Matéria veiculada pelo Estado de Minas

Por que Araxá é vital para os EUA?

 Cidade está na lista secreta de locais estratégicos para americanos, revela site, por deter maior reserva mundial de nióbio, minério raro usado na indústria espacial

Depois de pôr a política externa americana de cabeça para baixo, o WikiLeaks acaba de entrar em um território sensível não apenas aos EUA, mas a todo o mundo. O site revelou nada menos do que a relação de pontos situados mundo afora considerados estratégicos para o governo americano, o que poderia transformá-los em alvos de ataques terroristas. No Brasil, além das jazidas de Araxá, em Minas, estão cabos submarinos e reservas de minério de ferro e manganês.

Em documento vazado pelo site Wikileaks, Washington cita áreas no Brasil e no estado consideradas fundamentais para sua segurança, incluindo comunicações e recursos minerais
Isabel Fleck

Brasília – O que têm em comum uma mina de manganês e minério de ferro em Minas Gerais, uma indústria farmacêutica na Austrália e um gasoduto no Canadá? Todos eles, segundo um novo documento divulgado pelo site Wikileaks, podem colocar em risco a segurança dos Estados Unidos. Em um telegrama do Departamento de Estado, enviado em fevereiro de 2009 às representações diplomáticas americanas em todo o mundo, são listados centenas de instalações, empresas e locais “sensíveis” em diversos países, “cuja perda afetaria de maneira significativa a saúde pública, a segurança econômica e a segurança nacional dos EUA”. É potencialmente a revelação mais perigosa e controversa feita pelo site até agora.

A nova revelação coloca em questão, mais uma vez, a conveniência da divulgação de dados que podem, colocar em risco não só a população americana, mas dos outros países citados no documento. Para o Pentágono, isso mostra mais uma vez como os documentos “roubados” pelo site do australiano Julian Assange podem prejudicar os EUA ao dar informações preciosas aos países adversários. “Essa é uma das muitas razões pelas quais acreditamos que as ações do Wikileaks são irresponsáveis e perigosas”, disse o porta-voz do Pentágono David Lapan ontem. A secretária de Segurança Doméstica americana, Janet Napolitano, disse condenar “nos termos mais fortes possíveis, a divulgação deliberada e não autorizada de informação que pode colocar indivíduos e organizações em perigo”. Ela não comentou sobre a autenticidade do texto.
No telegrama classificado como “secreto”, a secretária de Estado, o porta-voz do Pentágono David Lapan pede aos diplomatas americanos que atualizem a lista de lugares e empresas que, se “destruídas, atrapalhadas ou exploradas podem ter um efeito imediato e deletério nos EUA”. Em anexo, enviou os pontos elencados em 2008, mas deixou claro ao corpo diplomático que nenhum deles deveria ser discutido com os governos locais.

Os pontos sensíveis incluem áreas de agricultura e alimentos, energia, saúde, comunicações e de serviços de emergência, além de componentes de sistemas fincanceiros e de transportes, e as indústrias de defesa e nuclear. Também figuram locais como barragens, monumentos nacionais e instalações do governo de outros países. O nível de ameaça varia com a “distância” do alvo em potencial de Washington. De acordo com o próprio comunicado, existem três grupos: o que tem ligações físicas e diretas com o território americano, o que está localizado predominantemente no exterior, e o que faz parte da cadeia de suprimento para os EUA (veja quadro).

Entre eles, estão instalações como o porto de Ningbo, no Sudeste da China, o quinto maior do mundo por toneladas de carga, um gasoduto na Sibéria, considerado “o mais sensível do mundo”, e a usina hidrelétrica Hydro Quebec, no Canadá, que é uma fonte de energia “insubstituível” para a Região Nordeste dos EUA. No Brasil, preocupam Washington os cabos submarinos de telecomunicações Americas-2 e GlobeNet, em Fortaleza (CE) e no Rio de Janeiro, a mina de manganês e minério de ferro da Rio Tinto e a mina de nióbio em Araxá (MG) – que concentra cerca de 75% de toda a produção mundial – e em Catalão (GO). Na Ásia, na África, na Europa e no Oriente Médio, a atenção está voltada desde empresas farmacêuticas que produzem vacinas e medicamentos consumidos nos EUA a locais de extração de minerais raros.

DEPENDÊNCIA

Para o vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Marcos de Azambuja, secretário-geral do Itamaraty no governo Collor, a divulgação desse telegrama, especificamente, evidencia duas questões: a primeira sobre a grande dependência dos EUA de outros países, e sobre a fragilidade de sua segurança. “Essa é uma indicação de como os EUA são vulneráveis a uma série de instalações fora do seu território, e de como o mundo é interdependente. Mas agora estamos diante de um mudança de paradigma, em que é preciso encontrar uma maneira de salvaguardar as informações”, disse Azambuja.

O especialista acredita que a divulgação dessa lista pelo WikiLeaks afeta sim ainda mais a segurança dos Estados Unidos, bem como dos países que estão citados – apesar de em uma intensidade menor. “O primeiro prejudicado são os EUA. Se eu fosse um terrorista, essas informações seriam muito úteis para mim, pois dão um mapa da mina. Se eu sei tudo o que os EUA não podem perder, fica fácil agir”, afirma. O legislador britânico Malcolm Rifkind, que já foi secretário de Defesa e Relações Exteriores, por sua vez, acredita que a ação do site pode prejudicar muito as nações envolvidas. “É mais uma evidencia de que o WikiLeaks tem sido muito irresponsável”, disse ao jornal britânico The Times, acrescentando que a sua atividade “beira a criminalidade”. Para o especialista Ray Walser, da Fundação Heritage, no entanto, o vazamento atual “não traz nada de novo” para quem já está envolvido com planos terroristas.

PONTOS CRÍTICOS
Os locais e instalações listados pelo governo americano estão divididos em três categorias, com base no grau de ameaça
Possuem ligação física direta com os EUA
Oleodutos e gasodutos, cabos submarinos de telecomunicações e bens localizados muito próximos à fronteira com os EUA, e cuja destruição poderia  causar consequências ao país, como barragens e instalações químicas.
Bens e serviços estratégicos
Reservas minerais ou produtos químicos essenciais para a indústria dos EUA; produtos essenciais fabricados em apenas um ou em um número reduzido de países; terminais de telecomunicações cuja destruição poderia prejudicar seriamente as comunicações globais.
Gargalos da cadeia de suprimentos
Vias de navegação como o Estreito de Ormuz, por onde escoa o petróleo extraído na região do Golfo Pérsico, ou o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico através do istmo centro-americano; portos ou linhas de navegação essenciais para o fornecimento global de mercadorias.

PS- Recomendamos, muito, que voce leia tambem os importantes  comentários que recebemos. Para isto basta clicar no “balão”  no lado direito do cabeçalho, que tem em seu interior um número.

Comentários
  1. Eugênio diz:

    Brasil insiste em desconhecer a riqueza estratégica do nióbio
    http://www.defesabr.com/blog/index.php/18/07/2011/brasil-insiste-em-desconhecer-a-riqueza-estrategica-do-niobio/

    CRIME DE LESA-PÁTRIA: A QUESTÃO DO NIÓBIO BRASILEIRO
    http://industriadoholocausto.wordpress.com/2011/06/07/201-2/

    MAIOR RESERVA DE NIÓBIO DO PLANETA – MORRO DOS SEIS LAGOS (São Gabriel da Cachoeira na Cabeça do cachorro, norte da Amazônia)
    http://www.raizdavida.com.br/site/portugues/amazonia-patrimonio-do-povo-brasileiro/

    Nióbio, riqueza desprezada pelo Brasil
    http://www.brasilnacao.com/index.php?option=com_content&view=article&id=7:stick-to-the-code&catid=1:latest-news

    PRÁ ONDE VAI O NIÓBIO? E A QUE CUSTO
    http://blogdaunr.blogspot.com/2011/06/pra-onde-vai-o-niobio-e-que-custo.html

    Usos e usuários finais de nióbio
    http://www.defesanet.com.br/tecno/niobio1.htm

    19/08/2008: Maior mina de tântalo do mundo fica na Amazônia
    http://pib.socioambiental.org/pt/en/noticias?id=59582&id_pov=299

    04/10/2008: A questão do nióbio e a reserva Raposa do Sol
    http://jorgeroriz.wordpress.com/a-questao-do-niobio/

    – – – – –

    Dependência ‘vital’ de nióbio é causa de preocupação de Washington

    A grande dependência do nióbio brasileiro deve explicar, segundo especialistas, a preocupação do governo dos Estados Unidos com relação à segurança das minas do País. O Brasil detém 98% das reservas e 91% da produção mundial do minério, usado para a fabricação de aços especiais.

    Os Estados Unidos não produzem o minério.

    Relatório anual do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) aponta que o Brasil tem reservas de 2,9 milhões de toneladas de nióbio, com uma produção acumulada de 57 mil toneladas em 2009. O País foi responsável, no ano passado, por 87% das importações americanas do mineral.

    O Nióbio é elemento importante para turbinas de aviação. Cada turbina CFM56 emprega cerca de 300kg de Nióbio.

    O documento indica que a maior economia do mundo continuará dependente do nióbio brasileiro.

    “As reservas domésticas (dos Estados Unidos) de nióbio têm baixa qualidade, algumas complexas do ponto de vista geológico, e muitas não são comercialmente recuperáveis”, diz o texto, publicado em janeiro. Segunda maior reserva, o Canadá é responsável por apenas 7% da produção mundial.

    Procuradas pelo Estado, as empresas responsáveis pelas minas citadas no documento divulgado pela WikiLeaks não se pronunciaram sobre o assunto. A CBMM, do grupo Moreira Salles, e a Anglo American são as duas grandes produtoras de nióbio no País, operadoras das minas de Araxá e de Goiás, respectivamente.

    O Brasil é também um grande produtor de manganês, o que explica a inclusão do produto na lista dos ativos brasileiros importantes. Segundo documento da USGS referente a esse mineral, o Brasil teve a quarta maior produção em 2009, ano em que foi responsável por 5% das importações americanas da commodity. Os Estados Unidos não produzem manganês desde a década de 70, também por causa da baixa qualidade das jazidas domésticas.

    A lista divulgada pela WikiLeaks inclui a produção de minério de ferro pela “mina Rio Tinto”, que não tem mais ativos brasileiros nesse segmento. A companhia operava uma mina em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, que foi vendida à Vale do Rio Doce do ano passado. Nenhuma das empresas comentou a inclusão do projeto na lista.

    Fonte: Estadão

    • Estou lendo atentamente as suas indicações. Tenho encontrado muitas referencias de divergências de posição politica. Mas a grandesa dos interesses maiores, sempre presentes, apequena o debate ideológico. Precisamos ser maiores que isto.
      Abraço fraterno,

  2. Eugênio diz:

    O OVO DA SERPENTE

    Por volta de 1896, os judeus, que se encontravam espalhados pelo mundo desde a diáspora de 70 d.C., viram publicar na Inglaterra um livro que iria mudar para sempre sua história : “O Estado Judeu”, do jornalista Theodor Herzl, trazendo como proposta a criação de um lar nacional judeu.

    O primeiro passo foi a estruturação, na década de 20, do movimento sionista, que tinha como propósito a materialização da proposta de Herzl. Lideranças judias conclamaram a seus pares espalhados pelo mundo que comprassem lotes, áreas e terras na região da antiga palestina, onde viviam aqueles descendentes dos hebreus que não participaram da diáspora. Em 1948, conseguiram com que o Estado de Israel fosse criado sob a chancela e os auspícios da Assembléia Geral da ONU.

    Como mais um caso de influência, que poderá virar um autêntico “Ovo da Serpente”, em novembro de 2001, Pascal Boniface, um obscuro membro do Comitê Consultivo para o Desarmamento, junto ao secretário-geral da ONU, escreveu e publicou o livro “As Guerras do Amanhã” (Les Guerres de Demain).

    Boniface visualiza uma invasão da Amazônia por uma coligação internacional, entre possíveis cenários de guerras do século XXI. O modelo dessa guerra contra o Brasil seria como o da ação da OTAN contra a Sérvia em Kosovo.

    Ele alega que, se o princípio sacrossanto da soberania nacional foi removido em Kosovo para salvar alguns milhares de pessoas, por que não seria removido se chegarmos à conclusão de que salvar a Amazônia é salvar a Humanidade ? Nesse cenário, por volta de 2025, o ar estaria mais saturado do que hoje, as temperaturas mais elevadas e a água mais escassa.

    Esta hipótese de guerra aberta contra o Brasil poderá ser usada por muitos cobiçosos para catequizar parte da humanidade, incutindo-lhe uma “compreensão” de que uma Guerra Santa contra o Brasil pela posse da Amazônia será inevitável e desejável.

    Seus heróis invasores estarão defendendo até mesmo a futura sobrevivência da espécie humana, com fé na afirmação de que a Amazônia é “o pulmão do mundo” e deverá mudar para melhores mãos, só que para as conhecidas mãos disfarçadas e gananciosas.

    http://www.defesabr.com/MD/md_amazonia.htm#Niobio

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