Bem vindo ao Sertão! Me apresento a suncê…

 

 Vamu prosiá ?

 De onde viemos… onde estamos?

João Guimarães Rosa….” O sertão-mundo, revela-se a si próprio”, como se dissesse “o sertão sou eu” para reconhecer-se. Nesta perigosa travesia confronta as forças do bem e do mal, retoma num fluxo de memória o fio da vida e narra as grandes lutas dos bandos de jagunços, descreve os feitos e características de diversos personagens e revela os códigos de honra e de procedimentos do sertão.

O projeto de João Guimarães Rosa em Grande Sertão – Veredas é o de discorrer sobre elementos universais, alegoricamente contextualizados em um ambiente pretextualmente regional, numa escrita poética marcada por inúmeras idiossincrasias. Dessa forma, eleva-se o sertão à condição de locus hominis: “o sertão é do tamanho do mundo”.

O sertão é “onde o pensamento da gente se forma mais forte que o poder do lugar”, é o pathos em que a vida contemplativa e absurda suplanta o automatismo da técnica moderna e do senso comum (“quando acordei, não cri: tudo que é bonito é absurdo – Deus estável”). Esse páthos é a altura desde a qual o homem transborda de sua individualidade e redescobre-se no mundo.

A aridez sertaneja, enfatizada sobretudo na linguagem visceralmente regionalista. Homem e mundo, realidade e devaneio, mundano e divino, são aspectos de um mesmo conflito, exaustivamente contemplado pela literatura universal (casos paradigmáticos são a Ilíada de Homero, a Divina Comédia de Dante, o Dom Quixote de Miguel de Cervantes e o Fausto de Goethe) e que na obra de Guimarães Rosa figura sob o paradoxismo sertão-grande sertão. “E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente”.

Guimarães Rosa declarou que esse romance é sua “autobiografia irracional”. O grande sertão é o acontecimento do milagre no “vai-vem da vida burra” e cética, descrente de si. É a constatação plena de que “viver é negócio muito perigoso”. Como “autobiografia”, é a proposta de se viver de forma transcendente à limitada condição humana: ao invés de “viver para contá-la”, o autor vai “contar para vivê-la”.

O Cangaço foi um fenômeno ocorrido no nordeste brasileiro de meados do século XIX ao início do século XX. O cangaço tem suas origens em questões sociais e fundiárias do Nordeste brasileiro, caracterizando-se por ações violentas de grupos ou indivíduos isolados: assaltavam fazendas, sequestravam coronéis (grandes fazendeiros) e saqueavam comboios e armazéns. Não tinham moradia fixa: viviam perambulando pelo sertão, praticando tais crimes, fugindo e se escondendo.

O Cangaço pode ser dividido em três subgrupos: os que prestavam serviços esporádicos para os latifundiários; os “políticos”, expressão de poder dos grandes fazendeiros; e os cangaceiros independentes, com características de banditismo.

Os cangaceiros conheciam a caatinga e o território nordestino muito bem, e por isso, era tão difícil serem capturados pelas autoridades. Estavam sempre preparados para enfrentar todo o tipo de situação. Conheciam as plantas medicinais, as fontes de água, locais com alimento, rotas de fuga e lugares de difícil acesso.

Lampião.

O cangaço ganhou força e prestígio, principalmente com “Antônio Silvino“, “Lampião“ e “Corisco“. Entre meados do século XIX e início do século XX, o Nordeste do Brasil viveu momentos difíceis, atemorizado por grupo de homens que espalhava o terror por onde andava: os cangaceiros, bandidos que abraçaram a vida nômade e irregular de malfeitores por motivos diversos. Alguns deles foram impelidos pelo despotismo de homens poderosos.

 Um famoso cangaceiro foi “Lampião”. Os cangaceiros conseguiram dominar o sertão durante muito tempo, porque eram protegidos de “coronéis”, que se utilizavam dos cangaceiros para cobrança de dívidas, entre outros serviços “sujos”.

Como as rivalidades políticas eram grandes, havia muitos conflitos entre as poderosas famílias. E estas famílias se cercavam de jagunços com o intuito de se defender, formando assim verdadeiros exércitos. Porém, chegou o momento em que começaram a surgir os primeiros bandos armados, livres do controle dos fazendeiros.

Nos tempos de Agora. Os coronéis não têm poder suficiente para impedir a ação dos cangaceiros. De todos eles, o mais famoso sou eu Lampião, Virgulino Ferreira da Silva o Rei do Camgaço.

Vivo hoje na blogosfera, aprendendo para chegar à VirtuáliaAs volantes continuam tentado nos pegar. Acabar com a liberdade, tambem no mundo virtual. Mas eles vão conhecer minha peixeira e minha garrucha. No plano da luta atira tanto que alumeia, com o fogo na pólvora, das balas, como um lampião.

Ah! Em tempo: até outubro tem muito coroné que vai apanhá, dispois …

Dispois o futuro nos espera…

Comentários
  1. Eugênio diz:

    – Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser – se viu -; e com máscara de cachorro.
    Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão; determinaram – era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas…
    Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão.
    Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior!
    Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá – fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte.”

    (Por Riobaldo Tatarana, vulgo Urutu Branco. Grande Sertão: Veredas)

    P.S. (01) Sugiro para leitura “O rei dos cangaceiros”, Nelly Cordes, 1954.

    P.S. (02) LAMPIÃO http://www.infonet.com.br/lampiao/

    Viva Frederico Pernambucano de Mello!! Viva Ariano Suassuna!! Viva Josué de Castro!!

    Viva o povo brasileiro!! Viva a Classe Operária!

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