Arquivo de 13/08/2011

Recebemos um comentário ao texto “O SERTÃO E A DESVALORIZAÇÃO DA CULTURA POPULAR” da lavra de Eugênio, cuja leitura recomendamos, como chave de ouro ao comentário ele nos apresentou dois links para acesso a tesouros da brasilidade.

Vejamos:

Gêneros de Poesia Popular

Francisco Linhares e Otacílio Batista

Entre as criações dos poetas clássicos, que vieram a ser usadas pelos nossos cantadores, estão a Quadra, a Décima, a Sextilha em decassílabo com rimas cruzadas, e sua variante.

A Sextilha com rimas cruzadas originou-se da Oitava de Ariosto, estilo que Sá de Miranda (irmão de Mem de Sá), introduziu em Portugal, no século XVI, e que possibilitou a Camões realizar sua imortal obra “Os Lusíadas”.

Contando-se com os gêneros mais usados, com os de pouca utilização, ou com os que se encontram completamente abandonados para o improviso, a “Poesia Popular” possui trinta e seis modalidades, número verdadeiramente espantoso, que vem, através dos tempos, demonstrar o grande poder criativo dos nossos bardos matutos.

Até à época da famosa peleja de Francisco Romano Caluete com Inácio da Catingueira, o estilo preferido pelos cantadores era a Quadra. Após isso, apareceu a Sextilha, pertencente à família dos setessílabos, modalidade essa usada, não só nos grandes debates, mas, também, na abertura de qualquer programa de viola. “É a Deusa inspiradora dos poetas repentistas”. Faremos, a seguir, um estudo dos principais gêneros usados pelos nossos violeiros.

Sextilha

Talvez, por ser mais fácil, seja o gênero preferido pelos nossos repentistas, principalmente no início das apresentações. A Sextilha é uma estrofe com rimas deslocadas, constituída de seis linhas, seis pés ou de seis versos de sete sílabas, nomes que têm a mesma significação. Na Sextilha, rimam as linhas pares entre si, conservando as demais em versos brancos. Leandro Gomes de Barros, grande escritor da Literatura de Cordel, filho de Pombal, Estado da Paraíba, escreveu:

Meus versos inda são do tempo
Que as coisas eram de graça:
Pano medido por vara,
Terra medida por braça,
E um cabelo da barba
Era uma letra na praça.

Outro exemplo que daremos é o do ceguinho anônimo, que, após a morte de sua desventurada mãe e guia, chorou, com os olhos d’alma, seu infortúnio:

Já tive muito prazer,
Hoje só tenho agonia!
Não sinto porque sou cego,
Eu sinto é falta do guia!
Quando mamãe era viva,
Eu era um cego que via!

Ou, ainda, a de Francisco Pequeno, repentista paraibano, nesta inteligente análise:

Uma morrinha no gado
É derrota em fazendeiro,
E um cavalo ruim
derrota dum vaqueiro!
A derrota do país
É dever no estrangeiro!

Sete Linhas ou Sete Pés

No início do século atual, o Cantador alagoano Manoel Leopoldino de Mendonça Serrador fez uma adaptação à Sextilha, criando o estilo de sete versos, também chamado de sete linhas ou de sete pés, rimando os versos pares até o quarto, como na Sextilha; o quinto rima com o sexto, e o sétimo com o segundo e o quarto. Exemplifiquemos com o próprio criador do gênero:

Amigo José Gonçalves,
Amanhã cedinho, vá
A Coatis, onde reside
Compadre João Pirauá;
Diga a ele dessa vez,
Que amanhã das seis a seis,
Deus querendo, eu chego lá!

José Duda do Zumbi (Manoel Galdino da Silva Duda), no ocaso da vida, com a experiência da idade, disse para José Miguel, jovem companheiro, com quem duelava:

Fui moço, hoje estou velho!
Pois o tempo tudo muda!
Já fui um dos cantadores
Chamado Deus nos acuda …
Este que estão vendo aqui
Foi Zé Duda do Zumbi!
Hoje Zumbi do Zé Duda!

Moirões

Dentro da contextura da Poesia Popular, o Moirão tem sido o gênero… leia mais clicando aqui

Chega mais povo,brasileiro!

vem ouvir a voz do violeiro

que traz novas do sertão inteiro

e também do estrangeiro!

CULTURA VIOLÍSTICA REPENTISTA

QUADRA, QUADRÃO, SEXTILHA, MOURÃO, MARTELO AGALOPADO E GALOPE À BEIRA-MAR

Os violeiros nordestinos formam um repente, que é a habilidade que tem o poeta tem de compor versos na hora, geralmente em resposta à provocação anterior criada pelo outro violeiro da dupla. Essa atividade, a de um criar uma estrofe e o outro responder em versos é conhecida como desafio.

Os versos, conforme sua metrificação, são conhecidos por nomes como quadra, quadrão, sextilha, mourão, martelo agalopado, galope à beira-mar.

Sextilhas são estrofes de seis versos. Mas existem muitos outros gêneros, como a quadra, de quatro versos; o quadrão, de oito; o galope à beira-mar, o martelo agalopado, o moirão, a décima, o gabinete, a toada alagoana.A sextilha, talvez por ser mais fácil, é o gênero preferido dos repentistas, principalmente no início de suas apresentações – os chamados desafios.

O martelo agalopado, é considerado o mais nobre. O martelo é composto de estrofes de dez versos, em decassílabos.

O galope à beira-mar é assim chamado porque sempre discorre sobre temas praieiros.

Veja como o Cego Aderaldo enfrenta um desafio

sextilha

quadrão

mourão

martelo agalopado

Quadra: muito aplicada em prosa, poesia popular, literatura de cordel, sendo os versos com quatro linhas (ou pés), de sete sílabas, com a deixa livre ou rimando com a próxima estrofe, podendo ter um esquema de rima bastante variado.

Nesse mundo turbulento
Escravo do capital
Eu quase que não agüento
Carregar meu ideal.

Luto, luto a cada dia…
Porque lutar não faz mal.
Meu maior sonho seria
Ver o mundo mais igual.
(Valentim Martins)

Quadrão: é uma quadra de oito versos.

Sextilha: gênero preferido pela maioria dos poetas de cordel e violeiros contendo versos de sete sílabas e estrofes de seis linhas:

É a pobreza aumentando
Numa proporção veloz
Quando ficamos calados
Alguém decide por nós
É por isso que eu digo
Temos que ter vez e voz.
(Valentim Martins)

Setissílabos: também chamados de heptassílabos são versos de sete sílabas que podem ser apresentados em estrofes com sete, oito, e dez linhas:

Lágrimas, sonhos, sorrisos…
Temos sempre eu e você
É difícil a caminhada
Nessa arte de viver
Desde os atos mais medonhos
Menor do que nossos sonhos
Sei que não podemos ser…
(Valentim Martins)

Decassílabo: dez linhas e dez sílabas: LEIA MAIS CLICANDO AQUI

Recebi a mensagem que abaixo reproduzo e acreditei. Visitei e reproduzo aqui para qur voce não perca a oportunidade de conhecer…

lessinha_nane Alessandra Nane
Gente, vão por mim ces PRECISAM ler esse blog: divasca.blogspot.com É a melhor coisa que eu li em anos! kkkkk

Mas é pra igreja!

De: Vanderlei Rocha
Enviada em: domingo, 20 de setembro de 2009  16:57
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: Cartazes
Cara, é evidente que não temos como pagar, tá maluco? O evento é para a igreja. O que queremos é simples, se não tem tempo então faça só do arrebatamento pode ser? Só uma pessoa sendo arrebatada, com um efeito legal. Só isso.
[]’s
De: Luis Di Vasca
Enviada em: domingo, 20 de setembro de 2009  18:16
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: RE: RE: RE: Cartazes
Entendo, a igreja realmente não tem recursos, eu vi um documentário ontem sobre a favela do Vaticano e fiquei extremamente emocionado com a carência de recursos que vi. É preocupante mesmo e no meu caso, tenho que fazer o máximo que tiver ao meu alcance para ajudar, mesmo não tendo me voluntariado seria um despautério da minha parte querer cobrar pelos meus serviços para algo que é da Igreja. Farei a ilustração para o seu cartaz com certeza, até porque, a igreja precisa de artistas há séculos e eu nunca, digo nunca mesmo ouvi dizer que algum deles cobrou pelos serviços, todos fizeram única e exclusivamente para ajudar a instituição.
Atenciosamente,
Di Vasca
De: Vanderlei Rocha
Enviada em: domingo, 20 de setembro de 2009  18:40
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: RE: RE: Cartazes
Tá legal cara, fico esperando então.
[]’s
De: Luis Di Vasca
Enviada em: segunda-feira, 21 de setembro de 2009  22:33
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: Cartazes
De: Vanderlei Rocha
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009  07:19
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: RE: Cartazes
Cara, que atrocidade é essa?
De: Luis Di Vasca
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009  10:02
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: Cartazes
O que você pediu, oras. Não queria uma pessoa sendo arrebentada?
De: Vanderlei Rocha
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009  13:23
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: Cartazes
arreBAtada, AMIGO. ARREBATADA, NÃO “arreBENtada” Isso por um acaso é uma brincadeira? Você acha mesmo que esse é o tipo de desenho que seria aceito para um evento na igreja? Não sabe o que é, era só perguntar.. Arrebatamento é a salvação da pessoa antes do juízo final. É quando os bons vão para o céu com corpo e tudo.
De: Luis Di Vasca
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009  13:42
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: Cartazes
De: Vanderlei Rocha
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009  18:31
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: RE: Cartazes

Você é um babaca! um maluco!

De: Luis Di Vasca
Enviada em: terça-feira, 22 de setembro de 2009  22:09
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: Eu sou um fracasso

Quando a gente acha que vai superar essas coisas, vem um e abre de novo a ferida…Sim! Eu tenho algo muito errado na minha cabeça, meus pais nunca descobriram o que é.. eu sou um idiota! Um idiota! Não consigo fazer nada direito, e quando surge uma oportunidade como a sua, eu estrago tudo e não entendo nada direito, poxa! Bem que meu pai falava que eu não seria nada na vida… Minha mãe sempre me repreendendo.. “Menino, não faz isso!” “menino não faz aquilo!” “Isso vai pra privada, não é pra comer!” “menino, não fica pelado na frente da visita! Você já tem 26 anos!” Acho que deveria ter ficado mais tempo com aqueles choques… “MALUCO” “MALUCO” “MALUCO” “MALUCO” “MALUUUUUUUUCOOOO” Quando você falou que a pessoa ia pro céu com corpo e tudo eu imaginei que seria isso, mas quando parar de chorar eu tento mandar outro.

De: Vanderlei Rocha
Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009  07:45
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: Eu sou um fracasso

Calma cara. não precisa ficar assim, você só precisa prestar mais atenção nas coisas e não ir fazendo sem pensar… só isso. É só mandar um desenho pra mim de Deus levando uma pessoa para o céu… Só isso! Tenho certeza que você consegue.

[]’s
De: Luis Di Vasca
Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009  10:20
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: RE: RE: Eu sou um fracasso

Só isso? Não sou maluco mesmo? Jura?

De: Vanderlei Rocha
Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009  11:00
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: RE: Eu sou um fracasso

Claro que não. Tenho certeza que você consegue. E não é maluco não. Me desculpe, é que eu achei que você estava curtindo com a minha cara, só isso… fiquei nervoso. peço desculpas

De: Luis Di Vasca
Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009  11:23
Para: Vanderlei Rocha
Assunto: RE: RE: RE: RE: Eu sou um fracasso
De: Vanderlei Rocha
Enviada em: quarta-feira, 23 de setembro de 2009  12:17
Para: Luis Di Vasca
Assunto: RE: RE: RE: RE: RE: Eu sou um fracasso

Cara… presta atenção no que eu vou dizer agora… EU ESPERO QUE VOCÊ QUEIME PRA SEMPRE NO PIOR LUGAR DO INFERNO! SEU MALUUUUUUUCOOOO FDP!!!!

Cumpra-se Marãiwatsédé!

– Campanha de solidariedade ao povo Xavante –

Os primeiros contatos da sociedade nacional com os Xavante se deram por volta de 1957. A partir desse momento, os indígenas foram sendo “empurrados” para fora da área que interessava aos não-indígenas, que se apossaram das terras, promovendo a degradação do meio ambiente e dificultando assim os meios de subsistência dos indígenas. Apesar das terras indígenas já serem protegidas pela Constituição vigente, as terras Xavante foram tituladas pelo estado de Mato Grosso a partir do ano de 1960.

 

Encurralados numa pequena área alagadiça, expostos a inúmeras doenças, os Xavante foram transferidos pela Força Aérea Brasileira (FAB) para a Terra Indígena São Marcos, ao sul do estado, numa articulação entre particulares e governo militar, ocorrida em 1966. Grande parte da comunidade morreu na chegada em São Marcos, devido a uma epidemia de sarampo.

Em 1980, a fazenda Suiá-Missu – área incidente na Terra Indígena Maraiwãtséde, de 1,7 milhão de hectares, maior que a área do Distrito Federal e considerada então “o maior latifúndio do mundo” – foi vendida para a empresa petrolífera italiana Agip. Durante a Conferência de Meio Ambiente realizada no Rio de Janeiro (“Eco 92”), sob pressão, a Agip anunciou devolver Marãiwatséde aos Xavante. Em 1° de outubro de 1993, o ministro da Justiça declarou a posse permanente indígena para efeito de demarcação, a ser realizada administrativamente pela Fundação Nacional do Índio (Funai). As contestações contra a demarcação são julgadas improcedentes e, em 11 de dezembro de 1998, o presidente da República homologou a demarcação administrativa da Terra Indígena Marãiwatséde, por decreto – ato administrativo que reconhece a legalidade do procedimento como um todo – e ela é registrada em cartório como de propriedade da União Federal.

Superada a tramitação administrativa da demarcação, as contestações judiciais dos invasores se arrastaram até que, em 5 de fevereiro de 2007, o Juiz Federal da 5ª Vara/MT, dr. José Pires da Cunha, sentenciou na Ação Civil Pública n° 95.00.00679-0, determinando a retirada de todos os invasores e a recuperação das áreas degradadas de Marãiwatsédé. Em outubro de 2010, a Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª. Região confirmou a decisão de primeiro grau.

Em 19 de junho último, o juiz Julier Sebastião da Silva – da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso – determinou a remoção, em até 20 dias, das famílias de não índios que vivem na Terra Indígena Marãiwatséde. Contudo, em 1° de julho, o desembargador Fagundes de Deus suspendeu temporariamente este mandado de desocupação, acatando o pedido de defesa dos ocupantes ilegais de Marãiwatsédé, na esperança de que algum acordo pudesse ser feito em torno da terra indígena.

Porém, o cacique Damião Paradzané escreveu uma carta à Quinta Turma do TRF da 1ª. Região para que garanta, rápida e definitivamente, a retirada dos invasores de Marãiwatsédé, para que o povo Xavante possa retomar o curso de suas vidas em sua terra sagrada.

É neste espírito que a comunidade Xavante de Marãiwatsédé espera e acredita na confirmação de seus direitos pela Quinta Turma do TRF da 1ª. Região, e convida a todas e todos para se unirem nesta luta que é de todos os brasileiros, divulgando-a entre seus amigos e enviando mensagens aos desembargadores chamados a apreciar a apelação 0053468-64.2007.4.01.0000, de acordo com a sugestão abaixo:  

Des. Selene Maria de Almeida – gab.selene.almeida@trf1.jus.br, tel. (61) 3314 56 44, fax (61) 3314 56 77

Des. João Batista Moreira – joao.batista@trf1.gov.br, tel. (61) 3314 56 40, fax (61) 3314 56 76

Des. Fagundes de Deus – fagundes.deus@trf1.jus.br, tel. (61) 3314 56 49, fax (61) 3314 56 78

 

 

 

 

 

Sugestão de mensagem:

 

 

Excelentíssimo Senhor Desembargador Relator Fagundes de Deus,

Excelentíssima Senhora Desembargadora Selene Maria de Almeida e

Excelentíssimo Senhor Desembargador João Batista Moreira, 

 

 

A comunidade Xavante de Marãiwatsédé, do estado do Mato Grosso, teve sua terra tradicional demarcada, homologada e registrada no Serviço do Patrimônio da União em 1998. Entretanto, sua posse permanente e usufruto exclusivo – garantias constitucionais – não estão efetivados devido à permanência de numerosos ocupantes ilegais que a devastaram e que conseguiram, por meio de sucessivos recursos judiciais, permanecer na terra, desmatando-a intensamente até o presente momento.

 

Os Xavante têm enfrentado até hoje sérios problemas com estes ocupantes ilegais. Ameaças e provocações exigem que os indígenas mantenham vigilância constante e, para se proteger, estão concentrados numa única aldeia, o que não faz parte de sua cultura.

 

A Quinta Turma do TRF da 1ª Região, da qual Vs. Exas. fazem parte, decidiu a favor dos Xavante em acórdão publicado no dia 22 de novembro de 2010, considerando a posse de todos os ocupantes de má-fé, sobre bem imóvel da União, concluindo que  os posseiros não têm nenhum direito às terras, por se tratarem de “meros invasores da área, inexistindo possibilidade de ajuizamento de ação indenizatória”. As ações impetradas pelos ocupantes foram consideradas como “propósito meramente protelatório, atitude que deve ser combatida vigorosamente pelo juiz da causa”.

 

É nesse sentido que pedimos a Vs. Exas. que confirmem, de uma vez por todas no TRF da 1ª Região, a magnífica e justa decisão desta Quinta Turma deste Tribunal, garantindo assim esta Casa – nos autos da apelação 0053468-64.2007.4.01.0000  os direitos originários, sagrados e constitucionais do povo Xavante de Marãiwatsédé, para que possam retomar o curso de suas vidas na terra para a qual sempre sonham em voltar, de acordo com a manifestação deste povo, através do Cacique Damião Paradzané.

 

 

Respeitosamente,

(nome, profissão, RG e/ou CPF)

(endereço)

 

   

Por Manoel Belizario

       Qualquer pessoa que visite o sertão hoje na perspectiva de encontrar um espaço que faça jus ao status de habitat natural da Literatura de Cordel e da cultura popular nordestina com certeza ficará decepcionado: as terras sertanejas hoje em dia,  como nunca, servem ao lixo cultural invasor de todo o nosso país.
Lembro com muita saudade de meu tempo de criança no sitio Lages entre os anos de 1985-1990. Foi nesta época que presenciei a efervescência da cultura popular em minha região. Brincadeiras de roda, galhinho de amor, do anel, passeio, cai no poço, as leituras de livretos, recontação dos mesmos em forma histórias nas debulhas de feijão, etc.
Com o surgimento da TV lá em meu sítio, em 1990 aí mudou-se o foco e ninguém quis mais saber de outra coisa, só das novelas que ainda me lembro que estava passando à época: Gente Fina, Mico Preto, Rainha da Sucata, etc. Ninguém tinha outro assunto para falar.
Durante o tempo que permaneci no Sertão, na zona urbana – entre 1990-2004 sinceramente não tive oportunidade de ter um contato expressivo com as manifestações culturais populares. Conheci muito pouco do forró de raiz e a Literatura de Cordel simplesmente desapareceu.
Foi em João Pessoa que tive oportunidade de conhecer mais a fundo as manifestações culturais do sertão e portanto passei a dar um especial valor às mesmas.
Vejo então uma inversão de valores. Hoje a capital valoriza a cultura sertaneja e o próprio sertão a descarta ou substitui por uma cultura efêmera, medíocre, suja, o chamado lixo cultural – como o caso do forró de raiz trocado pelo eletrônico/pornográfico.

Quem visitar o sertão
Procurando por cultura
Com certeza não será
Feliz em tal aventura
Sei que é triste o que digo,
Mas é a verdade pura.

O sertão hoje está
Envolto num lamaçal
Podre e talvez sem volta:
O do lixo Cultural.
Que eleva a porcaria,
Que valoriza o banal.

Acorda sertão o teu
Forró e o de raiz
O qual foi disseminado
Pelo Jackson e por Luiz
No Brasil, onde nasceu
O cordel? Sertão me diz…

Imagem: http://www.overmundo.com.br

Publicado originalmente no Cordel Paraíba

Operárias de Mahalla tomaram as fábricas “de mulheres” e recusaram-se a sair de lá até que recebessem “massivo” aumento de salário: de £60 por mês, para £100.
Por Robert Fisk

A cidade de Mahallah, capital do algodão egípcio, esconde muito bem seus saberes políticos.

Local de fábricas stalinistas que trabalhavam 24 horas por dia, casas arruinadas do século 19 enterradas entre blocos de concreto e uma rede de trilhos em cacos, só a aparição de uma barata impressionantemente grande no chão do escritório da prefeitura agita os funcionários e os faz levantar. A barata e outra estranha criatura: esse seu correspondente, encharcado de suor, perguntando sobre uma greve na indústria que começou e acabou há cinco anos.

Cada vez que eu perguntava sobre a greve, alguém me perguntava se eu vira Mubarak naquela gaiola no Cairo. Supunham sempre que eu falasse das batalhas na Praça Tahrir, em janeiro passado. Só começaram a entender quando entrou na sala uma das heroínas da Batalha de Mahallah, Widdad Dimirdash, vestida com o véu, super energética, voz alta e atitude de profundo orgulho. Mrs. Dimirdash participou do comando de uma das primeiras grandes greves contra a empresa estatal (quer dizer: pertencia à família Mubarak) Misr Cotton Company, em 2006.

“Não se pode dizer que tenha sido greve realmente política” – diz ela, mas não acredito. “Acho que não tivemos escolha. Nossos salários haviam caído tanto e o preço da comida era tão alto que já ninguém nem comia nem vivia.”

Dos 30 mil operários do algodão em Mahallah – homens e mulheres trabalhavam em fábricas separadas – 6.000 eram mulheres. Elas pararam de trabalhar quando os homens pararam. Tomaram as fábricas “de mulheres” e recusaram-se a sair de lá até que recebessem “massivo” aumento de salário: de £60 por mês, para £100, o que as ainda as mantinha como os trabalhadores de mais baixo salário em todo o Egito. Mas o governo de Mubarak, em três dias, concedeu o aumento que as mulheres pediam.

Não teve escolha. Mahallah, centro do comércio egípcio de exportação, era grande demais para ser desafiada. “Primeira Cidade do Algodão do Delta” – lê-se numa placa enferrujada, quando passo de carro pelas calçadas rebentadas, montes de lixo e muitos carros “toc-tocs”, uma espécie de riquixá movido a petróleo que circula pela velha passagem de nível. A cidade não ostenta a própria história, mas a história parece pairar por ali, entre as ruínas.

Introduzido na região pelos franceses em 1817, o algodão de Mahallah prosperou quando a guerra civil nos EUA cortou as vias transatlânticas das importações europeias, nos anos 1860s. Adeus, Sul Profundo. Bem-vindo, Delta do Nilo.

No dia 6/4/2008, contudo, o povo de Mahallah acrescentou mais uma nota de pé de página à própria história. Dessa vez, marcharam pelas ruas, negociando com um ministro do governo Mubarak, por melhores salários e condições de trabalho, e enfrentaram a violência dos policiais. Mrs. Dimirdash foi uma das duas mulheres que participaram da equipe de negociação de sete trabalhadores. “As pessoas demarcaram campos na rua principal, a ‘Rua do Presidente’ – relembrou o jornalista Adel Dora. – “Os baltagi [mercenários pró-governo, armados com porretes] nos atacaram com terrível violência; e a Polícia usou gás lacrimogêneo, mas muita gente nos defendeu em todo o país, usando o Facebook”.

Só dois canais árabes de televisão por satélite cobriram a batalha de Mahallah. A imprensa egípcia, diz Dora, “simplesmente mentiu sobre nós – publicaram tudo que o governo Mubarak queria que publicassem”. Os homens e mulheres de Mubarak mantiveram o movimento durante uma semana.

Em 2009, tentaram novamente, mas dessa vez – e Dora baixou a cabeça ao dizer – o povo estava com medo. “Com medo da Polícia, de serem mortos, de mais violência, do que o governo pudesse fazer contra eles”. Dora falava com ira, mas, estranhamente, como se não percebesse o precedente que a cidade criara. Essa Mahallah sombria, sem brilho, em 2006 e em 2008, foi versão em miniatura, talvez prematura, da grande revolução que derrubaria o governo egípcio em fevereiro de 2011 e mandou Hosni Mubarak para a gaiola com leito que se viu no Cairo essa semana. A união de homens e mulheres, trabalhadores comuns, o Facebook, as tendas armadas na Praça Tahrir, os mercenários baltagi as bombas de gás lacrimogêneo da Polícia, tudo reapareceu depois, aos olhos do mundo, na Praça Tahrir. E naquela praça descobrimos – embora ninguém entendesse quem eram e o que faziam ali – muitos homens e mulheres de Mahallah. Ah, sim, eles sabiam o que fazer para derrubar ditador.

O jornalista francês Alain Gresh foi dos primeiros a perceber a plena significação de tudo isso: que aqueles trabalhadores eram “atores esquecidos” da revolução egípcia. Lembrou como um repórter industrial egípcio respondeu às suas perguntas no Cairo, perguntando: “Por que, até agora, as rebeliões na Líbia, no Iêmen e no Bahrain falharam?” Poderia ter acrescentado à lista, a Síria. Mas foi na Tunísia, onde os sindicatos eram fortes, que o sindicado geral dos trabalhadores da Tunísia conseguiu finalmente derrubar a ditadura de Ben Ali. Nos últimos dias, o golpe final foi a greve geral que convocaram. Mas tampouco os homens e mulheres de Mahallah foram os únicos trabalhadores da indústria a conseguir derrotar o poder de Mubarak.

Os operários do complexo de fábricas de cimento em Suez – que também fizeram sua “revolução” miniatura em 2009, pra protestar contra as vendas de cimento a Israel – iniciaram também sua greve política em fevereiro de 2011.

Quanto aos trabalhadores da Síria, Líbia, Iêmen, há muito tempo foram cooptados, Baathizados, hipnotizados pelo Livro Verde ou tribalizados, com o socialismo tomado só como inspiração infeliz para muitos ditadores. Quer dizer então que é preciso que haja movimento de trabalhadores e sindicatos organizados para que as revoluções no Oriente Médio sejam bem-sucedidas? Mahallah é cidade feia, suja, triste – mas seu lugar na história aumenta ano após ano.

Artigo publicado originalmente no The Independent, UK (via REVISTA FORUM)
Robert Fisk: The city and its workers that first took on Mubarak

Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Foto: Greve dos trabalhadores em Mahalla, em setembro de 2007/Flickr

Brizza Cavalcante
Chico Alencar
Segundo Chico Alencar, todas as terras demarcadas em SC correspondem a 0,6% da área do estado.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias rejeitou, no último dia 3, proposta que suspende a homologação da demarcação da terra indígena Ibirama La-Klanô ou Duque de Caxias, nos municípios de Vitor Meireles, José Boiteux, Itaiópolis e Doutor Pedrinho, em Santa Catarina. A medida está prevista no Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 480/08, do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).

A proposta susta a Portaria 1128/03, do Ministério da Justiça, que amplia a área da reserva indígena. Colatto argumenta que esse alargamento prejudica pequenos agricultores de 457 propriedades que lá residem. Mas, segundo o relator da proposta, Chico Alencar (Psol-RJ), “não há de se falar em desrespeito ao direito de propriedade das 457 famílias atingidas, já que todos têm os direitos indenizatórios garantidos por lei”.

O autor da proposta também argumentou que a ampliação das áreas indígenas em Santa Catarina causa “grandes prejuízos econômicos e sociais” para a região. De acordo com Chico Alencar, contudo, não há prejuízo, tendo em vista que todas as terras demarcadas no estado representam apenas 0,6% da área de Santa Catarina. “Estatísticas elaboradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária mostraram que as terras aproveitáveis e não exploradas excedem em muito as áreas destinadas aos territórios indígenas”, argumentou o relator.

Chico Alencar também destacou a importância da demarcação de terras indígenas no País. “Assegurar o direito à terra para os índios significa não só assegurar sua subsistência, mas também garantir o espaço cultural necessário à atualização de suas tradições. A defesa dos territórios indígenas garante, ainda, a preservação de um rico patrimônio biológico e do conhecimento milenar detido pelas populações”, disse.

Tramitação
O PDC 480/08 já havia sido aprovado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural. A constitucionalidade e o mérito do projeto serão ainda analisados pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, a proposta segue para o Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Carolina Pompeu
Edição – Maria Clarice Dias

Gustavo Lima
Luiz Couto
Luiz Couto afirma que Congresso não tem poder de suspender atos meramente administrativos.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias rejeitou no dia 3 o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 393/07, do deputado Zequinha Marinho (PSC-PA), que suspende a demarcação da terra indígena Apyterewa, localizada no município de São Félix do Xingu (PA). A área de 773,5 mil hectares, onde vivem 420 índios da etnia Parakanã, foi homologada por um decreto presidencial em 2007.

A rejeição foi pedida pelo relator, deputado Luiz Couto (PT-PB). Para ele, o poder dado aos congressistas, pela Constituição, de sustar atos normativos do Executivo, não abarca a demarcação da terra indígena, que é um ato meramente administrativo de reconhecimento de área territorial. Deste modo, segundo ele, o PDC 393 não pode determinar a suspensão do decreto presidencial.

“Os atos administrativos simples, de gestão, de execução, não estão sujeitos ao controle previsto pela Constituição. A demarcação é um ato administrativo, por meio do qual a União explicita os limites das terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, de acordo com os usos, costumes, crenças e tradições de cada grupo étnico”, disse Couto. Para ele, esse tipo de ato não possui caráter normativo.

Histórico
O projeto do deputado Zequinha Marinho foi aprovado na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, em 2008. O autor alega que o processo de demarcação da terra indígena não atendeu as reivindicações das duas mil famílias que viviam na área e foram obrigadas a sair.

Segundo Marinho, toda a discussão que antecedeu o decreto privilegiou apenas a etnia indígena, em detrimento do restante da população que vivia no local.

Tramitação
O PDC 393 será analisado agora na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votada no Plenário.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Janary Júnior