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O município de Sapé, localizado no estado da Paraíba, ganhará um Museu Histórico das Lutas Camponesas no Nordeste. O centro de memória funcionará na casa e no terreno onde viveu João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas na Paraíba assassinado no dia 2 de abril de 1962.

 

Na sexta-feira passada (23), integrantes da organização não-governamental Memorial das Ligas Camponesas se reuniram com Paulo Maldos, secretário de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, para discutir o projeto do memorial.

De acordo com Luiz Damázio de Lima, presidente da ONG Memorial das Ligas Camponesas, a ideia é que Paulo Maldos “faça a ponte com Brasília para a implantação do projeto de Memorial e consiga recursos para a execução”. Segundo ele, a intenção é restaurar a casa onde morou João Pedro Teixeira e lá construir um museu com informações das lutas camponesas no Nordeste.

“Vamos fazer um museu para o resgate da história de João Pedro Teixeira e das lutas pós-João Pedro”, afirma, lembrando que 15 anos depois da morte do líder, reiniciou-se a luta por terra na região. Segundo ele, hoje, o estado da Paraíba possui cerca de 270 assentamentos.

A concretização do Museu Histórico das Lutas Camponesas está cada vez mais próxima. No início deste mês, o Governo do Estado da Paraíba publicou um decreto no Diário Oficial em que declara de utilidade pública mais 2,27 hectares de terras do Sítio Antas do Sono, no povoado de Barra de Antas, em Sapé. Em julho passado, o governo já havia declarado de utilidade pública 4,83 hectares do local.

Além do museu, Luiz Damázio comenta que a intenção é utilizar o terreno para também construir um centro de formação para os agricultores, com área para lazer, comercialização e unidades produtoras baseadas no sistema agroecológico.

A meta, segundo ele, é que pelo menos o museu esteja pronto no dia 2 de abril de 2012, data de celebração dos 50 anos do assassinato de João Pedro Teixeira. “Esse projeto é importante para os agricultores porque resgata a história de um cidadão que deu sua vida pela luta pela melhoria de vida das pessoas. A ideia é dar um rumo melhor à vida dos agricultores e fortalecer a luta deles. Esperamos que esse memorial seja um centro de referência não só no Nordeste, mas também nacional e até internacional”, comenta.

Ligas Camponesas

As Ligas Camponesas foram associações de trabalhadores rurais formadas em Pernambuco e, depois, em estados como Paraíba, Rio de Janeiro e Goiás. Iniciaram em 1955 e se estenderam até 1964 com o objetivo de lutar pela reforma agrária e pela posse de terra. Na Paraíba, destacou-se o núcleo de Sapé, com mais de 10 mil integrantes liderados por João Pedro Teixeira, que foi assassinado no dia 2 de abril de 1962.

Para mais informações acesse: http://ligascamponesas.blogspot.com/

Fonte: Adital (via @vermelho)

250911_kaiowaAgência Brasil – [Gilberto Costa] 24 de setembro de 2011. Cerca de 40 famílias de índios Guarani-Kaiowá, aproximadamente 150 indígenas da comunidade Laranjeira Nhanderú, tentam desde fevereiro de 2008 ocupar uma reserva legal no fundo da Fazenda Santo Antônio da Nova Esperança, em Rio Brilhante, sul de Mato Grosso do Sul. Conforme o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), instituição ligada à Igreja Católica, os índios acreditam que ali é sua terra ancestral.


Um dos proprietários da fazenda, Júlio César Cerveira, disse à Agência Brasil que as terras pertencem à sua família desde o final da década de 1960 e que há, na região, títulos datados do século 19. “Nunca teve índio ali”, assegurou. Júlio César é um dos seis integrantes da família que alega ser proprietária da fazenda. Eles conseguiram na 2ª Vara da Justiça Federal em Dourados a reintegração de posse da área reivindicada pelos indígenas.

A ordem, do juiz federal substituto Márcio Cristiano Ebert, estabelecida no dia 27 de julho, é para que os índios desocupassem a área até o final de agosto. Segundo o juiz, cabe à Fundação Nacional do Índio (Funai) comunicar a decisão aos afetados pela medida, bem como providenciar o transporte dos índios para um terreno público, oferecido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Dois técnicos da Funai estiveram na última esta sexta-feira (23) na área ocupada.

Conforme o coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, a área ofertada não serve para acolher os indígenas. “Não tem mata, não tem água. Ir para aquele lugar não é uma hipótese que os índios considerem”, avaliou. O terreno foi oferecido pelo Dnit, em setembro de 2009, quando os índios estavam acampados às margens da BR-163, após terem sido despejados pela primeira vez da Fazenda Santo Antônio da Nova Esperança. Os índios voltaram para a fazenda após o Dnit conseguir na Justiça que fossem removidos da beira da estrada.

Para o advogado do Cimi, Rogério Batalha Rocha, “o Judiciário não está ponderando a demora da Funai em concluir o processo de identificação de terras indígenas em Mato Grosso do Sul”, disse referindo-se aos estudos de identificação e demarcação de seis terras indígenas nas bacias dos rios Apa, Dourados, Brilhante, Ivinhema, Iguatemi e Amambaí. Segundo ele, o processo de demarcação deveria ter sido concluído no primeiro trimestre deste ano.

De acordo com a Procuradoria Regional da República da 3ª Região (Ministério Público Federal), os estudos em curso indicam que “a parte da Fazenda Santo Antônio da Nova Esperança é área de ocupação tradicional do grupo que ali se instalou pelo que os direitos daquela comunidade restam intactos, porquanto imprescritíveis e podem ser exercidos desde já”.

A fazenda está arrendada para terceiros que se dedicam à lavoura de arroz e à pecuária. A propriedade tem cerca de 450 hectares e a área reivindicada pelos índios tem uma área estimada em 30 hectares. Para Cerveira, um dos donos do imóvel, é impossível o convívio com os índios. “Eles incomodam.”

Em Mato Grosso do Sul, vivem cerca de 45 mil índios das etnias Guarani-Kaiowá e Guarani-Nhandéwa. Cerca de 3 mil índios vivem em 22 acampamentos de beira de estrada nas rodovias do estado.

Publicado originalmente em Diário Liberdade

A Câmara vai discutir a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que se opõe à validade do Decreto 4.887/03, que regulamentou o procedimento para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelo que sobrou dos quilombos.

O debate a ser promovido pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias e de Seguridade Social e Família ainda não tem data marcada.

Os deputados Amauri Teixeira (PT-BA) e Domingos Dutra (PT-MA), que solicitaram a audiência pública, argumentam que o decreto de 4.887/03 assegurou conquistas importantes para as comunidades quilombolas, entre elas, a territorialidade. “Porém, o cumprimento dessas medidas não tem ocorrido nem na forma nem no tempo imaginado pelos nossos constituintes de 1988”, acrescentou Dutra.

Convidados
Serão convidados para o debate os presidentes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lacerda; e da Fundação Palmares, Eloi Ferreira de Araujo; o deputado Bira Coroa, da Bahia; além de representantes do Ministério Público Federal e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas.

Comissão promove seminário sobre quilombolas

A Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e a Fundação Palmares vão realizar o seminário Quilombo Vivo: Promover e proteger o patrimônio cultural quilombola, para discutir a promoção e proteção da cultura quilombola. O evento será na próxima quarta (14) e quinta (15) de setembro, no auditório Freitas Nobre (anexo 4).

Direcionado a lideranças quilombolas, especialistas em políticas culturais e gestores públicos da área da cultura, o seminário tem o objetivo de debater estratégias de ação para garantir o reconhecimento, a preservação e a promoção do patrimônio cultural das mais de 1.700 comunidades remanescentes de quilombos certificadas.

Com base nos artigos 215 e 216 da Constituição Federal de 1988, o seminário pretende discutir meios de pôr em prática as propostas do Estatuto da Igualdade Racial e do Plano Nacional de Cultura.

Entre os temas a serem debatidos estão: os bens culturais e o registro da memória das comunidades quilombolas; o desenvolvimento da economia da cultura nessas comunidades; as criações artísticas, a participação e o controle social dessa população na formulação e implementação de políticas culturais; e o financiamento, a descentralização e a implementação de políticas públicas culturais para as comunidades quilombolas.

Para participar, será necessário inscrever-se. As vagas são limitadas a 150 participantes.

Programação do seminário Quilombo Vivo

Dia 14/09/2011
9h – 12h
Painel 1: Reconhecimento, valorização, promoção e proteção do patrimônio cultural quilombola.
Painelistas:
Ana de Hollanda – Ministra da Cultura
Eloi Ferreira – Presidente da Fundação Cultural Palmares/MinC
Luiz Fernando de Almeida – Presidente do Iphan/MinC
Cynthia Martins – Professora da Universidade Federal do Estado do Maranhão

14h – 17h
Painel 2: A proteção e promoção das criações artísticas, dos bens culturais e dos registros da memória das comunidades quilombolas.
Painelistas:
Marta Porto – Secretária da Diversidade e da Cidadania Cultural
Sérgio Mamberti – Secretário de Políticas Culturais/MinC
Ilka Boaventura Leite – Doutora em Antropologia, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina e Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Identidades em Relações Interétnicas

Dia 15/09/2011
9h – 12h
Painel 3: O desenvolvimento da economia da cultura em comunidades quilombolas.
Painelistas:
Cláudia Leitão – Secretária da Economia Criativa/MinC
Henilton Parente de Menezes – Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura/MinC
Mário Theodoro – Secretário Executivo da SEPPIR/PR

14h – 17h
Painel 4: O financiamento, a descentralização e a implementação de políticas públicas culturais para as comunidades quilombolas com participação e controle social.
Painelistas:
Bernardo Machado – Diretor de Programas Integrados da Secretaria de Articulação
Institucional / MinC
Albino Rubim – Secretário de Cultura do Estado da Bahia
Aniceto Catanhede Filho – Doutor em Antropologia e Professor da Universidade Federal do Maranhão

Da Redação/ RCA

Escrito por LAMPARINA

Como o meu tempo está muito pouco, eu gostaria de escrever hoje sobre muitos assuntos importantes, assuntos estes que, eu tenha total isenção em discorrer, pois não tenho minha vaca amarrada no pasto de ninguém.

          Começarei então com a eleição interna no PT local, que novamente conduziu o professor Quincas Martins (esclarecendo, que não é meu parente, diga-se de passagem) à presidência. Espero que agora se obtenha a tão sonhada paz interna e, o PT possa liderar de fato uma oposição e se comece a pensar num caminho alternativo para nossa cidade, juntando a experiência militante dos mais velhos, com as novas lideranças que estão surgindo dentro do PT e possíveis aliados. Tá difícil, mas não impossível.

          O caminho principal passa pela conscientização das lideranças de que o PT é o Partido dos Trabalhadores e precisa colocar isto em prática. Precisa chegar onde o trabalhador está e mobilizá-lo, politizá-lo de forma a despertar neste indivíduo uma consciência política e social que o leve a entender os meandros implícitos do universo político que o rodeia. Senão, Votuporanga continuará sendo o único lugar do Brasil, onde operários estão filiados (de carteirinha emplumada e tudo) em partidos elitistas que não representam os interesses dos trabalhadores, servindo assim de instrumento de manobra para defender com unhas e dentes os interesses dos patrões. O resultado nefasto desta relação unilateral de poder são os baixíssimos salários praticados por aqui e a tentativa da elite dominante de repassar as responsabilidades sociais – que deveriam permear suas ações -, para o setor público.

          Um bate-pau desta elite dominante, dia desses, chegou a afirmar num dos seus espasmos intelectuais advindos de um colérico piriri intestinal, na sua coluna do PIG de sábado, que os salários aqui são baixos, mas à culpa é das políticas salariais do governo federal. Ora senhor articulista, mas o teto salarial mínimo é para garantir que ninguém pratique um salário menor do que o mínimo, não estabelece que o teto mínimo tenha que se manter obrigatoriamente dentro do mínimo, tendo o empregador a liberdade de valorizar o seu empregado, pagando-lhe um salário que atenda as suas necessidades básicas.

          Mas, como aqui trabalhador está servindo de escudo para defender interesses do patrão e não os seus próprios, os salários permanecem rigorosamente dentro do teto do mínimo possível, sem nenhuma perspectiva de valorização voluntária.  Os patrões estão organizados em sólidas associações de interesses comuns e usando o dinheiro que deveria remunerar melhor os seus funcionários, para pagar campanha de deputado, que fez campanha a bordo de jatinho particular dos solidários confrades e com estrutura de campanha para governador de estado, gastando milhões para se eleger e defender os interesses daqueles que financiaram sua campanha. Os trabalhadores continuam sendo enganados por falsas lideranças políticas e sindicais, a soldo dos patrões, e por partidos políticos omissos que não exercem verdadeira liderança e mobilização, permitindo assim o domínio fácil dos que operam esta engenhoca, onde a matéria-prima que alimenta esta relação está sendo degomada do suor do trabalhador.

         Na contramão do interesse público, usam e abusam do poder obtido pela alienação da maioria, fabricando lideranças e elegendo mandatários sem nenhuma condição de mando, homens que se travestem de reputação ilibada, mas nas suas ações, não se norteiam pelo ético e moral, só visando perpetuarem-se neste insano ciclo vicioso de poder. A má utilização dos recursos públicos é a marca registrada desta gente. Basta fazer pequenas comparações e chegaremos fácil nesta constatação, pois suas ações não visam impactar diretamente aqueles que mais precisam das políticas públicas, mas sim favorecer, direta e indiretamente os confrades, além da clara tentativa de entronizar seus idealizadores nos anais da história local. É só passar pela Rua Amazonas e teremos esta constatação.

          Eu gostaria também de “passar um pente” no cenário nacional e falar das lambanças da turma do Vardemá (deputado Valdemar da Costa Neto, dono do PR) no DENIT, justo num órgão com tantas necessidades e com tanto ainda por fazer, num país de dimensões continentais e que ainda convive com problemas estruturais inaceitáveis, como à falta de uma ponte que ligue os estados de Rondônia e Acre, ficando esta importante ligação interestadual à mercê de balsas para a travessia do Rio Madeira. Eu estou trabalhando na região e tem dias em que esta travessia se torna uma tortura, podendo passar até um dia inteiro na fila para se fazer esta travessia, o que está causando desabastecimento no estado do Acre.

          E as lambanças se multiplicam com a turma do ministro da agricultura Wagner Rossi na CONAB, onde, em pronunciamento na tribuna do Senado, um dos líderes peemedebista, o senador Valdir Raupp, declarou que se a CONAB fosse extinta ninguém sentiria falta. Fica claro que naquele mato tem coelho e que o ministro deverá mesmo engrossar a fila do desemprego.

          O pobre do Doutor Tancredo, ora habitante de Atlântida e sob os desígnios de Posseidon, nem poderia imaginar no que se transformaria o seu MDB ético e democrático do passado. Uma matilha de cães ferozes e escarnecedores, ávidos por poder e por picaretagem.

          A Presidenta Dilma, alavancada pela comprovação da sua popularidade no exercício do mandato e pelo seu histórico político invejável, precisa implementar de fato uma faxina mais ampla e a população precisa ser mais atuante, cobrando com veemência as responsabilidades dos seus administradores.

          Nossa vizinha São José do Rio Preto está dando mostras do seu amadurecimento político e tenho acompanhado – vibrante -, os desdobramentos do caso da votação pelo legislativo do polêmico projeto de ampliação dos cargos em comissão, sonhando com o dia em que aqui teremos também este engajamento e esta conscientização política, pois o “modus operandi” aqui é aglutinar interesses e fortalecer a elite para massacrar e escravizar o trabalhador, no que esta estratégia tem sido coberta de muito êxito.

          É preciso romper este ciclo alicerçado na canga e no chicote para que tenhamos uma sociedade mais diversificada e plena, que respeite os verdadeiros ideais de sociedade, pois esta conversa fiada de que a união das forças políticas locais nos tem conduzido as grandes vitórias, é uma balela que não convence mais ninguém, pois as vitórias de fato estão sendo empreendidas apenas por aquela meia-dúzia que está no controle da situação, basta observar o progresso que estão tendo a olhos vistos, enquanto patinamos na nossa labuta diária de trabalhador honesto e honrado. Trabalhador não pode passar procuração para que alguém que não saiba segurar a marmita numa das mãos enquanto se deleita com as sobras da noite anterior, possa representá-lo incondicionalmente. É preciso estar sempre mobilizado e sempre na busca pelos nossos direitos.

          “Trabalhadores do mundo, uni-vos, vós não tendes nada a perder a não ser vossos grilhões”. Este grito de protesto do Manifesto Comunista de Karl Marx, apesar de secular, continua tão verdadeiro e justo como no frescor da sua divulgação em 1848.

 

Ps: O parágrafo que está com fundo amarelo já fazia parte do texto, que foi escrito hoje enquanto eu almoçava e depois, roletando pela internet, tomei conhecimento das notícias da demissão do Rossi. Decidi manter o texto em sua íntegra para marcar meu apadrinhamento divinizado pelo grande Pai Florêncio. Mas, o ministro já foi tarde.

O thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo (o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo. Todos, não só os jovens agitadores, devem ser responsabilizados. O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.

O artigo é de David Harvey.

David Harvey “Adolescentes niilistas e bestiais”. Foi como o Daily Mail os apresentou: os jovens enlouquecidos, vindos de todas as vias da vida, que correram pelas ruas sem pensar, atirando desesperadamente tijolos, pedras e garrafas contra os polícias, saqueando aqui, incendiando ali, levando as autoridades a uma também enlouquecida caçada de salve-se quem puder/agarre o que conseguir, enquanto os jovens iam alterando os seus alvos estratégicos, saltando de um para outro.
A palavra “bestial” saltou-me à vista. Lembrou-me que os communards em Paris em 1871 foram mostrados como animais selvagens, como hienas, que mereciam ser (como foram, em vários casos) sumariamente executados, em nome da santidade da propriedade privada, da moralidade, da religião e da família. Mas em seguida a palavra trouxe-me outra associação: Tony Blair atacando os “média bestiais”, depois de ter vivido durante tanto tempo confortavelmente alojado no bolso esquerdo de Rupert Murdoch, até que Murdoch meteu a mão no bolso direito e de lá tirou David Cameron.
Evidentemente haverá o debate histérico de sempre entre os sempre prontos a ver a agitação das ruas como questão de pura, simples e imperdoável criminalidade, e os ansiosos por contextualizar eventos em termos de polícia incompetente; de eterno racismo e injustificada perseguição aos jovens e às minorias; de desemprego em massa entre os jovens; de pauperização incontrolável da sociedade; de uma política autista de austeridade que nada tem a ver com a economia e tudo tem a ver com a perpetuação e a consolidação da riqueza e do poder individuais. Haverá até quem condene o sem sentido e a alienação de tantos trabalhos e empregos e tal desperdício da vida de todos os dias, de tão imenso, mas desigualmente distribuído, potencial para o florescimento humano.
Se tivermos sorte, haverá comissões e relatórios que dirão tudo, outra vez, que já foi dito sobre Brixton e Toxteth nos anos Thatcher. Digo “sorte”, porque os instintos bestiais do atual primeiro-ministro parecem tender mais a mandar usar canhões de água, a convocar a brigada do gás lacrimogêneo e a usar balas revestidas de borracha, ao mesmo tempo em que ele untuosamente pontifica sobre a perda da bússola moral, o declínio da civilidade e a triste deterioração dos valores da família e da disciplina entre os jovens sem lar.
Mas o problema é que vivemos em sociedade na qual o próprio capitalismo se tornou desenfreadamente fera. Políticos-feras mentem nos gastos, banqueiros-feras assaltam a bolsa pública até ao último vintém, altos executivos, operadores de hedge fundse génios do lucro privado saqueiam o mundo dos ricos, empresas de telemóveis e cartões de crédito cobram misteriosas tarifas nas contas de todos, empresas de retalho aumentam os preços, por baixo do chapéu artistas vigaristas e golpistas aplicam os seus golpes até entre os mais altos escalões do mundo corporativo e político.
Uma economia política de saqueio das massas, de práticas predatórias que chegam ao assalto à luz do dia, sempre contra os mais pobres e vulneráveis, os simples e desprotegidos pela lei – isso é hoje a ordem do dia. Alguém ainda crê que seja possível encontrar um capitalista honesto, um banqueiro honesto, um político honesto, um comerciante honesto ou um delegado de polícia honesto? Sim, existem. Mas só como minoria, que todos os demais consideram idiotas. Seja esperto. Passe a mão no lucro fácil. Fraude, roube! A probabilidade de ser apanhado é baixa. E em qualquer caso, há muitos meios para proteger a fortuna pessoal e impedir que seja tocada pelos golpes das corporações.
Tudo isso, dito assim, talvez choque. Muitos de nós não vemos, porque não queremos ver. Claro que nenhum político se atreve a dizer estas coisas e a imprensa só publicaria, se algum dia publicasse, para escarnecer de quem dissesse. Mas acho que todos os que correm pelas ruas agitando a cidade sabem exatamente a que me refiro. Estão fazendo o que todos fazem, embora de modo diferente – mais flagrante, mais visível, nas ruas. O thatcherismo despertou os instintos bestiais do capitalismo (o “espírito animal” do empreendedor, como o chamam timidamente) e, desde então, nada surgiu que os domasse. Destruir e queimar é hoje a palavra de ordem das classes dominantes, de fato, em todo o mundo.
Essa é a nova normalidade sob a qual vivemos. Isso deveria preocupar o presidente do inquérito que rapidamente será nomeado. Todos, não só os jovens agitadores, devem ser responsabilizados. O capitalismo bestial deve ser levado a julgamento por crimes contra a humanidade, tanto quanto por crimes contra a natureza.
Infelizmente, isso é o que os agitadores nem vêem nem exigem. Tudo conspira para nos impedir de ver ou exigir exactamente isso. Por isso o poder político tão facilmente se traveste na roupagem da moralidade e de uma razão repugnante, de modo que ninguém veja a corrupção nua e a irracional estupidez.
Mas há réstias de esperança e luz em todo o mundo. O movimento dos indignados na Espanha e na Grécia, os impulsos revolucionários na América Latina, os movimentos camponeses na Ásia, todos esses começam a ver através da imundície que o capitalismo global, predatório, bestial lançou sobre o mundo. O que ainda falta para que todos vejamos e comecemos a agir? Como se poderá começar tudo outra vez? Que rumo tomar? As respostas não são fáceis. Mas uma coisa já se sabe: só chegaremos às respostas certas, se fizermos as perguntas certas.

(*) Geógrafo, professor emérito do Graduate Center da City University of New York.

(**) Artigo publicado em Counterpunch e disponível também em davidharvey.org, traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu.

in Carta maior

 

Fernando* estava na aula de artes e tinha acabado de terminar uma maquete sobre as pirâmides do Egito. Conversava com os amigos quando foi expulso da sala aos gritos de “demônio” e “filho do capeta”. Não tinha desrespeitado a professora nem deixado de fazer alguma tarefa. Seu pecado foi usar colares de contas por debaixo do uniforme, símbolos da sua religião, o candomblé. O fato de o menino, com então 13 anos, manifestar-se abertamente sobre sua crença provocou a ira de uma professora de português que era evangélica. Depois do episódio, ela proibiu Fernando de assistir às suas aulas e orientou outros alunos para que não falassem mais com o colega. O menino, aos poucos, perdeu a vontade de ir à escola. Naquele ano, ele foi reprovado e teve que mudar de colégio.
Quem conta a história é a mãe de Fernando, Andrea Ramito, que trabalha como caixa em uma loja. Segundo ela, o episódio modificou a personalidade do filho e deixou marcas também na trajetória escolar. “A autoestima ficou muito baixa, ele fez tratamento com psicólogo e queria se matar. Foi lastimável ver um filho sendo agredido verbalmente, fisicamente, sem você poder fazer nada. Mas o maior prejudicado foi ele que ficou muito revoltado e é assim até hoje”, diz.
Antes de levar o caso à Justiça, Andréa tentou resolver a situação ainda na escola, mas, segundo ela, a direção foi omissa em relação ao comportamento da professora. A mãe, então, decidiu procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra a docente. O caso aguarda julgamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Se for condenada, o mais provável é que a professora tenha a pena revertida em prestação de serviços à comunidade.
Já a Fundação de  Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec), responsável pela unidade, abriu uma sindicância administrativa para avaliar o ocorrido, mas a investigação ainda não foi concluída. Por essa razão, a professora – que é servidora pública – ainda faz parte do quadro da instituição, “respeitando o amplo direito de defesa das partes envolvidas e o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado do Rio de Janeiro”, segundo nota enviada pelo órgão. A assessoria não informou, entretanto, se ela está trabalhando em sala de aula.
A história do estudante Fernando, atualmente com 16 anos, não é um fato isolado. A pesquisadora Denise Carrera conheceu casos parecidos de intolerância religiosa em escolas de pelo menos três estados – Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A investigação será incluída em um relatório sobre educação e racismo no Brasil, ainda em fase de finalização.
“O que a gente observou é que a intolerância religiosa no Brasil se manifesta principalmente contra as pessoas vinculadas às religiões de matriz africana. Dessa forma, a gente entende que o problema está muito ligado ao desafio do enfrentamento do racismo, já que essas religiões historicamente foram demonizadas”, explica Denise, ligada à Plataforma de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca Brasil), que reúne movimentos e organizações da sociedade civil.
Denise e sua equipe visitaram escolas de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Ouviram de famílias, professores e entidades religiosas casos que vão desde humilhação até violência física contra alunos de determinadas religiões. E, muitas vezes, o agressor era um educador ou membro da equipe escolar.
“A gente observa um crescimento do número de professores ligados a determinadas denominações neopentecostais que compreendem que o seu fazer profissional deve ser um desdobramento do seu vínculo religioso. Ou seja, ele pensa o fazer profissional como parte da doutrinação, nessa perspectiva do proselitismo”, aponta a pesquisadora.
Alunos que são discriminados dentro da escola, por motivos religiosos, culturais ou sociais, têm o processo de aprendizagem comprometido. “Afeta a construção da autoestima positiva no ambiente escolar e isso mina o processo de aprendizagem porque ele se alimenta da afetividade, da capacidade de se reconhecer como alguém respeitado em um grupo. E, na medida em que você recebe tantos sinais de que sua crença religiosa é negativa e só faz o mal, essa autoafirmação fica muito difícil”, acredita Denise.
Para ela, a religião está presente na escola não só na disciplina de ensino religioso. “Há aqueles colégios em que se reza o Pai-Nosso na entrada, que param para fazer determinados rituais, cantar músicas religiosas. Criticamos isso no nosso relatório porque entendemos que a escola deve se constituir como um espaço laico que respeite a liberdade religiosa, mas não que propague um determinado credo ou constranja aqueles que não têm vínculo religioso algum”, diz.
*o nome foi alterado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo
Texto publicado originalmente no blog Maria da Penha Neles !

Estamos republicando o texto abaixo, do blog Matutações como contraponto, estímulo à reflexão crítica vis a vis com a  publicação anterior nossa sobre a mesma matéria. Que tipo de “cooperação” o Brasil vem oferecendo aos parceiros africanos? Que modêlo de produção estamos exportando? Quais intereses nacionais estão sendo favorecidos? Até onde é uma diretriz da nova política externa brasileira a inserção como elo intermediário da corrente de dominação imperialista?  É nosso propósito a internacionalização do latifundio nacional como modelo de produção? Queremos fortalencer a visão de que a defesa ambiental é simplesmente um entrave à produção de riquezas? Assuminos a direção da FAO, defendendo o direito humano  à vida, decorrendo daí o alimento como direito e exportamos o modelo do alimento como mercadoria no âmbito da OMC ?

A Serra Mitucué by Andreas Martin
A Serra Mitucué, a photo by Andreas Martin on Flickr.

Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terras de graça, sem tantos impedimentos ambientais, com o (custo) do frete à China muito mais barato (…) Hoje, além da terra estar caríssima no Mato Grosso, é impossível obter licença de desmatamento e limpeza de área

por África 21 Digital, em 15/08/2011

Brasília – O governo de Moçambique ofereceu a concessão de 6 milhões de hectares de terras a agricultores brasileiros para o plantio de soja, milho e algodão, informou, domingo (14), jornal “Folha de S.Paulo”.

“Os agricultores brasileiros têm experiência acumulada que é muito bem-vinda. Queremos repetir em Moçambique o que fizeram no cerrado há 30 anos”, disse o ministro da Agricultura moçambicano, José Pacheco, em declarações ao jornal.

Moçambique colocou à disposição do Brasil 6 milhões de hectares em quatro estados do norte do país, para explorá-las em regime de concessão por 50 anos, mediante o pagamento de imposto de R$ 21 ao ano (cerca de 9 euros) por hectare, disse Pacheco. As terras estão nas províncias do Niassa, Cabo Delgado, e Nampula, no norte do país, e na Zambézia, província na região centro.

A condição imposta pelo Governo moçambicano para oferecer as terras baratas é que seja contratada no país africano ao menos 90% da mão-de-obra. (Nota de Matutações: Mas o modelo latifundiário da monocultura é de baixíssima utilização de mão-de-obra, por ser altamente mecanizada)

Segundo a “Folha”, a primeira leva de 40 agricultores brasileiros vai viajar em setembro a Moçambique para implantar em terras das províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambezia.

Moçambique também vai dar outras facilidades aos brasileiros, como isenção de impostos para a importação de máquinas e equipamentos agrícolas.

Carlos Ernesto Augustin, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão

O presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão, Carlos Ernesto Augustin, disse à “Folha” que as terras moçambicanas são muito semelhantes às do interior do Brasil, com a vantagem do preço e da facilidade de obter licenças ambientais.

“Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terras de graça, sem tantos impedimentos ambientais, com o (custo) do frete à China muito mais barato (…) Hoje, além da terra estar caríssima no Mato Grosso, é impossível obter licença de desmatamento e limpeza de área”, declarou Augustin, citado pela Folha.

Augustin organizou a missão de agricultores para ir ao país em setembro ver as terras. Um consultor da Ampa já está no país contatando autoridades e preparando a viagem. “Quem vai tomar conta da África? Chinês, europeu ou americano? O brasileiro, que tem conhecimento do cerrado”, diz Augustin.

Os produtores vão a reboque da Embrapa, que mantém na área o projeto Pro-Savana, com a Agência Brasileira de Cooperação e a Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão). (Nota de Matutações: isso não é novidade, em Angola a Embrapa já tem também os seus projetos, que começam sob o disfarçe da transferência de tecnologia agrícola, com vistas à agricultura familiar, mas no fim, o objetivo é a monocultura do açúcar (etanol), sob a batuta firme da onipresente Odebrecht. Ou seja, não dá para desvincular a política externa brasileira como a defesa, pura e simples, do capitalismo concentrador de renda, a despeito da “fala mansa” das alianças Sul-Sul)

O projeto de cooperação técnica em Moçambique é o maior da Embrapa fora do Brasil -terá 15 pessoas a partir de outubro. Em duas estações no norte do país, eles estão testando sementes de algodão, soja, milho, sorgo, feijão do cerrado brasileiro, para adaptá-las ao norte moçambicano.

“Nessa região, metade da área é povoada por pequenos agricultores, mas a outra metade é despovoada, como existia no oeste da Bahia e em Mato Grosso nos anos 80″, diz Francisco Basílio, chefe da Secretaria de
Relações Internacionais da Embrapa.

Fonte: http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=12261139&canal=402 e

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=46353

Recebemos um comentário ao texto “O SERTÃO E A DESVALORIZAÇÃO DA CULTURA POPULAR” da lavra de Eugênio, cuja leitura recomendamos, como chave de ouro ao comentário ele nos apresentou dois links para acesso a tesouros da brasilidade.

Vejamos:

Gêneros de Poesia Popular

Francisco Linhares e Otacílio Batista

Entre as criações dos poetas clássicos, que vieram a ser usadas pelos nossos cantadores, estão a Quadra, a Décima, a Sextilha em decassílabo com rimas cruzadas, e sua variante.

A Sextilha com rimas cruzadas originou-se da Oitava de Ariosto, estilo que Sá de Miranda (irmão de Mem de Sá), introduziu em Portugal, no século XVI, e que possibilitou a Camões realizar sua imortal obra “Os Lusíadas”.

Contando-se com os gêneros mais usados, com os de pouca utilização, ou com os que se encontram completamente abandonados para o improviso, a “Poesia Popular” possui trinta e seis modalidades, número verdadeiramente espantoso, que vem, através dos tempos, demonstrar o grande poder criativo dos nossos bardos matutos.

Até à época da famosa peleja de Francisco Romano Caluete com Inácio da Catingueira, o estilo preferido pelos cantadores era a Quadra. Após isso, apareceu a Sextilha, pertencente à família dos setessílabos, modalidade essa usada, não só nos grandes debates, mas, também, na abertura de qualquer programa de viola. “É a Deusa inspiradora dos poetas repentistas”. Faremos, a seguir, um estudo dos principais gêneros usados pelos nossos violeiros.

Sextilha

Talvez, por ser mais fácil, seja o gênero preferido pelos nossos repentistas, principalmente no início das apresentações. A Sextilha é uma estrofe com rimas deslocadas, constituída de seis linhas, seis pés ou de seis versos de sete sílabas, nomes que têm a mesma significação. Na Sextilha, rimam as linhas pares entre si, conservando as demais em versos brancos. Leandro Gomes de Barros, grande escritor da Literatura de Cordel, filho de Pombal, Estado da Paraíba, escreveu:

Meus versos inda são do tempo
Que as coisas eram de graça:
Pano medido por vara,
Terra medida por braça,
E um cabelo da barba
Era uma letra na praça.

Outro exemplo que daremos é o do ceguinho anônimo, que, após a morte de sua desventurada mãe e guia, chorou, com os olhos d’alma, seu infortúnio:

Já tive muito prazer,
Hoje só tenho agonia!
Não sinto porque sou cego,
Eu sinto é falta do guia!
Quando mamãe era viva,
Eu era um cego que via!

Ou, ainda, a de Francisco Pequeno, repentista paraibano, nesta inteligente análise:

Uma morrinha no gado
É derrota em fazendeiro,
E um cavalo ruim
derrota dum vaqueiro!
A derrota do país
É dever no estrangeiro!

Sete Linhas ou Sete Pés

No início do século atual, o Cantador alagoano Manoel Leopoldino de Mendonça Serrador fez uma adaptação à Sextilha, criando o estilo de sete versos, também chamado de sete linhas ou de sete pés, rimando os versos pares até o quarto, como na Sextilha; o quinto rima com o sexto, e o sétimo com o segundo e o quarto. Exemplifiquemos com o próprio criador do gênero:

Amigo José Gonçalves,
Amanhã cedinho, vá
A Coatis, onde reside
Compadre João Pirauá;
Diga a ele dessa vez,
Que amanhã das seis a seis,
Deus querendo, eu chego lá!

José Duda do Zumbi (Manoel Galdino da Silva Duda), no ocaso da vida, com a experiência da idade, disse para José Miguel, jovem companheiro, com quem duelava:

Fui moço, hoje estou velho!
Pois o tempo tudo muda!
Já fui um dos cantadores
Chamado Deus nos acuda …
Este que estão vendo aqui
Foi Zé Duda do Zumbi!
Hoje Zumbi do Zé Duda!

Moirões

Dentro da contextura da Poesia Popular, o Moirão tem sido o gênero… leia mais clicando aqui

Chega mais povo,brasileiro!

vem ouvir a voz do violeiro

que traz novas do sertão inteiro

e também do estrangeiro!

CULTURA VIOLÍSTICA REPENTISTA

QUADRA, QUADRÃO, SEXTILHA, MOURÃO, MARTELO AGALOPADO E GALOPE À BEIRA-MAR

Os violeiros nordestinos formam um repente, que é a habilidade que tem o poeta tem de compor versos na hora, geralmente em resposta à provocação anterior criada pelo outro violeiro da dupla. Essa atividade, a de um criar uma estrofe e o outro responder em versos é conhecida como desafio.

Os versos, conforme sua metrificação, são conhecidos por nomes como quadra, quadrão, sextilha, mourão, martelo agalopado, galope à beira-mar.

Sextilhas são estrofes de seis versos. Mas existem muitos outros gêneros, como a quadra, de quatro versos; o quadrão, de oito; o galope à beira-mar, o martelo agalopado, o moirão, a décima, o gabinete, a toada alagoana.A sextilha, talvez por ser mais fácil, é o gênero preferido dos repentistas, principalmente no início de suas apresentações – os chamados desafios.

O martelo agalopado, é considerado o mais nobre. O martelo é composto de estrofes de dez versos, em decassílabos.

O galope à beira-mar é assim chamado porque sempre discorre sobre temas praieiros.

Veja como o Cego Aderaldo enfrenta um desafio

sextilha

quadrão

mourão

martelo agalopado

Quadra: muito aplicada em prosa, poesia popular, literatura de cordel, sendo os versos com quatro linhas (ou pés), de sete sílabas, com a deixa livre ou rimando com a próxima estrofe, podendo ter um esquema de rima bastante variado.

Nesse mundo turbulento
Escravo do capital
Eu quase que não agüento
Carregar meu ideal.

Luto, luto a cada dia…
Porque lutar não faz mal.
Meu maior sonho seria
Ver o mundo mais igual.
(Valentim Martins)

Quadrão: é uma quadra de oito versos.

Sextilha: gênero preferido pela maioria dos poetas de cordel e violeiros contendo versos de sete sílabas e estrofes de seis linhas:

É a pobreza aumentando
Numa proporção veloz
Quando ficamos calados
Alguém decide por nós
É por isso que eu digo
Temos que ter vez e voz.
(Valentim Martins)

Setissílabos: também chamados de heptassílabos são versos de sete sílabas que podem ser apresentados em estrofes com sete, oito, e dez linhas:

Lágrimas, sonhos, sorrisos…
Temos sempre eu e você
É difícil a caminhada
Nessa arte de viver
Desde os atos mais medonhos
Menor do que nossos sonhos
Sei que não podemos ser…
(Valentim Martins)

Decassílabo: dez linhas e dez sílabas: LEIA MAIS CLICANDO AQUI

   

Por Manoel Belizario

       Qualquer pessoa que visite o sertão hoje na perspectiva de encontrar um espaço que faça jus ao status de habitat natural da Literatura de Cordel e da cultura popular nordestina com certeza ficará decepcionado: as terras sertanejas hoje em dia,  como nunca, servem ao lixo cultural invasor de todo o nosso país.
Lembro com muita saudade de meu tempo de criança no sitio Lages entre os anos de 1985-1990. Foi nesta época que presenciei a efervescência da cultura popular em minha região. Brincadeiras de roda, galhinho de amor, do anel, passeio, cai no poço, as leituras de livretos, recontação dos mesmos em forma histórias nas debulhas de feijão, etc.
Com o surgimento da TV lá em meu sítio, em 1990 aí mudou-se o foco e ninguém quis mais saber de outra coisa, só das novelas que ainda me lembro que estava passando à época: Gente Fina, Mico Preto, Rainha da Sucata, etc. Ninguém tinha outro assunto para falar.
Durante o tempo que permaneci no Sertão, na zona urbana – entre 1990-2004 sinceramente não tive oportunidade de ter um contato expressivo com as manifestações culturais populares. Conheci muito pouco do forró de raiz e a Literatura de Cordel simplesmente desapareceu.
Foi em João Pessoa que tive oportunidade de conhecer mais a fundo as manifestações culturais do sertão e portanto passei a dar um especial valor às mesmas.
Vejo então uma inversão de valores. Hoje a capital valoriza a cultura sertaneja e o próprio sertão a descarta ou substitui por uma cultura efêmera, medíocre, suja, o chamado lixo cultural – como o caso do forró de raiz trocado pelo eletrônico/pornográfico.

Quem visitar o sertão
Procurando por cultura
Com certeza não será
Feliz em tal aventura
Sei que é triste o que digo,
Mas é a verdade pura.

O sertão hoje está
Envolto num lamaçal
Podre e talvez sem volta:
O do lixo Cultural.
Que eleva a porcaria,
Que valoriza o banal.

Acorda sertão o teu
Forró e o de raiz
O qual foi disseminado
Pelo Jackson e por Luiz
No Brasil, onde nasceu
O cordel? Sertão me diz…

Imagem: http://www.overmundo.com.br

Publicado originalmente no Cordel Paraíba


A maior bancada da Câmara dos Deputados, a do Partido dos Trabalhadores (PT), escolheu as reformas política e tributária como os dois grandes temas para o segundo semestre. A informação é do líder Paulo Teixeira (SP), que coordenou encontro da bancada no início da semana, para planejar e definir as prioridades do semestre.

O principal ponto da reforma eleitoral defendida pelo PT é o financiamento público de campanha. “Essa medida evitará que a política seja capturada pelo poder econômico, democratizando as disputas”. O líder lembrou que, numa trajetória crescente, desde a redemocratização, o sistema tem sido tolerante com o uso e abuso do grande capital em eleições.

“Uma das consequências é que as campanhas eleitorais têm ficado cada vez mais caras, afastando o povo e lideranças populares da atividade política”, comentou Paulo Teixeira. “Somos uma sociedade desigual e cada dia mais o financiamento de campanha requer uma arquitetura financeira que afasta pessoas comuns, sindicalistas, intelectuais e grandes personalidades da política, por conta do custo da campanha”.

Quanto à reforma tributária, Paulo Teixeira a considera essencial para impulsionar o crescimento econômico do país, gerando mais emprego e renda. Na proposta do governo, um dos pontos principais é a desoneração das empresas que geram mais empregos. O processo já começou com o Plano Brasil Maior, lançado dia 2. Uma das medidas desonera a folha de pagamento dos setores que empregam grande volume de mão de obra, como confecção, calçados, móveis e software, sem afetar a Previdência, já que o Tesouro irá cobrir os gastos. Também faz parte o projeto do Super Simples Nacional, que atualiza as faixas que se enquadram no regime tributário simplificado.

Saúde, Segurança, Comissão da Memória e Vale Cultura

A saúde é outro destaque. “Achamos que o Parlamento deve dialogar com os governos estaduais e municipais para encaminharmos de forma adequada a melhoria da saúde no Brasil, sobretudo com a regulamentação da emenda constitucional 29, que precisa ser pactuada entre todos estes atores”, disse o líder petista.

Paulo Teixeira citou também outros pontos importantes destacados pela Bancada do PT, como a criação da Comissão da Memória e da Verdade, Emenda Constitucional que combate o Trabalho Escravo e a redução da jornada de trabalho para quarenta horas semanais, o que favorece a geração de empregos. “Além disso, precisamos votar o Plano Nacional de Educação (PNE) que vai melhorar a nossa educação, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) que amplia as vagas e leva para o interior novas oportunidades de estudo, o Programa de Incentivo à Cultura (Procultura), que vai distribuir melhor os recursos para a área ”, acrescentou.