Arquivo de 19/04/2011

Conforme havia sido previamente anunciado a CPT divulgou hoje o relatório Conflitos no Campo 2010. Fruto de extenso trabalho de pesquisa e sistematização o rico material ajuda a formar um retrato mais próximo da realidade brasileira atual em relação aos conflitos no campo, seja em razão da terra, seja em razão da água. Observe que os conflitos em relação às aguas praticamente dobraram no ultimo periodo. Baixe aqui o relatório completo>>>relatório completo

Abaixo republicamos texto divulgado pela Folha sobre o tema.

FELIPE LUCHETE
DE BELÉM

A Comissão Pastoral da Terra divulgou nesta terça-feira (19) um relatório que aponta 34 pessoas assassinadas em 2010 em consequência de conflitos no campo. Dessas mortes, 18 foram no Pará –em 2009, foram nove.

Metade dos assassinatos no Pará ocorreu por desavenças entre trabalhadores, nos municípios de Pacajá e Santana do Araguaia. Para a CPT, a tensão foi motivada por madeireiras.

A comissão, ligada à Igreja Católica, registrou 1.186 conflitos nos campos do país, dois a mais do que em 2009.

No Nordeste, o número saltou de 320 para 440. Bahia e Maranhão apresentaram o maior aumento, ainda segundo o relatório: no primeiro Estado, subiram de 48 para 91; no Maranhão, eram 112 em 2009 e 199 em 2010.

Em Minas Gerais, o número de conflitos subiu de 49 para 79.

Além das mortes, a CPT calcula que houve 55 tentativas de assassinato e 125 pessoas receberam ameaças de morte. Quatro foram torturadas.

folha.com-Poder

Entrevista Raquel Rolnik:

Participaram: Bárbara Mengardo, Cecília Luedemann, Débora Prado, Otávio Nagoya, Paula Salati, Tatiana Merlino.

Atual relatora especial da ONU para direito à moradia adequada e professora da FAU-USP, a urbanista Raquel Rolnik é uma voz respeitadíssimano Brasil e internacionalmente. Participou da Secretariade Planejamento na gestão Luiza Erundinana Prefeitura de São Paulo (1989-1992) e ficouno Ministério das Cidades de 2003 a 2006, quandodeixou o governo por discordar das políticasurbanas e de moradia adotadas com a mudançaministerial. Nesta entrevista exclusiva para CarosAmigos, Raquel Rolnik conta episódios de sua passagempelo governo, expõe a sua visão sobre osproblemas urbanos, em especial o da moradia, erelata que tem recebido muitas denúncias de despejosviolentos motivados pelas empresas que especulamcom a terra nas cidades.

Débora Prado – A gente sempre começa perguntando como foi a sua formação e a sua trajetória profissional e política.

Eu acho legal, porque essa trajetória explica muito as minhas posições, hoje, e a leitura que eu faço das coisas. Eu estudei na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) na Universidade de São Paulo (USP) no início dos anos 1970 e isso foi absolutamente determinante, para mim, porque eu pude viver, não só a FAU, que é uma escola muito especial do ponto de vista de uma abertura para as dimensões humanas, artísticas e técnicas, mas também porque os anos 1970 foram os anos de luta contra a ditadura. E eu tive a oportunidade, o privilégio, de poder participar do movimento estudantil, da reorganização dos movimentos de luta contra a ditadura nos anos 1970. E também tive a oportunidade, através da Profa. Ermínia Maricato, que foi minha professora naquele momento, tinha acabado de entrar como professora, com os movimentos sociais e populares em torno da luta pela moradia que também estava se rearticulando naquele momento. Então, naquele momento era um movimento pela regularização dos loteamentos clandestinos, uma  uta por conseguir urbanizar e regularizar favelas e loteamentos no Brasil. Era o começo da sua voz, no sentido: “Nós estamos aqui e queremos ser objeto de políticas.” Então, eu tive esse duplo contato, essa dupla inserção. Como movimento pelas liberdades democráticas, naquele momento, pelos direitos humanos, pela liberdade de expressão, através do movimento estudantil na USP, e na relação com os movimentos sociais e populares, propriamente quando o tema da questão aparece para mim.

Tatiana Merlino – Então a faculdade colocou você em contato com os movimentos urbanos?

Já na FAU, também, tive o enorme privilégio de poder trabalhar em conjunto com o Nabil Bonduk, que era o meu colega de classe naquele momento. Nós, por um absoluto acaso, também, estávamos desenvolvendo um projeto de pesquisa na área de sociologia dentro da escola e o nosso orientador, na época, que era o Gabriel Bollaffi viajou e nos colocou em contato com o professor Lúcio Kowarick. Naquele momento, o professor Kowarick estava no âmbito, primeiro, do CEBRAP, depois do CEDEC, começando um processo, do ponto de vista intelectual, de compreender o processo de formação da periferia e a questão da espoliação urbana e da exclusão territorial. Nós fomos estagiários do Lúcio Kowarick, depois foi com ele que nós fizemos a nossa iniciação científica junto com o Gabriel Bollaffi. Então, o nosso primeiro trabalho deiniciação científica é um trabalho sobre a formação da periferia de São Paulo. Então, é um trabalho que, de alguma maneira, inaugurou um conjunto de trabalhos de pesquisadores na área da sociologia urbana,  os estudos urbanos e urbanistas, que começaram a denunciar o processo de formação das cidades brasileiras, através de pesquisas de campo. Então, isso também foi muito determinante na minha trajetória.

E, finalmente, teve um terceiro pé dessa trajetória, também, que ainda estudante, eu fui estagiária da Coordenação Geral de Planejamento de São Paulo, a antiga COGEP, que depois virou Secretaria de Planejamento, quando o Secretário era o Coordenador da COGEP, depois virou Secretário, era o Candido Malta Campos Filho, urbanista. Então foi a primeira experiência no Poder Público, trabalhando no Planejamento Urbano, entrando em contato com as questões da cidade, do ponto de vista da gestão da política urbana.

Para ler a entrevista completa e outras matérias confira edição de abril da revista Caros Amigos, já nas bancas, ou clique aqui e compre a versão digital da Caros Amigos.

Diego Zanchetta, de O Estado de S.Paulo.

Sete vereadores do PSDB de São Paulo anunciaram em coletiva nesta segunda-feira, 18, que estão deixando o partido. Embora haja especulações sobre a ida de alguns destes quadros para o novo PSD, do prefeito Gilberto Kassab, o futuro dos parlamentares segue incerto. O presidente da Câmara Municipal, vereador José Police Neto, está entre os dissidentes.

Segue a lista dos vereadores que estão deixando o partido:

José Police Neto

Juscelino Gadelha

Ricardo Teixeira

Natalini

Dalton Silvano

Adolfo Quintas

Souza Santos

Com a saída dos vereadores, a bancada do PSDB na Câmara Municipal, que tinha 13 integrantes, passa a ter apenas seis. Agora, o PT será o maior partido da Casa. Segundo informações de bastidores, outros dois vereadores do PSDB podem deixar a sigla.

A decisão anunciada nesta segunda é resultado de uma disputa interna entre o grupo do governador Geraldo Alckmin e os vereadores da capital paulista, que disputavam espaço para definir os rumos do partido na eleição municipal do ano que vem. O racha se agravou na semana passada, após a eleição do secretário estadual de Gestão Pública, Julio Semeghini, para à presidência do diretório municipal. Semeghini foi uma indicação de Alckmin.

Na semana passada, os dois grupos negociavam um acordo sobre a composição da executiva do partido. Neste fim de semana, entretanto, veio à tona o conteúdo de uma reunião do diretório no qual integrantes do grupo de Alckmin teriam feito fortes críticas e ironias contra os vereadores. A repercussão teria sido o estopim para a debandada.

“É muito ódio contra nós no partido, por causa do compromisso que cumprimos em 2008 (apoio ao Kassab na eleição municipal)”, disse Natalini nesta segunda durante a coletiva.