1974 – Atormentado até a morte

Posted: 10/08/2011 in CYBERATIVISMO, Memória histórica
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10/08/2008 – 06:00 | Enviado por: Ana Paula Amorim

Jornal do Brasil: terça-feira, 10 de agosto de 1999

“Se minha alma está morta, que a ressuscitará?”
(Frei Tito em um dos poemas de despedida).

Depois de 14 meses de sofrimento nos porões da ditadura, Frei Tito foi um dos 70 presos trocados pelo embaixador suiço Giovanni Enrico Bücher. Voou em janeiro de 1971 para o exílio no Chile, de onde seguiu depois para Roma, onde o Vaticano não aceitou um “padre vermelho”, e foi acolhido na França pelos dominicanos. As feridas do corpo se cicatrizaram, mas as torturas deixaram marcas indeléveis na alma.

Na solidão do convento, o dominicano era atormentado pelos fantasmas do passado e no dia 10 de julho de 1974, se enforcou sob a copa de um álamo,

Neste dia, os dominicanos e seus amigos, especialmente aqueles que compartilharam a dor de frei Tito nos anos de chumbo do regime militar, reúnem-se em igrejas e concentram-se em praças públicas para homenagear sua memória.

Nascido em 14 de setembro de 1945 em Fortaleza, Tito de Alencar Lima entrou para a Ordem dos Pregadores, nome oficial dos dominicanos, em 1965, depois de ter sido dirigente regional e nacional da Juventude Estudantil Católica (JEC), um dos movimentos de vanguarda da militância cristã na época. Foi preso na madrugada de 3 para 4 de novembro de 1969 pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury, seu primeiro torturador. Com outros dominicanos, entre os quais frei Betto, ele era suspeito de participar do esquema de Carlos Marighella, líder da Aliança Libertadora Nacional (ALN), que pregava a luta armada. A prisão dos frades levou à morte do guerrilheiro, que caiu numa emboscada e foi metralhado no local em que deveria encontrar os religiosos. Frei Tito é lembrado como herói e mártir.

É preferível morrer do que perder a vida

Os agentes da repressão espalharam a notícia de que os dominicanos traíram Marighella, numa versão oficial que acabou convencendo até aliados de organizações de esquerda.

Terça-feira, 10 de agosto de 1999

Foi só a partir da publicação do livro Batismo de Sangue, que frei Betto lançou em 1982, que a história se esclareceu. Fernando Gabeira foi testemunha de seu calvário. O frade dominicano passou por diversas torturas e nada falou.

Batismo de Sangue se tornou também filme dirigido por Elvécio Ratton. Em fevereiro de 2002 foi criado no Museu do Ceará o Memorial Frei Tito.

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