Arquivo de 20/08/2011

As autoridades reguladoras norte-americanas fecharam nesta quinta-feira (18) três bancos nos estados da Flórida, Geórgia e Illinois, o que fez chegar a 68 o número de entidades bancárias declaradas em falência este ano.

A Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês) interveio nesta sexta-feira (19/08) no Lydian Private Bank, com sede em Palm Beach, Flórida, que tinha US$ 1,7 bilhão em ativos e US$ 1,24 bilhão em depósitos, informou em comunicado.

Também foram fechadas outras duas instituições menores: First Southern National Bank, de Statesboro (Geórgia), com US$ 164,6 milhões em ativos e US$ 159,7 milhões em depósitos, e o First Choice Bank, em Geneva, (Illinois), que possuía US$ 141 milhões em ativos e US$ 137,2 milhões em depósitos.

Segundo o canal MSNBC, em 2008, ano no qual a crise financeira atingiu de fato os Estados Unidos, foi decretada a falência de 25 bancos, frente aos três do ano anterior. O ritmo de fechamentos diminuiu em 2011, segundo indicou a emissora, mas no ano anterior havia sido declarada a falência de 118 bancos. Entre 2008 e 2010, as quebras bancárias tiveram um custo de US$ 76,8 milhões à FDIC.

Fonte: EFE

Escrito por LAMPARINA

Como o meu tempo está muito pouco, eu gostaria de escrever hoje sobre muitos assuntos importantes, assuntos estes que, eu tenha total isenção em discorrer, pois não tenho minha vaca amarrada no pasto de ninguém.

          Começarei então com a eleição interna no PT local, que novamente conduziu o professor Quincas Martins (esclarecendo, que não é meu parente, diga-se de passagem) à presidência. Espero que agora se obtenha a tão sonhada paz interna e, o PT possa liderar de fato uma oposição e se comece a pensar num caminho alternativo para nossa cidade, juntando a experiência militante dos mais velhos, com as novas lideranças que estão surgindo dentro do PT e possíveis aliados. Tá difícil, mas não impossível.

          O caminho principal passa pela conscientização das lideranças de que o PT é o Partido dos Trabalhadores e precisa colocar isto em prática. Precisa chegar onde o trabalhador está e mobilizá-lo, politizá-lo de forma a despertar neste indivíduo uma consciência política e social que o leve a entender os meandros implícitos do universo político que o rodeia. Senão, Votuporanga continuará sendo o único lugar do Brasil, onde operários estão filiados (de carteirinha emplumada e tudo) em partidos elitistas que não representam os interesses dos trabalhadores, servindo assim de instrumento de manobra para defender com unhas e dentes os interesses dos patrões. O resultado nefasto desta relação unilateral de poder são os baixíssimos salários praticados por aqui e a tentativa da elite dominante de repassar as responsabilidades sociais – que deveriam permear suas ações -, para o setor público.

          Um bate-pau desta elite dominante, dia desses, chegou a afirmar num dos seus espasmos intelectuais advindos de um colérico piriri intestinal, na sua coluna do PIG de sábado, que os salários aqui são baixos, mas à culpa é das políticas salariais do governo federal. Ora senhor articulista, mas o teto salarial mínimo é para garantir que ninguém pratique um salário menor do que o mínimo, não estabelece que o teto mínimo tenha que se manter obrigatoriamente dentro do mínimo, tendo o empregador a liberdade de valorizar o seu empregado, pagando-lhe um salário que atenda as suas necessidades básicas.

          Mas, como aqui trabalhador está servindo de escudo para defender interesses do patrão e não os seus próprios, os salários permanecem rigorosamente dentro do teto do mínimo possível, sem nenhuma perspectiva de valorização voluntária.  Os patrões estão organizados em sólidas associações de interesses comuns e usando o dinheiro que deveria remunerar melhor os seus funcionários, para pagar campanha de deputado, que fez campanha a bordo de jatinho particular dos solidários confrades e com estrutura de campanha para governador de estado, gastando milhões para se eleger e defender os interesses daqueles que financiaram sua campanha. Os trabalhadores continuam sendo enganados por falsas lideranças políticas e sindicais, a soldo dos patrões, e por partidos políticos omissos que não exercem verdadeira liderança e mobilização, permitindo assim o domínio fácil dos que operam esta engenhoca, onde a matéria-prima que alimenta esta relação está sendo degomada do suor do trabalhador.

         Na contramão do interesse público, usam e abusam do poder obtido pela alienação da maioria, fabricando lideranças e elegendo mandatários sem nenhuma condição de mando, homens que se travestem de reputação ilibada, mas nas suas ações, não se norteiam pelo ético e moral, só visando perpetuarem-se neste insano ciclo vicioso de poder. A má utilização dos recursos públicos é a marca registrada desta gente. Basta fazer pequenas comparações e chegaremos fácil nesta constatação, pois suas ações não visam impactar diretamente aqueles que mais precisam das políticas públicas, mas sim favorecer, direta e indiretamente os confrades, além da clara tentativa de entronizar seus idealizadores nos anais da história local. É só passar pela Rua Amazonas e teremos esta constatação.

          Eu gostaria também de “passar um pente” no cenário nacional e falar das lambanças da turma do Vardemá (deputado Valdemar da Costa Neto, dono do PR) no DENIT, justo num órgão com tantas necessidades e com tanto ainda por fazer, num país de dimensões continentais e que ainda convive com problemas estruturais inaceitáveis, como à falta de uma ponte que ligue os estados de Rondônia e Acre, ficando esta importante ligação interestadual à mercê de balsas para a travessia do Rio Madeira. Eu estou trabalhando na região e tem dias em que esta travessia se torna uma tortura, podendo passar até um dia inteiro na fila para se fazer esta travessia, o que está causando desabastecimento no estado do Acre.

          E as lambanças se multiplicam com a turma do ministro da agricultura Wagner Rossi na CONAB, onde, em pronunciamento na tribuna do Senado, um dos líderes peemedebista, o senador Valdir Raupp, declarou que se a CONAB fosse extinta ninguém sentiria falta. Fica claro que naquele mato tem coelho e que o ministro deverá mesmo engrossar a fila do desemprego.

          O pobre do Doutor Tancredo, ora habitante de Atlântida e sob os desígnios de Posseidon, nem poderia imaginar no que se transformaria o seu MDB ético e democrático do passado. Uma matilha de cães ferozes e escarnecedores, ávidos por poder e por picaretagem.

          A Presidenta Dilma, alavancada pela comprovação da sua popularidade no exercício do mandato e pelo seu histórico político invejável, precisa implementar de fato uma faxina mais ampla e a população precisa ser mais atuante, cobrando com veemência as responsabilidades dos seus administradores.

          Nossa vizinha São José do Rio Preto está dando mostras do seu amadurecimento político e tenho acompanhado – vibrante -, os desdobramentos do caso da votação pelo legislativo do polêmico projeto de ampliação dos cargos em comissão, sonhando com o dia em que aqui teremos também este engajamento e esta conscientização política, pois o “modus operandi” aqui é aglutinar interesses e fortalecer a elite para massacrar e escravizar o trabalhador, no que esta estratégia tem sido coberta de muito êxito.

          É preciso romper este ciclo alicerçado na canga e no chicote para que tenhamos uma sociedade mais diversificada e plena, que respeite os verdadeiros ideais de sociedade, pois esta conversa fiada de que a união das forças políticas locais nos tem conduzido as grandes vitórias, é uma balela que não convence mais ninguém, pois as vitórias de fato estão sendo empreendidas apenas por aquela meia-dúzia que está no controle da situação, basta observar o progresso que estão tendo a olhos vistos, enquanto patinamos na nossa labuta diária de trabalhador honesto e honrado. Trabalhador não pode passar procuração para que alguém que não saiba segurar a marmita numa das mãos enquanto se deleita com as sobras da noite anterior, possa representá-lo incondicionalmente. É preciso estar sempre mobilizado e sempre na busca pelos nossos direitos.

          “Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões”. Este grito de protesto do Manifesto Comunista de Karl Marx, apesar de secular, continua tão verdadeiro e justo como no frescor da sua divulgação em 1848.

 

Ps: O parágrafo que está com fundo amarelo já fazia parte do texto, que foi escrito hoje enquanto eu almoçava e depois, roletando pela internet, tomei conhecimento das notícias da demissão do Rossi. Decidi manter o texto em sua íntegra para marcar meu apadrinhamento divinizado pelo grande Pai Florêncio. Mas, o ministro já foi tarde.

O thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo (o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo. Todos, não só os jovens agitadores, devem ser responsabilizados. O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.

O artigo é de David Harvey.

David Harvey “Adolescentes niilistas e bestiais”. Foi como o Daily Mail os apresentou: os jovens enlouquecidos, vindos de todas as vias da vida, que correram pelas ruas sem pensar, atirando desesperadamente tijolos, pedras e garrafas contra os polícias, saqueando aqui, incendiando ali, levando as autoridades a uma também enlouquecida caçada de salve-se quem puder/agarre o que conseguir, enquanto os jovens iam alterando os seus alvos estratégicos, saltando de um para outro.
A palavra “bestial” saltou-me à vista. Lembrou-me que os communards em Paris em 1871 foram mostrados como animais selvagens, como hienas, que mereciam ser (como foram, em vários casos) sumariamente executados, em nome da santidade da propriedade privada, da moralidade, da religião e da família. Mas em seguida a palavra trouxe-me outra associação: Tony Blair atacando os “média bestiais”, depois de ter vivido durante tanto tempo confortavelmente alojado no bolso esquerdo de Rupert Murdoch, até que Murdoch meteu a mão no bolso direito e de lá tirou David Cameron.
Evidentemente haverá o debate histérico de sempre entre os sempre prontos a ver a agitação das ruas como questão de pura, simples e imperdoável criminalidade, e os ansiosos por contextualizar eventos em termos de polícia incompetente; de eterno racismo e injustificada perseguição aos jovens e às minorias; de desemprego em massa entre os jovens; de pauperização incontrolável da sociedade; de uma política autista de austeridade que nada tem a ver com a economia e tudo tem a ver com a perpetuação e a consolidação da riqueza e do poder individuais. Haverá até quem condene o sem sentido e a alienação de tantos trabalhos e empregos e tal desperdício da vida de todos os dias, de tão imenso, mas desigualmente distribuído, potencial para o florescimento humano.
Se tivermos sorte, haverá comissões e relatórios que dirão tudo, outra vez, que já foi dito sobre Brixton e Toxteth nos anos Thatcher. Digo “sorte”, porque os instintos bestiais do atual primeiro-ministro parecem tender mais a mandar usar canhões de água, a convocar a brigada do gás lacrimogêneo e a usar balas revestidas de borracha, ao mesmo tempo em que ele untuosamente pontifica sobre a perda da bússola moral, o declínio da civilidade e a triste deterioração dos valores da família e da disciplina entre os jovens sem lar.
Mas o problema é que vivemos em sociedade na qual o próprio capitalismo se tornou desenfreadamente fera. Políticos-feras mentem nos gastos, banqueiros-feras assaltam a bolsa pública até ao último vintém, altos executivos, operadores de hedge fundse génios do lucro privado saqueiam o mundo dos ricos, empresas de telemóveis e cartões de crédito cobram misteriosas tarifas nas contas de todos, empresas de retalho aumentam os preços, por baixo do chapéu artistas vigaristas e golpistas aplicam os seus golpes até entre os mais altos escalões do mundo corporativo e político.
Uma economia política de saqueio das massas, de práticas predatórias que chegam ao assalto à luz do dia, sempre contra os mais pobres e vulneráveis, os simples e desprotegidos pela lei – isso é hoje a ordem do dia. Alguém ainda crê que seja possível encontrar um capitalista honesto, um banqueiro honesto, um político honesto, um comerciante honesto ou um delegado de polícia honesto? Sim, existem. Mas só como minoria, que todos os demais consideram idiotas. Seja esperto. Passe a mão no lucro fácil. Fraude, roube! A probabilidade de ser apanhado é baixa. E em qualquer caso, há muitos meios para proteger a fortuna pessoal e impedir que seja tocada pelos golpes das corporações.
Tudo isso, dito assim, talvez choque. Muitos de nós não vemos, porque não queremos ver. Claro que nenhum político se atreve a dizer estas coisas e a imprensa só publicaria, se algum dia publicasse, para escarnecer de quem dissesse. Mas acho que todos os que correm pelas ruas agitando a cidade sabem exatamente a que me refiro. Estão fazendo o que todos fazem, embora de modo diferente – mais flagrante, mais visível, nas ruas. O thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo (o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo.
Essa é a nova normalidade sob a qual vivemos. Isso deveria preocupar o presidente do inquérito que rapidamente será nomeado. Todos, não só os jovens agitadores, devem ser responsabilizados. O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.
Infelizmente, isso é o que os agitadores nem vêem nem exigem. Tudo conspira para nos impedir de ver ou exigir exactamente isso. Por isso o poder político tão facilmente se traveste na roupagem da moralidade e de uma razão repugnante, de modo que ninguém veja a corrupção nua e a irracional estupidez.
Mas há réstias de esperança e luz em todo o mundo. O movimento dos indignados na Espanha e na Grécia, os impulsos revolucionários na América Latina, os movimentos camponeses na Ásia, todos esses começam a ver através da imundície que o capitalismo global, predatório, bestial lançou sobre o mundo. O que ainda falta para que todos vejamos e comecemos a agir? Como se poderá começar tudo outra vez? Que rumo tomar? As respostas não são fáceis. Mas uma coisa já se sabe: só chegaremos às respostas certas, se fizermos as perguntas certas.

(*) Geógrafo, professor emérito do Graduate Center da City University of New York.

(**) Artigo publicado em Counterpunch e disponível também em davidharvey.org, traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu.

in Carta maior