Mídia demotucana instiga racha PT-PSB, por Altamiro Borges

Posted: 06/07/2012 in ELEIÇÕES, ELEIÇÕES 2012, PIG - Partido da Imprensa Golpista, PT, RUMOS DO PT - DEBATE, SOCIALISMO
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As eleições municipais sempre foram o terreno propício para as escaramuças políticas. Os partidos tentam se firmar, ganhar mais espaço no campo institucional, cacifar-se para as próximas contendas estaduais e nacional. O pragmatismo nas alianças vira regra. Faz parte do jogo na democracia liberal. Neste sentido, a recente disputa entre PT e PSB, ambos da base de apoio do governo Dilma Rousseff, é natural. O que chama atenção, porém, é a postura da mídia demotucana, que tenta atiçar ao máximo esta divisão.
Animados, os jornais O Globo, Estadão e Folha já decretaram o enterro definitivo da aliança entre petistas e socialistas. Eles contabilizam as fraturas ocorridas, principalmente, nas disputas para as prefeituras de Belo Horizonte (MG), Recife (PE) e Fortaleza (CE). O que se especula é que o PSB, presidido pelo governador pernambucano, já teria definido um plano próprio para as eleições presidenciais. “Cresce entre os socialistas a tese de Eduardo Campos disputar o Planalto já em 2014”, garante Christiane Samarco, do Estadão.
Os partidários do racha
A mídia dá espaço exatamente aos que sempre pregaram este racha. “O resultado das eleições deste ano pode determinar a nossa alforria”, festeja o deputado Júlio Delgado, do PSB de Minas Gerais, que nunca escondeu suas relações com o tucano Aécio Neves. Setores mais sectários e hegemonistas do PT também torcem pelo divórcio entre as duas legendas, sem levar em conta os estragos que isto pode causar à gestão da presidenta Dilma Rousseff e às próprias alianças do gelatinoso campo progressista no futuro.
Neste sentido, vale registrar o alerta do ex-ministro José Dirceu, que sempre teve uma visão mais estratégica da disputa em jogo. “O fim da aliança em Belo Horizonte, depois de ter ocorrido o mesmo em Recife e Fortaleza, põe em risco o acordo nacional entre os dois partidos”, afirmou, advertindo para o perigo do afastamento entre as duas siglas e culpando os tucanos pelo acirramento da divisão. O presidente do PSB, Eduardo Campos, também já teria entrado em campo para apagar o incêndio e evitar o pior.
O desejo da direita nativa
É certo que a mídia demotucana não inventa; ela apenas manipula e amplifica as dificuldades que são reais nas relações entre PT e PSB. Nas eleições municipais de 2008, os socialistas apoiaram candidatos petistas em dez capitais. Neste ano, a coligação só vingou em cinco. Sentindo-se mais fortalecimento, principalmente no Nordeste, o PSB lançou agora candidaturas próprias em 11 capitais – quatro a mais do que em 2008. Estes dados, segundo a mídia demotucana, indicariam que o racha entre PSB e PT é inevitável.
Mas a dinâmica política difere do desejo da mídia demotucana. Os dois partidos são aliados, não estão casados indissoluvelmente, e tem projetos próprios. Cada um tenta se cacifar para a natural batalha pela hegemonia na sociedade. Esta disputa, porém, tem que ser travada com cuidado, sob o risco de colocar a perder tudo o que foi construído pelo campo democrático e popular desde a primeira vitória presidencial de Lula. Neste caso, o bloco neoliberal-conservador e sua mídia teriam, de fato, muito a comemorar.

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