Arquivo de 08/03/2011

 

Somente o passar do tempo permitirá avaliar completa e profundamente a trajetória econômica e social brasileira nos últimos oito anos do Governo Lula. Antecipar, todavia, alguns dos principais aspectos estruturadores do passado recente parecem ser necessários, especialmente quando se está diante das expectativas de ação para os próximos quatro anos do Governo Dilma. Inicialmente, urge considerar – ainda que brevemente – que os dois principais eixos sobre os quais se estruturou o governo Lula dificilmente deverão se manter intactos e suficientes para permitir a organização do conjunto das ações estratégicas do mandato da futura presidente. Na seqüência, cabe registrar também alguns dos principais desafios de mais longo prazo que precisam ser enfrentados pela expectativa de construção inédita de uma sociedade superior.

Eixos estruturantes do Governo Lula: resistências à continuidade

Dos vários méritos alcançados pelo Governo Lula nos oito últimos anos, dois principais devem – pelo menos – ser destacados. Um primeiro vinculado ao contexto mundial menos desfavorável ao reposicionamento brasileiro na Divisão Internacional do Trabalho. O avanço obtido no comércio externo permitiu reduzir consideravelmente as históricas fragilidades nacionais no Balanço de Pagamentos, com a prevalência de importantes saldos comerciais, do acesso ampliado aos investimentos diretos externos, da resolução dos problemas com a dívida externa e do considerável aumento das reservas internacionais, plenamente favorável ao país se tornar credor do Fundo Monetário Internacional, jamais antes visto. Ademais, o protagonismo nacional no âmbito das relações internacionais tornou-se evidente e incontestável nos diversos fóruns mundiais e, em alguma medida, liderança nos temas ambientais e sociais.

Um segundo mérito observado nos últimos oito anos encontra-se relacionado aos importantes desempenhos obtidos nos campos (i) econômico, com a expansão – duas vezes maior do que na década de 1990 – dos investimentos e da produção, bem como da queda – a quase metade – dos anos 90 na taxa de desemprego; (ii) social, com redução sensível nas taxas de pobreza e de desigualdade da renda; e (iii) ambiental, com a desaceleração nas queimadas e no grau de emissão do dióxido de carbono. Essa construção relativamente harmônica nas diversas esferas do desenvolvimento nacional possibilitou ao país um novo reposicionamento na relação com o conjunto das nações, ademais de chamar a atenção para a possibilidade de construção de um novo padrão de desenvolvimento com justiça social e sustentabilidade ambiental.

Para os próximos anos, contudo, a seqüência desses dois eixos estruturadores do passado recente tende a contar com fatos novos, fundamentais de serem considerados e, sobretudo, enfrentados. De um lado, pelo movimento global de reestruturação do capital, responsável por expressar sinais crescentes de decadência relativa dos Estados Unidos, simultaneamente ao deslocamento do antigo centro dinâmico capitalista unipolar para a multipolarização geoeconômica mundial (Estados Unidos, União Européia, Rússia, Índia, China e Brasil).

Diante da crise internacional que permanece desde o ano de 2008 ainda sem resolução definitiva, bem como o avanço concomitante da revolução tecnológica e do segundo ciclo da industrialização tardia na Ásia, nota-se a prevalência próxima do baixo dinamismo econômico mundial, sobretudo pelas medidas adotadas mais recentemente nos países centrais. Ou seja, a crise internacional atual parece reproduzir traços similares aos verificados anteriormente pela armadilha japonesa durante a década de 1990, quando predominou o baixo dinamismo no consumo das famílias e a postergação dos investimentos produtivos. O resultado termina sendo o risco permanente da deflação de preços e da desvalorização cambial competitiva em busca de maior ampliação dos mercados externos por parte dos países ricos.

Por força disso, os países não desenvolvidos tendem a assumir crescente responsabilidade pela dinâmica econômica mundial, indicando, pela primeira vez desde a Depressão de 1929, que a recuperação da produção global segue sendo estimulada pelas regiões periféricas, especialmente nos países de grandes escalas produtivas, como China, Índia e Brasil. Ademais, percebe-se também o predomínio na convergência de vantagens competitivas da expansão industrial a se concentrar em alguns países considerados até então pobres, quando não no setor da agroindústria.

De outro lado, nota-se que a adoção de distintos modelos de ajustes nos países durante a crise global aponta, em geral, para uma situação desfavorável ao Brasil, cujos impactos são a valorização do real e o aprofundamento da heterogeneidade estrutural. Assim, ocorre maior decréscimo nas vantagens comparativas na manufatura e serviços de maior valor agregado do que em relação ao setor primário-exportador. Mesmo com expansão econômica, se o diferencial de produtividade nacional em relação às nações ricas não diminui, gera, por conseqüência, risco crescente da primarização da estrutura produtiva e de exportações, geradora de menor intensidade ocupacional e de remuneração.

Para os países da União Européia, a reprodução dos tradicionais programas de ajuste fiscal tem produzido maior pressão na elevação das exportações frente ao desânimo do consumo interno. A redução do gasto público impõe, por conseqüência, prejuízos aos trabalhadores, ao mesmo tempo em que favorece a redução de custos no setor privado voltado às exportações, geralmente de bens e serviços de maior valor agregado. No caso dos Estados Unidos, principalmente, não tem havido medidas substanciais de ajuste fiscal, embora a pressão por elevação das exportações de bens e serviços de maior valor agregado seja crescente. Como o consumo interno permanece contido, não obstante a baixa as taxas de juros e elevada liquidez em dólares, cabe ao governo a defesa das medidas de desvalorização do dólar para tornar mais competitivos os produtos estado-unidense.

Nos países asiáticos, a perspectiva tem sido outra, com crescente correlação da expansão produtiva e das exportações de manufatura com a elevação das importações de produtos primários. A redução dos preços de bens industriais chineses tem permitindo ocupar espaços anteriormente preenchidos por produtos brasileiros com maior valor agregado exportados, apesar da continuidade da importação e valorização dos preços dos produtos primários.

Neste quadro geral de alteração na dinâmica externa e da situação doméstica nacional, o Brasil deve registrar maior dificuldade nos anos seguintes para manter a trajetória similar do Governo Lula. Esses maiores constrangimentos não devem implicar, todavia, desânimo, mas, pelo contrário, a possibilidade de levar adiante o acúmulo de forças políticas em direção à construção de um novo patamar de políticas públicas.

No campo econômico, por exemplo, destaca-se que cabe ao Brasil buscar a continuidade do seu próprio caminho, aprofundando ainda mais a integração sul-americana e as relações internacionais Sul-Sul. Para, além disso, o reforço de ações governamentais necessárias ao fortalecimento do setor produtivo, especialmente naqueles de maior valor agregado. Ou seja, a implementação de política governamental mais agressiva de substituição de importações industriais e dos serviços mais sofisticadas, como nos fármacos, eletro-eletrônico, tecnologia de informação e comunicação, entre outros.

Também deve haver maior avanço nas ações governamentais de redução da heterogeneidade produtiva, com esforço seqüencial na elevação da produtividade nos diferentes setores econômicos nacionais. A produção e difusão tecnológica e do crédito deve implicar no estabelecimento de novas instituições e regras que permitam descentralizar e expandir os serviços e bens generalizadamente nos setores produtivos, especialmente nos micro e pequenos negócios. Por fim, o enfrentamento permanente do processo de valorização cambial. Medidas de maior envergadura precisam ser urgentemente implementadas à luz das experiências internacionais de contenção do excesso de dólares, com distanciamento necessário dos programas de ajuste fiscal capazes de conter a demanda interna e postergar a continuidade dos avanços sociais.

No campo social, cumpre destacar a necessidade de aprofundamento das políticas públicas do estágio distributivo para redistributivo. Ou seja, a ampliação das políticas sociais de melhor alocação dos recursos arrecadados em prol da base da pirâmide social para a progressividade na arrecadação e elevação do fundo público. Com isso, pode-se abandonar a vergonhosa condição de regressividade tributária existente no Brasil, que o torna eficaz na arrecadação de tributos, taxas e contribuições sobre os pobres e completamente ineficaz na tributação sobre os ricos.

A constituição de novos fundos sociais seria outra oportunidade necessária compromissada com a expectativa brasileira de superação da pobreza extrema, bem como elevação, sobretudo, do grau de escolaridade geral da população. Isso pressupõe escolhas políticas da maior importância e que se encontram no horizonte das possibilidades mais imediatas do novo Governo Dilma.

Desafios à construção da sociedade superior

Pela eleição democrática do novo Governo Dilma, o Brasil consolida a formação de uma nova maioria política capaz de assegurar a continuidade do desenvolvimento brasileiro. Mas isso não significa, necessariamente, a seqüência do mais do mesmo, mas pode representar a radicalização das possibilidades de construção de uma sociedade superior. Ou seja, a transição mais intensa da condição do trabalho enquanto meio de financiamento da sobrevivência para o estabelecimento de um novo patamar do desenvolvimento humano integral.

Historicamente, a combinação do progresso das forças produtivas com a atuação progressistas das lutas sociais e políticas permitiram elevar o padrão de vida da população. Atualmente, quando o curso da revolução tecnológica faz crescer ainda mais o potencial material de produzir, o Brasil encontra-se diante de oportunidade inédita de libertação crescente de sua dependência do trabalho para a mera sobrevivência. Noutras palavras, o estabelecimento de um novo código do trabalho fundamentado na educação para toda a vida toda, na postergação do ingresso no mercado de trabalho para após a conclusão do ensino superior e na contenção maior do tempo de trabalho.

Diante dos ganhos de produtividade vinculada ao trabalho imaterial (forte presença nas atividades de serviços que já respondem por mais de 70% do total das ocupações abertas no Brasil), há crescente possibilidade da redução do tempo de trabalho mediante o avanço do fundo público capaz de que capturar maior parcela da renda e riqueza absorvida pelos ricos. Neste começo do século 21 consolida-se uma nova transição do trabalho industrial para o do conhecimento, capaz de impulsionar maior liberação do brasileiro da obrigação pelo mero trabalho pela sobrevivência. Ao longo do século passado, as transformações no modo de produção capitalista influenciaram decisivamente o papel que a educação e a formação profissional possuíam na inserção e trajetória ocupacional dos brasileiros. Com isso, o sistema educacional concentrou-se fundamentalmente nas menores faixas etárias (crianças, adolescentes e poucos jovens) e se limitou à tarefa antecipadora do exercício do trabalho. Após o ingresso no mercado de trabalho, praticamente abandonava-se o estudo, uma vez que o conhecimento adquirido durante a passagem pelo sistema educacional e de qualificação se mostrava suficiente para permitir o exercício laboral por 30/35 anos, antes da aposentadoria. As ocupações e a trajetória de trabalho eram relativamente rígidas, permitindo que do ingresso até a saída do mercado de trabalho não houvesse muitas alterações profissionais.

No trabalho associado à sociedade do conhecimento, a transição do sistema educacional para o mundo do trabalho e o processo de educação para toda a vida assumem maior relevância absorção de novas oportunidades de trabalho, não mais como uma obrigação e sim como conseqüência direta de decisões tomadas previamente. Isso porque, na sociedade do conhecimento, a preparação para a vida laboral tende a ser cada vez mais decisiva, com a educação e a formação ocupando papel central na trajetória de vida. Por conta disso que o tempo de formação para o ingresso no mercado de trabalho necessita ser ampliado, enquanto a educação e a formação ocupacional transformam-se em algo continuado ao longo da vida útil das classes trabalhadoras.

A educação geral e a formação continuada devem buscar a transdisciplinariedade do conhecimento, o que deve possibilitar a contínua transferência tecnológica, em uma sincronia direta entre o sistema educacional e o mundo do trabalho. Isso rompe com a concepção tradicional de restringir a educação apenas a uma faixa etária precoce, possibilitando que a educação geral ocupe maior tempo na vida dos brasileiros, seja na fase precoce da vida, seja ao longo da maturidade humana por meio da aprendizagem teórica e práticas contínuas que potencializem o exercício do conhecimento a partir da redução do tempo de trabalho para a sobrevivência.

Para isso, o padrão regulatório necessita limitar as jornadas semanais de trabalho para 25 horas no período anual de 200 dias, ou seja, cerca de mil horas de trabalho ao ano. Ao mesmo tempo, a postergação do ingresso dos jovens no mercado de trabalho a partir do ensino superior completo. Dessa forma, parcela significativa dos jovens termina cumprindo o ciclo educacional mais longo, buscando se preparar mais para ocupar as melhores oportunidades de trabalho e renda na sociedade do conhecimento. Os filhos dos estratos mais ricos da população já optam pelo ingresso no mercado de trabalho após terem concluído o ensino universitário, quando não a pós-graduação, uma vez que dispõem de condições próprias para financiar a inatividade por maior tempo.

A universalização do tempo da inatividade requer o fortalecimento das políticas públicas, com ampliação dos fundos públicos direcionados ao financiamento da ampliação da educação e da formação ocupacional para a vida toda. Tudo isso, é claro, contemporâneo às exigências de uma nova sociedade em que o conhecimento torna-se cada vez mais o elemento decisivo na trajetória ocupacional que permite reduzir drasticamente o trabalho pela sobrevivência.

Nesse sentido, o trabalho autônomo torna-se uma conseqüência resultante da trajetória pregressa da educação e formação ocupacional. O que não significa dizer que a educação e a formação profissional são os determinantes do nível ocupacional de um país, mas representam a possibilidade de romper com o sentido do trabalho como condenação.

Ao se combinar a ampliação da expectativa média de vida com a redução do tempo de trabalho, conforme exigência do trabalho na sociedade do conhecimento vislumbra-se a menor relação da vida com o trabalho para sobrevivência. No tempo do predomínio do trabalho rural, a carga de trabalho consumia quase 70% de todo o tempo da vida humana. No trabalho urbano-industrial, o avanço da regulação do tempo de trabalho acompanhada da elevação da expectativa média de vida, tornou a carga laboral responsável por cerca de 45% do tempo de vida humana.

O trabalho pela sobrevivência na sociedade do conhecimento poderá equivaler a cerca de 20% de todo o tempo de vida de um indivíduo. Mas isso requer a mobilização das lutas sociais e políticas em prol da construção de uma sociedade superior, que liberte o máximo o brasileiro pela mera sobrevivência, sobretudo com as distintas possibilidades para o exercício do trabalho autônomo. Ou seja, o exercício de atividades educacionais e de cidadania e comunitárias que se apresentam como oportunidades de regulação pública fundamental nesses novos tempos em que a carga de trabalho pela vida pode ser diminuída significativamente. Sem o entendimento a esse respeito, a perspectiva de fazer avançar o novo padrão civilizatório corre o risco pode-se prender apenas ao âmbito da retórica, não da rebeldia transformadora da realidade.

Por Marcio Pochman

* Professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas. Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)

A agricultura familiar e o Bolsa Família serão pilares do programa de erradicação da miséria. O anúncio foi feito pela presidenta Dilma Rousseff nesta terça-feira (1º) em Irecê (BA), durante solenidade que marcou o início da programação do Governo Federal para comemorar o Mês
da Mulher. “Assumi o compromisso de acabar com a miséria absoluta e a pobreza extrema. O Bolsa Família e a agricultura familiar ajudam o Brasil a crescer. Vamos dar mais a quem mais precisa”, afirmou a presidenta durante o evento no qual o Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA) apresentou o conjunto de políticas públicas que desenvolve para promover cidadania e geração de renda para mulheres rurais.

“Inicio aqui o nosso projeto de erradicação da miséria”, salientou a presidenta Dilma Rousseff, depois de acompanhar a primeira emissão do Bloco da Produtora pelo Expresso Cidadã, unidade móvel do Programa de
Documentação da Trabalhadora Rural (PNDTR) e visitar a Mostra de Grupos Produtivos de Mulheres Rurais, que reúne 90 grupos de mulheres dos Territórios da Cidadania Irecê, Sertão do São Francisco, Chapada
Diamantina, Sisal e Velho Chico apoiados pelo Programa de Organização Produtiva das Mulheres Rurais (POPMR). Dilma definiu como primeiro passo do projeto o anúncio feito nesta terça-feira do reajuste dos benefícios do Bolsa Família, que alcançarão 45% para famílias com
maior número de filhos.

O próximo desafio, anunciou a presidenta, é garantir o acesso de dois milhões de agricultores familiares ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), desenvolvido pelo MDA. “Acredito na agricultura familiar com trator, assistência técnica
e crédito”, destacou Dilma, que apontou a linha de crédito Pronaf Mulher como fundamental para a autonomia econômica das agricultoras. “Com acesso ao Pronaf, as mulheres podem contribuir na melhora da renda da sua família”, afirmou a presidenta, que destacou a
importância de políticas de apoio à produção e à comercialização produtiva da agricultura familiar para impulsionar o desenvolvimento social e econômico dos trabalhadores do campo e dos municípios onde vivem.

Ao se referir ao conjunto de políticas públicas já desenvolvidas pelo MDA, que englobam inclusão produtiva, crédito e assistência técnica e
promoção de geração de renda, o ministro Afonso Florence salientou o seu alcance para promover a cidadania e a inclusão produtiva das mulheres do campo. E usou como exemplo o Programa Territórios da Cidadania, desenvolvido pelo Governo Federal em parceria com estados, municípios e sociedade civil. “Por meio dos Territórios da Cidadania, temos garantido investimentos na organização e autonomia econômica
para as mulheres”, afirmou Florence.

A secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Contag, Carmem Foro, destacou a importância da atuação conjunta dos movimentos do campo e do Governo Federal para fortalecer as políticas públicas direcionadas para as trabalhadoras do campo e da floresta nos últimos anos. “Governo e movimentos são atores do mesmo projeto”, afirmou Carmem.

Durante o evento, o governador da Bahia, Jaques Wagner, anunciou que “o Pronaf Mulher na Bahia terá juros zero”. O governo do estado já paga os juros que incidem nos financiamentos feitos pelo Pronaf Mais Alimentos, programa do MDA que apoia a modernização da infraestrutura produtiva das propriedades familiares. “É a hora e a vez da agricultura familiar”, afirmou Wagner.

Também participaram do evento que marcou a abertura das comemorações do Mês da Mulher as ministras Tereza Campelo (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Iriny Lopes (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres) e Helena Chagas (Secretaria de Comunicação da Presidência da República); o ministro Edison Lobão (Minas e Energia); o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli; o presidente da Petrobrás Biocombustível,
Miguel Rossetto; o prefeito de Irecê, Zé das Virgens; a senadora Lídice da Mata; prefeitos, deputados da Bahia e representantes de movimentos de mulheres trabalhadoras rurais
http://www.incra.gov.br/portal

Da Página do MST

Em continuação à Jornada Nacional de Luta das mulheres no estado de São Paulo, as cerca de 600 mulheres que paralisaram a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, ocuparam, na tarde de quinta-feira (3/2), a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em São Paulo.

A mobilização tem como objetivo exigir do Ministério do Desenvolvimento Agrário a mudança na política de gestão do órgão responsável pela Reforma Agrária em  São Paulo, o Incra-SP.

Nós últimos anos a Reforma Agrária no estado de São Paulo, bem como acontece em praticamente todos os estados brasileiros, vem enfrentando grandes limites e dificuldades em relação ao assentamento das famílias acampadas. Algumas destas famílias estão acampadas há mais de 8 anos.

Em relação à implantação e desenvolvimento dos assentamentos a situação também é bastante desrespeitosa. Parte dos assentamentos tem sua infraestrutura extremamente precarizada, com estradas intransitáveis, demora ou mesmo não construção de moradias nestes espaços, não acesso à água potável, entre outras coisas.

Sobre o desenvolvimento da produção, falta assistência técnica compatível com a necessidade e a realidade das famílias. Além disso, existe uma grande dificuldade no acesso aos créditos de implantação do assentamento pelas famílias.

Por último, não existem políticas públicas que viabilizem, desenvolvam ou fortaleçam as empresas sociais das trabalhadoras e trabalhadores, como as associações, cooperativas e agroindústrias.

Por esta situação, é que as mulheres, mais uma vez, impõem sua presença neste espaço, não para negociar, mas para exigir a mudança na atual política de gestão deste órgão.

do O esquerdopata de Еskеrдоpата

Gastos do governo de São Paulo com passagens e locomoção sobem 16%
Dados do Tesouro estadual mostram que foram desembolsados em 2011 R$ 3,8 milhões a mais do que no 1º bimestre de 2010
Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assumiu o mandato pedindo auditoria das contas do Executivo paulista e contenção de gastos – especialmente com viagens. Mas nos dois primeiros meses de gestão as despesas com passagens e locomoção do governo paulista subiram 16,2% em relação ao mesmo período de 2010.
Dados do Tesouro estadual demonstram que o governo desembolsou neste ano R$ 26,7 milhões, em valores liquidados, com passagens. O montante é R$ 3,8 milhões maior do que o aferido no primeiro bimestre de 2010, de R$ 22,9 milhões. O incremento nos gastos é baseado em levantamento feito pela liderança do PT na Assembleia, a pedido do Estado, no Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo), da Fazenda estadual.
O aumento vai na contramão do primeiro ato de governo de Alckmin. Em janeiro, como medida “cautelar”, o tucano congelou R$ 1,5 bilhão do Orçamento paulista e disse a seus secretários para “andar de helicóptero só em caso de enfarte do miocárdio”. Emitiu, sobretudo, um alerta para contenção de gastos e custeio.

Ao todo, das 25 secretarias paulistas, 15 incrementaram os gastos com passagens, apenas 3 viram redução nos valores e 3, recém-criadas, não têm base de comparação com 2010 para aferir a variação. Para o governo, “as despesas verificadas são perfeitamente compatíveis com o novo desenho” da gestão

O Carsosinho publicou a matéria abaixo. Para restabelecer a verdade, vimos à publico esclarecer:

Deu no Blog do Renato César Pereira:

Hoje o mundo está comemorando os 100 anos do Dia Internacional da Mulher. E quem estaria comemorando 100 anos, também hoje, seria a Maria Bonita , a companheira do cangaceiro Lampião.

Maria Gomes de Oliveira, vulgo Maria Bonita (08 de março de 1911  –   28 de julho de 1938) foi a primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Nascida no sítio Malhada da Caiçara, do município de  Paulo Afonso, na época conhecido como município de Glória, na Bahia.

Depois de um casamento frustrado, em 1929 tornou-se a mulher de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, conhecido como o “Rei do Cangaço”. Continuou morando na fazenda dos pais, mas um ano depois foi chamada por Lampião para fazer efetivamente parte do bando de cangaceiros, com quem viveria por longos oito anos.

Com o cangaceiro, Maria Bonita teve uma filha de nome Expedita Ferreira Nunes e, segundo os historiadores, mais um filho chamado Ananias Gomes de Oliveira, que foi criado pela mãe de Maria, Dona Déa.  Maria Bonita morreu em 28 de julho de 1938, aos 27 anos, quando foi degolada ainda viva pela polícia armada oficial (conhecida como “volante”), assim como Lampião e outros nove cangaceiros.

Bom dia Cardosinho!

Assim como no caso das publicações sobre a certidão negativa de débitos emitida para quem, de fato, estava em débito, a “história oficial” nem sempre é a verdadeira. Só pra ilustrar. Quando os Portugueses invadiram os territórios dos povos tupis, guaranis e tantos outros, constou da historiografia oficial como descobrimento do Brasil… e olha que estes povos não tinham o hábito de andar “cobertos”.

São muitas as versões que circulam sobre nossas vidas. Falando de Maria é importante desmentir a versão que circula quanto ao motivo da separação dela de seu primeiro marido. Não é verdade que ela o abandonou depois de ter sido flagrada nua em sua alcova com um cirurgião plástico. Esta estória é uma confusão plantada deliberadamente na mídia golpista pelos coronéis com o objetivo de denegrir a minha imagem e de Maria.

Como são várias as versões e estórias que contam ao nosso respeito vou encurtar a prosa e ir direto ao ponto, a nossa morte. Depois que os coronéis do Sertão descobriram que não podiam mais fazer o que bem entendessem passaram a nos perseguir para restabelecer seu poder de mando. Tentaram várias vezes nos matar, sem sucesso.

Eu, minha mulher Maria Bonita, e alguns companheiros.

Na verdade, Maria eu e vários companheiros decidimos continuar a luta e com a ajuda (ops! Segredo, quase falei.) passamos a viver no mundo cibernético. Hoje, vivemos na blogosfera (veja a foto), e temos cumprido algumas missões na virtuália. Conseguimos passar para a história, com isto nos tornamos imortais e não envelhecemos…

Os corpos que foram expostos como sendo nossos pela volante (bem desfigurados) com suas cabeças em estacas, na verdade eram de colaboradores dos coronéis que foram abandonados por eles na hora H. Que isto sirva de lição aos colaboradores de hoje em dia, aí no Sertão.

Ah! Ela tá me cutucando prá falar procês que está junto e misturada com a turma da Marcha da Mulheres.  As informações estão na matéria logo abaixo desta.