Arquivo de 16/05/2011

O que mais me dói é saber que algumas pessoas, de quem gosto, amo e respeito, não tem a menor noção do que significou, e significa ainda hoje, a negociata que foi a entrega da Vale do Rio Doce aos gringos… tái.

Pior, ainda dizem que a gente é Cangaceiro, bandido, que São Paulo, terra destas Bestaferas,  não é o Sertão. É sim.

(clique na tabela para ver a coluna de variação sobre o ano anterior).

Taí uma tabela que muitos leitores gostam de ver. Esse tipo de informação é difícil de achar. É a relação dos principais produtos brasileiros exportados nos últimos 12 meses, até abril, e a comparação com o mesmo período do ano anterior. Observe que, de fato, o Brasil exporta apenas matéria-prima. A única exceção é o setor de autopeças, embora na verdade o país também seja deficitário nesse segmento. Quer dizer, o Brasil exporta muito autopeças, mas importa ainda mais.

Se alguém quiser um consolo, pode ler Adam Smith. O velho economista do século XVIII afirmava que a riqueza de uma nação sempre começa por sua agricultura, apesar dele ressaltar que as modernas economias européias não tenham passado por esse processo.

Pelo curso natural das coisas, portanto, a maior parte do capital de toda sociedade em crescimento é primeiramente canalizada para a agricultura, em segundo lugar para as manufaturas, e só em último lugar para o comércio exterior. Essa ordem de prioridade é tão natural que, segundo creio, sempre foi observada, até certo ponto, em todo país que disponha de algum território. Adam Smith, A Riqueza das Nações, Livro III, capítulo 1.

Eu poderia acrescentar, ainda à guisa de consolo moral, que o Brasil tem uma boa base industrial voltada para o consumo doméstico. O que tem lhe faltado é uma base industrial de exportação. Mas é assim mesmo que tem de ser: em primeiro lugar, abastecemos nossas necessidades, consolidamos uma boa infra-estrutura industrial voltada para dentro; depois investe-se para produzir excedente e exportá-lo.

No caso da agricultura, também não podemos nos deixar enganar pela simplificação dos termos. Trata-se de matéria-prima, mas não como era há cinquenta anos. Os preparos para deixar os produtos básicos prontos para exportação tem hoje uma complexidade tal que, em vários casos, é injusto chamá-los simplesmente de “básicos”. A exportação de carnes é um bom exemplo. A carne é cortada, tratada, congelada, ensacada, passando portanto por um processo de semi-industrialização. Resultado: O Brasil vende sua carne a preços altos. Não custa tão caro quanto um relógio de ouro suíço, mas o suficiente para bancar uma indústria sofisticada e ainda em crescimento.

O caso do minério de ferro, que era o mais triste, pois o Brasil durante décadas vendeu o produto a quinze dólares a tonelada, hoje tem uma situação melhor: o ferro é vendido por 100 dólares a tonelada. Ainda é pouco, mas muito melhor que antes.

Na verdade, todos os produtos básicos vendidos pelo Brasil estão, no momento, com preços históricos nas alturas, e como a causa desta vez não é apenas especulação nas bolsas mas uma demanda mundial muito elevada e em crescimento, não há perspectiva deles caírem substancialmente no curto e médio prazo. Com isso, delineia-se, para o Brasil, um longo período de prosperidade econômica, que devemos aproveitar justamente para ampliar nossa base industrial, investir em educação, e consolidar o nosso tão sonhado Estado de bem estar social.

via Blog do cappacete

Centenas de palestinos marcham em Ramallah para celebrar o Dia da Nakba, no qual lembram o exílio e a perda de territórios palestinos com a criação, em 1948, do Estado de Israel. Com bandeiras palestinas e cartazes, a população se reuniu ao lado do túmulo de Yasser Arafat, na Muqata de Ramallah, para marchar dali até a praça de Al Manara, onde serão realizados discursos e diferentes atos para marcar a 65ª Nakba.
Tambores, canções nacionalistas árabes e palestinas e um desfile de escoteiros uniformizados enfeitavam a manifestação, na qual abundavam funcionários palestinos, estudantes e moradores nos campos de refugiados dos arredores da capital administrativa da Cisjordânia e sede do governo da ANP (Autoridade Nacional Palestina).
Os manifestantes reivindicavam o direito de retorno dos milhões de refugiados palestinos a seus lugares de origem, reconhecido pelo direito internacional.
Ao meio-dia, os palestinos em várias cidades da Cisjordânia fizeram 63 segundos de silêncio para lembrar a catástrofe que para eles representou a criação do Estado judeu. Enquanto isso, outra centena de palestinos atacaram com pedras o posto de controle israelense de Qalandia, o principal de entrada a Ramallah, sem que se registrassem feridos, informou o serviço de notícias israelense Ynet.

Repressão

Nas Colinas de Golã, ocupadas por Israel desde 1967, muitos palestinos e simpatizantes que vivem no país passaram a fronteira com a Síria para protestar contra Israel. Como resposta, as forças de segurança israelenses, que foram reforçadas neste domingo, atiraram nos manifestantes deixando quatro mortos e entre dez e 20 feridos.
O incidente ocorreu perto do povoado druso de Majdal Shams, nas Colinas de Golã. “Segundo a informação inicial que dispomos, forças do Exército israelense identificaram vários cidadãos sírios que tentavam cortar a cerca de segurança na fronteira entre Israel e Síria, e responderam com tiros de advertência”, disse um porta-voz militar de Israel à agência de notícias Efe.
Testemunhas citadas pela rádio pública israelense mencionaram a presença de helicópteros de combate israelenses e disseram também que havia fumaça no local.
A imprensa israelense informa que o incidente começou quando centenas de pessoas, supostamente refugiados palestinos residentes na Síria, cruzaram em dois pontos a cerca que divide o território sírio com as Colinas do Golã.
Até o momento, a governo israelense não confirmou o número de mortos nos confrontos. A emissora árabe Al Arabiya indica que quatro pessoas morreram pelos tiros dos militares israelenses, já os serviços de emergência da Estrela de Davi Vermelha (equivalente em Israel à Cruz Vermelha) informaram que entre dez e 20 pessoas ficaram feridas, entre elas três cidadãos israelenses que sofreram ferimentos leves, informou o serviço de notícias israelense Ynet.

Faixa de Gaza

Pelo menos 15 palestinos foram feridos por disparos das Forças Armadas israelenses no norte da Faixa de Gaza quando milhares faziam uma manifestação. As vítimas são, em sua maioria, menores de idade, feridos por estilhaços dos disparos de tanques israelenses contra a cidade palestina de Beit Lahiya, informou aos jornalistas Adham Abu Selmeya, porta-voz dos serviços de emergência em Gaza.
O protesto deste domingo envolveu milhares de pessoas, que fizeram uma passeata no norte da Faixa de Gaza, rumo à divisa do território com Israel, informaram testemunhas à agência de notícias Efe. Segundo elas, os tanques israelenses estacionados na área dispararam pelo menos quatro projéteis contra o local da manifestação.
Uma porta-voz do Exército israelense confirmou à Efe que “está ocorrendo uma grande manifestação no norte de Gaza”, mas disse que, por enquanto, não pode confirmar que as forças tenham disparado contra a população.

Hamas-Fatah

Em um comício realizado na cidade de Gaza, que contou com a presença de aproximadamente 10 mil pessoas, o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que os palestinos têm direito a resistir à ocupação israelense e recuperar as propriedades perdidas em 1948, informou o serviço de notícias israelenseYnet.
Este é o primeiro ano desde 2007 em que as duasfacções palestinas se unem na Faixa de Gaza para organizar atos conjuntos em memória da Nakba, o que foi possibilitado após a assinatura do acordo de reconciliação palestina, feito no início deste mês no Cairo.
O grupo radical Hamas, em coordenação com o moderado Fatah, organizou os dois principais atos com apoio das demais facções palestinas. O primeiro foi realizado no norte da Faixa de Gaza e o segundo, na localidade de Rafah, na fronteira com o Egito.

Além das manifestações em Israel e nos territórios palestinos espera também a realização de grandes atos no Egito, Jordânia e Líbano, onde moram centenas de milhares de palestinos.