempo, há, no Brasil, cerca de 250 milhões de hectares de terras apropriadas indevidamente. No Rio Grande do Sul, praticamente metade do município de Bagé, por exemplo, está nas mãos de pessoas que não têm documentos. Isso está registrado porque os próprios proprietários declararam. Há, no Rio Grande do Sul, cerca de seis milhões de hectares de terras devolutas, ou seja, aqueles que controlam não têm documentos sobre elas. A função do estado é fazer com que o preceito constitucional da função social da propriedade privada da terra seja cumprido. É evidente que é função do estado promover a redistribuição dessas terras através de programas de Reforma Agrária.

IHU On-Line – Como o senhor vê a atuação do MST, atualmente?

Ariovaldo Umbelino – O MST, como movimento social de luta pela Reforma Agrária e pelo acesso à terra, educação, saúde e tudo aquilo que qualquer cidadão por direito deveria ter, responde aos seus objetivos. Se existe Reforma Agrária no Brasil, ela foi fruto dessa luta histórica nesses 25 anos de existência do MST. Este é um movimento social de importância política no Brasil porque forçou o Estado a colocar na agenda política a realização da Reforma Agrária. Então, ele tem a sua importância de natureza política porque cobra que o direito que aqueles que não têm terra se faça no âmbito do Estado. Portanto, trata-se de um movimento social de grande importância para o processo de democratização do acesso à terra e da própria propriedade privada de terra no Brasil.

IHU On-Line – Que análise o senhor faz das experiências de assentamentos criadas pela política de Reforma Agrária?

Ariovaldo Umbelino – Em primeiro lugar, é preciso dizer que uma política de Reforma Agrária tem dois pilares principais: o primeiro pilar é aquele relativo ao acesso à terra, que nós chamamos de política fundiária, ou seja, se criar as condições para que haja acesso à terra, sobretudo às terras de qualidade e, evidentemente, que isso não aconteceu, de maneira geral, no Brasil, porque, via de regra, os assentamentos foram feitos em áreas distantes, em solos não propícios. O segundo é o resultado econômico. Do ponto de vista da Reforma Agrária, a grande maioria desses assentados saiu de uma condição para uma condição de pelo menos ter acesso à produção de alimentos. Desse ponto de vista, a Reforma Agrária cumpre a sua função social. Ela só não é mais progressista porque a política agrícola realizada pelos diferentes governos não tem permitido.

IHU On-Line – O governo Lula anunciou nesta semana uma ajuda financeira significativa para o agronegócio. De que forma o senhor analisa essa decisão?

Ariovaldo Umbelino – Eu analiso de forma como a realidade indica, ou seja, o governo atual, do presidente Lula, fez a preferência pelo agronegócio. Assim, ele não fez a opção preferencial pela Reforma Agrária ou pelos movimentos sociais. Por isso, continua fazendo concessões de recursos financeiros públicos para esse setor, que tem sido contemplado com fatias expressivas do orçamento. O governo atual continua realizando a sua política de apoio ao agronegócio, que, no meu ponto de vista, pode colocar o país, mais cedo ou mais tarde, dentro da questão da insegurança alimentar. Isso porque, do total da famosa safra de grãos, vamos verificar que 80% ou pouco mais é produção de soja e milho, que não são produzidos para serem consumidos no Brasil, mas sim para exportar. Enquanto isso, a produção de arroz, feijão e trigo no Brasil não cresce desde 1992. O que mostra que a sociedade brasileira está comendo a safra que está sendo plantada e colhida. Isso é um risco muito grande, ou seja, se perder a soberania alimentar no nosso país. Evidente que essa política atual é uma suicida.

Eu gostaria de retomar a questão central que envolve o debate da Reforma Agrária, que é o fato de que 1/5 das terras do Brasil não pertencem aqueles que a cercaram. Em geral, são esses que estão em terras que não lhes pertence, do ponto de vista legal, e que, no entanto, se agarram ao direito de fazer críticas às ações dos movimentos sociais, que não têm por parte do governo atual o cumprimento das ações da Reforma Agrária. Então, é preciso que a sociedade brasileira tenha consciência de que a Reforma Agrária é necessária e só ela irá garantir ao país a produção de alimentos em quantidades, de modo a que nós tenhamos, simultaneamente, segurança e soberania alimentar. Além disso, é com a Reforma Agrária que os países desenvolvidos conseguiram chegar às condições de soberania alimentar. É evidente que o Brasil tem uma estrutura fundiária altamente concentrada nas mãos das elites que controlam terras que não lhes pertence, o que é um contra-senso e uma ilegalidade denunciados pelos movimentos sociais.

Texto Publicado e extraído de: Carta Capital