Arquivo de 10/05/2011

Por: Alan De F. Brito

Os deputados estaduais aprovaram na sessão desta terça-feira, dia 10, por unanimidade a derrubada do veto do governador André Puccinelli ao projeto  172/2010 de autoria do petista Pedro Kemp.  A proposta, apresentada em agosto do ano passado, determina que as concessionárias de energia elétrica ofereçam aos consumidores locais descentralizados e próximos às suas residências para o pagamento da conta de energia. “Queremos facilitar a vida das pessoas garantindo mais opções para o pagamento”, enfatizou o parlamentar.

No veto, o governador alega a falta de competência da Assembleia Legislativa para legislar sobre energia elétrica. “O governo utiliza de um argumento jurídico que não procede porque não estamos tratando sobre energia”, explica o parlamentar, lembrando que a iniciativa nasceu de conversas com os consumidores. “Fui abordado por uma senhora que me relatou que precisa se deslocar vários quilômetros de sua casa para fazer o pagamento”, contou.

De acordo com o projeto, os postos de pagamento poderão funcionar em agências bancárias, casas lotéricas e demais estabelecimentos comerciais credenciados tendo como critério o número de habitantes. Conforme o texto, em regiões com população entre 10 mil e 30 mil habitantes deverá existir, no mínimo, dois locais de recebimento, e acima de 30 mil, no mínimo, três postos.

Rejeitado o veto nesta terça-feira, a proposta será agora promulgada pela Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, entrando em vigor no ato da publicação

Nacionalistas obtêm histórica maioria no Parlamento da Escócia 
Terra

 
Eu apóio dois times: a Escócia e qualquer um contra a Inglaterra
O Partido Nacionalista Escocês (SNP) fez história nesta sexta-feira ao conseguir a maioria no Parlamento da Escócia após as eleições autônomas realizadas ontem, nas quais obteve 65 cadeiras de um total de 129.
Esta é a primeira vez desde 1999, quando foi constituída a Assembleia escocesa, que um partido obtém mais de 50% dos assentos. O SNP superou com folga seus principais oponentes, trabalhistas e liberais-democratas.
Com quase todos os votos apurados, os nacionalistas – liderados pelo primeiro ministro Alex Salmond, que garantiu mais um mandato de cinco anos – tinham 65 cadeiras (ganho de 27 em relação à última formação parlamentar); os trabalhistas contavam com 29 (perdiam 10); os conservadores ficavam com 9 (perdiam 5); e os liberais, com 4 (perdiam 13).
Com esta vitória, Salmond, que qualificou o resultado como “histórico”, tem agora aberta a possibilidade de convocar um plebiscito sobre a independência escocesa, principal objetivo de seu partido.
A proposta de independência visa dar aos escoceses todas as competências governamentais e o controle de seus recursos econômicos, mas manteria o país como parte do Reino Unido.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (foto), e o vice-presidente nacional do DEM, deputado federal Paulo Bornhausen (SC), informaram nesta segunda-feira (2), que vão se desfiliar do DEM e irão para o PSD, legenda recém-criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

“O DEM ficou sem futuro. Estou com 47 anos e não tinha nenhum futuro político no partido”, criticou Bornhausen, que está licenciado do mandato parlamentar, pois é o atual secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável de Santa Catarina.

Já o governador emitiu nota na qual dá a entender que o DEM não consegue mais corresponder aos novos anseios da população brasileira. “As ruas têm apontado, com insistência, a necessidade de uma nova postura de seus dirigentes. Um comportamento que traduza as mudanças positivas que aconteceram em nossa sociedade nos últimos 20 anos. Esse amadurecimento da sociedade brasileira pede, também, uma renovação nas atitudes dos partidos e demais instituições políticas”, escreve Colombo.

O governador será o responsável por informar ao presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), sobre a saída dos dois. Agripino negou que o partido esteja quase extinto. “Nosso partido não está acabando. Claro que não subestimamos a saída de ninguém, e eles fazem falta, mas não é nada que cause dificuldade para que o DEM siga no caminho da mudança”.

Junto com Colombo e Bornhausen, também devem sair do DEM outros dois deputados federais e sete estaduais de Santa Catarina. O ex-senador Jorge Bornhausen, pai de Paulo Bornhausen (foto) e uma das principais lideranças do DEM, também vai deixar a legenda, segundo informou o filho. Interlocutores do governador apontam que o prejuízo será ainda maior e que ele fará um verdadeiro “arrastão” no DEM e em outros partidos de oposição ao governo federal para montar o PSD no Estado.

Integrantes do DEM já admitem que, apenas com a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, o DEM deve apresentar o pior desempenho de todos os tempos nas próximas eleições. O número atual de quatro vice-governadores e quatro senadores do DEM também deve ser reduzido antes 2012. O vice-governador paulista Guilherme Afif Domingos e a senadora do Tocantins Kátia Abreu, por exemplo, já migraram para o PSD.

Fonte: Brasília Confidencial

A coluna “Conversa com a Presidenta” desta terça-feira (10/5), publicada em jornais e revistas no Brasil e no exterior, aborda temas como a prática do esporte na rede pública de ensino, os valores dos exames laboratoriais pagos no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como a previsão da presidenta Dilma Rousseff para a reforma agrária. Coube ao professor Gentil Soares de Lima, morador em Umuarama (PR), indagar sobre os “projetos e programas que serão efetivados para fazer chegar de forma concreta o esporte ao ambiente escolar”.

“Nós já temos diversos programas em andamento e vamos ampliar ainda mais o acesso dos estudantes à prática esportiva. Com uma rotina de vida saudável, com regras de convivência, os jovens desenvolvem a autoestima, ficam distantes da criminalidade e entre eles podem despontar futuros competidores. Uma das principais iniciativas nesse campo é o Mais Educação, implementado em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC). Em 2010, o programa beneficiou 2,2 milhões de estudantes com várias atividades fora dos horários de aula, incluindo cultura, artes, educação científica e esportes. O braço esportivo do Mais Educação é uma parceria com o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Os estudantes podem praticar modalidades como vôlei, basquete, handebol, tênis de mesa, judô, caratê, taekwondo, yoga, natação, xadrez, atletismo, ciclismo e tênis.”

Para este ano, continuou a presidenta, a meta é atender 15 mil escolas públicas e oferecer educação integral para 3 milhões de alunos. A presidenta Dilma informou que o Ministério do Esporte tem também o Bolsa Atleta, que financia alunos de escolas públicas ou particulares com potencial para se tornarem atletas olímpicos. “E mais: o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do MEC, está financiando a construção, pelas prefeituras, de quadras poliesportivas cobertas. Desde janeiro, 249 prefeituras já foram autorizadas a construir 454 quadras, das 2.500 planejadas para este ano”, informou.

Já farmacêutico bioquímico José Wilton de Melo, de Iguatu (CE), quis saber “a razão de o valor dos procedimentos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) referentes a exames clínicos laboratoriais se encontrarem congelados desde julho de 1994″. A presidenta contou que não existe congelamento e que somente nos últimos três anos, o Ministério da Saúde promoveu quatro grandes reajustes da tabela de procedimentos do SUS.

“Entre os procedimentos que tiveram reajustes, estavam os exames clínicos laboratoriais, incluindo os hormonais, neonatais, microbiológicos, bioquímicos, toxicológicos, sorológicos e imunológicos. Em 2008, foram reajustados em 11,12% os valores de 55 procedimentos relacionados a exames hormonais (HGH). É importante ressaltar que o Ministério da Saúde tem como objetivo levar o atendimento qualificado para mais perto da casa do brasileiro. Além de reajustar os valores da tabela, o governo federal também ampliou o acesso da população a esses exames. Em 2010, foram realizados na rede pública 471 mil exames laboratoriais, contra 383 mil exames em 2008, o que representou um crescimento de 23%.”

Reforma agrária foi o terceiro tema da coluna “Conversa com a Presidenta”. A apicultora Maria Aparecida Barros, moradora em Belém (PA), indagou sobre o que o governo federal “prevê para este tema” e se a presidenta Dilma acredita na reforma agrária. “Sim, Maria Aparecida, eu acredito na reforma agrária, que democratiza o acesso à terra, garante a produção de alimentos saudáveis e baratos e gera renda e bem-estar social no campo”, respondeu a presidenta.

“Além do mais, ajuda no esforço pela erradicação da extrema pobreza e contribui para reduzir o inchaço das periferias das cidades. Todo o Brasil ganha com a reforma agrária, e não apenas os beneficiários diretos do programa. É por isso que nós avançamos como nunca no governo passado. Durante os 40 anos de existência do Incra, o número de famílias assentadas superou 1 milhão e mais da metade – 614 mil – recebeu terras entre 2003 e 2010. Dos 85,8 milhões de hectares utilizados para assentamentos, 56% foram nos últimos oito anos.”

E prosseguiu: “Não nos limitamos a fornecer terra. Nós construímos ou recuperamos 53 mil km de estradas vicinais para o escoamento da produção, financiamos a construção ou reforma de 405 mil casas dos assentamentos, fornecemos assistência técnica e programas educacionais, entre vários outros benefícios. Também ampliamos o acesso dos assentados aos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).”

A presidenta Dilma informou que o governo vai “continuar a investir no assentamento de milhares de novas famílias e a estimular o desenvolvimento de agroindústrias para aumentar a produção e agregar valor aos seus produtos”.

“Queremos ampliar a assistência técnica, o acesso ao crédito e infraestrutura, como luz elétrica, mais estradas, abastecimento de água, entre outros incentivos. A efetividade do programa de reforma agrária é necessária para a construção de um país com justiça fundiária, segurança alimentar e paz no campo.”

(Do Blog do Planalto)

Reproduzimos abaixo texto originalmente publicado no blog do lamparina. Viva a liberdade de expressão!!!

Na audiência judicial, compareceu o vice-prefeito de Votuporanga Cabo Valter B. Pereira, homem público, com mandato eletivo e em pleno exercício desta prerrogativa democrática; para buscar reparação quanto à sua identificação voluntária com um dos meus personagens fictícios, denominado “Cb. e Pr. Cabeça de Papel”.

Casos que denotam interpretação individual, preliminarmente e, sem a devida comprovação e embasamento da argumentação que norteará esta interpretação, fica muito difícil de caminhar por uma lógica, pois podemos assistir um Palmeiras x Corinthians, não sermos nem palmeirenses e nem corinthianos, mas chegarmos a conclusões opostas de quem teria atacado mais no decorrer da partida. Isso depende da nossa interpretação individual. O Cabo Valter se enxergou numa das minhas criações artísticas que não tem qualquer ligação com ele, pois não se parece com ele em nenhum aspecto, vindo ele individualmente, a se equiparar ao personagem. O Cabo Valter poderia arrumar mil pessoas para ratificar esta sua interpretação, assim como eu também poderia arrumar outras duas mil pra dizer que não enxergavam aquilo que ele estava vendo.

O Caso poderia ter sido levado adiante e conturbado ainda mais o já tão atravancado Judiciário brasileiro, onde certamente nenhuma corte deste país, em sã consciência, seria favorável diante de justificativas tão vagas alegadas pela suposta vítima. Desde que tomei conhecimento desta interpelação judicial, tenho buscado e estudado as decisões judiciais em casos semelhantes e, nunca houve este precedente. Se acontecesse aqui, certamente seria  outra novidade caipira da terra, o que me obrigaria a recorrer desta sentença em outras esferas judiciais.

Mas, o Cabo Valter teve bom senso e motivado pela mediação do promotor, que bem conduziu esta audiência, fechou-se um acordo para extinguir a contenda sem maiores danos. Este blogueiro não tem intenção alguma de atingir a honra do Cabo Valter ou de qualquer pessoa que seja, somente de expressar o meu limitado conteúdo artístico e intelectual. Sendo assim, eu concordei com a mediação em excluir as duas postagens que estavam causando transtornos pessoais ao ofendido. Estas postagens são da coluna de humor e charges “HUMOR CAIPIRA DA TERRA”, postadas no dia 19/04/2011 às 15:39 – “Recadastramento para o Meu Barraco Minha vida” e em 05/03/2011 às 16:57 – “PAB-Plano de Aceleração do Batizamento”, respectivamente. Esta exclusão acordada não acarretará danos ao personagem, que continuará seguindo sua trajetória na eletrizante saga CHUPIM $ CHUPÃO, garantindo o direito pleno, no futuro, ao vice-prefeito Cabo Valter ou qualquer pessoa que se sinta prejudicada, de buscar esta reparação na forma da lei. É direito constitucional de qualquer cidadão, falar e se expressar livremente, assim como é dever deste, responder pelos seus atos.

No cumprimento deste acordo formalizado, este conteúdo já foi excluído dos arquivos do Blog.

Fico feliz que o vice-prefeito de Votuporanga, Cabo Valter B. Pereira tenha satisfeito o seu desejo de reparação judicial e que eu também possa continuar exercendo livremente o meu direito de expressão. Isso é a verdadeira manifestação democrática de direitos e  de deveres.

Gostaria de agradecer aqueles que se mobilizaram em Votuporanga e em toda nossa região, aos amigos e companheiros blogueiros, que também caminham por esta linha tênue do direito e do dever, na construção complexa deste nosso frágil histórico democrático, por tantas vezes ameaçado pelo poder e pelo absolutismo de poucos e, dominado pelos interesses nem sempre imparciais que os norteiam. Graças a esta mobilização regional, saímos todos nós fortalecidos desta correlação de forças, fortalecendo cada vez mais as posições deste universo e desta atuação da blogosfera. CENSURA NUNCA MAIS é e será sempre à nossa luta comum.

Também aproveito a oportunidade para agradecer ao Doutor Marco Antonio Furlan, excelente advogado que se prontificou imediatamente a acompanhar este blogueiro na convocação judicial. Gostaria de disponibilizar o telefone de contato dele aqui, mas prefiro me prontificar a repassar, em privado, para qualquer leitor ou interessado que necessite dos trabalhos de um bom advogado.

Obrigado a todos!!!

DESMEMBRAMENTOS

O ocorrido na audiência plelininar no Fórum de Votuporanga nesta tarde, ainda será assunto para muito debate, mas meu editor de textos está passando por problemas técnicos e só será normalizado amanhã. Podem ficar tranquilos que ainda não foi desta vez que apagaram a lamparina!!!

Gostaria de agradecer novamente aos amigos e companheiros blogueiros, ao Cardosinho, ao Murilo Pohl, ao Poeta Gibim e muitos outros blogueiros desta nossa região que repercutiram esta notícia em seus sítios, levando o fato ao conhecimento regional da nossa população. Isso mostra que não temos o poder dos coronéis, mas já estamos conseguindo nos mobilizar na busca da defesa dos nossos ideais. Sem querer plagiar o companheiro Murilo Pohl, temos em Jales um Virgulino lampião e em Votuporanga um Roberto Lamparina. Já dá pra começar uma boa guerra!!!

Os acontecimentos serão narrados devidamente assim que meu editor de textos tiver sido restabelecido.

Obrigado a todos!!!

via ninho da vespa

Levantamento de ISTOÉ mostra que pelo menos 27 deputados e senadores tinham pressa em aprovar a nova lei para se livrarem de multas milionárias e se beneficiarem de desmatamentos irregulares

PARLAMENTARES NA MIRA DO IBAMA
Deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA)

Foi multado por exploração em área de manejo florestal em período de chuvas, vetado por lei

Senador Jayme Campos (DEM-MT)
Recebeu multa de R$ 5 milhões, por desmatar em Área de Proteção Permanente (APP)
Deputado Reinaldo Azambuja (PSDB-MS)
Autuado por alterar curso de rio para captação de água e por contaminar recursos hídricos
Deputado Paulo César Quartiero (DEM-RR)
Recebeu multa de R$ 56 milhões por destruir a vegetação nativa em área de 6,2 mil hectares
Senador Ivo Cassol (PP-RO)
Acusado de desmatar reserva legal sem autorização e de destruir vegetação nativa em Rondônia
Deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP)
Relator do projeto que agrada aos ruralistas por abrir brecha para desmatamento

Apesar do amplo apoio que o governo Dilma Rousseff tem no Congresso, um grupo de parlamentares tentou aprovar a toque de caixa, na semana passada, o projeto do novo Código Florestal brasileiro. Não conseguiu. Na quarta-feira 4, a bancada governista fez prevalecer sua força e a discussão foi adiada para a próxima semana. Por trás da pressa de alguns parlamentares, porém, não existia propriamente o interesse por um Brasil mais verde e sustentável. Reportagem de ISTOÉ apurou que pelo menos 27 deputados e senadores defendiam seu próprio bolso e estavam legislando em causa própria (abaixo, cinco casos exemplares). Todos eles já foram punidos pelo Ibama por agressão ao meio ambiente e o novo código que queriam aprovar a toque de caixa prevê anistia para multas impostas a desmatadores. O benefício se estenderia também a empresas e empresários do agronegócio que, nas eleições do ano passado, fizeram pesadas doações a esse bloco parlamentar ligado à produção rural.

“O adiamento é inevitável. É muito difícil analisar uma coisa que não tem rosto, cara. Essa, na verdade, é uma disputa entre Aldo e o PT ”, comentou o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) no início da noite da quarta-feira. Ele se referia ao relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que começava a ser criticado por ministros de Dilma. O grupo que exigia a imediata aprovação sabia muito bem o que tinha a ganhar ou perder, ao contrário de boa parte do plenário. O deputado Paulo Cesar Quartiero (DEM-RR) é um exemplo típico. Campeão de infrações, ele foi multado em R$ 56 milhões por eliminar 2,7 mil hectares de vegetação sem autorização em Pacaraima (RR), destruir outros 323 hectares de vegetação nativa e impedir a regeneração em mais 3,5 mil hectares. Foram duas infrações em 2005 e mais duas em 2009. Uma de suas fazendas, de cinco mil hectares, chegou a ser proibida de produzir. Quartiero afirma que sofreu perseguição política porque foi um dos líderes dos arrozeiros na região da reserva indígena Raposa Serra do Sol: “O governo fez acusações para provocar a nossa saída da área”, reclama. Ele vendeu o que restou das suas terras e benfeitorias e comprou 11 mil hectares na Ilha de Marajó (PA) para criar gado e plantar arroz.
A alegação de retaliações partidárias é corriqueira entre os infratores. O senador Ivo Cassol (PP-RO) também sofreu multas pesadas entre 2007 e 2009, período em que era governador de Rondônia. Foi acusado de desmatar 160 hectares em reserva legal sem autorização, destruir 352 hectares de floresta nativa e ainda efetuar “corte raso” em 2,5 hectares em Área de Proteção Permanente (APP). Mas fala em caça às bruxas: “Isso foi perseguição do pessoal do PT, pois minhas fazendas têm 50% de preservação. O setor produtivo não pode ser tratado como bandido.” Cassol nega que esteja procurando o amparo da anistia, ao apoiar o texto de Rebelo. “Não quero isenção de multa. Vou ganhar na Justiça.”O senador e fazendeiro Jayme Campos (DEM-MT) é outro que se inclui na turma dos acossados. Foi multado em R$ 5 milhões por quatro infrações impostas em 2004 e 2005, todas já arquivadas. É acusado também de promover desmatamento em APPs às margens de córregos de uma fazenda, a Santa Amália. “Quando cheguei lá tudo já estava assim, tinha sido desmatado em 84, 85 e 86”, diz ele. Campos alega que as multas foram anunciadas depois de declarações que ele fez contra “a truculência” de fiscais.

RAZÃO
O deputado Tripoli: contra a votação às pressas
O Ibama também pegou o deputado Irajá Abreu (DEM-TO), filho da senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e uma das principais lideranças dos ruralistas no Congresso. Multado no ano passado por promover desmatamento em uma propriedade que recebeu de herança em Tocantins, ele afirma que a fazenda “já tinha sido aberta” em 1978, enquanto a legislação sobre o tema só foi aprovada em 1989: “Era um ato jurídico perfeito, que se aplicava na época. Por isso, eu agora defendo a consolidação das áreas.” Ele se refere a um dos pontos mais polêmicos do novo Código Florestal: o fim da exigência de recuperação de florestas em áreas já utilizadas para plantio. O relator Aldo Rebelo prevê a manutenção da área como estava em julho de 2008, quando o projeto foi apresentado.

As multas do Ibama não dizem respeito apenas a infrações cometidas no campo. O deputado Ângelo Agnolin (PDT-TO), por exemplo, construiu um quiosque numa área de APP, às margens do lago que banha a capital Palmas. A multa de R$ 5 mil acabou sendo anistiada num termo de acordo, mas ele não escapou do prejuízo com a demolição do bar de 190 metros quadrados. Casado com a vice-prefeita de Palmas, Edna Agnolin, ele afirma que “tudo é uma questão de interpretação”, pois “o lago é artificial”. Já o deputado Marcos Medrado (PDT-BA) foi multado em 2009 por construir um viveiro de peixes de espécies nativas. Medrado explica que comprou no Pará 50 alevinos de pirarucu registrados, mas não conseguiu apresentar a documentação a tempo. Foi multado em R$ 100 mil.
Fora as pendengas pessoais, o bloco ruralista tende a defender seus financiadores de campanha. Empresas ligadas ao agronegócio doaram pelo menos R$ 45,5 milhões para deputados e senadores nas eleições do ano passado. O levantamento foi feito a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais de 300 parlamentares receberam doações do setor, mas um grupo de 176 foi privilegiado com doações acima de R$ 100 mil. Sete grandes empresas que doaram um total de R$ 25 milhões têm infrações e multas impostas pelo Ibama. O estoque de autuações nesta área parece interminável. Na prestação de contas do governo federal feita no ano passado, consta a aplicação de ­R$ 14,6 bilhões em multas entre 2005 e 2009. A maior parte é resultante de desmatamento na Amazônia. No entanto, muito pouco desse montante retornou aos cofres públicos. Nos últimos dez anos, foram arrecadados apenas R$ 278 milhões, segundo dados do Siafi apurados pela ONG Contas Abertas. Caso aprovada, a anistia de Rebelo beneficiará infrações cometidas até julho de 2008.

PRESSÕES
Movimentos ambientalistas tentaram contrabalançar o rolo compressor armado pelos ruralistas

Embora conheça o poder de fogo dos ruralistas, o governo demorou a reagir ao relatório de Aldo Rebelo. Quando percebeu que havia muito contrabando embutido no texto, a presidente Dilma Rousseff pediu aos ministros do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, e da Agricultura, Wagner Rossi, que fossem ao Congresso para tentar um acordo. E fez uma recomendação especial: os dois ministros, apesar de suas diferenças, deveriam expressar uma posição única, que representasse o governo. Assim foi feito. Mas, naquela noite, o governo perceberia outra verdade: as bancadas ruralista e governista estavam misturadas. O PT votaria com o governo, mas as dissidências no PMDB seriam consideráveis.
Na manhã da quarta-feira 4, o presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, Moreira Mendes (PPS-RO), acompanhou a bancada estadual de Rondônia até o gabinete de Rebelo, para entregar-lhe uma comenda da Assembleia Legislativa. À vontade entre os ruralistas, Rebelo puxou uma enorme faca de cozinha, com cabo de madeira, e começou a picar o seu fumo em rama. Em seguida, entre baforadas, mostrou que era um aliado. “Acontece um tsunami no Japão e querem culpar o agricultor que planta café, cacau, e cria gado em Rondônia.” Ele vê uma conspiração mundial contra o País: “Querem bloquear as possibilidades de uso do nosso solo, subsolo, recursos hídricos, em benefício do nosso desenvolvimento. Como diz certo autor, ‘não existe lugar para os pobres no banquete da natureza’”, filosofou o comunista Aldo Rebelo.

by: Blog do Favre

DE SÃO PAULO

Em entrevista à TV Folha realizada nesta segunda-feira (9), o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que “medidas que estavam na prateleira” para conter a alta do álcool podem deixar de ser utilizadas.

“Estamos avaliando o mercado. Com a entrada da nova safra, houve quedas significativas no preço”, afirmou.

Rossi disse que o país “importa inflação” por conta dos produtos exportados que sofrem apreciação no exterior, mas que os produtos destinados ao mercado doméstico “sofrem pouca variação”. “O arroz está até depreciado”, disse.

Entrevistado pelo editor do caderno Mercado, Raul Juste Lores, e pelo colunista Mauro Zafalon, Rossi rebateu as críticas de autoridades russas à qualidade da carne brasileira. “Sempre ouvi falar de livre comércio quando não éramos competitivos. Agora os europeus querem impor barreiras”, diz.

Sobre o Código Florestal, que será votado pelo Congresso, Rossi disse que busca “um equilíbrio” entre “a obrigação de alimentar milhões de pessoas na Ásia, na África e na América Latina” e a preservação do ambiente.

“Não há país que proteja tanto o ambiente como o nosso”, disse. “Somos o único país capaz de enfrentar a dificuldade de muitos povos em ter acesso a alimentos.”

Ele disse haver 120 milhões de hectares que podem ser recuperados no país para produzir mais alimento, em momento de maior demanda global.

Rossi também disse que os cortes que sua pasta sofreu por conta do ajuste nas contas públicas anunciado por Dilma Rousseff não atingiram nem a Embrapa nem o setor de vigilância sanitária.