Termina impasse entre MST e INCRA em Andradina. Sem Terra serão recebidos 3ª feira em Brasília pelo MDA

Posted: 14/01/2011 in Dignidade, DIREITOS HUMANOS, ECONOMIA, INFRA ESTRUTURA, Planejamento e Desenvolvimento, Trabalho Digno
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Hoje foi atendida a primeira das reivindicações do MST e marcada para a próxima terça-feira reunião da Direção do MST no MDA em Brásília.

Está prevista para amanhã nova assembleia em Andradina, onde 600 famílias estão ocupam a sede regional do INCRA. A espectativa é de que a decisão seja retornar para os assentamentos e acampamentos e aguardar os resultados da reunião da semana que vem.

Outro avanço foi o detalhamento da pauta de reinvindicações apresentada ontem, de forma a facilitar o processo de negociação. Alem disto os SEM TERRA decidiram convidar alguns apoios e parceiros para participarem da reunião em Brasília.

 

 

MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA – MST
Rua: Jesus Trujillo, 1011 – Centro
CEP: 16.900-033 Andradina – SP
Secretaria Regional de Andradina – SP
Reforma Agrária: Por Justiça Social e Soberania Popular!PAUTA DE REIVINDICAÇAO DOS TRABALHADORES ACAMPADOS E ASSENTADOS DA REGIONAL DE ANDRADINA – SP

 

 

Após várias negociações com INCRA – SP, resultado das lutas em 2009 e 2010, as promessas não se concretizaram. O não cumprimento das reivindicações levou os assentados e acampados a reorganizarem a luta para novamente pressionar e buscar resolução dos pontos de pautas de cada assentamento e acampamento. E por essa razão decidimos encaminhar a mesma pauta a Presidência do INCRA e a OUVIDORIA AGRÁRIA NACIONAL em Brasília.

Começamos o novo ano com luta, cobrando solução. No dia 07 de janeiro 350 famílias SEM TERRA acampadas em diversos acampamentos da regional de Andradina ocuparam a fazenda Rancho Alegre no município de Castilho – SP, dia 11 de janeiro outras 300 famílias de assentados ocuparam o INCRA no município de Andradina – SP. Tendo sofrido o despejo no dia 13 de janeiro os acampados da fazenda Rancho Alegra se juntaram no prédio do INCRA em Andradina, onde agora, se encontram 600 famílias dando continuidade a luta.

REIVINDICAMOS

  • Agendar uma reunião com Presidente Nacional do INCRA e/o OUVIDOR AGRÁRIO NACIONAL;
  • Assentamento imediato das 1000 famílias acampadas na região, e das 2000 famílias no estado de São Paulo e das 100 mil famílias no Brasil;
  • Desapropriação das grandes propriedades que não cumprem sua função social;
  • Atualização dos índices de produtividade defasados desde 1975;
  • Estabelecer um tamanho máximo da propriedade rural, estabelecido de acordo com cada região (por exemplo, fixar em 35 módulos fiscais);
  • Desapropriação para fins de reforma agrária as fazendas cujos proprietários estão em débitos com a união;
  • Desapropriação de fazendas onde tenha sido constatado crime ambiental ou situação de trabalho escravo;
  • Mais vistorias com mais agilidades na região e no estado

Processos antigos de 2001/2002

Fazenda Itapura/ Castilho: emissão dos TDA`s e pagamentos de benefícios para imissão na posse;

Fazenda Retiro/Mirandópolis: Empenho junto ao juiz para garantir a imissão e assentamento das famílias;

Fazenda Lagoão/Itapura: Gestão junto ao tribunal buscando a imissão;

Fazenda Jangada/ Sud Minucci: Gestão junto ao juiz e tribunal para apressar o julgamento

Fazenda Santa Maria/Sud Minucci: Gestão junto ao juiz e tribunal para apressar o julgamento

Fazenda Santo Ivo/Pereira Barreto: Gestão junto ao juiz para sentença e imissão

Fazenda São Jose/Mirandópolis: Gestão junto ao Juiz e Ministro do Supremo para Julgamento e imissão;

Processos de desapropriação iniciadas em 2008

Pagamentos TDA’s e Decreto Desapropriatório

Que o governo deixa de fazer promessas de pagamentos de áreas, e realmente emite as TDA’s e decrete para fins de reforma agrária as seguintes áreas;

Fazenda Nossa Senhora Aparecida I e II (Aparecida d’Oeste)

Fazenda Ranchão (Pontalinda)

Fazenda São Jose e ST. Antonio (Turmalina)

Fazenda Barra V (Macedônia)

Fazenda 3 Irmãos (Palmeira d’Oeste)

ASSENTAMENTOS

P.A. “Frei Pedro” ( Fazenda São Rafael – Perreira Barreto)

– Parcelamento total da área;

-Liberação imediata dos Créditos de Instalação (Apoio Inicial, Fomento I e II, Habitação)

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede distribuição de água;

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

– Eletrificação;

P.A. “Eldorado dos Carajás” (Fazenda Santa Adélia – Perreira Barreto)

– Liberação imediata de Crédito Instalação ( Habitação)

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede distribuição de água;

– Eletrificação;

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

P.A. “Josué de Castro” (Fazenda Timboré – Andradina)

– Liberação integral do Crédito Habitação;

– Liberação imediata de Crédito Instalação (Fomento I e II)

– Abertura de estradas (Utilização da Reserva de cascalho para confecção das estradas);

– Perfuração de poços e rede distribuição de água;

– Eletrificação;

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

P.A. “ Pendengo” ( Fazenda Pendengo – Castilho)

– Liberação integral do Crédito Habitação;

– Liberação de Crédito Instalação (Fomento I e II);

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede distribuição de água;

– Eletrificação;

– Construção de uma Ponte ligando assentamento ao “PARAÍSO DAS ÁGUAS”

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

P.A. “Esperança de Luz” (Fazenda Ypê – Castilho)

– Liberação integral do Crédito Habitação;

– Liberação de Crédito Instalação (Fomento I e II);

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede distribuição de água;

– Eletrificação, para todas as famílias;

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

P.A. “Olga Benário” (Fazenda Jamaica – Perreira Barreto)

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede de distribuição de água;

– Recurso financeiro para construção do barracão comunitário;

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

P.A. “Florestan Fernandes” ( Fazenda São Lucas – Mirandópolis)

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede de distribuição de água;

– Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

– Liberação de juros dos créditos de instalação;

P.A. “Dois Irmãos” (Fazenda Dois Irmãos – Murutinga do Sul)

– Melhoria de estradas;

– Perfuração de poços e rede de distribuição de água;

– Construção de Unidade Básica de Saúde;

P.A. “Araçá” (Fazenda Araçá – Araçatuba)

– Abertura de estradas;

– Perfuração de poços e rede de distribuição de água;

– Construção de Unidade Básica de Saúde;

P.A “ Santa Maria da Lagoa” (Fazenda Santa Maria da Lagoa – Ilha Solteira)

– Construção de Unidade Básica de Saúde;

– Melhoria de estradas;

Para os demais assentamentos :

– P.A.  “Santa Izabel” (Castilho);

– P.A.  “Zumbi dos Palmares” ( Itapura);

– P.A. “ Terra é Vida” (Perreira Barreto);

– P.A.  “ Roseli Nunes” (Itapura);

– P.A.  “Estrela de Ilha” (Ilha Solteira);

– P.A. “União da Vitória” (Suzanapolis);

– P.A.  “Cafeeira” (Castilho);

– P.A. “Nova Vila” (Guaraçai);

– P.A “São Joaquim” (Castilho);

– P.A.  “Terra Livre” (Castilho);

– P.A. “ Belo Monte” (Andradina);

– P.A. “Anhumas” (Castilho);

– P.A.  “Orlando Molina” (Murutinga do Sul);

– P.A.  “Timboré” (Andradina);

– P.A. “Rio Paraná” (Castilho);

– P.A. “Esmeralda” (Perreira Barreto);

Criação de Instrução Normativa do INCRA para complementação até R$ 15.000,00 do CRÉDITOS HABITAÇÃO e liberação imediata dos JUROS;

Criar convênio entre CAIXA e INCRA para liberação de recursos para habitação no valor de  R$ 5.900,00 para as famílias assentadas que não foram beneficiadas com este recursos, bem como liberação da 3ª e 4ª parcela para famílias que já acessaram parte deste recurso;

Melhorar infra estrutura dos Assentamentos (Estradas, Atendimento à água, Energia Elétrica, Pontes e Curvas de Nível);

Ampliação do valor do apoio mulher para R$ 4.800,00 e que seja em parcela única para todas as assentadas;

Agilidade nos pagamentos dos depósitos/lojas/comercio, em 30 dias no máximo, e de pedreiros, carpinteiros e serventes em 15 dias no máximo;

Melhoria assistência técnica, mais técnicos com capacitação para os vários níveis de andamentos dos assentamentos. Mais respeito às famílias e aos movimentos sociais. Maior profissionalismo por parte dos técnicos, tratamento igualitários a todas as famílias. Incorporar na equipe técnica uma Assistente Social para atender famílias acampadas e assentadas nas áreas de reforma agrária;

Regularização imediata dos lotes invadidos, com a retirada dos compradores e substituir por famílias acampadas e/ou que vivem em lotes PARA-RURAIS, conforme acordado anteriormente

 

Fonte: http://arededacidadania.wordpress.com/2011/01/14/andradina-ocupacao-da-sede-do-incra-mda-marca-reuniao-com-mst-em-brasilia/

Comentários
  1. Emanuel de Oliveira Costa diz:

    Gostaria de saber quando nós do acampamento Lagõao, vamos poder ser assentado na fazenda lagõao, municipio da cidade de ITAPURA, S.P, eu sou um dos sem terra do acampamento LAGÕAO, gostaria de saber tbém o que a nossa PRESIDENTA está fazendo por nós, e porque o INCRA situado na região de ANDRADINA, S.P.
    No mais fico no aguardo de uma resposta,porque eu sei por diversos coodenadores, que muitos que foram assentados, já venderão seus lotes, ou mesmo alguns assentados, estão deichando muito a desejar com suas terras, e porque não tirão estas terras, de quem não tem interesse, e dá a nós, que estamos, aguardando.
    OBRIGADO.

    • Bom dia Emanuel!

      Antes de qualquer coisa, obrigado pela sua visita a este espaço, seja bem vindo ao debate.

      Quanto a Fazenda Lagoão, em Itapura – SP, estou neste momento, buscando a informação junto à coordenação do MST, junto ao INCRA e tambem junto ao Parlamentar que nos representa, o Deputado Paulo Teixeira PT – SP. Acredito que em breve poderemos responder.

      Qaunto a venda de lotes por parte de coordenadores, assentados, ou trabalhadores em posições de mando na estrutura do Governo, é uma prática condenada por todos. Nos ultimos meses vários dirigentes do INCRA perderam seus cargos e estão sendo responsabilizados perante a justiça uma vez que as denuncias foram apuradas. No Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, existe uma grande preocupação com esta prática, que é duramente combatida, pois ela serve de argumento para desqualificar todos que lutam pela reforma agrária. A direita e os representantes dos latifundiários tentam nos rotular como “um bando de vagabundos aproveitadores” como forma de defender o latifundio. Desta forma, se voce tem conhecimento de fatos como este deve denunciar estes aproveitadores à direção do movimento. A existencia desta prática faz com que se torne muito mais dificil o avanço da reforma agrária no Brasil.

      Espero que voce e outros que lutam pela reforma agrária sejam em breve assentados e passem a plantar e colher. O Brasil precisa disso. Voce verá tambem as dificuldades existentes para o agricultor familiar. Dificuldades que buscamos superar com o PRONAF, compra direta e outras iniciativas que são contruidas pela luta do movimento e de vários companheiros, alguns atuando no Governo.

      Continue na luta!

    • onival0108 diz:

      por que oasentamento do mt barranqueira nao tem agua deste do acentato esta abandonado preciza furar poço ateziano comunitario

  2. Emanuel de Oliveira Costa diz:

    Reitegro o mesmo comentário.

  3. Nordeans diz:

    Boa Noite.
    Nao quero ter minha identidade revelada, por favor. Nao confio em militanes, e em regionais do INCRA nem do MST embora eu seja com muito orgulho acampado do MST. Há pouco mais de dois anos estou debaixo de lona acampado. Já rodomos de barranco em barranco, tomamos esbulho, vimos coordenador se erguer, ser derrubado, fomos avitimados e esquecidos por uma regional corrupta, envolvida com seus dirigentes, funcionarios do Incra e até ao que parece com o superintendente regional, todos envolvidos em esquema de venda de lotes, e ainda muitos – pode se dizer – até mesmo envolvidos em vendas de cestas básicas doados pelo governo. Nao da mais. Eu e meu acampamento precisamos de ajuda. Nao tenho onde recorrer. Saímos miseravelmente do cerco oneroso de uma regional e agora mos vemos nas maos de militante do MST e de coordenadoras se repitir o peso de tudo o que repudiamos nos passado. Tem horas que tenho vontade de abondonar a luta. Marchamos as cegas sob o camando daqueles que fazem a politica e nós, tetos de lona, sofremos as dificuldades da moradia cotidiana sob um barranco com o minimo de recursos para sobrevivenvicia e quase nenhuma dignidade servimos de homens-gado, tocados ao sabor de nosso “proprietario”. Tenho denuncias que posso fazer e ajudar a combater o depotismo e terror que se instaura sob alguns acampamentos. As vezes permanecemos porque abrimos mao de tudo, dignidade, conforto, empregos, recursos basicos, alimentacao, saude…tudo a fim de sermos beneficiados pela reforma agraria, que hoje nos parece uma quimera, pois o que assistimos nos aterrorisa. Preciso, em nome da Reforma Agraria Nacional, de ajuda, esclarecimento, acesso aos orgaos competente, puniçao aos fraudadores, criminosos e acima de tudo proteçao. Nosso coletivo, em especial eu mesmo, precisamos de ajuda. Estamos sob constante pressao e até mesmo ameaça. Hoje percebo que fizeram conosco. E vejo ainda que o governo liberará em poucas semanas um milhao pra criaçao de uma miragem. Hoje sou mal visto entre os acamapamentos, militante, coordenadores e dirigentes, já fui alvo de humilhacao e colocado em assembleia para ser expulso porque sei demais, vi demais e aprendi a contestar o errado. Só nao eliminaram ou me excluiram ainda porque tenho contornado a situaçao fazendo o impossivel. Gostaria acima de tudo de noticias sobre nossa fazenda. Tenho impressao que estamos sendo enganados. Por favor, ajude-nos.Grato

    • Boa Tarde:
      Inicialmente manifesto minha gartidão pela sua participação e justifico a demora em responder, pois estivemos temporariamente sem acesso à internet. Muito obrigado.
      É necessario tambem esclarecermos que está garantido em Lei o direito de livre expressão, assim como quando exercemos o direito de voto, (opinião) está garantido o sigilo para a expressão do livre pensamento. Entretanto é fundamental lembrar que é possível, a qualquer instituição ou cidadadão que venha a se sentir atingido, recorrer ao Poder Judiciário para identificar e responsabilizarno-nos pelo que viermos a dizer/escrever/expressar. Mas para isto é necessária a autorização Judicial.
      Manifestamos nossa solidariedade à luta pela reforma agrária, bem como à luta contra possíveis desvios de conduta na luta. Está em curso, por exemplo, na regional Andradina/SP, o projeto de moralização da Reforma Agrária. Todos os assentados foram fiscalizados e em menos de 10% das quase 4000 famílias assentadas existentes foram encontrados indícios de irregularidades. O pente fino realizado deve resultar, em aproximadamente, 150 lotes que serão desocupados e levados ao assentamento de novas famílias, segundo a Lei e as determinações politico administrativas do INCRA.
      No caso dos acampamentos, várias denuncias de irregularidades estão sendo devidamente apuradas pelos órgãos competentes e tambem pelos movimentos sociais envolvidos. O Ministério Público, a Polícia, assim como o MST, Sindicatos e outras organizações que lutam pela Reforma Agrária são os primeiros interessados em impedir condutas inadequadas que servem apenas aos interesses do latifúndio, dos inimigos da reforma agrária.
      Nos colocamos à disposição para ajudar no que for necessário e possível. Será garantido seu direito à privacidade nos limites da Lei.
      Abraço fraterno,

      • Nordeans diz:

        De antemão quero agradecer-lhe por ter me atendido e preservado meu anonimato e sigilo.
        Como sabe sou acampado. Nesta marcha entraremos no terceiro ano de andança em poucos meses, mediante um desce e sobe de coordenadores, dirigentes e militantes que ora nos leva aos barrancos de uma fazenda, ora para área de recuo, ora nos manda invadir e ocupar sede do INCRA, fazendas, áreas da união onde funcionaram estações ferroviárias… Neste contexto já tomamos esbulho processual, submetemos famílias de outros acampamentos sob coordenação de outra regional do MST a tomarem esbulho também e conseqüentemente perdessem contingente acampado e força política. Fizemos muitas coisas das quais não me orgulho e deixo claro que não sabíamos. Éramos pegos em caminhões araras, geralmente as sextas-feiras após as 22h00min, sem nenhum prévio aviso. E ainda sobre forte pressão de ter o cadastro rasgado caso se negar a rumar em destino desconhecido e de só se saber o que iríamos fazer no descer da carroceria. Somos doutrinados a fazer luta. Se o cadastro fosse rasgado e o acampado se negasse a sair do coletivo “barranqueiro”, fogo era ateado numa madrugada mais vazia, com ou sem o morador com família dentro, ou quando os mesmos precisassem sair, a exemplo quando fossem até a cidade mais próxima. Eu não questionava, acreditava ser assim a única forma de se obter o capital, a terra que tanto sonhamos, lutando… Há cerca de seis meses fui me cansado desta vida. Saio do barraco, trabalho, escurece volto para o barraco de lona… Cobra sempre sob nossas camas e redes, banho frio e somente de “tiradentes”, poeira sem fim, frio absurdo, calor desértico… Mal vistos pelos que passam pelas estradas, vitimas de preconceito por sermos sem-terra nas cidades. Acredite, não é vida. Um acampado ao longo de sua morada e convivência na “sociedade barranqueira” perde dignidade, amor próprio, auto-respeito, sofre de baixa estima, e se bobear alienação. Sem falar a vida que sentencia as esposas e filhos. Hoje vejo que é desumano e degradante. As pessoas de índole melhor acabam deixando mais cedo ou mais trade o acampamento. Percebi ao longo desta jornada que acampamentos sem terra geram muito dinheiro, e por isso existem aqueles que suportam tudo e são capazes de tudo. Até dez mil reais mensais podem ser angariados tranquilamente somente com a mensalidade de apoios.
        Sintetizando, de seis meses pra cá deixei de executar ordens impostas por uma companheira que se intitula militante do MST, vinda de Birigui/Araçatuba/Andradina e da Regional de Andradina. Esta, segunda a mesma, rompeu com a regional devido a pratica existente lá de manipulação, levantamento de fundos usados em causas próprias, vendas de lotes, vagas, comercialização de cestas básicas, abuso de um poder que ninguém reconhece, ameaça de morte contra acampados, ou qualquer um que resolvesse questionar o sistema MST da regional de Andradina e etc. Contudo as mesmas coisas estão sendo feitas aqui pela militante e as coordenadoras espalhadas pelos outros acampamentos. Logo que percebi comecei a questionar e não concordar. Havia feito um acordo, estávamos tentando construir um sonho que assentassem pessoas sem roubá-las, escravizá-las, manipulá-las, desrespeitá-las… Sem usá-las para nossas manobras políticas e interesses particulares. Passei a conhecer melhor o MST, o INCRA, os direitos e deveres de um acampado.
        Descumpri ordens, dentre elas uma que me obrigava a cobrar água de um acampado simplesmente porque ele pediu cinqüenta reais para esgotar/limpar um poço que abrimos sobre o barranco para nos abastecer. Achei injusto. Um poceiro cobra media de mil reais para furar um poço, e também passei a dar minha opinião e esclarecer acampados quando solicitado. Comecei a minar o poder e a forma que éramos tratados pela militante. Eu ainda era coordenador de um acampamento. Num dia que fui à cidade, ao me regresso, fui informado que uma coordenadora de acampamento vizinho, ordenada pela militante, estiveram no acampamento e realizaram uma espécie de assembléia com todos os acampados a fim de me excluir do acampamento. Unanimemente o povo, cerca de 50 membros/cadastros, votaram contra e a favor da minha permanência. Como ninguém contesta a militante individualmente, ela engoliu minha permanência mais anulou, acabou, destituiu o acampamento, “desnominando-o”, e fez ser englobado por outro acampamento, como se fosse um segundo núcleo, Fomos engolidos pela outra coordenadora que a obedece sem contestar. Foi a forma que a militante encontrou de me cerzir, anular, impedir-me de ir ao INCRA, de me vetar, de obter informações, via o deputado que nos apóia, e ao MST Nacional. Por aqui funciona-se a lei de que apenas os coordenadores tem acesso aos projetos, informações e deputados.
        Tornei-me oposição a este despotismo, tirania, ditadura pintada de vermelho e que entoa hinos de liberdade, democracia e melhor socialização dos meios de produção e da sociedade. Tenho o aval dos acampados da região, porem a militante é conhecida pela sua violência, ficha criminal, onde sei que costa inclusive tentativa de homicídio. Os acampados a temem. Muitos têm os filhos ameaçados pela mesma: “separo a cabeça do corpo dos seus filhos”. Por meio de um contato no INCRA, fui informado que a fazenda a qual pleiteamos, parece ter se desenquadrado da reforma agrária. Parece que o fazendeiro entrou em acordo com a União quanto a impostos devidos. A coordenação me parece que foi informada em março, e se for verdade, a militante e coordenadora estão mentindo e vivendo das mensalidades angariadas por cadastro, valor que não é baixo. Também em março, quando ainda era coordenador, estive no INCRA, levei documentos de algumas fazendas da minha região, noroeste paulista, que tenho certeza que se enquadraram à reforma agrária, documentos em meu nome que agora parecem estarem sendo tratada pelo Sinésio e a militante como área a ser pleiteada pela ala do MST que a militante coordena e que ela quer deixar como “manga na carta” caso a fazendo onde está acampada não seja destinada ao assentamento de seu coletivo. Minha dor é maior porque a cerca de seis meses nada era como hoje é. A questão é que esta militante, que esta sob forte investigação criminal pela policia federal de Jales, com outros dois fraudatórios montaram um projeto, ainda com a inserção de outra coordenadora corrupta de se criar uma nova regional do MST, Regional de Jales. Parece que as coisas estão andando. O Problema é que existe meia dúzia, incluindo os citados até agora, que estão se engalfinhando devido ao controle de um milhão que será enviado pelo governo para essa regional. Aí tudo mudou, enfim, tudo isso aqui virou verdadeiro pandemônio, e quem sofre é o sem terra. Não temos recursos para nada. Ir a Capital e voltar pra gente é quase vigem épica. O Sinésio não nos da informação alguma por telefone. Porem quando um deputado o liga, ele passa as informações e, portanto, ela chega até nos. Preciso saber sobre as fazendas.
        Precisamos de sua ajuda. Temos provas que podem inclusive encarcerar a Militante. Porém temos medo. Tememos por nossas vidas e de familiares. Precisamos de sua ajuda.
        Grato;

      • Boa Noite Camarada Nordeans!

        Primeiro preciso informar que li seu comentário neste exato momento, quando ele foi automáticamente aprovado na íntegra pelos dispositivos deste blog, dia 16, onde vc ficou préviamente autorizado por mim, à publicar seus textos sem que antes eu os avaliasse.

        Segundo, posso te dizer, sem medo de errar, voce não está lidando com gente do MST, muito pelo contrário. Vc tem se relacionado com um grupo do Noroeste Paulista, que é combatido pelo MST, justamente pelas práticas que adota. A militante que voce descreveu, se é que eu entendi direito, em breve estará respondendo por seus atos, bem como aqueles que dão cobertura.
        Só como alerta. A regional Andradina do MST, faz muito tempo debate a possibilidade de desdobramento em duas, sendo a segunda na região de Jales. Entretanto, muita coisa tem que ser feita antes. Existem pessoas que exploram a boa fé de pessoas que são favoráveis à Reforma Agrária com o objetivo de obter benefício próprio. Usam o nome e a banderia do MST, mas não são do MST. Como movimento social, sem persolanidade jurídica própria, por razões obvias, não temos com impedir que isto aconteça do ponto de vista jurídico.
        Nossa ação é política. Informamos a tantos quanto podemos para que estas práticas não sujem nosso nome e a luta pela reforma agrária. Mês passado encontramos na sua região gente que, aparentemente de boa fé, perambulava pelas ruas com um carnê, com o nome do MST, pedindo dinheiro. ISTO É ABSURDO.

  4. Nordeans diz:

    Estou me espondo demais. Se o blogueiro jugar necessario, em carater da minha segurança e companheiros, pode omitir partes do relato au até todo ele. Preciso de orientaçao, ajuda.

    • Desde do dia 17 ultimo, estivemos percorrendo vários assentamentos da Regional do MST. Nosso trabalho externo, nos impediu de acessar a net até o dia de hoje, quando retornamos à nossa entidade. Pela sua fala no comentário anterior, sou obrigado a alertar informando que concordo com sua fala. Não se exponha em demasia, não permita que seus comentário levem à sua identificação pelas lideranças com quem tem se relacionado.
      Abraço fraterno,

    • Acabamos de te enviar uma mensagem direta com indicação de uma forma de contato alternativa.
      Abraços,

  5. maria diz:

    boa tarde .estou acampada na fazenda itapura.gostaria de saber se essa fazenda tera assentados se o incra ja comprou a fazenda muito obrigada

    • Maria, obrigado por sua participação.

      Segundo as informações de que dispomos o acampamento da Fazenda Itapura é coordenado pelo MST. A coordenação regional de Andradina acompanha diariamente todos processos em andamento junto ao INCRA, contando para isto com vários apoios em todo o Brasil, inclusive nosso.

      Recomendamos seja feita a consulta ao movimento organizado, quem tem ficado na sede é a Nina que terá o maior prazer em atender. Caso, depois disto ainda perdurem dúvidas, estamos a sua disposição.

      Abraço fraterno,

  6. NANA diz:

    P.A. “Frei Pedro” ( Fazenda São Rafael – Perreira Barreto)

    – Parcelamento total da área;

    -Liberação imediata dos Créditos de Instalação (Apoio Inicial, Fomento I e II, Habitação)

    – Abertura de estradas;

    – Perfuração de poços e rede distribuição de água;

    – Apoio Mulher de R$ 4.800,00, em parcela única;

    – Eletrificação;

    como descrito em sua matéria, todo o conteúdo anterior foi proposto a mais de um ano e sabe o que foi solucionado no assentamento frei pedro????
    Apenas o parcelamento da área, e abertura das estradas, se bem que de forma irregular, onde já se viu o curso da estrada passar por dentro de uma enorme erosão, diga-se uma cratera, e para moradores terrem acesso um dos assentados teve que permitir fazer a estrada dentro da sua propriedade, e as autoridades se acomodaram e nenhuma atitude tomaram para que fosse arrumado o curso correto da estrada!!!
    até agora nenhum credito foi liberado, nem perfuração de poços, nem apoio a mulher, muito menos eletrificação, estão todos os assentados, sentados sem nada pra fazer, pois não se pode ter um emprego pq tem que trabalhar na terra,mas como trabalhar sem subsídios, sem ter como investir?????
    Fico admirada pela demora pois estão há muito tempo sem apoio, e a finalidade da reforma agrária torna-se contrária pq sem ter com investir estão quase todos com sua tão sonhada terra improdutiva!!!!!!!!!

  7. […] Stacey Debinshire em Os três brasileiros que refuta…NANA em Termina impasse entre MST e IN…Fauzer Ferraz do Nas… em Em ocupação do INCRA Andradina…Fauzer Ferraz do Nas… […]

  8. NANA diz:

    meias palavras, caro!

  9. ivone diz:

    ivone do assentamento uniao da vitoria.veio um tecnico do incra e disse que ainda ele nao sabe direito mas temos que pagar o folmento, apoio mulher ele ja destacou que temos que pagar, mas quando assesamos o credito de folmento,e apoio mulher disserao que nao precisava de pagar que era dinheiro do fundo perdido ,e esse tecnico que talves ate o dinheiro que veio pra fazer as nossas casas temos que pagar mas quando recebemos o dinheiro disserao que nao precisava de pagar so ia pagar o pronaf e custeio. seu virgulino me ajude a entender isso porque quando a gente pega um dinheiro e sabe que tem que pagar e´uma coisa agora chegar na reuniao e dizer que ele nao sabe oque direito mas vamos ter que pagar os beneficios que pegamos foi um choque pra todos tiau espero resposta….

    • Boa noite ivone.

      Tanto o fomento quanto o apoio mulher são linhas de crédito do PRONAF. Existem linhas de crédito do Pronaf que são, de fato, a fundo perdido, mas apenas com as informações que vc fornece não é possível saber qual foi a operação efetivamente feita. Quanto às reuniões, só quem esteve presente para saber.
      Se você quer de fato que eu busque as informações, preciso de mais dados. Todas as operações são feitas através de algum agente financeiro (banco), procure as informações junto a ele e mande. Com as informações poderemos atuar para ajudar.

  10. sonia diz:

    como esta a compra das terras de aparecida do oeste na fazenda de aparecida a presidente ja pagou a fazenda

  11. pinoquio diz:

    não quero me identificar….. mas quero saber: se alguém souber alguma informação sobre a fazenda 3 irmãos em palmeira d oeste sp me responda….. nº do processo e etc….ficarei muito grato se alguém puder me ajudar…..antecipadamente muitíssimo obrigado.

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