Arquivo de 16/03/2011

 

Ao saudar a visita que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fará ao Brasil neste fim de semana, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sugeriu que ele anuncie o fim do bloqueio econômico a Cuba durante o pronunciamento que fará ao povo brasileiro no domingo (20) na Cinelândia, área central do Rio de Janeiro.

– Que possa a Cinelândia se encher do povo brasileiro e possa o presidente Barack Obama estar certo de que, no seu discurso, quando ele disser que vai acabar com o bloqueio, com o embargo contra Cuba, ouvirá a reação positiva, os aplausos do povo brasileiro e dos povos das Américas – opinou Suplicy.

Na opinião do senador, a visita de Obama ao Brasil, que incluirá encontros com a presidente Dilma Rousseff em Brasília, significa um “acontecimento de extraordinária relevância” para as relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

– Eu tenho a convicção de que o presidente Barack Obama representa esperanças muito fortes de todos aqueles que lutaram, ao longo da história, pela liberdade – disse Suplicy ao afirmar que Obama representa os anseios e esperanças explicitadas pelo pastor protestante e ativista político Martin Luther King Jr. nos anos 1960.

Lembrando do discurso que o presidente norte-americano fez em Brandenburgo, na Alemanha, em 24 de julho de 2008, Suplicy conclamou Obama a dar um fim ao bloqueio econômico a Cuba e também criticou o tratamento dado pelos Estados Unidos à fronteira com o México. No pronunciamento na Alemanha, citou Suplicy, Obama disse que “os muros entre os países que têm mais e os que têm menos não podem continuar. Os muros entre raças e tribos, entre nativos e imigrantes, entre cristãos, mulçumanos e judeus não podem permanecer. Hoje são esses os muros que precisamos derrubar”.

– Eu tenho a esperança de que, ainda durante o seu mandato, possa o presidente Barack Obama tomar as medidas necessárias para não mais precisar haver muros que separem os Estados Unidos do México e do restante da América Latina – afirmou.

Em aparte, o senador João Pedro (PT-AM) elogiou o pronunciamento do colega e afirmou que o bloqueio norte-americano a Cuba perdeu o sentido depois do fim da chamada Guerra Fria.

Da Redação / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Museu dedicado ao escritor inaugura visita virtual com vídeos e trechos de livros

Denise Motta, iG Minas Gerais

Foto: Reprodução

A cidade de Cordisburgo, na versão virtual do Museu Casa Guimarães Rosa

Descrito por João Guimarães Rosa como “o lugar mais formoso devido ao ar e ao céu, e pelo arranjo que Deus caprichou em seus morros e suas vargens”, a mineira Cordisburgo, cidade natal do escritor, está a um clique de distância de quem se interessa em visitá-la.

De qualquer lugar do mundo, os amantes da literatura genial de Guimarães Rosa podem visitar a casa onde o escritor nasceu, a 114 quilômetros de Belo Horizonte. O Museu Casa Guimarães Rosa acaba de ganhar uma versão virtual, recheada com vídeos e trechos da obra do romancista.

O museu virtual funciona de forma semelhante ao mecanismo do Google Street View. O visitante pode percorrer pelo menos sete quadras de Cordisburgo em alguns cliques. O internauta escolhe se prefere uma navegação automática, que começa pela casa onde Guimarães Rosa nasceu, ou se ele mesmo traçará sua rota, entre dezenas de locais a visitar na pacata Cordisburgo, que possui aproximadamente 8 mil habitantes. Ao todo, são 27 atrações virtuais, incluindo uma réplica do gabinete do escritor, obras originais e a praça central.

“É uma ferramenta semelhante ao Google, pois o espaço foi fotografado e filmado. Mas temos vantagens como a trilha sonora do Marcus Viana e os contadores de história do grupo Miguilim, com leituras de trechos das obras de Guimarães Rosa”, explica Rodrigo Coelho, um dos coordenadores do Projeto Era Virtual. “Conseguimos traduzir a sensibilidade do escritor para o projeto. As pessoas falam com o coração. É emocionante estar dentro de um espaço como este”, resume Coelho, completando que em dois meses a Cordisburgo virtual terá tradução para o inglês, francês e espanhol.

O diretor do Museu Casa Guimarães Rosa, Ronaldo Alves, comemora a visibilidade do espaço, que continua aberto ao público para visitas presenciais. “A pessoa vai ter contato com a história de Guimarães Rosa e tomará a iniciativa de ir pessoalmente ao museu. A visita presencial dura cerca de 40 minutos, mas, no ambiente virtual, o critério é mais pessoal.”

Sobre o escritor

Filho ilustre de Cordisburgo, João Guimarães Rosa nasceu em 27 de junho de 1908 e cedo mudou-se para Belo Horizonte. Ainda criança desenvolveu sozinho grande aptidão para aprender diversos idiomas e, aos 16 anos, ingressou na Faculdade de Medicina de Minas Gerais. Exerceu carreira diplomática e tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras dias antes de morrer, em 1967. Entre os destaques da sua obra, está o romance “Grande Sertão: Veredas”.

Outros projetos

O Projeto Era Virtual já abriga museus virtuais de Minas, Goiás, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Para o próximo ano, os planos incluem projetos do Paraná, Santa Catarina, Bahia e Maranhão. O custo total do projeto, viabilizado por leis de incentivo à cultura, nos Estados e no âmbito federal, é de R$ 750 mil.

Museu Casa Guimarães Rosa

O Museu fica aberto, de terça a domingo, das 9h às 17h. O valor do ingresso é de R$ 2, sendo possível agendar visitas pelo telefone 31-3715-1425. Alunos de escolas públicas (municipais e estaduais) são isentos de pagamento da taxa de visitação.
Para conhecer o Museu Casa Guimarães Rosa pela internet, basta acessar o site www.eravirtual.org/rosa_br

De O Estado de S. Paulo

O governo decidiu bloquear negócios de compra e fusão, por estrangeiros, de empresas brasileiras que detenham imóveis rurais no País. Esse tipo de negócio estaria ocorrendo, segundo avaliação do Planalto, como uma forma de burlar restrições impostas no ano passado à compra e ao arrendamento de terras por investidores estrangeiros.

O bloqueio de novos negócios foi determinado em aviso encaminhado ontem pela Advocacia-Geral da União ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Este repassará a ordem às juntas comerciais: operações de mudança do controle acionário de empresas proprietárias de áreas rurais envolvendo estrangeiros não poderão ser formalizadas. A partir do aviso, operações eventualmente fechadas podem ser suspensas na Justiça.

As juntas comerciais também vão auxiliar os cartórios a identificar a participação de capital estrangeiros nas empresas que comprem terras.

O ato do ministro Luiz Inácio Adams é mais uma tentativa de controlar o avanço de estrangeiros sobre terras no Brasil. Em agosto do ano passado, parecer da AGU enquadrou empresas brasileiras cujo controle acionário e controle de gestão estejam em mãos de estrangeiros nas mesmas restrições impostas a empresas e pessoas físicas estrangeiras.

Área por cidade

Desde a década de 70, a lei impede a compra ou o arrendamento de mais que 50 módulos por estrangeiros. O limite, por município, equivale a 25% de seu território sob controle de cidadãos ou empresas de outras nacionalidades. Uma mesma nacionalidade estrangeira não pode deter mais do que 10% da área de um determinado município. Essas restrições haviam sido suspensas para empresas brasileiras, mesmo com controle estrangeiro, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

As restrições foram restabelecidas há sete meses e atribuídas a um cenário internacional que estimulava o avanço de estrangeiros sobre terras no Brasil. “A crise de alimentos no mundo e a possibilidade de adoção, em larga escala, do biocombustível como importante fonte alternativa de energia, apta a diversificar, com grande vantagem, a matriz energética nacional, são os principais vetores dessa nova abordagem da questão da propriedade da terra no Brasil”, argumentou a AGU.

A esses argumentos juntaram-se a elevação do preço das commodities e a especulação com o preço das terras, até a necessidade de conter o desmatamento na Amazônia.

O parecer também chamava a atenção para a falta de controle sobre a compra de terras por estrangeiros. O número mais recente, fechado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na semana passada, aponta em mãos de estrangeiros uma parcela de terra equivalente a 20% do Estado de São Paulo: 4,5 milhões de hectares ou 45 mil quilômetros quadrados – números que, segundo as autoridades, não traduzem a realidade.

Os estudos da AGU também levaram em conta relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o avanço de estrangeiros, também, sobre áreas de terras no litoral brasileiro.

Limite legal

Lei 5.709/1971 prevê limites para compra de terras por estrangeiros

Módulo: 50 módulos fiscais (o tamanho de um módulo varia de acordo com o município)

Máximo: A soma de imóveis rurais por estrangeiros não pode ultrapassar a quarta parte da superfície de um município

Limite por país: Uma mesma nacionalidade está limitada a 10% da área de um município