Arquivo de 15/08/2012

Helena Sthephanowitz, via Rede Brasil Atual

A velha mídia está dando espaços generosos para Roberto Jefferson e seu advogado, que querem colocar o ex-presidente Lula como réu do processo – numa tentativa clara de desviar o foco da atenção sobre si.

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, rejeitou por unanimidade os 13 pedidos feitos pelos advogados de defesa do ex-deputado federal – ele sim, réu na Ação Penal (AP) 470 – e decidiu enviar ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil a cópia do acórdão e das notas taquigráficas do julgamento, por considerar que a defesa abusou do seu poder de litigar.

Segundo o relator, ministro Joaquim Barbosa, a defesa do réu “vem agindo com o firme intuito de tumultuar o andamento desta ação penal” porque propôs novamente, entre outras questões, a inclusão do presidente da República como réu – o que já havia sido rejeitado pelo plenário em 19 de junho de 2008.

Roberto Jefferson deve saber que isso é litigância de má-fé. Mas se uniu à imprensa e, juntos, estão dando seus shows diários, para ser usado na campanha eleitoral dos adversários dos candidatos petistas

O STF marcou o julgamento do chamado “mensalão” para coincidir com a campanha eleitoral. Com isso está havendo, em paralelo, um inevitável duelo político travado sobretudo nos meios de comunicação, nas redes sociais e nas militâncias que estarão envolvidas na campanha eleitoral.

O duelo político se fará, por um lado, pela justiça (que se condene aquele que tiver suficientes provas contra si), pela verdade, pela lisura do processo eleitoral, pelos melhores programas de governo para as cidades, contra quem quer fazer o terceiro turno das eleições de 2006 em pleno 2012.

De um lado do “duelo”, setores populares e progressistas, e do outro, a velha imprensa demotucana com seus políticos corruptos blindados, mesmo que carregando nas costas o mensalão tucano, o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, a Privataria Tucana, a lista de Furnas etc.

É esse o duelo político que está posto. Cabe ao STF se blindar contra pressões de quem quer que seja, e ater-se às provas, não às versões, ao poder de oratória dos advogados de qualquer das partes, muito menos a testes de hipóteses publicados na imprensa.

coimbra

do Poder Online via blog do Esmael Morais

Marcos Coimbra.Para o presidente do Instituto Vox Populi, o sociólogo Marcos Coimbra, o Datafolha produziu resultados de encomenda em sua última pesquisa de opinião sobre os sentimentos da população acerca do julgamento do Mensalão.

Segundo o jornal “Folha de São Paulo” divulgou no domingo, o levantamento do Datafolha apontava que 73% da população defendem cadeia para os acusados de participar do escândalo.

Em artigo intitulado “Resultados de encomenda”, publicado hoje no jornal “Correio Braziliense”, Marcos Coimbra afirma:
“A pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas. Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes ‘pistas’ sobre as respostas ‘corretas’. Leia a íntegra do artigo de Marcos Coimbra: por Marcos CoimbraVia Correio Braziliense

Na primeira aula do curso de pesquisa de opinião, o aluno aprende as coisas básicas da profissão. Uma é ter cuidado com as perguntas indutivas.

É esse o nome que se dá às que são formuladas com um enunciado que oferece informação ao entrevistado antes que ele responda.
Há diversos tipos de indução, alguns dos quais muito comuns.

Quem não conhece, por exemplo, a pergunta chamada de “voto estimulado”, feita habitualmente nas pesquisas eleitorais? Ela pede ao respondente que diga em quem votaria, tendo em mãos uma lista com o nome dos candidatos.
É claro que, assim procedendo, avalia-se coisa diferente do “voto espontâneo”.

Para diminuir o risco de que a indução conduza os entrevistados a uma resposta, recomenda-se evitar que o pesquisador leia nomes. Mesmo inadvertidamente, ele poderia sugerir alguma preferência, seja pela ordem de leitura, seja por uma possível ênfase ao falar algum nome.

Daí, nas pesquisas face a face, o uso de cartões circulares, onde nenhum vem antes. Essa cautela — e outras parecidas — decorre da necessidade de ter claro o que se mede. Sem ela, podemos confundir o significado das respostas.

Dependendo do nível de indução, o resultado da pesquisa pode apenas refletir a reação ao estímulo. Em outras palavras, nada nos diz a respeito do que as pessoas genuinamente pensam quando não estão submetidas à situação de entrevista.Para ilustrar, tomemos um exemplo hipotético.

Vamos imaginar que alguém quer saber se as pessoas lamentaram a derrota da equipe de vôlei masculino na disputa pela medalha de ouro na Olimpíada. A forma “branda” de perguntar talvez fosse começar solicitando que dissessem se souberam do resultado e como reagiram — sem informar o placar.

Outra, de indução “pesada”, seria diferente. A pergunta viria a seguir a um enunciado do tipo “O Sr./A Sra. ficou triste ao saber que o Brasil perdeu para a Rússia, depois de liderar o jogo inteiro e precisar apenas um ponto para se sagrar campeão olímpico?”

Nessa segunda formulação, ela não somente induz um sentimento (mencionando a noção de “tristeza”), como oferece um motivo para ele (a ideia de ter estado perto de alcançar algo desejável).

É muito provável que os resultados das duas pesquisas fossem diferentes. Na primeira, teríamos a aferição da resposta espontânea — e mais real. Na segunda, a mensuração de uma reação artificialmente inflada. Em última instancia, fabricada pela própria entrevista.

É o que aconteceu com a recente pesquisa do Datafolha sobre os sentimentos da opinião pública a respeito do “mensalão” e seu julgamento.

Contrariando o que se esperaria de um instituto subordinado a um jornal, não deixa de ser curioso que decidisse fazer seu primeiro levantamento sobre o assunto 10 dias depois do início do processo no Supremo.

Dez dias depois de ter sido pauta obrigatória nos órgãos da “grande imprensa”. Dez dias depois de um noticiário sistematicamente negativo — como aferiram observadores imparciais.

Preferiu pesquisar só depois que a opinião pública tivesse sido “aquecida”. Foi à rua medir o fenômeno produzido.Não bastasse a oportunidade, a pesquisa abusou de perguntas indutivas, que tendiam a conduzir os entrevistados a determinadas respostas.

Como diz a literatura em língua inglesa, fornecendo-lhes “pistas” sobre as respostas “corretas”.Mas o mais extraordinário foi seu uso editorial, na manchete que ressaltava que a maioria desejava que os acusados fossem “condenados e presos”.

Parecia de encomenda: embora o resultado mais relevante da pesquisa fosse mostrar que 85% dos entrevistados sabiam pouco ou nada do assunto, o que interessava era afirmar a existência de um desejo de punição severa.E quem se importa com o que estabelecem as normas das boas pesquisas!

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Ministério das Cidades assinaram nesta quarta-feira um termo de cooperação que visa à construção de 40 mil cisternas de placas em novas unidades habitacionais do programa “Minha Casa, Minha Vida”.
O termo foi assinado pelos ministros Aguinaldo Ribeiro (Cidades) e Tereza Campello (MDS), que também é presidenta da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). A assinatura aconteceu na abertura da reunião plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasíla.
O ato contou com a participação da presidenta do Consea, Maria Emília Pacheco, do vice-presidente do Banco do Brasil, Robson Rocha, e da superintendente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Nomei Lemes. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Hélder Muteia.
Na sua fala, a presidenta do Consea reforçou a importância das cisternas de placas com base na experiência já adquirida pelas organizações da sociedade civil. “Gostaria de pedir aos dois ministérios para que a construção dessas unidades seja baseada na metodologia utilizada pelas entidades da sociedade que já desenvolvem esse tipo de tecnologia”.
A ministra Tereza Campello disse que o ato possuía uma simbologia especial por acontecer no Consea, com representantes da sociedade civil e envolvimento das populações locais. “Assinar esse termo aqui no Consea tem tudo a ver com esse momento, com esse processo, com essa experiência de cisternas, envolvendo as comunidades rurais”, disse.
O ministro Aguinaldo Ribeiro destacou a participação dos movimentos sociais na criação do ministério e do Estatuto das Cidades. “É com grande satisfação que assinamos este ato aqui [num conselho em que 2/3 são representantes de entidades da sociedade civil], pois essa é uma conquista de vocês. Queria lembrar também que o Ministério das Cidades e o Estatuto das Cidades são frutos de demandas da sociedade civil, dos movimentos sociais”, enfatizou ele.
Fonte: Ascom/Consea

A Venezuela prepara um plano com a assessoria de Cuba para criar um “exército guerrilheiro” que teria um milhão de militantes em 2013, para enfrentar uma “hipotética invasão” dos Estados Unidos, denunciou a deputada da oposição María Corina Machado, em uma entrevista divulgada no dia 12 de agosto.

O denominado “Plan Sucre”, que conta com os eixos jurídico, direcional, logístico, educativo e doutrinário, prevê a “transformação de um exército profissional em um exército guerrilheiro”, disse a deputada ao jornal El Universal, declarando que teve acesso a um exemplar do plano, impresso por uma instituição pertencente à Força Armada Nacional Bolivariana (FANB).

“O objetivo estratégico é construir uma nova doutrina militar bolivariana para realizar com êxito uma Guerra Popular Prolongada (GPP) ante uma hipótese de guerra por parte do império [norte-americano] contra a República Bolivariana da Venezuela”, disse a parlamentar, citando um parágrafo do documento.

Machado explicou que a GPP é um “conceito maoísta” que foi utilizado no Vietnã, na Iugoslávia e em Cuba, o qual prevê que, diante de uma “assimetria de forças combate-se com o desgaste do inimigo, através do tempo, depois de atraí-lo para o interior de seu território, combatendo-o com a participação de toda a população”.

“Estamos diante de uma proposta de clara inspiração e assessoria cubana”, segundo a opinião da deputada, acrescentando que o plano militar prevê ainda o “fortalecimento” das milícias [bolivarianas] “em detrimento dos componentes regulares” do Exército.

O plano prevê a “potencialização da milícia territorial, com o objetivo de garantir as forças necessárias para a defesa integral da nação, tendo como meta o alistamento de um milhão de milicianos em 2013 e de dois milhões em 2019”, informa outro parágrafo do texto.

As milícias, consideradas pelo presidente Hugo Chávez o “povo em armas”, surgiram em 2005 como uma resposta a possíveis agressões “imperialistas”, fazem parte das Forças Armadas e dependem diretamente do presidente.

No eixo educativo, o documento assinala “a necessidade de se transformar o processo de ensino e aprendizado da FANB, a milícia bolivariana e o restante do povo”, como uma consequência da “ameaça que representa o império para a Pátria Bolivariana, no presente e no futuro”, entre outros fatores.

Machado pretendeu – em inéditas eleições primárias em fevereiro – ser a candidata única da oposição para enfrentar Chávez nas eleições presidenciais de 7 de outubro, mas foi por fim escolhido o ex-governador Henrique Capriles Radonski.

Publicado originalmente em Defesa Net