Arquivo de 12/06/2011

A protagonista de uma das fotos mais famosas na história recente do Brasil, Rachel Clemens Coelho, foi encontrada após uma campanha na internet. Ela é a garotinha que, aos 4 anos de idade, em 1979, se negou a cumprimentar o então presidente do Brasil, general João Baptista Figueiredo e revelou neste sábado (11) o motivo da ‘rebeldia’.

Éser Cáceres

Guinaldo Nicolaevsky, Reprodução

Nicolaevsky registrou presidente pagando ‘mico’ com menina: ícone da luta contra ditadura no Brasi

A imagem, feita pelo repórter fotográfico Guinaldo Nicolaevsky, se tornou um ícone da resistência aos governos militares e ficou famosa no mundo todo. Era uma visita oficial de Figueiredo à cidade de Belo Horizonte, para lançamento do automóvel a álcool, quando uma menininha de uniforme escolar se negou a dar a mão ao último presidente do longo período de ditadura.

Havia muitos fotógrafos, mas a maioria não registrou o momento constrangedor por motivos óbvios. Nicolaevsky, no entanto, deixou o instinto jornalístico dominar o medo da repressão e fez diversas imagens das tentativas frustradas do general tentando convencer a garotinha a cumprimentá-lo.

Garotinha infiltrada?

O rolo de filme do fotógrafo chegou a ser confiscado por registrar o presidente militar passando vexame, e houve investigação para saber se a tal menina havia sido “infiltrada” e orientada a fazer a “má-criação” carregada de significado político para a época.

Num texto que escreveu para um colega, o fotógrafo registrou o episódio. “Lançamento do carro à álcool em Belo Horizonte. A imprensa mineira e a nacional estavam presentes e um grupo de crianças foi levado ao Palácio da Liberdade para cumprimentar o presidente Figueiredo. Deu zebra: a primeira da fila negou o aperto de mão ao Presidente da República, apesar dos pedidos dos fotógrafos. Percebi que não aconteceria o aperto e fotografei”, contou.

Segundo Guinaldo, logo que fez a imagem ele percebeu a conotação política da foto. “Corri para a redação para revelar e transmitir a foto para o Rio. Para minha surpresa eles não publicaram a foto! Desconfiaram! Queriam o “cumprimento”. Fui ameaçado de dispensa caso não entregasse o fotograma. Foi exigido que mandasse o filme sem cortá-lo no primeiro vôo para o Rio. O que foi feito. Não publicaram nada… resolvi por minha conta, mandar para outros veículos, que publicaram com destaque até no exterior”, relatou.

Nicolaevsky queria conhecer a menina

Ele conseguiu preservar algumas tomadas, que distribuiu para colegas cujos jornais aceitaram veicular a imagem. A fotografia ganhou inúmeros prêmios. O fotógrafo morreu em 2008, aos 68 anos de idade, após lutar com o câncer, sem encontrar a menina que tornou famosa mundo afora.

Meses após a morte de Nicolaevsky, após um email circular na internet com as imagens e a informação de que o fotógrafo queria conhecer a garotinha da foto, Rachel foi encontrada. Aliás, se encontrou. Ela conta que a mãe dela recebeu o email, reconheceu a filha e a avisou.

Rachel Clemens Coelho, na época, chegou a cogitar não explicar porque negou a mão ao presidente Figueiredo. “Muitas pessoas para as quais minha foto se tornou símbolo me procuraram pedindo que eu falasse para eles; fiquei na dúvida pois a história é tão simples e sem cunho político que será que vale a pena desconstruir o mito, o símbolo?”

Motivo despolitizado

Agora, novamente a peripécia da menininha virou notícia. Rachel finalmente explicou em público porque não cumprimentou o último general que presidiu o Brasil na época dos governos militares para uma rede de televisão. A reportagem foi exibida neste sábado (11) pelo canal Globo News.

Na internet, ela divulgou um post no próprio blog resumindo a estória. Segundo Rachel, o pai dela, chefe do Dnit em Minas Gerais, teria de participar de um almoço com o presidente. Ela soube na véspera, e exigiu da mãe ser levada para ver o general, de quem se lembrava por ver um quadro humorístico de Chico Anysio na tevê.

Chegando no Palácio da Liberdade, onde o presidente receberia um grupo de estudantes na solenidade, ela conseguiu se “infiltrar” e queria apenas avisar ao presidente que seu pai almoçaria com ele. Ele quis cumprimentá-la mas, como ela ainda não tinha conseguido contar ao chefe da nação do encontro que ele teria com o pai dela, houve a recusa.

Rachel, que hoje é mãe, conta que era ‘birrenta’ e falante. Como não tinha falado o que queria, se negava a cumprimentar Figueiredo que insistiu ante uma plateia constrangida e incrédula. A reportagem da tevê Globo não fez menção ao fato de que, pela blogosfera, a menininha havia sido encontrada desde 2008.

Publicado originalmente no: bella in the web

Embora a aprovação do Governo Dilma vá muito bem obrigado, observa-se na pesquisa que as expectativas quanto à evolução da economia estão menos otimistas exigindo maior atenção.

Pesquisa Datafolha: Dilma é aprovada por 47% dos brasileiros

Do JB on line

Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo mostra que a presidente Dilma Rousseff é aprovada por 47% dos brasileiros. Com essa taxa de popularidade, ela se iguala tecnicamente ao recorde registrado por seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O ex-presidente Lula teve 43% de aprovação no terceiro mês de seu primeiro mandato, em março de 2003. Depois, bateu um recorde de aprovação presidencial em início de governo, em março de 2007, atingindo a marca de 48%.

Segundo a atual pesquisa, Dilma supera em popularidade todos os antecessores de Lula, quando se considera esta fase inicial do mandato.

Na pesquisa divulgada hoje, o Datafolha registra que 7% consideram a gestão de Dilma “ruim” ou “péssima”. Outros 34% a classificam como “regular”. Há também 12% que não souberam opinar.

O instituto entrevistou 3.767 pessoas em 179 municípios nos dias 15 e 16 deste mês.

por Grupo Tortura Nunca Mais RJ.


“Além de abrandada, a ditadura começa também a encolher”. (Paulo Arantes). 

O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, mais uma vez, vem a público mostrar sua preocupação e, mesmo, indignação com as desinformações e manipulações que vêm ocorrendo em torno da instalação de uma Comissão Nacional da Verdade a ser votada em breve pelo Congresso Nacional.
Importante lembrar que esta 2ª versão da Comissão da Verdade — contida nas reformulações conservadoras do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), em maio de 2010 — apresenta graves e comprometedoras mudanças que mutilam a 1ª versão, anunciada à Nação, em dezembro de 2009, em grande mis-em-scène midiática.

Já havíamos questionado o caráter antidemocrático daquela 1ª versão da Comissão Nacional da Verdade no que dizia respeito à criação de um grupo de trabalho para elaborar o projeto de lei que instituiria esta Comissão. Dentre os 06 membros que formariam este grupo de trabalho, 05 seriam autoridades governamentais e somente 01 “representante da sociedade civil”, escolhido por uma dessas autoridades.

Entretanto, há nesta 2ª versão mudanças muito sérias e graves que mostram um profundo desprezo por nossa história em nome da “conciliação nacional” e da governabilidade. São elas:

    • retira-se qualquer tipo de responsabilização em relação àqueles que cometeram crimes contra a humanidade naquele período de terror.
  • retiram-se as expressões “repressão ditatorial”, “regime de 1964-1985” e “resistência popular à repressão”, substituindo-as por “prática de violações de direitos humanos no período de 18 de setembro de 1946 até a data da promulgação da Constituição (1988).” Ou seja, retira-se da história do Brasil o período de ditadura civil-militar.
  • acrescenta-se ao trabalho de “localização e identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos” a expressão “com base no acesso às informações”. Ou seja, o Estado brasileiro não se compromete nestas buscas e identificações a não ser que ocorram informações. E quem daria essas informações? Como sempre o Estado brasileiro, mandante e responsável por esses crimes, se omite e coloca o ônus das provas nas mãos de entidades de direitos humanos e dos familiares de desaparecidos, sendo que os arquivos ditos secretos da ditadura continuam inacessíveis.

Sabemos que a memória é um campo de lutas e que estas modificações no PNDH-3 com relação à Comissão da Verdade está fortalecendo uma certa história oficial: como se fosse a história única e verdadeira, possivelmente com o apoio das próprias forças que respaldaram o terror em nosso país.

Cabe, ainda, lembrar que este debate para implantação de uma Comissão Nacional da Verdade — mesmo que mutilada e somente “para inglês ver” como forma de aplacar os clamores nacionais e internacionais — fortalece-se logo após a sentença dada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA que condenou o Estado brasileiro em relação à Guerrilha do Araguaia.

Por esta sentença, exarada em dezembro de 2010, o Brasil tem até o final do ano para remover todos os obstáculos práticos e jurídicos para a investigação dos crimes, esclarecimento da verdade e responsabilização dos envolvidos. Também, o Tribunal reafirmou o alcance geral de sua decisão, exigindo que as disposições da Lei de Anistia, que impedem as investigações penais, não possam representar um obstáculo a respeito de todos os outros casos de mortos e desaparecidos políticos no Brasil.

Por tudo isto, reafirmamos nosso repúdio a esta encenação de Comissão da Verdade. Continuamos nossa luta por:

  • Uma outra Comissão Nacional da Verdade e Justiça.
  • Pelo cumprimento integral da Sentença da OEA.
  • Pela abertura ampla, geral e irrestrita de todos os arquivos da ditadura.

Rio de Janeiro, 03 de maio de 2011

Pela Vida, Pela Paz
Tortura Nunca Mais!