“A ocupação da área cumpriu o objetivo de pautar o debate sobre o uso de terras públicas para fins privados e denunciar os crimes cometidos pela Cutrale “

Da Página do MST
Os 400 trabalhadores Sem Terra, que ocupam área da União invadida pela Cutrale desde segunda-feira, começam a sair ao meio-dia da fazenda, que fica no município de Iaras, no interior de São Paulo.

“A ocupação da área cumpriu o objetivo de pautar o debate sobre o uso de terras públicas para fins privados e denunciar os crimes cometidos pela Cutrale “, afirma Judite Santos, da Coordenação Estadual do MST.

“Conseguimos denunciar também que o suco de laranja da Cutrale é vendido em uma caixinha bonita para os ricos, mas é produzido com base na utilização exagerada de agrotóxicos”, pontua.

Os Sem Terra fazem uma marcha no centro do município de Bauru e participam de uma audiência pública na Câmara Municipal, às 14h, sobre a grilagem de terras e a necessidade da realização da Reforma Agrária na região.

Participam da audiência um representante da superintendência nacional do Incra, o deputado estadual Simão Pedro (PT-SP), o bispo da Diocese de Presidente Prudente, Dom José de Aquino, o integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Jorge Soriano Moura, e dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Conlutas.

O ato de encerramento da jornada de lutas na região pela retomada das terras griladas acontece às 16h, em frente à Câmara Municipal de Bauru, com a participação de diversas entidades da sociedade civil que apóiam a retomada das terras públicas usurpadas pela Cutrale.

“A luta pela retomada das terras públicas vai continuar até que todas elas se transformem assentamentos para trabalhadores rurais sem terra”, projeta Judite.

Segundo ela, as próximas ações do Movimento serão definidas a partir dos elementos que serão apresentados na audiência pública, especialmente o posicionamento do Incra sobre as perspectivas da retomada da área.

Nos cinco dias de ocupação, os Sem Terra construíram uma relação cordial com os caseiros que moram na fazenda. “Fizemos uma boa relação com os caseiros e doamos de alimentos produzidos nas áreas da Reforma Agrária”, destaca Judite.

No período, o protesto paralisou a produção da Cutrale e liberou os trabalhadores das suas atividades, assim como acontece nas greves por aumento de salários e melhores condições de vida em qualquer fábrica.

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Comentários
  1. Eugênio diz:

    Ainda bem que eu não participo de manifestações do MST, eu estou vivo por isso, eu estou solto e liberto por isso. Esse MST é muito fraquinho. Que os Movimentos dos Estudantes do Chile que sirva de exemplo ao MST. Que o Movimento das Margaridas sejam um exemplo ao MST.

    Fogo em PNEUS em TODAS as RODOVIAS braZileiras TODOS os DIAS, é falta de PNEU para atear FOGO?????

    Engraçado… Eu não vejo uma ONG estrangeira ao lado do MST…

    Engraçado… Eu não vejo uma manifestação da Madame Rousseff em favor do MST…

    Engraçado… Eu não vejo um discurso da ELITE PETISTAS SEGREGADORA de São Paulo a favor do MST…

    – – – – –

    Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida.

    É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio.

    Não é cova grande, é cova medida, é a terra que querias ver dividida.

    É uma cova grande para teu pouco defunto, mas estarás mais ancho que estavas no mundo.

    É uma cova grande para teu defunto parco, porém mais que no mundo te sentirás largo.

    É uma cova grande para tua carne pouca, mas a terra dada não se abre a boca.

    Viverás, e para sempre na terra que aqui aforas: e terás enfim tua roça.

    Aí ficarás para sempre, livre do sol e da chuva, criando tuas saúvas.

    Agora trabalharás só para ti, não a meias, como antes em terra alheia.

    Trabalharás uma terra da qual, além de senhor, serás homem de eito e trator.

    Trabalhando nessa terra, tu sozinho tudo empreitas: Serás semente, adubo, colheita.

    Trabalharás numa terra que também te abriga e te veste: Embora com o brim do Nordeste.

    Será de terra tua derradeira camisa: Te veste, como nunca em vida.

    Será de terra e tua melhor camisa: Te veste, e ninguém cobiça.

    Terás de terra completo agora o teu fato: E pela primeira vez, sapato.

    Como és homem, a terra te dará chapéu: Fosses mulher, xale ou véu.

    Tua roupa melhor será de terra e não de fazenda: Não se rasga nem se remenda.

    Tua roupa melhor e te ficará bem cingida: Como roupa feita à medida.

    Esse chão te é bem conhecido (bebeu teu suor vendido).

    Esse chão te é bem conhecido (bebeu o moço antigo).

    Esse chão te é bem conhecido (bebeu tua força de marido).

    Desse chão és bem conhecido (através de parentes e amigos).

    Desse chão és bem conhecido (vive com tua mulher, teus filhos).

    Desse chão és bem conhecido (te espera de recém-nascido).

    Não tens mais força contigo: Deixa-te semear ao comprido.

    Já não levas semente viva: Teu corpo é a própria maniva.

    Não levas rebolo de cana: És o rebolo, e não de caiana.

    Não levas semente na mão: És agora o próprio grão.

    Já não tens força na perna: Deixa-te semear na coveta.

    Já não tens força na mão: Deixa-te semear no leirão.

    Dentro da rede não vinha nada, só tua espiga debulhada.

    Dentro da rede vinha tudo, só tua espiga no sabugo.

    Dentro da rede coisa vasqueira, só a maçaroca banguela.

    Dentro da rede coisa pouca, tua vida que deu sem soca.

    Na mão direita um rosário, milho negro e ressecado.

    Na mão direita somente o rosário, seca semente.

    Na mão direita, de cinza, o rosário, semente maninha.

    Na mão direita o rosário, semente inerte e sem salto.

    Despido vieste no caixão, despido também se enterra o grão.

    De tanto te despiu a privação que escapou de teu peito à viração.

    Tanta coisa despiste em vida que fugiu de teu peito a brisa.

    E agora, se abre o chão e te abriga, lençol que não tiveste em vida.

    Se abre o chão e te fecha, dando-te agora cama e coberta.

    Se abre o chão e te envolve, como mulher com que se dorme.

    – – – – –

    MORTE E VIDA SEVERINA – é a parte que te cabe nesse latifúndio (1981)

  2. Eugênio diz:

    O meu nome é Severino, como não tenho outro de pia.

    Como há muitos Severinos, que é santo de romaria, deram então de me chamar Severino de

    Maria.

    Como há muitos Severinos com mães chamadas Maria, fiquei sendo o da Maria do finado Zacarias.

    Mais isso ainda diz pouco: há muitos na freguesia, por causa de um coronel que se chamou

    Zacarias e que foi o mais antigo senhor desta sesmaria.

    Como então dizer quem falo ora a Vossas Senhorias? Vejamos: é o Severino da Maria do

    Zacarias, lá da serra da Costela, limites da Paraíba.

    Mas isso ainda diz pouco: se ao menos mais cinco havia com nome de Severino filhos de tantas

    Marias mulheres de outros tantos, já finados Zacarias, vivendo na mesma serra magra e ossuda

    em que eu vivia.

    Somos muitos Severinos iguais em tudo na vida:

    na mesma cabeça grande que a custo é que se equilibra,

    no mesmo ventre crescido sobre as mesmas pernas finas

    e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta.

    E se somos Severinos iguais em tudo na vida, morremos de morte igual, mesma morte severina:

    que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta,

    de emboscada antes dos vinte,

    de fome um pouco por dia,

    de fraqueza

    e de doença, é que a morte severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida.

    Somos muitos Severinos iguais em tudo e na sina:

    a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima,

    a de tentar despertar terra sempre mais extinta,

    a de querer arrancar alguns roçado da cinza.

    Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias e melhor possam seguir a história de

    minha vida, passo a ser o Severino que em vossa presença emigra.

    (Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto, “o Grande”)

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