Arquivo de 24/07/2011

por: Alenonimo

Ontem, dia 23 de julho de 2011, uma explosão de um carro-bomba no prédio do primeiro-ministro que matou pelo menos 7 pessoas e deixou 15 feridos em Oslo e um massacre na ilha de Utoya onde havia um acampamento político cheios de jovens de 16 a 22 anos que matou 86 deles e deixou pelo menos 5 desaparecidos e centenas de feridos, 20 deles em estado grave, foram atribuídos ao norueguês Anders Behring Breivik, de 32 anos. Ele foi preso e afirmou ter feito tudo sozinho.

De acordo com a polícia, Anders é um nacionalista de extrema direita e fundamentalista cristão com opiniões hostis ao islã.

Esse aí tinha Deus no coração, viu Datena? Não só isso: ele é o tipo de cara que você encontraria passeando pelos corredores da Fox News. Talvez até de alguma igreja evangélica de uma capital.

Sobreviventes do massacre na ilha afirmam tê-lo visto usando uniforme da polícia e se identificou como tal para ter acesso ao local. O primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, classificou neste sábado o duplo atentado de “a pior tragédia desde a Segunda Guerra Mundial”.

O atentado foi horrível e atingiu um dos países mais pacíficos do mundo, que agora pode se ver dentro de uma grande espiral de desconfiança dentro de sua população.

O mais importante a se notar é o foco dado aos acontecimentos nas notícias dos jornais espalhados pelo mundo. Logo após as explosões do carro-bomba, duas horas antes da chacina na ilha, as notícias especulavam se tratar de um atentado terrorista causado por muçulmanos, de maneira similar aos feitos nos Estados Unidos e Londres há alguns anos atrás. No entanto, assim que foi descoberto que o arquiteto do atentado era um fundamentalista cristão, passaram a tratá-lo como alguém com graves distúrbios mentais. Existem três problemas com essa colocação.

Primeiro, que após a divulgação de um manifesto escrito pelo acusado de mais de 1.500 páginas detalhando seus planos ao longo de quase dois anos e o uso de munição altamente destrutiva indicam que ele agiu meticulosamente. Ele buscava matar todas essas pessoas e se esforçou bastante para isso. Não é algo que alguém com distúrbios mentais conseguiria fazer.

Segundo, que ao tratar preemptivamente os terroristas como portando distúrbios mentais como justificativa da ultra violência do caso cria estigmas em pessoas que realmente possuem distúrbios mentais, que normalmente são menos violentas do que as pessoas em geral.

Terceiro, que só buscaram tratá-lo como deficiente mental como uma maneira de tentar demonstrar que um cristão normalmente não seria capaz de fazer isso, como uma maneira de preservar a santidade dos cristãos. Bem no estilo Datena. A verdade é que extrema religiosidade anda de mãos dadas com o racismo, o preconceito e, portanto, com o nazi-fascismo. A sociedade teima em não ver que a religião em si é que é o problema.

Não existem ateus em campos de treinamentos de terroristas

Do Blog Conversa afiada

O autor do atentado em Oslo, na Noruega, se diz fundamentalista cristão, contra os imigrantes, e membro de uma organização de extrema direita.

Algumas das vítimas participavam de um encontro de uma organização de trabalhistas.

Nos Estados Unidos, o New York Times fez imediatamente essa leitura política do gesto enlouquecido e deixou claro que se tratava de um cristão de extrema direita.

O que, associado à xenofobia, pode contaminar a Europa.

El País da Espanha enfatiza o caráter xenófobo, antimuçulmano do assassino.

Na página da BBC online, se sabe:

O assassino participava de um fórum neonazista na internet.

Ele acredita que os muçulmanos querem colonizar a Europa Ocidental.

E culpa as idéias “multiculturalistas” e do “Marxismo cultural” por incentivar isso.

Para ele não há um único país em que muçulmanos vivam em paz com não-muçulmanos.

E isso sempre tem consequências catastróficas, diz ele.

Ele se considera cristão, conservador, adepto da musculação e da Maçonaria.

É fã do presidente russo Vladimir Putin.

Nos Estados Unidos, esse extremismo de direita, xenófobo, se acolhe no leito macio no movimento Tea Party que tem como símbolo mais exuberante, hoje, a deputada republicana por Minnesota,Michele Bachmann.

Ela é homofóbica, xenófoba, não votará na ampliação do teto para endividamento dos Estados Unidos em hipótese alguma, considera o aquecimento global uma fraude, e acha que uma das opções para negociar com o Irã é jogar uma bomba atômica.

Bachmann pertence a uma denominação luterana e, com o marido, dirige uma clinica de aconselhamento psicológico, que, entre outras atividades comerciais, se propõe a converter homossexuais ao heterossexualismo.

Quem aqui no Brasil, segundo o professor Wanderley Guilherme dos Santos, se apropriou da doutrina da extrema direita ?

Quem explorou o aborto e chamou o Papa para a campanha ?

Quem foi a cultos evangélicos passar a mão da cabeça (a outra mão empunhava a Bíblia) de manifestantes homofóbicos ?

Quem pôs nos bolivianos a culpa pela tragédia da cocaina e do crack ?

Quem disse que a baixa qualidade da educação em São Paulo se deve aos “migrantes” ?

Quem trouxe o Irã para a campanha presidencial e criticou uma política de envolvimento e negociação ?

Quem foi ao Clube da Aeronáutica do Rio denunciar a marxista Dilma Roussef ?

Quem ?

É preciso dar nome aos bois.

Na Noruega, ele se chama Anders Behring Breivik.

Nos Estados Unidos, Michele Bachmann.

No Brasil, José Serra.

Paulo Henrique Amorim