Arquivo de 26/06/2011

A mudança é uma tentativa de esfriar a crise que tomou conta da regional

Fernando Gallo – O Estado de S. Paulo

O governo federal decidiu apressar a sucessão no Incra de São Paulo e convidou o engenheiro agrônomo José Giácomo Baccarin para ocupar a superintendência do órgão. A mudança é uma tentativa de apagar o incêndio que tomou conta da regional, imersa em uma crise que envolve a apuração, pela Polícia Federal, de suposto desvio de verbas federais destinadas à realização da reforma agrária no Estado.

Propenso a aceitar o convite, o petista, o mais cotado na lista de indicados, pediu uma conversa com o presidente nacional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, para tratar de rotina e agenda. Baccarin é professor de agronomia na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pretende conciliar os compromissos à frente da regional com a vida acadêmica.

Sua indicação foi apadrinhada pelo ex-ministro Antonio Palocci, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e pelo Secretário-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. A escolha – a única entre os cargos do segundo escalão em São Paulo ainda pendentes – casa com um desejo da presidente Dilma Rousseff de ter nomes mais técnicos em sua administração.

Os outros nomes indicados foram os de Wellington Diniz, coordenador de movimentos populares do PT-SP, cuja candidatura teve o patrocínio do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, e Lafayete Biet, advogado ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Baccarin foi prefeito de Jaboticabal (SP) e suplente de Mercadante no Senado. Em 2006, foi tesoureiro da campanha do ministro ao governo do Estado. Naquele ano, chegou a ser indiciado pela Polícia Federal por crime eleitoral por uma suposta tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos, no caso que ficou conhecido como “escândalo dos aloprados”. O inquérito entanto, foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Também terá de construir uma ponte com os movimentos sociais, que o veem como um homem ligado ao agronegócio. Os movimentos apoiavam a candidatura de Wellington Diniz.

A superintendência comanda 133 cargos, dos quais 20 são de confiança. Em 2010, a autarquia gastou R$ 82 milhões. Seu orçamento para 2011 ainda não foi definido.

A Operação Desfalque, da PF, investiga o desvio de verbas para assentamentos. Segundo a polícia, os envolvidos no esquema pretendiam desviar cerca de R$ 5 milhões.

Dez pessoas foram presas, inclusive o líder sem-terra José Rainha Júnior. O ex-superintendente Raimundo Pires da Silva, que foi detido pela PF na semana passada e pediu exoneração do cargo na quarta-feira, ficou oito anos à frente da órgão.

Ex-líder do expulso do MST e outras 4 pessoas ficam presas até o julgamento

VEJA O VÍDEO: http://www.ifronteira.com/tvfronteira/?noticia_id=15952


Nomes de vinte e três produtores de Santo Anastácio teriam sido usados no programa

Contrato envolvendo Conab e Instituto repassaria em média a cada fornecedor 4 mil reais

A Polícia Federal deve investigar uma suspeita de fraude num dos programas da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento. Nomes de produtores rurais de Santo Anastácio teriam sido usados indevidamente por um Instituto de Agricultores de Sandovalina.

Instituto de Agricultores de Sandovalina é um desses prejudicados. Ele caminha desanimado entre os dois hectares de feijão que plantou no sítio em Santo Anastácio. O agricultor esperava vender a produção para a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Mas como o nome dele já aparece num dos programas da companhia, não pôde fazer o cadastro.

“Usaram o meu nome, fizeram esse financiamento falsificando minha assinatura. E agora meu feijão está quase no ponto de colher. Como fica meus planos, projetos”, disse Cristiano

Mas ele não é o único prejudicado. Outros 23 produtores rurais de Santo Anastácio estão na mesma situação. O nome de Leonardo César Silva também consta na relação enviada pelo Instituto à Conab. Mas ele garante que também não se inscreveu em nenhum programa do Governo Federal.

“Além da questão financeira, das entidades que também não estão recebendo esse recurso todo. A gente foi lesado na condição de cidadãos, de trabalhadores. Através do CPF e falsificação de assinaturas. Algo muito grave”, contou Leonardo

O valor total do contrato entre o Instituto de Desenvolvimento Rural, Educacional e Cultural do Pontal e a Conab foi de mais de 250 mil reais para o fornecimento de alface, carne bovina, feijão, manga e carne de tilápia. Alimentos distribuídos para 8647 mil pessoas de seis entidades assistenciais. Cada um dos 51 produtores cadastrados deveria receber em média, 4230 mil. Deveria, porque os de Santo Anastácio – que representam metade do grupo – tiveram o nome usado indevidamente e dizem que não ficaram com um centavo sequer.

Foi registrado um boletim de ocorrência sobre estelionato na delegacia de Santo Anastácio, mas como se trata de verba enviada pela união o caso foi remetido à Polícia Federal de Presidente Prudente. Segundo os documentos da Conab, a sede da entidade funciona em um sítio no assentamento Bom Pastor, em Sandovalina. O responsável pelo Instituto é Ernandes Santana. Nós o procuramos no sítio, mas a sogra disse que ele não estava.

A Conab informou que o contrato com o Instituto foi suspenso. Enquanto isso, quem teve o nome usado sem autorização aguarda uma solução para o problema.

Nós tentamos falar novamente com o responsável pelo Instituto. Mas, Ernandes Santana não atendeu nossas ligações.