Dia 19 publicamos os textos do Flit Paralizante e tambem o texto do Panuzzio referentes ao caso, já nacionalmente conhecido. Optamos na ocasião, por vários motivos, pela não exposição do vídeo integral. Passados dois dias, o video já foi acessado por milhares de pessoas e não mais existe o que ou a quem preservar.

O texto da Maria Frõ traz tambem um enfoque que é necessário levarmos em conta. Assim seguem abaixo o vídeo integral bem com o texto, tambem publicado no Viomundo.

É função da Corregedoria apurar a conduta funcional de agentes públicos estaduais, propondo sua responsabilização, quando for o caso. A Corregedoria tem como missão preservar e promover os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, economicidade e publicidade dos atos de gestão, bem como da probidade dos agentes públicos estaduais. No sistema democrático, o bom trabalho da Corregedoria é uma das garantias dos cidadãos de que policiais de má conduta sejam investigados, punidos, afastados. Mas para isso a ação da Corregedoria deve ser feita dentro da lei.

Em 2009, em uma delegacia de São Paulo, delegados da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo para fazer o seu trabalho algemaram uma ex-escrivã, suspeita de receber proprina e a despiram à força na frente de vários agentes públicos do sexo masculino.

Fica-nos a questão: se agentes públicos que têm como missão promover os princípios da legalidade e moralidade agem deste modo com outros agentes públicos, que modelo de respeito aos direitos humanos estão apresentando aos policiais que fazem a segurança pública? Se policiais têm seus direitos negados, como esses policiais agirão conosco?

As imagens do vídeo abaixo foram  gravadas pela própria Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo por ordem dos delegados Eduardo Henrique de Carvalho Filho e Gustavo Henrique Gonçalves, ambos agentes da Corregedoria e protagonistas da ação que se segue.

Segundo a denúncia, a ex-escrivã  teria recebido R$ 200 para ajudar um acusado a se livrar de um inquérito.  Durante a investigação no próprio distrito e com a presença do delegado titular da delegacia, Renato Luiz Hergler Pinto, chefe da acusada, o delegado da Corregedoria  Eduardo Henrique de Carvalho Filho decide pela revista da policial acusada que apesar de não se recusar a ser revistada, implora que isso seja feito por policiais femininas. Na sala há seis agentes públicos, os três delegados, mais dois agentes e duas policiais femininas. O delegado da Corregedoria insiste na necessidade de que a revista tem de ser feita na presença de membros da Corregedoria, a acusada aceita, mas pede que  uma delegada da Corregedoria faça este trabalho.

Em vários momentos da gravação, a acusada pede a ajuda do chefe, grita em vão por socorro, pois o delegado da Corregedoria ordena que seja algemada e a revista acontece à força.

Atenção: o vídeo é violento e contém cenas de nudez

Segundo a reportagem da Band, “as imagens foram feitas em 2009, mas foram mantidas em sigilo pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. A suspeita ainda não foi julgada, mas mesmo assim, foi expulsa da polícia civil. Para a corregedoria a ação dos envolvidos foi correta e moderada. Ninguém mais foi punido ou processado. Agora, o Ministério Público está investigando a conduta dos policiais e já cobrou explicações da corregedora e do Secretário Estadual da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto.”

Com ações violentas como as que vemos no vídeo a Corregedoria nos ajuda a entender como é possível policiais se comportarem  assim e assim.

Publicado no: Viomundo e tambem Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter@maria_fro

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Comentários
  1. Edgreis diz:

    É muita falta de humanidade fora da lei, como pode agentes públicos do sexo masculino revistar outro agente público do sexo feminino de forma arbitrária e às claras, e ainda continuar no cargo! Peço ao Ministério da Justiça, ao Ministério público Estadual de SP e o Ministério Público Federal que se manifestem e dê uma resposta à sociedade para expulsar esses maginas que estão na Corregedoria de polícia de São Paulo.O Secretário de Segurança Pública O Sr. Antônio Ferreira Pinto não sabe de nada! Isso é uma vergonha para a polícia de SP.

  2. Marcos diz:

    Sou Policial Civil em minha cidade (em Minas Gerais), e queria ver aquele delegado (o de camisa vernelha) fazer isso com colega da minha delegacia… Esse cara foi muito homem pois infelizmente encontrou um monte de bananas (pra não usar expressão pior e que merecem os “colegas”) e deixaram uma barbaridade dessas acontecer. Me solidarizo com a Escrivã, e lamento q isso não tenha acontecido na minha delegacia, pois CERTAMENTE, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, faria o delegadozinho engolir o distintivo e a machesa dele. ORDEM ILEGAL NÃO SE CUMPRE. Um FDP desses nunca deveria ter passado no concurso da valoroza Polícia Civil, que busca defender os interesses da sociedade e NUNCA se julga acima da Lei. Estou com vergonha do que ocorreu. Quero ver esse merda (desculpem a expressão) ser expulso da Polícia e andar na rua… o “machão” não vai durar um dia! Em nome dos Policiais Civis que agem nos ditames legais, peço desculpas a todos os que tomaram conhecimento do vídeo, e tomo a liberdade de parabenizar, lamentavelmente, a todos os que criticarem a atitude do “delegado machão”, que não duraria uma hora nas ruas. Peço desculpas também pelos policiais que coadunaram com a atitude ARBITRÁRIA, IRRACIONAL E BÁRBARA do incompetente, pois se faziam presentes e foram, no mínimo, omissos. Estou ENVERGONHADO! Sugiro à Sra ou Srta Escrivã Vanessa, que ingresse com ação cível de indenização contra o estado, apesar de que, a meu ver, mesmo sendo homem, a humilhação e o abandono (dos colegas) do que ela foi vítima, dinheiro nenhum vai pagar. Vanessa, independente da sua conduta, criminosa ou não, nada justificaria a atitude covarde daquele vagabundo com carteira de delegado.

    • Diulia diz diz:

      Se todos pensassem como você o mundo seria mais pior do que ja e, ela errou e o delegado estava com a rasão, ela tem que ser punida mais severamente.

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