Por Igor Fuser (19/04/11)

A corajosa atitude do Brasil ao condenar o golpe de junho de 2009 em Honduras e, mais tarde, abrigar na sua embaixada o presidente deposto Manuel Zelaya, em desafio aos EUA e à direita brasileira, foi o melhor momento da política externa de Lula. Agora, quando se discute a diplomacia do novo governo, pode-se abordar o tema com uma pergunta: se o golpe em Honduras tivesse ocorrido hoje, será que a dupla Dilma Roussef e Antonio Patriota agiria do mesmo modo que Lula e Celso Amorim?

A julgar pelos sinais emitidos por Brasília, a resposta é: “provavelmente, não”. O episódio mais expressivo do contraste entre as duas gestões foi o apoio do Brasil, em março, à resolução que instituiu um relator especial da ONU para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. Essa foi uma decisão importante, pois colocou o Irã na berlinda entre os vilões humanitários do mundo, abrindo caminho para a adoção de medidas mais agressivas contra o regime de Teerã.

Como se sabe, o interesse do chamado “Ocidente” nada tem a ver com a proteção dos cidadãos iranianos. Trata-se, ao contrário, do uso oportunista da retórica dos direitos humanos para hostilizar os governos nacionalistas no Oriente Médio, em benefício dos planos dos EUA de dominar aquela região estratégica.

O próprio Amorim rompeu seu silêncio para criticar a nova posição do Itamaraty, que, segundo ele, “fará a alegria daqueles que desejam ver o Brasil pequeno e sem projeção internacional”. Com a mudança, argumenta o ex-chanceler, ficará mais difícil o nosso país exercer o papel de mediador e até interceder junto ao governo iraniano em casos específicos, como o da mulher ameaçada de apedrejamento – um castigo bárbaro cuja concretização o Brasil ajudou a evitar.

Enquanto isso, a direita aplaude. Uma colunista tucana chegou a qualificar a política externa de Lula como “um ponto fora da curva”. Há algo de verdade em dizer isso de um governo que sempre se mostrou generoso com os banqueiros e o agronegócio, ao mesmo tempo em que se exagera o alcance da mudança. Prova disso é a recusa brasileira em endossar a intervenção na Líbia, atitude que demarca os limites da guinada no Itamaraty. Nada indica um retorno à posição submissa dos tempos de FHC. Mas o retrocesso é inegável.

Fonte: Brasil de Fato

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