Arquivo de 23/01/2012

 

O sapo não lava o pé

Não lava porque não quer

Ele mora lá na lagoa

Não lava o pé porque não quer

Mas que chulé!!!

 

Ainda está repercutindo muito nos bairros de Votuporanga a sabatina da Tv Tem com o prefeito Marão Filho.

Mesmo com a tradicional mídia simpática (???) local não dando ênfase à “derrapada” do prefeito, temos que reconhecer o mérito da reportagem, onde nossa população teve direito ao microfone aberto pela grande mídia regional e pode fazer suas críticas diretamente sem precisar de intermediários.

O desempenho inerte e apático do prefeito Marão Filho na entrevista é justificável, pois foi logo após ele ter retornado de um tour pela Europa no gozo das suas merecidas férias. Convenhamos que não seja fácil o sujeito desembarcar de uma Ferrari e subir num Fiat 147 movido a álcool, né???.

Imagine-se você com as imagens das mais belas paisagens européias ainda na cabeça: lembrando dos lugares históricos que você conheceu, dos passeios maravilhosos que você fez, das comidas saborosas que você degustou, dos dias agradáveis e aconchegantes que você passou no inverno europeu e atc… Aí, ainda em êxtase, vem um sujeito (esqueceram de combinar com os russos…) e te bombardeia com perguntas impossíveis de se esquivar: sobre favelas que você não urbanizou, problemas na saúde que você não resolveu, questionando investimentos que você não fez e os que você fez e não surtiram os efeitos desejados, etc… É de largar o sujeito perplexo, o que pelo jeito parece ter acontecido com nosso prefeito. Agora, já novamente aclimatizado à realidade, se fosse comigo eu pediria um chorinho, digo, outra chance.

O prefeito Marão Filho raramente vacila com as palavras, é um sujeito preparado e tranqüilo, preciso em suas falas, mesmo sendo deveras passional (diferente do seu antecessor, que só fala a m… que lhe vem na cabeça), mas naquele dia as palavras não encaixaram, possivelmente pela aflição diante de se combater fatos, que aqui são proibidos de se repercutir, mas estão aí para todo mundo ver. Você pode até impedir que se fale neles com a massificação do marketing ilusório contrário, mas não tem como tapar os olhos de toda uma população que está refém dos seus efeitos (será que o sapo não lava o pé porque não quer???).

Alguns momentos são dignos de reflexão profunda: o cidadão Diégeneo Furtado usou o atenuante de “o pessoal” para dizer que a administração não está usando adequadamente os nossos recursos públicos onde de fato amenize os problemas dos que deles dependem; Jonatas Rodrigo Borges mostrou a realidade da invasão de escorpiões na cidade (coisa que este blogueiro já está cansado de pedir providências); a dona Neuza Correa nos revelou que não tem esgoto no seu barraco (dois pecados numa só fala, o fato de estar morando em uma sub-moradia e – cadê a SAEV Ambiental??? Será que é a mesma autarquia que gasta uma fortuna para se passar por ecologicamente correta???), bem às margens da represa municipal de captação d água.

Mas, o argumento mais simplista e revelador utilizado por um depoente foi o momento em que a reportagem pergunta ao cidadão Edmilson Ferreira o que falta na sua área e ele responde que: “falta tirar a gente daqui. Faz vinte e poucos anos que tem isso aqui e passa um e fala que vai tirar passa outro e fala a mesma coisa, mas não tira…”. Com esta afirmação acordamos do sono eterno, pois descobrimos que aqui também tem demagogo e a politicalha se farta com a necessidade da população, enquanto na outra ponta do novelo investe dinheiro público para fomentar projetos sem urgência e de necessidade bastante discutível.

O flagrante dos problemas na saúde, conferidos in loco pela reportagem, é algo que já nos habituamos a conviver e acabam se tornando insolúveis (como dizem eles para justificar a ingerência – Em outros lugares é pior…), mesmo diante dos muitos investimentos que o prefeito citou.

Na habitação, anoto um pequeno deslize do prefeito (espero que a síndrome de Pinóquio não o acometa) ao dizer que sua administração está priorizando os investimentos no setor e combatendo o déficit, o que já provei no outro post sobre o assunto, ser uma inverdade. Sua administração está investindo mais do que a do seu antecessor (que quase nada fez), mas muito longe de combater de fato o déficit. Outra derrapada do prefeito no assunto habitação foi dizer que teve que privilegiar quem está pagando aluguel. Confesso que àquela fala me soou confusa, pois todos os que se credenciam para receber uma moradia popular, ou pagam aluguel, ou moram de favor com familiares (o que é mais grave do que pagar aluguel, pois gera conflitos intermináveis), ou moram em locais inadequados e de risco (estes sim deveriam ser os privilegiados). Ou, será que não é esta a realidade de Votuporanga???

Na remodelação do transporte urbano nem precisa falar nada, pois o próprio apresentador fez o papel de contestador lúcido nesta remodelação mal sucedida feita pela atual administração, mesmo sem conhecer realmente os verdadeiros pontos negativos dela, também já citados no post anterior.

O prefeito Marão Filho tem se destacado como hábil captador de recursos nas esferas estadual e federal. Tem demonstrado empenho e muitos méritos nesta área. Já nas escolhas e nas aplicações desses recursos, infelizmente, a administração não tem privilegiado de fato quem mais necessitam deles.

É um fato que nada e nem ninguém poderá esconder da nossa população, nem mesmo manobrando esta legião de interesses que estão acoitados dentro da máquina pública municipal para minimizar esta ação.

Diante de tanta perfeição com que apregoam o ilusionismo municipal, a impressão que nos dá é a de que realmente o sapo não lava o pé porque não quer!!!

A reportagem da Tv Tem nos elucidou esta dúvida.

 

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Yahoo! Notícias
Por Bruno Bocchini e Flávia Albuquerque, da Agência Bra
  • Policiais da tropa de choque permanecem na entrada da ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, interior paulista, na manhã desta segunda-feira (23).Ver galeriaPoliciais da tropa de choque permanecem na entrada da ocupação Pinheirinho, em São …

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, disse hoje (23) que houve mortos na operação de reintegração de posse do terreno conhecido como Pinheirinho, na periferia da cidade. De acordo com ele, crianças estão entre as vítimas.

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“O que se viu aqui é a violência do Estado típica do autoritarismo brasileiro, que resolve problemas sociais com a força da polícia. Ou seja, não os resolve. Nós vimos isso o dia inteiro. Há mortes, inclusive de crianças. Nós estamos fazendo um levantamento no Instituto Médico-Legal [IML], e tomando as providências para responsabilizar os governantes que fizeram essa barbárie”, disse, em entrevista à TV Brasil.

Segundo Neto, a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal chegaram a atacar moradores que se refugiavam dentro de uma igreja próxima ao local. “As pessoas estavam alojadas na igreja e várias bombas foram lançadas ali, a esmo”, declarou.

O representante da OAB disse ter ficado surpreso com o aparato de guerra que foi montado em prol de uma propriedade pertencente à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas. “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”.

Desde o início da manhã de ontem (22) , a PM cumpre uma ordem da Justiça Estadual para retirar cerca de 9 mil pessoas que vivem no local há sete anos e 11 meses. O terreno integra a massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas. A Justiça Federal decidiu contra a desocupação do terreno, mas a polícia manteve a reintegração obedecendo ordem da Justiça Estadual.

A moradora Cassia Pereira manifestou sua indignação com a maneira como as famílias foram retiradas de suas casas sem que ao menos pudessem levar seus pertences. “A gente está lutando por moradia. Aqui ninguém quer guerra, ninguém quer briga, a gente quer casa, nossa moradia. Todo mundo tinha suas casas aqui construídas, e tiraram de nós, sem direito a nada. Pegamos só o que dava para carregar na mão”, disse.

O coronel Manoel Messias Melo confirmou que os policiais militares se envolveram em conflitos durante a madrugada, mas negou que a ação foi contra os moradores do Pinheirinho. “Foram vândalos e anônimos que praticaram incêndios na região. Tivemos 14 prisões e algumas apreensões de armas esta noite”, declarou.

“Agora vamos cuidar do patrimônio das pessoas. O oficial de Justiça lacrou [os imóveis] e nós guardamos o imóvel durante a noite. O oficial de justiça vai arrolar os bens. As pessoas receberam um número. Todos os bens serão etiquetados, conduzidos a um caminhão e levados para um depósito judicial ou a um endereço [fornecido] pelo morador”, disse Melo.

De acordo com o coronel, a PM vai permanecer no local até a reintegração de posse do terreno ser concretizada. “Entregue a posse ao proprietário ele deve tomar providências para guardar o local”.

Procurada pela reportagem para falar sobre o assunto, a prefeitura de São José dos Campos não quis se pronunciar