Arquivo de 20/01/2011

Subiu para 38, na manhã desta segunda-feira, o número de fazendas ocupadas ou com porteiras bloqueadas, no oeste do estado de São Paulo, por milhares de sem terra que militam em cinco movimentos e seguem a liderança de José Rainha Junior. Sábado e domingo foram ocupadas ou bloqueadas 31 propriedades; domingo e segunda, mais sete.

O maior número de ocupações – 31 – ocorre na região Noroeste Paulista e sete no Pontal do Paranapanema. Nota divulgada pelo próprio Rainha informa que a jornada se destina a denunciar à sociedade que as áreas “são improdutivas ou devolutas e pertencem à reforma agrária”. O objetivo da nova mobilização é apressar o assentamento de 8.000 famílias acampadas.

A Polícia Militar paulista já começou a cumprir mandados judiciais de reintegração de posse das fazendas ocupadas. No caso daquelas em que os sem terra não entraram, mas mantêm bloqueadas por acampamentos nas porteiras, os proprietários estão entrando com ações de interdito proibitório para a remoção dos acampados.

De acordo com José Rainha, os militantes estão orientados a cumprir sem resistência as ordens judiciais. Nesta terça-feira, dirigentes do MST – São Paulo se reunirão em Brasília com o presidente do Incra, Rolf Hackbart, para discutir o reinício dos assentamentos no estado.

O presidente Evo Morales iniciou ontem uma campanha internacional de esclarecimento sobre o uso tradicional e salutar da mastigação da folha de coca.

Sua meta é tirar da lista de proibição das Nações Unidas,  decorrente da Convenção de 1961, essa folha natural e lançar no mercado global a Coca-Brinco, que, evidentemente, será uma concorrente da Coca-Cola: na origem, a Coca-Cola é natural dos Andes e usava a folha de coca.

Desde ontem, o ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, está na Europa em campanha. Sua meta é visitar cinco países e obter deles um compromisso de votar pela modificação da Convenção.

Morales, que já acumulou a presidência do Sindicato de Cocaleiros da Bolívia com a da república boliviana, fala em “reparação de dano histórico”. Ele se refere à confusão entre a tradicional mastigação andina da folha natural e a manipulação química que leva ao cloridrato de cocaína.

Em 2009, o presidente Morales esteve na Assembléia da ONU e, com uma folha de coca na mão (confira foto no post), protestou contra a proibição.

Na ocasião, Morales  lembrou que os nativos consideram a folha de coca sagrada e a Constituição da Bolívia permite o uso tradicional.

Na Bolívia, como em outras partes do mundo, o cloridrato de cocaína é proibido. E é criminalizado o fabrico e tráfico de cocaína.

Como até o ex-presidente George W. Bush sabe, a Organização Mundial de Saúde (OMS), em estudo realizado em 1995, concluiu “que o uso da folha de coca não provoca efeitos físicos negativos e pode ter valor terapêutico”.

2. A geopolítica das drogas mostrou que a proibição voltava-se a acabar com a matéria-prima (folha de coca) usada na elaboração do cloridrato de cocaína. Absurdamente, deixou-se de lado os valores culturais dos povos andinos. E a confusão foi proposital.

Parêntese:  a supracitada Convenção da ONU de 1961, subscrita pelo Brasil, entrou em vigor em 1964. Seu o propósito era eliminar o cultivo e a produção de drogas em 25 anos: o prazo venceu em 1989. Um fracasso absoluto.

PANO RÁPIDO. A Bolívia é a terceira maior produtora de folha de coca. Em 2010 sua produção cresceu.

Conforme declarou à BBC de Londres Luis Cutipa, diretor nacional de comercialização da folha de coca, a Bolívia produziu 19 mil toneladas de folha de coca em 2010.

O problema está na falta de fiscalização, pois  parte da produção é ilegalmente desviada para o fabrico de cocaína em laboratórios clandestinos.

O abaixo-assinado, grande consumidor de Coca-Cola Zero, está curioso em saborear a Coca-Brinco, made in Bolívia.

Wálter Fanganiello Maierovitch (http://maierovitch.blog.terra.com.br)

 

 

A imprensa brasileira conseguiu comover a muitos com a história do cão Caramelo, que supostamente guardava o túmulo da dona após ela ter sido soterrada pelos deslizamentos de terra que atingiram a região Serrana do Rio de Janeiro na última semana. A história foi noticiada pelo G1, UOL, Folha.com, R7, Extra e virou até charge de Chico Caruso no jornal O Globo, entre outros. No entanto, segundo o Diário de Teresópolis, a história, repercutida até pela imprensa portuguesa, não passou de uma grande confusão.

De acordo com a reportagem, Caramelo realmente existe e perdeu seus donos na tragédia, mas não era ele que aparecia ao lado de um túmulo e sim, John, o cachorro de Rodolfo Júnior, voluntário que trabalha no cemitério Carlinda Berlim.
 

John e seu verdadeiro dono

“Isso é coisa de repórter que precisava chegar com uma história diferente para apresentar ao chefe… o John é meu há mais de um ano quando fiquei com ele pra mim! O antigo dono foi para o Rio e deixou ele por aí… ele chamava o cachorrinho de Leão, mas eu prefiro John… ele tem cara de John, afirmou Junior ao Diário de Teresópolis, que enfatizou que seu cachorro é dócil e o segue por todos os lugares, por isso estava ao seu lado, enquanto trabalhava. “No dia em que o rapaz tirou a foto dele eu estava trabalhando nas covas e ele ao meu lado como sempre… e aí depois veio essa maluquice toda”.

Não se sabe se a confusão começou após as fotos de John terem sido divulgadas pela agência AFP como as de Caramelo, ou se pela semelhança dos dois cachorros. Mas o caso irritou o administrador do cemitério, Márcio de Souza. “É lamentável que tal fato seja utilizado para causar comoção aos leitores! Fui contatado horas antes da notícia ser levada ao ar por um repórter e fui claro ao dizer que o cão da foto ao lado do túmulo é de propriedade de um de nossos voluntários que no momento faziam sepultamentos naquele local, logo não tem nada a ver com o cão adotado, disse.

As notícias sobre o cão “fiel” não paravam por aí. Esta semana vários portais divulgaram que o cachorro, que supostamente guardava o túmulo da dona, foi adotado por uma família da capital carioca, mas depois fugiu. Caramelo foi adotado e desapareceu, mas não era ele que aparecia na foto ao lado do túmulo. “Houve uma confusão que não se sabe onde começou”, afirma Anderson Duarte, autor da reportagem do Diário de Teresópolis.
 
Segundo o jornal, a confusão se torna evidente quando uma reportagem do Extra diz que o cão estava no cemitério Carlinda Berlim e que foi encontrado pela Comissão Especial de Proteção Animal da Alerj perambulando pelo bairro Caleme. “Para chegar de um bairro ao outro você tem que atravessar a cidade”, explicou o repórter do jornal de Teresópolis.

Da Redação do Comunique-se

Folha.com
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Jornal Extra
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