Arquivo de 26/02/2012

 

Boa notícia para os produtores do noroeste paulista que querem diversificar culturas e aumentar a renda. O sistema de integração lavoura-pecuária-silvicultura (ILPS) tem se mostrado ótima alternativa para a produção de grãos, madeira e forragem na mesma área, de acordo com resultados parciais de projeto desenvolvido no Polo Noroeste Paulista/Apta Regional da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Quatro produtores da região já estão utilizando o sistema, numa área de aproximadamente 50 hectares.
O trabalho tem como meta a adoção da tecnologia por pelo menos 10% dos produtores do noroeste paulista, diz o pesquisador Wander Luis Barbosa Borges, coordenador do projeto. “Ele é importante para o desenvolvimento regional na medida em que vai incentivar a diversificação de renda com o cultivo de grãos, animais e árvores na mesma área.”
Os resultados mostram que o híbrido de eucalipto Grancam 1277, com melhor desempenho em altura, diâmetro e DAP (diâmetro à altura do peito, convencionado como o diâmetro do tronco a 1,3 m de altura), permite antecipar a entrada do gado no sistema. Outro resultado é que a produtividade do milho na mesma área que a forrageira Urochloa brizantha, foi semelhante à produtividade de milho cultivado em sistema de plantio direto.
Os trabalhos relacionados ao projeto começaram em maio de 2009 em área de pastagem degradada de aproximadamente dez anos. No primeiro ano, após preparo do solo com aração e gradagens, foi semeado milheto para formação de palhada, destinada ao cultivo direto da soja, e plantados dois híbridos de eucalipto sobre os terraços, em sistema de linha simples.

Outras informações sobre o sistema ILPS com o pesquisador Wander Borges pelo e-mail wanderborges@apta.sp.gov.br. O texto completo está disponível em http://www.apta.sp.gov.br.

Texto originalmente publicado no Jornal Folha do Noroeste.

Será realizada no dia 29 de fevereiro, a partir das 8 h da manhã no Clube do Ipê, a 1ª Conferência de Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER, do CODETER – Conselho de Desenvolvimento Territorial do Noroeste Paulista.
Esta é uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário – SDT/MDA, Prefeitura de Jales e do Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Noroeste Paulista – CODERTE, que convidam toda a população a participar.
Nesta primeira Conferência serão discutidos os eixos propostos pelo documento-base elaborado pela equipe do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Cabe aos participantes a elaboração de propostas que representem a realidade do meio em que vivem e do Território no qual estão inseridos, inclusive elegendo representantes para a etapa estadual da Conferência de ATER.
Na programação do evento estão a discussão e aprovação do regimento da conferência, apresentação das Instituições Prestadoras de Serviços de ATER (CATI, ITESP, INCRA), palestra do Prof. Dr. Antonio Lázaro de Sant’Ana – UNESP: Ilha Solteira: Uma breve análise sobre o serviço de ATER no Brasil, formação dos grupos de trabalho e discussão do documento-base (Eixos Temáticos) da conferência, plenária com apresentação e aprovação das propostas elaboradas pelos grupos de trabalho, eleição dos Delegados, entre outras.
Os Encontros Temáticos e Setoriais são atividades que comporão a etapa nacional da 1ª CNATER. Têm como objetivos ampliar a participação e aprofundar o processo de discussão das diretrizes para a Assistência Técnica e Extensão Rural.
Propor diretrizes para o Programa Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – PRONATER.

A 1ª CNATER – Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural – é organizada pelo Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável – CONDRAF, presidida pelo Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário.

Rezende (C) e Jean Wyllys (D) (*): ué, mas nós não somos racistas ?

O Conversa Afiada publica artigo de Marcos Rezende extraído do site AfroPress:

Paulo Henrique Amorim e o Negro da Casa Grande,
de Marcos Rezende

“É necessário saber que, historicamente, havia duas espécies de escravos: o negro da casa e o negro do campo. O negro da casa vivia junto do senhor, na senzala ou no sótão da casa grande. Vestia-se, comia bem e amava o senhor. Amava mais o senhor do que o senhor amava a ele. Se o senhor dizia: — Temos uma bela casa. Ele respondia: — Pois temos. Se a casa pegasse fogo, o negro da casa corria para apagar o fogo. Se o senhor adoecesse dizia: — estamos doentes. Se um escravo do campo lhe dissesse ‘vamos fugir desse senhor’, ele respondia: — Existe uma coisa melhor do que o que temos aqui? Não saio daqui. O chamávamos de negro da casa. É o que lhe chamamos agora, porque ainda há muitos negros de casa.”
Malcolm X

Em um dos seus discursos, cujo trecho reproduzi acima, Malcolm X, um dos maiores ativistas negros pelos direitos civis posicionava-se frente a muitos negros que agem a serviço dos brancos. Negros que não honram a sua negritude e assim prestam um desserviço a comunidade negra, pois aos olhos menos atentos parece que ele ascendeu, mas, na verdade, ele é uma fração que age como serviçal e se coloca sempre ao lado do não negro por algum benefício, seja salarial, seja “meritocrático”, ou por algum tipo de honraria que recebe como forma de gratidão a “serviços prestados”.

O nigeriano Wole Sowinka, primeiro negro a receber o prêmio Nobel de Literatura pronunciou a célebre frase: “O tigre não precisa proclamar a sua tigritude. Ele salta sobre a presa e a mata”. Na verdade a postura de alguns jornalistas como Heraldo Pereira demonstra como a frase de Sowinka é tão atual.

Ora, é este o mesmo jornalista que se apresenta como um funcionário ou um negro da Casa Grande da Rede Globo e nunca fez um comentário sequer quando a emissora se posiciona contra as cotas, contra as comunidades quilombolas e sobre qualquer tipo de avanço da comunidade negra. Este mesmo jornalista não fez ou faz um único comentário ou reflexão acerca do livro “Não somos racistas” escrito pelo seu chefe, o diretor de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel. Este mesmo repórter se curva frente ao ministro Gilmar Mendes, atitude diametralmente oposta à postura digna, honrada e altiva do Excelentíssimo Ministro Joaquim Barbosa que o enfrenta e diz a verdade acerca da postura de um ministro que representa a elite branca, burguesa, aristocrática, ruralista, machista e homofóbica deste país.

Eis que, de repente, o repórter Heraldo Pereira, sempre silencioso frente às maiores questões raciais deste país, sente a sua negritude desrespeitada pelo Jornalista Paulo Henrique Amorim. Sem dúvida a postura é a mesma que Malcolm X dizia em seu discurso. Um verdadeiro negro da Casa Grande.

O histórico de Heraldo Pereira o coloca como um indivíduo subserviente a serviço da elite. E toma para si a dor do seu chefe, tentando desqualificar um jornalista com posição de vanguarda e anti-racista como Paulo Henrique Amorim (para quem não conhece basta visitar o site: http://www.conversaafiada.com.br) e assim colocá-lo na posição de racista. Logo Paulo Henrique Amorim, um dos poucos jornalistas da grande mídia deste país que enfrenta verdadeiramente os representantes da elite e que é curiosamente processado por todos eles. Só para exemplificar Ali Kamel, o famoso “não somos racistas”, foi testemunha de acusação neste processo juntamente com o próprio Gilmar Mendes.

Daí cabe um desagravo à figura de Paulo Henrique Amorim que, ao utilizar o termo negro de alma branca, nada mais fez do que trazer à tona um debate antigo, mas de forma antagônica à maneira tradicionalmente utilizada.

Outrora o termo negro de alma branca era utilizado em casos de negros “educados”, “civilizados” e que agiam como brancos, com toda a civilidade do outro. A expressão era utilizada com a idéia de um sujeito dotado de polidez, um ser letrado, que avançou, apesar das adversidades a que os de sua raça estavam expostos.

O que Paulo Henrique Amorim fez foi descortinar a expressão e colocá-la como de fato deveria ser. O termo “negro de alma branca” deste modo caracteriza-se como um negro a serviço de um determinado setor, uma pessoa que não dignifica a sua ancestralidade e origem, ao se dispor a fazer determinado papel, e quando não assume responsabilidade para com os seus. É como imaginar um judeu nazista de pensamento ariano, para mim algo impensável.

Evoco então Milton Santos que pontuou: “É por isto que no Brasil quase não há cidadãos. Há os que não querem ser cidadãos que são as classes médias, e há os que não podem ser cidadãos que são todos os demais, a começar pelos negros que não são cidadãos. Digo-o por ciência própria. Não importa a festa que me façam aqui e ali, o cotidiano me indica que não sou cidadão neste país… (sic) o meu caso é o de todos os negros deste país, exceto quando apontado como exceção. E ser apontado como exceção além se ser constrangedor para aquele que o é, constitui algo de momentâneo, de impermanente, resultado de uma integração casual”.

Enfim, o que envergonhava Milton Santos serve de júbilo para Heraldo Pereira. Uma lástima para nós, verdadeiramente negros de alma negra.

Marcos Rezende

Membro do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos e bacharel em História, Marcos Rezende lecionou em escolas públicas e particulares buscando aproximação dos alunos com a história da cidade, enfatizando a questão da desigualdade social e racial.

Além de ser principal voz de resistência contra o episódio da derrubada do terreiro Oyá Onipó Neto, no Imbuí, presta auxílio a pequenas entidades e afoxés que participam do Carnaval e atua com destaque no Coletivo de Entidades Negras (CEN), organização não-governamental, sem fins lucrativos e sem vínculos político-partidários, que tem o objetivo de estabelecer o diálogo e diminuir a intolerância entre diferentes segmentos raciais e sociais. Também é Conselheiro Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares da Câmara Municipal de Salvador por serviços prestados a comunidade negra. É Religioso do Candomblé.

(*) Rezende testemunhou a favor de Paulo Henrique Amorim no processo no Crime. Jean Wyllys concordou também em ser testemunha no processo Cível. E só não testemunhou porque PHA aceitou fazer um acordo com Heraldo Pereira de Carvalho, para encerrar a ação. Já que Heraldo assinou o documento em que diz que PHA não usou a expressão “negro de alma branca” “com “conotação racista”. Clique aqui para ler “Heraldo diz que PHA não é racista”. Também o ex-Ministro da Igualdade Racial e Deputado Federal Edson Santos teria sido testemunha de PHA no Cível, não se tivesse encerrado a ação com o reconhecimento de Heraldo Pereira de Carvalho.