Arquivo de 20/12/2011

Dilma disse que o Brasil com o qual todos sonham vai precisar cada vez mais das Forças Armadas, e elas precisam estar equipadas e qualificadas para que consigam cumprir as funções que forem necessárias. Ela afirmou que, para um país que quer ter a dimensão internacional que o país pretende, deve ter um exemplo de capacidade e competência nas Forças Armadas.

A presidente reiterou que uma boa política de defesa é importante e essencial para o desenvolvimento econômico de um país, além de colaborar para uma política externa soberana. Dilma acrescentou ainda que para se construir uma grande nação é primordial ter capacidade de defender seus próprios interesses pelos mais diversos meios. O anúncio de mais investimentos nas Forças Armadas aconteceu durante solenidade que apresentou oficiais-generais recém-promovidos.

Outro objetivo que a presidente pretende alcançar é integrar ainda mais as três Forças, fazendo com que o Ministério da Defesa funcione como articulador institucional. Ela também voltou a falar sobre investimentos para aumentar a indústria nacional de defesa, produzindo tecnologias próprias. Esse assunto já havia sido debatido na semana passada, quando Dilma se reuniu com o primeiro-ministro da França, François Fillon. A França é um dos principais parceiros estratégicos do Brasil na questão da defesa, com contratos que envolvem construção de helicópteros e submarinos.

Saiu na Folha (*) artigo de Vladimir Safatle:

O inimigo da moral

O maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade.

O primeiro atributo dos julgamentos morais é a universalidade. Pois espera-se de tais julgamentos que sejam simétricos, que tratem casos semelhantes de forma equivalente. Quando tal simetria se quebra, então os gritos moralizadores começam a soar como astúcia estratégica submetida à lógica do “para os amigos, tudo, para os inimigos, a lei”.

Devemos ter isso em mente quando a questão é pensar as relações entre moral e política no Brasil. Muitas vezes, a imprensa desempenhou um papel importante na revelação de práticas de corrupção arraigadas em vários estratos dos governos. No entanto houve momentos em que seu silêncio foi inaceitável.

Por exemplo, no auge do dito caso do mensalão, descobriu-se que o esquema de corrupção que gerou o escândalo fora montado pelo presidente do maior partido de oposição. Esquema criado não só para financiar sua campanha como senador mas (como o próprio afirmou em entrevista à Folha) também para arrecadar fundos para a campanha presidencial de seu candidato.

Em qualquer lugar do mundo, uma informação dessa natureza seria uma notícia espetacular. No Brasil, alguns importantes veículos da imprensa simplesmente omitiram essa informação a seus leitores durante meses.

Outro exemplo ilustrativo acontece com o metrô de São Paulo. Não bastasse ser uma obra construída a passos inacreditavelmente lentos, marcada por adiamentos reiterados, com direito a acidentes mortais resultantes de parcerias público-privadas lesivas aos interesses públicos, temos um histórico de denúncias de corrupção (caso Alstom), licitações forjadas e afastamento de seu presidente pela Justiça, que justificariam que nossos melhores jornalistas investigativos se voltassem ao subsolo de São Paulo.

Agora volta a discussão sobre o processo de privatização do governo FHC. Na época, as denúncias de malversações se avolumaram, algumas apresentadas por esta Folha. Mas vimos um festival de “engavetamento” de pedidos de investigação pela Procuradoria-Geral da União, assim como CPIs abortadas por manobras regimentais ou sufocadas em seu nascedouro. Ou seja, nada foi, de fato, investigado.

O povo brasileiro tem o direito de saber o que realmente aconteceu na venda de algumas de suas empresas mais importantes. Não é mais possível vermos essa situação na qual uma exigência de investigação concreta de corrupção é imediatamente vista por alguns como expressão de interesses partidários. O Brasil será melhor quando o ímpeto investigativo atingir a todos de maneira simétrica.

Navalha

O artigo começa assim:

“O maior inimigo da moralidade não é a imoralidade, mas a parcialidade”.

E trata do silêncio da imprensa, aqui conhecida como PiG (**).

Por exemplo, diante do fato de a origem do mensalão ser Minas, promovido pelo presidente do PSDB, o honorável Eduardo Azeredo, associado a Marcos Valeriodantas.

Azeredo levantava dinheiro – lembra Safatle – para sua própria campanha e para a do Padim Pade Cerra.

Porém, é melhor ler o Safatle.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

O primo mais esperto de José Serra, capítulo 8 de A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr., publicado com autorização da Geração Editorial

O primo mais esperto de José Serra
O perdão de uma dívida milionária no Banco do Brasil.
E o apoio do BB para estrear na privataria
Preciado vai à luta e compra três estatais sob FHC.
Com a bênção de Ricardo Sérgio e o dinheiro da Previ.
Altos negócios com um paraíso natural na Bahia

A trajetória do empresário espanhol naturalizado brasileiro Gregório Marin Preciado, 67 anos, e um exemplo de como laços de família funcionam como chaves para abrir muitas portas, escancarar novas oportunidades e levar vantagem sem fazer muita força. Desde que passou a integrar o clã dos Serra, os horizontes do primo Preciado expandiram‑se consideravelmente.

Casado com uma prima em primeiro grau do ex‑governador de São Paulo, Preciado arrebatou vantagens bancárias distantes das que arrebatariam mortais comuns, brasileiros ou espanhois. Ou você, leitor, obteria, munido somente de sua integridade e seus belos olhos, um abatimento de seu débito com o Banco do Brasil de R$ 448 milhões para irrisórios R$ 4,1 milhões? (30) Uma redução amiga de 109 vezes o valor da pendencia, decididamente, nao e para qualquer bico. Mas para bico de tucano, com certeza e…

A chave mágica gira pela primeira vez para o contraparente de José Serra em 1983. Catapultado pelo apoio do poderoso primo, Preciado toma assento no Conselho de Administracao do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público estadual. O governador era Franco Montoro e Serra, seu secretário de planejamento. Os tucanos ainda nao eram tucanos e abrigavam‑se no ninho do PMDB, de onde logo bateriam asas, acusando a velha legenda de antro de fisiologismo, pecha que a história, essa matrona sarcástica, cobraria do proprio PSDB um pouco adiante. O primo de Serra permanecera no Conselho de 1983 a 1987.

Mas é com os cofres do Banco do Brasil que o primo do peito irá se encontrar. Em agosto de 1993, Preciado toma um emprestimo equivalente a US$ 2,5 milhões na agência Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo (SP). O financiamento, em nome das empresas Gremafer Comercial e Importadora Ltda. e Aceto Vidros e Cristais Ltda.(31) que, na época, tinham vários títulos protestados na praça, demora a ser liberado. Quando ocorre a liberação, as duas empresas de Preciado, atoladas em dívidas, não conseguem pagá‑lo. No ano seguinte, acontece a primeira renegociação. Mas não é honrada. Apenas a Aceto paga uma parcela — referente a outubro de 1994 — do seu débito.

Corre o ano de 1994 e Preciado está mordendo a lona. Já deve aproximadamente R$ 20 milhões, que não pode pagar ao Banco do Brasil. Mas pode doar, por meio das endividadas Gremafer e Aceto, a bolada de R$ 87.442,82 para a campanha do primo Serra ao Senado. O BB ajuda a bancar as investidas empresariais de Preciado e este ajuda a bancar a candidatura do primo. O depósito consta da
prestação de contas do candidato a Justiça Eleitoral.

O tempo passa e o banco público nao vê a cor do seu dinheiro. Enquanto isso, a Gremafer vende R$ 1,7 milhão em imoveis. Mesmo assim, por bizarro que possa parecer, Preciado emplaca um segundo empréstimo no BB. Em novembro de 1995 — com FHC presidente e Serra senador — o inadimplente Preciado extrai não apenas um financiamento de montante ainda superior ao primeiro: US$ 2,8 milhões. De lambuja, uma nova e camarada renegociação permitiu‑lhe abater R$ 17 milhões do passivo anterior! Aliás, depois disso, a Gremafer vendeu mais R$ 2,2 milhões em imóveis. Para o BB rumariam apenas R$ 160 mil.

“Totalmente exótico”, registrou o Ministério Público Federal na ação cautelar de improbidade que moveu contra Preciado e duas dezenas de pessoas físicas e jurídicas em 2004. Mais do que exótico, ilegal. Dirigentes do BB “estão envolvidos num complexo de relações espúrias, mesclando negócios públicos com conexões políticas com altos funcionários do governo”, acentuou a ação. “A renovação sucessiva de operações sem liquidez, com garantias inidôneas e insuficientes, configura ato de improbidade”, agregou.

Perdoado e ainda agraciado com crédito farto, o primo de Serra, novamente… Leia mais >