A mudança é uma tentativa de esfriar a crise que tomou conta da regional

Fernando Gallo – O Estado de S. Paulo

O governo federal decidiu apressar a sucessão no Incra de São Paulo e convidou o engenheiro agrônomo José Giácomo Baccarin para ocupar a superintendência do órgão. A mudança é uma tentativa de apagar o incêndio que tomou conta da regional, imersa em uma crise que envolve a apuração, pela Polícia Federal, de suposto desvio de verbas federais destinadas à realização da reforma agrária no Estado.

Propenso a aceitar o convite, o petista, o mais cotado na lista de indicados, pediu uma conversa com o presidente nacional do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, para tratar de rotina e agenda. Baccarin é professor de agronomia na Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pretende conciliar os compromissos à frente da regional com a vida acadêmica.

Sua indicação foi apadrinhada pelo ex-ministro Antonio Palocci, pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e pelo Secretário-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. A escolha – a única entre os cargos do segundo escalão em São Paulo ainda pendentes – casa com um desejo da presidente Dilma Rousseff de ter nomes mais técnicos em sua administração.

Os outros nomes indicados foram os de Wellington Diniz, coordenador de movimentos populares do PT-SP, cuja candidatura teve o patrocínio do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira, e Lafayete Biet, advogado ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Baccarin foi prefeito de Jaboticabal (SP) e suplente de Mercadante no Senado. Em 2006, foi tesoureiro da campanha do ministro ao governo do Estado. Naquele ano, chegou a ser indiciado pela Polícia Federal por crime eleitoral por uma suposta tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos, no caso que ficou conhecido como “escândalo dos aloprados”. O inquérito entanto, foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Também terá de construir uma ponte com os movimentos sociais, que o veem como um homem ligado ao agronegócio. Os movimentos apoiavam a candidatura de Wellington Diniz.

A superintendência comanda 133 cargos, dos quais 20 são de confiança. Em 2010, a autarquia gastou R$ 82 milhões. Seu orçamento para 2011 ainda não foi definido.

A Operação Desfalque, da PF, investiga o desvio de verbas para assentamentos. Segundo a polícia, os envolvidos no esquema pretendiam desviar cerca de R$ 5 milhões.

Dez pessoas foram presas, inclusive o líder sem-terra José Rainha Júnior. O ex-superintendente Raimundo Pires da Silva, que foi detido pela PF na semana passada e pediu exoneração do cargo na quarta-feira, ficou oito anos à frente da órgão.

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