A mulher, o marido e lista das gostosas.

Posted: 17/04/2011 in Comportamento
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Lara (nome falso, claro) é minha amiga de faculdade. Ficamos afastadas por um tempo e há alguns anos nos reencontramos graças ao trabalho. Saímos juntas, apresentamos as famílias. Ela é bonita, bem sucedida e o tipo de pessoa brilhante, especial. Está no segundo casamento, com um cara admirável. Gentil, apaixonado. A cumplicidade deles salta aos olhos mais distraídos. Estão sempre juntos, parceiros, investem em ser casal. Ela tem uma filha do primeiro casamento e há três anos tiveram, juntos, um menino. Se eu tivesse que fazer um top five dos casais mais incríveis que conheço, eles estariam na lista, certamente.

Mas…(Sempre tem um “mas”, né?)

Semana passada jantamos juntas. Ela estava meio triste. Me contou: estavam em casa num domingo e o filho quis ir à Lagoa andar de bicileta. Ela estava gripada, o marido disse que levaria. Saiu. Mas esqueceu o email aberto. Depois de algum tempo na dúvida, Lara não resistiu. Caiu dentro das mensagens dele.

Não deu tempo de olhar muita coisa. Mas entre as mensagens que ela conseguiu ver estava uma conversa com um amigo do trabalho: os dois falavam das mulheres do escritório. Mais precisamente, classificavam as moças. “Essa é muito gostosa”, “aquela eu pegava”, “fulana tem cara de que gosta da coisa”, “cicrana eu pegava fácil”.

Tudo, é claro, no terreno das possibilidades. Nenhuma prova de que alguma coisa tinha acontecido. Mas que mulher gosta de ver seu marido falando de outras? E nem são outras da TV ou do cinema. São outras que passam todos os dias ao lado dele.

Mas o principal é: o que isso significa?

Contei o “causo” pra Isabel Clemente, companheira de blog. Bebel, mulher inteligente e desencanada neste tipo de assunto (coisa rara), acha que isso é só uma mania de homem. Quando em bando (dois já significa bando), eles tendem a se idiotizar e ficar – mesmo depois dos 40 – falando de mulher como quando tinham 16 anos e eram virgens. É, sim, uma possibilidade. De quaquer forma, isso torna os homens um pouco decepcionantes – especialmente quando são o marido da gente. Não?

Mas será que cão que ladra realmente não morde? – questiona minha amiga. Será que alguém que gasta tanto tempo e palavra na classificação das gostosas do trabalho não está realmente disponível para o que der e vier? Esperando só a oportunidade perfeita? Será que topar com um email desses pela frente não é um sinal dos céus de que um chifre está prestes a nascer na sua cabeça? Exagero?

Consultei o Conselho dos Sábios Machos (leia-se meu marido e dois amigos da redação). Resposta: homens fazem isso como esporte (menos o meu marido, claro, garante o próprio pra mim #ahamclaudiasentalah). Não significa,de forma alguma, que ele está pegando outra. Ao contrário: quando homem tá pegando outra e está envolvido, muitas vezes não conta nem para os melhores amigos. Faz um certo sentido. Mas faz mais sentido ainda o fato de que os homens são um grupo unido não importa idade, raça, classe social ou time de futebol (bom, time de futebol acho que os separa, sim).

O que eu faço? – pergunta minha amiga, perguntando mais pra ela mesma do que pra mim.

Sou adepta de que o melhor conselho é não seguir conselhos, mesmos os dos amigos mais dedicados. O que é bom pra um pode ser a ruína do outro. Eu disse a ela apenas que, seja lá o que for, faça com calma (mesmo que seja dar com o laptop na cabeça dele).

Vale lembrar, é claro, que nós, mulheres também achamos homens bonitos e interessantes – sendo casadas ou não. Um comentário aqui ou ali. Mas dessa forma tão dedicada…acho que não. (Me digam se estou errada, tá? Mas até que idade os homens fazem isso? As conversas entre amigos de 90 anos incluem o preço do remédio para pressão alta e a lista das gostosas da fila preferencial do banco? Talvez eles falem disso até morrer, como mulheres falam de sapatos, quem sabe?)

Bom, a despeito do desconfortável resultado da espionagem, a vida segue normal, segue seu rumo. Talvez essa seja a única coisa a fazer diante de suspeitas, mas na total ausência de provas cabais. Estar nesta situação de pulga atrás da orelha, de limbo (se o limbo ainda existisse), deve ser muito ruim. Talvez fosse até mais confortável achar o bom e velho batom na cueca. Tipo: ai, que alívio, pronto, acabou!

E você, o que acha?

Martha Mendonça é editora-assistente de ÉPOCA no Rio de Janeiro
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