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Representante do Ministério Público vê contradições no texto aprovado pela Assembleia Legislativa.

Do: limpinho & cheiroso

Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Assim que o governador Alberto Goldman sancionar o Projeto de Lei 45/2010, o Ministério Público Estadual de São Paulo entrará com ação civil pública para barrar a medida. A promessa é de Arthur Pinto Filho, promotor de Direitos Humanos especializado em saúde pública. A referência é ao texto aprovado na terça-feira, dia 21, pela Assembleia Legislativa do Estado que destina 25% dos leitos de hospitais públicos de alta complexidade a pacientes particulares e de convênio médico.

“Vamos entrar com ação civil pública solicitando ação de inconstitucionalidade da lei e, portanto, de ilegalidade dos hospitais destinarem 25% dos seus leitos para os privados”, afirmou o promotor à Rede Brasil Atual.

O promotor avalia que também cabe Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas partidos políticos e entidades de repre-sentação de âmbito nacional é que podem usar esse tipo de recurso.

Arthur Pinto Filho indica contradições na justificativa do governo do estado de São Paulo para destinar 25% leitos e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) à iniciativa privada.

“Se fosse o que o governo diz que é para cobrar do plano de saúde, já tem uma lei, a 9.058/94, que já permite que o SUS atenda cidadão com plano de saúde e depois cobre do plano de saúde esse valor”, aponta o representante do Ministério Público de São Paulo.

Na mensagem encaminhada aos deputados, o governador de São Paulo Alberto Goldman destaca que “a proposta visa, em síntese, garantir que as unidades de saúde possam obter o justo pagamento dos planos privados pelos atendimentos realizados”.

Entretanto, a medida aprovada pela Alesp pode ter efeito contrário ao estipular que apenas 25% da utilização dos leitos do SUS será cobrada dos planos de saúde. Arthur calcula que em uma cidade como São Paulo em que metade da população tem plano de saúde, a legislação vai ter efeito contrário, porque só vai cobrar de 25% do que será utilizado. “Você vai cobrar 25%, e os outros 25% que vão entrar pelo SUS pelas vias normais, não vai cobrar então?”, indaga.

Por outro lado, na análise do promotor, a reserva de leitos vai aumentar o atrativo dos planos de saúde, principalmente os oferecidos por empresas menores. “O que vai acontecer é que do dia para a noite os planos de saúde vão receber mais 25% dos leitos”, prevê.

Arthur também cita que haverá fila dupla para atendimento e perda de leitos destinados aos usuários do SUS. “O que vai acontecer é que você vai retirar do quase nada um quarto, então a cada quatro leitos você vai tirar um”, analisa.

Via Rede Brasil Atual

 do Brasília Confidencial

Quem confere a lista das receitas da campanha eleitoral do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fica impressionado com um fato: existe apenas um doador declarado, o Banco Itaú, que contribuiu com R$ 1 milhão. O restante dos R$ 34,2 milhões investidos pela campanha tucana – segundo foi declarado à Justiça Eleitoral – correspondem às chamadas “doações ocultas”, nas quais as empresas doam dinheiro para os comitês que o repassam para o candidato. A doação do Itaú foi realizada no dia 5 de agosto de 2010 e é equivalente ao que foi pago na produção de todos os programas de rádio e televisão de Alckmin.

Fraude no metrô –
Praticamente todos os partidos, porém, recorrem às doações ocultas por conta de uma brecha na legislação eleitoral. Entre os governadores eleitos em 2010, Siqueira Campos (PSDB-TO) recebeu 98% de suas doações através de partidos ou comitês. Algo semelhante ocorreu com Raimundo Colombo (DEM-SC), que teve 92% de contribuições “ocultas” e Roseana Sarney (PMDB-MA) que registrou 87% na mesma modalidade. No entanto, a quantidade de doações via comitê para a campanha tucana ao Palácio dos Bandeirantes expõe uma situação delicada: R$ 5,8 milhões tem sua origem em empresas suspeitas de fraudar licitações da Linha 5 (Lilás) do metrô paulistano. É o que se constata na prestação de contas divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A construtora Camargo Corrêa, participante do consórcio vencedor do lote 3, encaminhou R$ 2,5 milhões ao comitê de Alckmin. Mendes Junior (R$ 1,2 milhão), OAS (R$ 1 milhão), Andrade Gutierrez (R$ 500 mil), Carioca (R$ 400 mil) e Triunfo (R$ 215 mil) completam a lista. Na lista de construtoras que repassaram dinheiro diretamente ao PSDB-SP estão também as vencedoras do lote 2 da linha 5 do metrô: Serveng e Galvão Engenharia.

Licitação suspensa –
Quando a Folha de S. Paulo revelou que os vencedores da licitação de cinco lotes do metrô já eram conhecidos seis meses antes da data marcada, o governo teve que suspender temporariamente as obras da Linha 5. O resultado da licitação só foi divulgado no fim de outubro de 2010. Entretanto, o diário paulista já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório em abril de 2010.O Ministério Público Estadual investiga irregularidades nos contratos do Metrô de São Paulo desde 2008, quando surgiu a suspeita de que a multinacional Alstom teria pago propina a altos funcionários.Fonte: Brasília Confidencial

Destaques CartaCapital

Violação da lógica

Leandro Fortes 22 de outubro de 2010 às 9:26h

A mídia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra é fruto de uma guerra tucana. A PF revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Jr. (foto), então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. Por Leandro Fortes

A mídia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra é fruto de uma guerra tucana

Apesar do esforço em atribuir a culpa à campanha de Dilma Rousseff, o escândalo da quebra dos sigilos fiscais de políticos do PSDB e de parentes do candidato José Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.

Obrigada a abrir os resultados do inquérito após uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclusões distorcidas, a Polícia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. O serviço ilegal foi pago. E há, como se verá adiante, divergências nos valores desembolsados (o pagamento­ ­teria ­variado, segundo as inúmeras versões, de 8 mil a 13 mil reais).

Ribeiro Júnior prestou três depoimentos à PF. No primeiro, afirmou que todos os documentos em seu poder haviam sido obtidos de forma legal, em processos públicos. Confrontado com as apurações policiais, que indicavam o contrário, foi obrigado nos demais a revelar a verdade. Segundo contou o próprio repórter, a encomenda aos despachantes fazia parte de uma investigação jornalística iniciada a pedido do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que buscava uma forma de neutralizar a arapongagem contra ele conduzida pelo deputado federal e ex-delegado Marcelo Itagiba, do PSDB. Itagiba, diz Ribeiro Júnior, agiria a mando de Serra. À época, Aécio disputava com o colega paulista a indicação como candidato à Presidência pelo partido.

Ribeiro Júnior disse à PF ter sido escalado para o serviço diretamente pelo diretor de redação do jornal mineiro, Josemar Gimenez, próximo à irmã de Aécio, Andréa Neves. A apuração, que visava levantar escândalos a envolver Serra e seus aliados durante o processo de privatização do governo Fernando Henrique Cardoso, foi apelidada de Operação Caribe. O nome sugestivo teria a ver com supostas remessas ilegais a paraísos fiscais.

Acuado por uma investigação tocada por Itagiba, chefe da arapongagem de Serra desde os tempos do Ministério da Saúde, Aécio temia ter a reputação assassinada nos moldes do sucedido com Roseana Sarney, atual governadora do Maranhão, em 2002. Naquele período, a dupla Itagiba-Serra articulou com a Polícia Federal a Operação Lunus, em São Luís (MA), que flagrou uma montanha de dinheiro sujo na empresa de Jorge Murad, marido de Roseana, então no PFL. Líder nas pesquisas, Roseana acabou fora do páreo após a imagem do dinheiro ter sido exibida diuturnamente nos telejornais. Serra acabou ungido a candidato da aliança à Presidência, mas foi derrotado por Lula. A família Sarney jamais perdoou o tucano pelo golpe.

Influente nos dois mandatos do irmão, Andréa Neves foi, por sete anos, presidente do Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas) de Minas Gerais, cargo tradicional das primeiras-damas mineiras, ocupado por ela por conta da solteirice de Aécio. Mas nunca foi sopa quente ou agasalho para os pobres a vocação de Andréa. Desde os primeiros dias do primeiro mandato do irmão, ela foi escalada para intermediar as conversas entre o Palácio da Liberdade e a mídia local. Virou coordenadora do Grupo Técnico de Comunicação do governo, formalmente criado para estabelecer as diretrizes e a execução das políticas de prestação de contas à população. Suas relações com Gimenez se estreitaram.

Convenientemente apontado agora como “jornalista ligado ao PT”, Ribeiro Júnior sempre foi um franco-atirador da imprensa brasileira. E reconhecido.­ Aos 47 anos, ganhou três prêmios Esso e quatro vezes o Prêmio Vladimir Herzog, duas das mais prestigiadas premiações do jornalismo nativo. O repórter integra ainda o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e é um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Entre outros veículos, trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo e IstoÉ. Sempre se destacou como um farejador de notícia, sem vínculo com políticos e partidos. Também é reconhecido pela coragem pessoal. Nunca, portanto, se enquadrou no figurino de militante.

Em 19 de setembro de 2007, por exemplo, Ribeiro Júnior estava em um bar de Cidade Ocidental, em Goiás, no violento entorno do Distrito Federal, para onde havia ido a fim de fazer uma série de reportagens sobre a guerra dos traficantes locais. Enquanto tomava uma bebida, foi abordado por um garoto de boné, bermuda, casaco azul e chinelo com uma arma em punho. O jornalista pulou em cima do rapaz e, atracado ao agressor, levou um tiro na barriga. Levado consciente ao hospital, conseguiu se recuperar e, em dois meses, estava novamente a postos para trabalhar no Correio Braziliense, do mesmo grupo controlador do Estado de Minas, os Diários Associados. Gimenez acumula a direção de redação dos dois jornais.

Depois de baleado, Ribeiro Júnior, contratado pelos Diários Associados desde 2006, foi transferido para Belo Horizonte, no início de 2008, para sua própria segurança. A partir de então, passou a ficar livre para tocar a principal pauta de interesse de Gimenez: o dossiê de contrainformação encomendado para proteger Aécio do assédio da turma de Serra. O jornalista tinha viagens e despesas pagas pelo jornal mineiro e um lugar cativo na redação do Correio em Brasília, inclusive com um telefone particular. Aos colegas que perguntavam de suas rápidas incursões na capital federal, respondia, brincalhão: “Vim ferrar com o Serra”.

Na quarta-feira 20, por ordem do ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a cúpula da PF foi obrigada a se movimentar para colocar nos eixos a história da quebra de sigilos. A intenção inicial era só divulgar os resultados após o término das eleições. O objetivo era evitar que as conclusões fossem interpretadas pelos tucanos como uma forma de tentar ajudar a campanha de Dilma Rousseff. Mas a reportagem da Folha, enviezada, obrigou o governo a mudar seus planos. E precipitou uma série de versões e um disse não disse, que acabou por atingir o tucanato de modo irremediável.

Em entrevista coletiva na quarta-feira 20, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o delegado Alessandro Moretti, da Divisão de Inteligência Policial (DIP), anunciaram não existir relação entre a quebra de sigilo em unidades paulistas da Receita Federal e a campanha presidencial de 2010. De acordo com Moretti, assim como constou de nota distribuída aos jornalistas, as provas colhidas revelaram que Ribeiro Júnior começou a fazer levantamento de informações de empresas e pessoas físicas ligadas a tucanos desde o fim de 2008, por conta do trabalho no Estado de Minas. A informação não convenceu boa parte da mídia, que tem arrumado maneiras às vezes muito criativas de manter aceso o suposto elo entre a quebra de sigilo e a campanha petista.

Em 120 dias de investigação, disse o delegado Moretti, foram ouvidas 37 testemunhas em mais de 50 depoimentos, que resultaram nos indiciamentos dos despachantes Dirceu Rodrigues Garcia e Antonio Carlos Atella, além do office-boy Ademir Cabral, da funcionária do Serpro cedida à Receita Federal Adeildda dos Santos, e Fernando Araújo Lopes, suspeito de pagar à servidora pela obtenção das declarações de Imposto de Renda. Ribeiro Júnior, embora tenha confessado à PF ter encomendado os do­cumentos, ainda não foi indiciado. Seus advogados acreditam, porém, que ele não escapará. Um novo depoimento do jornalista à polícia já foi agendado.
De acordo com a investigação, a filha e o genro do candidato do PSDB, Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, tiveram os sigilos quebrados na delegacia da Receita de Santo André, no ABC Paulista. Outras cinco pessoas, das quais quatro ligadas ao PSDB, tiveram o sigilo violado em 8 de outubro de 2009, numa unidade da Receita em Mauá, também na Grande São Paulo. Entre elas aparecem o ex-ministro das Comunicações do governo Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, e Gregório Preciado, ex-sócio de Serra. O mesmo ocorreu em relação a Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e tesoureiro de campanhas de Serra e FHC.

Segundo dados da PF, todas as quebras de sigilo ocorreram entre setembro e outubro de 2009. As informações foram utilizadas para a confecção de relatórios, e todas as despesas da ação do jornalista, segundo o próprio, foram custeadas pelo jornal mineiro. Mas o repórter informou aos policiais ter disposto de 12 mil reais, em dinheiro, para pagar pelos documentos – 8,4 mil reais, segundo Dirceu Garcia – e outras despesas de viagem e hospedagem. Garcia revelou ao Jornal Nacional, da TV Globo, na mesma quarta 20, ter recebido 5 mil reais de Ribeiro Júnior, entre 9 e 19 de setembro passado, como “auxílio”. A PF acredita que o “auxílio” é, na verdade, uma espécie de suborno para o despachante não confessar a quebra ilegal dos sigilos.
A nota da PF sobre a violação fez questão de frisar que “não foi comprovada sua utilização em campanha política”, base de toda a movimentação da mídia em torno de Ribeiro Júnior desde que, em abril, ele apareceu na revista Veja como integrante do tal “grupo de inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff. Embora seja a tese de interesse da campanha tucana e, por extensão, dos veículos de comunicação engajados na candidatura de Serra, a ligação do jornalista com o PT não chegou a se consumar e é um desdobramento originado da encomenda feita por Aécio.

A vasta apuração da Operação Caribe foi transformada em uma reportagem jamais publicada pelo Estado de Minas. O material, de acordo com Ribeiro Júnior, acabou por render um livro que ele supostamente pretende lançar depois das eleições. Intitulado Os Porões da Privataria, a obra pretende denunciar supostos esquemas ilegais de financiamento, lavagem de dinheiro e transferência de recursos oriundos do processo de privatização de estatais durante o governo FHC para paraísos fiscais no exterior. De olho nessas informações, e preocupado com “espiões” infiltrados no comitê, o então coordenador de comunicação da pré-campanha de Dilma, Luiz Lanzetta, decidiu procurar o jornalista.

Lanzetta conhecia Ribeiro Júnior e também sabia que o jornalista tinha entre suas fontes notórios arapongas de Brasília. Foi o repórter quem intermediou o contato de Lanzetta com o ex-delegado Onézimo Souza e o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. O quarteto encontrou-se no restaurante Fritz, localizado na Asa Sul da capital federal, em 20 de abril. Aqui, as versões do conteú­do do convescote divergem. Lanzetta e Ribeiro Júnior garantem que a intenção era contratar Souza para descobrir os supostos espiões. Segundo o delegado, além do monitoramento interno, a dupla queria também uma investigação contra Serra.

O encontro no Fritz acabou por causar uma enorme confusão na pré-campanha de Dilma e, embora não tenha resultado em nada, deu munição para a oposição e fez proliferar, na mídia, o mito do “grupo de inteligência” montado para fabricar dossiês contra Serra. A quebra dos sigilos tornou-se uma obsessão do programa eleitoral tucano, até que, ante a falta de dividendos eleitorais, partiu-se para um alvo mais eficiente: os escândalos de nepotismo a envolver a então ministra da Casa Civil Erenice Guerra.

O tal “grupo de inteligência” que nunca chegou a atuar está na base de outra disputa fratricida, desta vez no PT. De um lado, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte que indicou a empresa de Lanzetta, a Lanza Comunicações, para o trabalho no comitê eleitoral petista. Do outro, o deputado estadual por São Paulo Rui Falcão, interessado em assumir maior protagonismo na campanha de Dilma Rousseff. Essa guerra de poder e dinheiro resultou em um escândalo à moda desejada pelo PSDB.

Em um dos depoimentos à polícia, Ribeiro Júnior acusa Falcão de ter roubado de seu computador as informações dos sigilos fiscais dos tucanos. Segundo o jornalista, o deputado teria mandado invadir o quarto do hotel onde ele esteve hospedado em Brasília. Também atribuiu ao petista o vazamento de informações a Veja. O objetivo de Falcão seria afastar Lanzetta da pré-campanha e assumir maiores poderes. À Veja, Falcão teria se apresentado como o lúcido que impediu que vicejasse uma nova versão dos aloprados, alusão aos petistas presos em 2006 quando iriam comprar um dossiê contra Serra. Em nota oficial, o parlamentar rebateu as acusações. Segundo Falcão, Ribeiro Júnior terá de provar o que diz.

As conclusões do inquérito não satisfizeram a mídia. Na quinta 21, a tese central passou a ser de que Ribeiro Júnior estava de férias – e não a serviço do jornal – quando veio a São Paulo buscar a encomenda feita ao despachante. E que pagou a viagem de Brasília à capital paulista em dinheiro vivo. Mais: na volta das férias, o jornalista teria pedido demissão do Estado de Minas sem “maiores explicações”.

É o velho apego a temas acessórios para esconder o essencial. Por partes: A retirada dos documentos em São Paulo é resultado de uma apuração, conduzida, vê-se agora, por métodos ilegais, iniciada quase um ano antes. Não há dúvidas de que o diá­rio mineiro pagou a maioria das despesas do repórter para o levantamento das informações. Ele não é filiado ao PT ou trabalhou na campanha ou na pré-campanha de Dilma.

Ribeiro Júnior pediu demissão, mas não de forma misteriosa como insinua a imprensa. O pedido ocorreu por causa da morte de seu pai, dono de uma pizzaria e uma fazenda em Mato Grosso. Sem outros parentes que ­pudessem cuidar do negócio, o jornalista decidiu trocar a carreira pela vida de pequeno empresário. Neste ano, decidiu regressar ao jornalismo. Hoje ele trabalha na TV Record.

Quando o resultado do inquérito veio à tona, a primeira reação do jornal mineiro foi soltar uma nota anódina que nem desmentia nem confirmava o teor dos depoimentos de Ribeiro Júnior. “O Estado de Minas é citado por parte da imprensa no episódio de possível violação de dados fiscais de pessoas ligadas à atual campanha eleitoral. Entende que isso é normal e recorrente, principalmente às vésperas da eleição, quando os debates se tornam acalorados”, diz o texto. “O jornalista Amaury Ribeiro Júnior trabalhou por três anos no Estado de Minas e publicou diversas reportagens. Nenhuma, absolutamente nenhuma, se referiu ao fato agora em questão. O Estado de Minas faz jornalismo.”

No momento em que o assunto tomou outra dimensão, a versão mudou bastante. Passou a circular a tese de que Ribeiro Júnior agiu por conta própria, durante suas férias. Procurado por CartaCapital, Gimenez ficou muito irritado com perguntas sobre a Operação Caribe. “Não sei de nada, isso é um absurdo, não estou lhe dando entrevista”, disse, alterado, ao telefone celular. Sobre a origem da pauta, foi ainda mais nervoso. “Você tem de perguntar ao Amaury”, arrematou. Antes de desligar, anunciou que iria divulgar uma nova nota pública, desta vez para provar que Ribeiro Júnior, funcionário com quem manteve uma relação de confiança profissional de quase cinco anos, não trabalhava mais nos Diários Associados quando os sigilos dos tucanos foram quebrados na Receita.

A nota, ao que parece, nem precisou ser redigida. Antes da declaração de Gimenez a CartaCapital, o UOL, portal na internet do Grupo Folha, deu guarida à versão. Em seguida, ela se espalhou pelo noticiário. Convenientemente.

O que Gimenez não pode negar é a adesão do Estado de Minas ao governador Aécio Neves na luta contra a indicação de Serra. Ela se tornou explícita em 3 de fevereiro deste ano, quando um editorial do jornal intitulado Minas a Reboque, Não! soou como um grito de guerra contra o tucanato paulista. No texto, iniciado com a palavra “indignação”, o diário partiu para cima da decisão do PSDB de negar as prévias e impor a candidatura de Serra contra as pretensões de Aécio. Também pareceu uma resposta às insinuações maldosas de um articulista de O Estado de S. Paulo dirigidas ao governador de Minas.

“Os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves”, tascou o editorial. Em seguida, desfiam-se as piores previsões possíveis para a candidatura de Serra: “Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra”. E termina, melancólico: “Perplexos ante mais essa demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros estão, porém, seguros de que o governador ‘político de alta linhagem de Minas’ vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem. Ele sabe que, a reboque das composições que a mantiveram fora do poder central nos últimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer não”.

Ao longo da semana, Aécio desmentiu mais de uma vez qualquer envolvimento com o episódio. “Repudio com veemência e indignação a tentativa de vinculação do meu nome às graves ações envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr., a quem não conheço e com quem jamais mantive qualquer tipo de relação”, afirmou. O senador recém-eleito disse ainda que o Brasil sabe quem tem o DNA dos dossiês, em referência ao PT.

Itagiba, derrotado nas últimas eleições, também refutou as acusações de que teria comandado um grupo de espionagem com o intuito de atingir Aécio Neves, no meio da briga pela realização de prévias no PSDB. “Não sou araponga. Quando fui delegado fazia investigação em inquérito aberto, não espionagem, para pôr na cadeia criminosos do calibre desses sujeitos que formam essa camarilha inscrustada no PT.”


Leandro Fortes
Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

A menos de uma semana da eleição que o coloca em condição de conquistar uma das duas vagas destinadas ao Senado para o Estado de São Paulo, o candidato Netinho de Paula (PCdoB) afirma em entrevista exclusiva ao Terra que essa possibilidade representa para algumas pessoas um sentimento de “raiva”, especialmente entre os integrantes da elite paulista. Na opinião do candidato, há uma superexposição do caso de agressão à sua ex-mulher e de outras acusações a ele que envolveriam violência física, além de problemas financeiros na Organização Não-Governamental que criou em Carapicuíba. Por trás de alguns desses ataques “tem um grande apelo de desconforto racial”, diz ele.

Porém, Netinho diz que o movimento feminista sai fortalecido desta campanha. “Eu acho que cumpri um papel positivo, porque você falar sobre um assunto de agressão, falar sobre a (lei) Maria da Penha, numa candidatura para o Senado em São Paulo, isso nunca foi pauta de discussão de Senado, entende?”

Netinho falou também da relação com a sua companheira de chapa, Marta Suplicy (PT), que ele caracteriza como “cordial”, ainda que não íntima. Segundo ele, durante o período eleitoral, houve orientações diferentes para as duas campanhas que os mantiveram afastados. Descontente com a postura, Lula chamou os dois na semana passada para gravarem juntos, o que se repetiu posteriormente com Mercadante. “É isso que a gente queria desde o início. Antes tarde do que nunca”, disse ele.

Terra – Durante uma entrevista ao Terra, em maio, você disse que se sentia um tanto preterido pelo PT. Ali era o momento que os petistas ainda contavam com a possibilidade de o Gabriel Chalita (PSB) disputar o Senado na coligação. Você acha que hoje, dentro do PT, há uma aceitação total ou você ainda sente que está descolado do partido?
Netinho de Paula – Não, eu acho que a partir do momento em que ficou decidido que eu era o senador que completava a chapa, a nossa opção foi colar no governador (Aloizio Mercadante) e fazer todas as agendas com o governador. Eu acho que isso foi um grande acerto da nossa campanha.

Terra – Isso partiu do PT? Ou foi uma ideia de vocês?
Netinho de Paula – Não, isso partiu do PCdoB, da nossa direção, até porque, em termos de condição de campanha, nossa condição era muito pequena. E o Mercadante também achou que isso seria muito bom. A questão de eu ser uma pessoa bem popular e de ele já ter uma organização política o aguardando para chegar na cidade e tudo mais. A soma disso ia ser muito boa para o nosso trabalho. E foi exatamente o que aconteceu. Eu fui muito bem recebido. Acho que a maioria dos deputados e dos presidentes dos “PTs” que a gente visitou foram todos muito gentis, receberam a gente de braços abertos, entendendo que era um candidato da chapa. O PT do Estado todo abraçou a candidatura.

Terra – Deu para perceber que você realmente ficou muito próximo do Mercadante, até do senador Eduardo Suplicy (PT), que tem participado quase todos os dias na campanha. Vocês tem conversado bastante no sentido de eles te orientarem para saber o que você vai encontrar lá na frente, caso seja eleito?
Netinho de Paula – Eles tem dito muito para mim sobre como o trabalho parlamentar é, em alguns momentos, desgastante. Ainda mais quando você é da base do governo. A função de você estar conversando, dialogando, foi uma opção que eles fizeram. Cada um tem um estilo muito diferente. O Aloizio muito mais voltado para o setor econômico e o Suplicy para a questão social. Isso foi uma química muito boa na defesa do Estado. Eles não queriam que a gente perdesse isso, no caso de dar certo. Eles passam sim muitas dicas do que fazer, do que não fazer, do que é legal, do que não é legal. Têm sido pessoas muito próximas. Esse tempo todo a gente tem conversado, não só em campanha, mas jantando um na casa do outro, trocando ideias.

Terra – Você acha que está preparado? Quando a gente conversou lá no começo da campanha ainda era uma possibilidade, você estava entrando, ninguém sabia exatamente se ia crescer, se não ia. Hoje você está muito próximo, pelo resultado das pesquisas, de ser eleito senador. Você acha que está preparado para a responsabilidade de representar São Paulo no Senado?
Netinho de Paula – Eu acho que eu estou muito preparado. Eu não toparia me candidatar ao Senado sem me sentir capaz de representar esse Estado, de entender as burocracias, os nós que a gente tem no nosso Estado, estar ao lado de pessoas que eu estive, da Dilma, do Mercadante, do próprio Lula, dessas pessoas, nesse tempo todo. Essa parte técnica, de onde a gente vai ter que trabalhar daqui para frente, não só em São Paulo, mas no País. Isso tudo me deu muita base.

Terra – Você estava fazendo uma faculdade de ciência política?
Netinho de Paula – Sociologia. Tive que parar em função de tudo o que a gente está fazendo. Pretendo continuar, eu gosto muito. E a FESP é uma faculdade que se dedica muito ao aluno e faz com que a gente queira cada vez mais aprender também.

Terra – Ao mesmo tempo em que você esteve muito próximo do Aloizio Mercadante, do senador Suplicy, tem sido noticiado também um ponto de atrito com a Marta Suplicy. Nessa última semana vocês estiveram em Brasília, gravaram com o presidente Lula. Depois, no horário político, entrou uma gravação de vocês com o Aloizio Mercadante. Como é que foi a sua receptividade por parte dela?
Netinho de Paula – Eu acho que (as candidaturas) partiram de orientações diferentes. A minha candidatura ficou muito colada à do Mercadante, com a ideia de que nós somos um time e que esse time tinha que trabalhar coeso e que um não disputava, não atrapalhava o público do outro. Eu acho que a Marta teve uma outra orientação, de que atrapalhava e tal. O bacana é que eu acho que, com o tempo, não só os números, os dados, as pesquisas, fizeram os dois lados perceberem que trabalhar junto, num sentido só, como um time, era o melhor. É esse o filme que você viu e é a tentativa que o Lula já vinha fazendo desde o primeiro comício que ele fez aqui em São Paulo, falando: “Quem votar na Marta, vota no Netinho. Quem votar no Netinho, vota na Marta”. Essa é a ideia que a gente defendeu desde o início, mas a direção da campanha da Marta tinha uma outra visão. Eu também não posso dizer que a Marta tenha sido indelicada, ou tenha cometido algum ato falho comigo. Isso não aconteceu.

Terra – A impressão que dá é que ela pode até não ter sido indelicada, mas que também não se envolveu muito. Sempre manteve uma certa distância…
Netinho de Paula – Acho que por orientação, mas todas as vezes em que nós estivemos juntos, a gente sempre conversou, sempre teve uma troca de ideias, sempre foi muito cordial. Houve também aquele episódio de uma pessoa da equipe ter soltado um vídeo, ter mandado para a imprensa, e que para mim também foi superado, porque no mesmo dia em que aconteceu isso ela me ligou dizendo: “Netinho, eu quero que você acredite que não fui eu. Não tem minha autorização. Eu quero que você não leve isso em conta”. A minha relação com ela tem sido de trabalho. Eu não tive tempo, nesses meses, para pensar no que as pessoas estão pensando sobre mim, não dava. Eu tinha que estar na rua, trabalhando, andando, viajando pelo Estado, então, para mim, tudo foi muito válido. A minha relação com ela tem sido melhor a cada dia. Na semana passada, nós fomos para Brasília, gravamos juntos. O vídeo tem tido uma repercussão excelente. É isso que a gente queria desde o início. Antes tarde do que nunca.

Terra – Sua relação pessoal com ela, hoje, é boa?
Netinho de Paula – Acho que é uma relação boa, cordial. Isso… inalterou. Sempre foi, de cumprimento, de troca de ideias. Nós nunca fomos íntimos, né? Estamos mais próximos agora, nessa reta final de campanha.

Terra – Vocês estão disputando o mesmo eleitorado?
Netinho de Paula – Absolutamente, porque são dois votos. Muito pelo contrário, eu acho que a Marta traz com ela, inclusive, um voto para um segmento até mais qualificado, de uma classe média, que eu nunca tive nem acesso. Ela dialoga bem com essa classe. E ela sempre foi uma prefeita que fez um mandato para a periferia. Muito semelhante ao que eu sempre trabalhei, tanto como vereador, ou nas minhas propostas, na música, ou no programa que eu apresentei. Não é conflitante, é complemetar.

Terra – Você foi surpreendido de alguma maneira com tudo que tem vindo à tona nas duas últimas semanas de campanha em relação a você?
Netinho de Paula – No início, eu achava que não iria acontecer nada, esse tipo de ataque e tal, mas, depois que eu vi como eles estavam se comportando no horário eleitoral, eu esperava que, no final, eles iam tentar centrar fogo mesmo. Minha vida, no fundo, nunca foi diferente disso. Sempre foi tudo muito difícil. Eu sei o que representa uma candidatura minha para alguns setores da sociedade, particularmente para essa elite que a gente tem aqui em São Paulo. Um cara que veio do gueto, que vendia doce, que é da periferia, chegar, disputar e ganhar o Senado em São Paulo, para algumas pessoas tem o sentido de raiva. Por trás de muitos desses ataques, de informações falsas, de coisas que eles publicam, tem um grande apelo de desconforto racial.

Terra – O que você considera falso?
Netinho de Paula – Muita coisa do que eles falaram, de falta, de ficar me xingando, falando que eu sou um covarde, de falar do projeto, que é uma coisa que eu sempre amei tanto, lá na Cohab, nossa galerinha, a molecada, de falar dessas coisas da minha vida pessoal. Aí é apelação, eles estão raivosos mesmo.

Terra – A questão da agressão à sua ex-mulher… Você acha que vai carregar esse peso para sempre?
Netinho de Paula – Eu não acho. Na verdade, eles não tinham muito o que falar de mim. Eles pegaram alguma coisa que aconteceu em 2005 e trouxeram à tona para um debate de Senado. Eu acho que a gente tem que ver por dois lados esse assunto. Eu acho que cumpri um papel positivo, porque você falar sobre um assunto de agressão, falar sobre a (lei) Maria da Penha, numa candidatura para o Senado em São Paulo, isso nunca foi pauta de discussão de Senado, entende? Eu acho que o movimento feminista sai fortalecido dessa eleição. Quanto à minha posição, a população em geral, não só do Estado de São Paulo, mas do Brasil, já sabia minha posição, já sabia o que eu tinha feito, e eu fui eleito depois disso, voltei com o meu programa depois disso, com altos índices de audiência, e fui muito bem votado, dizendo o seguinte: “Legal. Fato superado”. Então eu acho que eles não tinham muito por onde me pegar. Acho que foi uma falha de marketing da campanha dele (Aloysio Nunes Ferreira). Para mim, isso é uma coisa já resolvida na minha vida.

Terra – Você acha que, hoje, é o Aloysio quem pode colocar uma das vagas de vocês em risco? Como é que vocês estão lidando com esse crescimento dele nessa reta final? Você e a Marta estão estabilizados nas últimas pesquisas e ele tem apresentado um crescimento. De alguma maneira, um dos três vai sobrar…
Netinho de Paula – Eu acho que o crescimento dele é algo natural nesse processo, com a saída do Quércia, com o afastamento do senador Tuma, em função de ele ter ficado doente e não estar fazendo corpo-a-corpo na rua. Com o tempo de TV que ele herdou, com a força do PSDB no Estado, a tendência não era ele ficar com 4, 5, 6 pontos, como ele estava. Acho que é natural ele crescer. Eu acho que nós trabalhamos, tanto eu como a Marta, nós fomos para o vídeo para fazer propostas, para falar o que acha que seria bacana para São Paulo e de que forma o Senado podia influenciar nessas propostas que a gente pretende implantar. Acho que o povo comprou essa ideia, enquanto ele ficou voltado para mim. Acho que isso atrapalhou um pouco sim.

Terra – No domingo, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre uma outra agressão a uma funcionária da Vasp. Como é que você explica isso?
Netinho de Paula – Além de ser uma inverdade, teve até um acordo para não ter problema. Ela tinha que provar que houve a agressão. Não houve a agressão. Ela sentiu que foi um dano moral, porque tivemos uma discussão no aeroporto por atraso do voo. Eu tinha que embarcar, estava com overbooking, eu queria falar com ela e ela deu as costas. Eu falei: “moça, você não pode me dar as costas. Eu estou falando com a senhora”, ela falou: “você está gritando comigo”, e foi parar tudo na delegacia. Foi uma discussão, que virou um processo, porque ela disse que em função dessa discussão a saúde dela complicou e tal. O juiz perguntou: “tem acordo”, eu falei: “tem acordo”. Fizemos um acordo e segui minha vida. Ela entrou com uma ação de R$ 80 mil, mas foi feito um acordo em um valor menor e ela foi embora. Eu não entendi quando voltou esse assunto, eu fiquei pensando “espera aí, a Folha trouxe isso agora, na semana da eleição, por qual motivo? Alguma coisa tem”. A mulher eu nunca mais vi desde 2001 e, resolvido, toquei a minha vida. A briga com a Sandra, a minha ex-esposa, foi em 2005, inclusive a Sandra estava comigo no aeroporto quando aconteceu isso. Não tem nada a ver com a discussão no Senado. Eu não entendi o porquê estão fazendo isso. Quer dizer, não sou tão inocente. Essa semana, tudo o que eles puderem fazer, eles vão fazer. Se tiver algum carnê que eu não paguei, que eu atrasei… Na época que eu morava na Cohab, eu recebi umas cartas pretas que estavam atrasadas, porque era difícil, mas eu paguei tudo. Se eles trouxerem isso também, é a minha vida, é isso aí.

Terra – Você citou o projeto social Casa da Gente, tem também essa questão da dívida, o que se passa aí?
Netinho de Paula – Isso não tem nada a ver comigo. O instituto tem a vida dele, tem a direção que pode responder por ele, pelas coisas que eles fazem…

Terra – Mas tem o seu nome associado, de alguma maneira…
Netinho de Paula – Com muito orgulho. A gente que ajudou a criar aquilo, a gente que sonhou com aquilo. Se tiver dívida, paga a dívida, não tem problema nenhum. Não tem como as pessoas pegarem o dinheiro do instituto. Eles tiveram problema na prestação de contas, foi isso que aconteceu. Pelo menos nisso eu acho que a matéria foi verdadeira, de dizer que está na tomada de contas e que não houve má fé. O problema é que eles põe na chamada “ONG do Netinho deve não sei quanto”, aí neguinho já pensa “ai, meu Deus, roubaram as crianças”. Aí é armação.

Terra – Mas é a ONG no Netinho, não é? Todo mundo conhece aquilo como a ONG do Netinho. Para o bem ou para o mal…
Netinho de Paula – É verdade, mas, poxa, falar isso da ONG é mancada, né? Continua falando de mim, me xinga, mas deixa nossa Cohab tranquila lá.

Terra – Mas tem problemas, não é? E não é um valor baixo, convenhamos…
Netinho de Paula – Porque os projetos que foram executados não foram pequenos, né? Eles dizem, por exemplo, que o dinheiro foi usado para a construção da sede. Como é que ia construir a sede se ela já existia? O governo não ia dar rescurso para implementar programas se não tivesse a sede. Eu conheci a nossa imprensa, de verdade, nessas últimas duas semanas. Fica muito claro que ela tem lado, né? Ela está a serviço de algumas coisas. Fiquei muito triste mesmo.

Terra – Isso embasa o discurso do Lula, no comício em Campinas, em que ele falou que a imprensa estava tomando partido político, que até gerou uma discussão sobre liberdade de imprensa. Como é que você vê isso?
Netinho de Paula – Acho que é legítimo. Acho que você tem até que ter lado, desde que você assuma. Eu não acho que tem que ter isenção não. Quem optar por isenção, que seja isento e fale: “eu sou isento”, mas quando você começa a colocar coisas que não são verdades… A minha pergunta é a seguinte: então, se a ONG do Netinho tem problemas, nenhum dos outros candidatos que estão disputando ao Senado têm problemas? É só o Netinho que tem problemas? Essa é a pergunta que fica. Por que não é dado aos outros candidatos a mesma invasão de privacidade, de problemas, de vida, de questões pessoais? O nosso povo não está mais bobo, entende? A galera meio que se liga. É o que eles falam para mim na rua, o povo fala: “Neto, fica firme. Eu poderia ficar sentado no sofá dando risada de vários programas, como todo mundo faz, mas eu vim para a política porque eu acho que eu posso ser melhor do que está, eu acho que eu posso contribuir. Eu vim porque eu quero contribuir, não é porque eu preciso da política para poder viver. Se eu fizer meus shows, eu vou viver muito bem.

Terra – Você tem uma carreira dentro do mundo artístico e deve ter tomado conhecimento que no Twitter, a Rita Lee desceu a lenha, escreveu uma historinha referente a você. Você chegou a ver, soube disso?
Netinho de Paula – A Rita Lee?

Terra – Ela escreveu uma história de ficção que envolvia o seu nome, falando de episódios de violência… Você acha que de alguma maneira, esses episódios podem deixar em você uma marca de uma pessoa violenta? Tem o caso da sua ex-mulher, esse outro caso da Vasp, a história do pessoal do Pânico, que você também teve atrito…
Netinho de Paula – Eu faço a seguinte análise para você. Eu tenho 40 anos de idade. Em termos de violência, você citou três episódios.

Terra – Da última década…
Netinho de Paula – Eu não lembro de ter mais, mas digamos que eu tenho três episódios que vocês então citam como eu sendo violento. Será que em 40 anos de tudo o que eu fiz, de bom, ninguém vai perguntar… O Neto fica como uma pessoa que fez isso, que foi o primeiro negro aí nos últimos 40 anos a ter um programa de televisão, que trouxe uma discussão sobre a periferia urbana de São Paulo com o seriado Turma do Gueto, que organizou como o primeiro grupo aqui da cidade de São Paulo uma ONG em um município que precisa. Eu acho que tem coisa muito mais positiva do que isso. E é essa resposta, essa força que o povo me dá. É diferente dessa imprensa que tem feito isso massivamente nesses últimos dois três meses em que eu me tornei candidato ao Senado. Porque o Senado é algo que mexe muito com essa nossa elite conservadora. E eu quero ter muito a oportunidade de mostrar que sem revanchismo, essa elite estava equivocada. Eu quero mostrar que a gente vai melhorar a receita do nosso Estado, que a gente vai implementar boas políticas públicas e que eles possam falar assim: realmente a gente estava enganado com relação ao Netinho. Esse é o meu anseio.

Terra – Você foi eleito vereador com 88 mil votos em 2008. Você acha que o seu mandato que tem pouco mais de um ano e meio foi suficiente para convencer o eleitorado de que você pode ser um bom Senador?
Netinho de Paula – Não é um mandato de vereador, em um ano e meio ou dois anos que vai falar se uma pessoa vai ser um bom senador ou se a pessoa pode ser um bom prefeito ou um bom governador. São os projetos, os planos, os desejos, os sonhos, o seu poder de convencimento, a sua história de vida que te credencia. Ou para você ser um bom vereador ou para você ser um presidente da República, como foi o Lula. Eu acho que esses rótulos que são dados… Como é que pode, o cara passou um mês como vereador e quer ser presidente da República. Eu acho que isso aí, não é esse trâmite que deve ser questionado. O que tem de ser questionado é o seu desejo. Para ser senador, você precisa ter popularidade? Um pouco. Você precisa conhecer um pouco do Estado? Precisa conhecer… Precisa ter bons projetos? Precisa ter boas alianças, precisa ter bons aliados? Isso eu acho que eu tenho. Acho não, eu tenho certeza que tenho. Não é à toa que a maioria desses meus aliados são pessoas que estão aí para ser entre os mais votados esse ano. Portanto eu me sinto muito tranqüilo em relação a isso.

Terra – Que garantias o senhor pode dar para o eleitor que cumprirá os oito anos de mandato no Senado. Aliados seus, em conversas particulares, falam até de o ser candidato a prefeito em 2012…
Netinho de Paula – Diferente de outros políticos, eu tenho o compromisso de ser um bom senador, no tempo que eu puder ser um bom senador. Porque ser candidato a governador, ou ser candidato a prefeito ou a presidente, é muito mais do que você querer. É você ter um grupo e uma quantidade expressiva de pessoas que queiram. Portanto, se eu fui durante quase dois anos vereador e acredito que serei eleito para o Senado, é porque o povo quis. Se o povo quiser que eu seja um prefeito ou que eu seja um governador, eu farei a vontade do povo. Eu hoje, eu Netinho, tenho a vontade de ser um ótimo senador.

Terra – Você tem ambições políticas, ainda que não seja agora, mais adiante…
Netinho de Paula – Acho que o político que não tiver ambições de crescer, de poder ampliar os seus horizontes, não deveria ser político. Mas acho que tudo isso é construído ao longo do tempo. Eu entrei como vereador sabendo e comunicando a todos que queria disputar para o Senado. Com relação a outros pleitos, hoje eu não tenho, nem essa pretensão. Minha vontade hoje é de fato ser um bom senador.

Terra – E como conciliar essa carreira de Senador. O senhor tem sido alvo de críticas por ter faltado aqui como vereador ter mantido a carreira de artista, que isso tenha talvez prejudicado um pouco o seu mandato como vereador. Dá para conciliar as duas coisas, o senhor no Senado com a carreira de artista. Como se concilia isso?
Netinho de Paula – É com essas coisas que eu fico triste. Com mentiras, com inverdades. Porque eu não tenho porque faltar na Câmara, onde as sessões são à tarde e acabam geralmente às 9 horas da noite. Quem é que vai fazer show, terça, quarta e quinta, das 15h às 21h? Estão chamando o povo de burro. O povo não é burro. Falar essas coisas é querer instigar o povo a uma coisa que o povo… O nosso povo, quando vai curtir, é sexta-feira depois das 10 da noite, é sábado, é domingo. É onde eu sempre me apresentei a vida inteira. Então, falar uma coisa dessa é xingar o povo.

Terra – Mas há registro de faltas lá. Aconteceu alguma outra coisa?
Netinho de Paula – Não há. A gente tem de ser verdadeiro. Foram 190 sessões que a gente teve. Dessas 190 sessões, eu tive duas ausências que não foram justificadas. Duas ausências que não foram justificadas e todas as outras ausências foram representando a Câmara em alguma cidade. Então não tem sentido. A informação é fruto de um levantamento de uma entidade que sequer leva em consideração a comissão que eu presido, que é a Comissão da Criança e do Adolescente. Porque como ela é extraordinária, eles não dão atenção para essa comissão. Ela serve a alguns interesses que eu fico muito triste de saber… Então não é verdade. Eu pediria, para pelo menos a imprensa que for séria, não faça isso… Porque é mexer com 86 mil votos, pessoas que acreditaram em mim. Já pensou eu faltar porque eu fui fazer um show à tarde? Isso é chamar o povo… é brincar com o povo. Então isso não pode fazer, não é verdade.

 

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, lidera a corrida eleitoral com 49% das intenções de voto e venceria no primeiro turno caso as eleições fossem hoje, é o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (30) pelo jornal Folha de S. Paulo. O petista Aloizio Mercadante registra 27%, seguido por Celso Russomanno (PP) que foi lembrado por 9% dos entrevistados.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada no dia 23 de setembro, o candidato tucano aparecia com 51% das intenções de voto contra 23% de Mercadante.

Segundo o novo levantamento, o candidato do PSB, Paulo Skaf, tem 4% e Fábio Feldmann, 1%. Os votos brancos e nulos somam 4%. Enquanto 5% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Encomendada pela Folha de S. Paulo e pela Rede Globo , a pesquisa foi realizada entre os dias 28 e 29 de setembro, com 2.202 entrevistados em todo Estado, e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 24 de setembro de 2010, sob o número 33151/2010.

Fonte: Portal Terra

Rede estadual de ensino  SP

 

A descontinuidade de políticas na Educação e os erros dos projetos adotados durante as últimas gestões tucanas no Estado de São Paulo – Alckmin/ Serra – produziram uma unanimidade entre especialistas do setor: é preciso urgentemente recuperar a credibilidade da Escola Pública e interromper o ciclo responsável pelo analfabetismo funcional.

As escolas estaduais de São Paulo recebem cerca de 5 milhões de alunos e empregam aproximadamente 220 mil professores; 46% deles ou 101 mil admitidos em caráter temporário. As péssimas condições de trabalho e os baixos salários são motivo de preocupação não apenas para a categoria, mas também para pais e alunos da rede estadual.

O último Saresp – Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo – reflete as dificuldades que os professores encontram para ensinar em condições tão adversas. Matemática é a disciplina que registra as médias mais baixas. Aproximadamente 60% dos estudantes do 3º ano do ensino médio têm baixo conhecimento da disciplina, que é uma das que têm maior déficit de professores com formação específica.

A falta de professores preparados para ensinar aos alunos conceitos mais complexos compromete a qualidade do ensino e amplia o analfabetismo funcional. Segundo dados do PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios -, a taxa de analfabetismo funcional de jovens com mais de 15 anos em 2009 foi de 13,8%. No Ensino Médio, o percentual de jovens que não estudam também é bastante alto: 13,2% estão fora da escola. São mais de 240 mil estudantes.

Segundo a Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura -, o analfabeto funcional sabe escrever seu próprio nome, assim como ler e escrever frases simples, até efetua cálculos básicos, mas é incapaz de interpretar o que lê e de usar a leitura e a escrita em atividades do dia-a-dia.

A crise no ensino público ampliou o número de pessoas nesta condição, ‘incapazes de elaborar o conhecimento’, característica do analfabetismo funcional, e tornou-se uma preocupação não apenas para educadores e especialistas, mas para empresas e empregadores, que já encontram dificuldades para preencher vagas com profissionais melhor qualificados.

Além da falta de professores, há outro fator responsável pelo fenômeno: a progressão continuada, adotada a partir de 1998 em São Paulo. Apesar de ser considerada uma metodologia pedagógica avançada por especialistas, a progressão transformou-se em sinônimo de aprovação automática dos alunos da rede estadual paulista, devido à falta de condições estruturais e de formação dos professores.

O método, que permite ao aluno avanços sucessivos e sem interrupções nas séries ou ciclos do ensino, tornou-se uma forma de melhorar indicadores de repetência e evasão escolar, sem preocupações com a qualidade do ensino. O resultado é visível: jovens que, muitas vezes, chegam às universidades sem o conhecimento de conteúdos básicos que deveriam ter sido aprendidos no ensino fundamental e médio, como o domínio da própria Língua Portuguesa.

 

O candidato ao governo de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) venceria no primeiro turno nas eleições com 48% das intenções de voto na corrida eleitoral, segundo pesquisa Ibope, encomendada pela Rede Globo e divulgada no SPTV nesta sexta-feira (17). Em segundo, vem Aloizio Mercadante (PT) com 24%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Segundo a pesquisa, Celso Russomanno (PP) tem 9% e Paulo Skaf (PSB) 3%. Fabio Feldmann, do PV, e o candidato do Psol, Paulo Búfalo, somaram 1% cada. Brancos e nulos somam 6% e não sabem ou não souberam responderam correspondem a 8%.

A pesquisa foi registrada no TSE sob o número 85092/2010 no dia 4 de setembro. O Ibope entrevistou 1.806 eleitores entre os dias 14 e 16 de setembro.

A quebra de sigilo fiscal da filha de José Serra, que ocorreu em setembro do ano passado, só resolveu indignar a imprensa e a campanha tucana agora. Trata-se de uma revolta conveniente.

Observe que absurdo! Fiz um breve levantamento na Internet de vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal. Veja que lamentável:

Informações sigilosas são vendidas em CDs na Santa Efigênia em SP

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL26277-5605,00-INFORMACOES+SIGILOSAS+SAO+VENDIDAS+EM+CDS+NA+SANTA+EFIGENIA+EM+SP.html

Polícia prende quadrilha que vendia dados sigilosos da Receita Federal em SP

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL26487-5605,00.html

Feira de dados continua livre em SP: em nova investida, repórter compra CD com listagens da Receita Federal por R$ 95

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2010/08/24/feira-de-dados-continua-livre-em-sp-em-nova-investida-reporter-compra-cd-com-listagens-da-receita-federal-por-95-917471179.asp

Primeiro os marqueteiros até tentaram transformar Serra em Seu Zé, em amigo do Lula, mas não colou. Agora, Serra usa uma investigação ilegal sobre a filha em tema de campanha.

Se existe alguém sem interesse algum em atacar a filha de Serra é a candidata de Dilma Rousseff. Todos os analistas políticos sabem que a tarefa de Dilma é convencer os eleitores de que ela poderá dar continuidade as mudanças que Lula implementou no país. Denunciar a filha do opositor não demonstraria sua capacidade de governar.

Todo publicitário sabe disso. Mas sabe também que Serra não tem chance alguma se atacar Lula. Por isso, de maneira cínica, usou o nome de Lula em seu jingle e até criou um cenário de uma favela “fake” com sambistas fictícios. Com um novo “look”, o sorriso amarelo e a voz emocionada, Serra, que não se notabiliza pela simpatia, muito menos pela amabilidade, traiu sua base social, a parcela mais tacanha e reacionária da elite brasileira, ao tentar se passar como um continuador da obra de Lula.

Vendo sua linha naufragar, Serra começou a apelar: colocou sua tropa de choque para fazer com Dilma o que eles fizeram contra Lula antes do retumbante sucesso do governo petista. Inundaram os e-mails e a rede com uma enxurrada de preconceitos. Chegaram a falar que Dilma, por ser mulher, só tem dois neurônios. Chamaram Marina Silva de “indiazinha”. Falaram que, por ter lutado contra a ditadura, Dilma seria terrorista. Falam coisas que, por boa educação, prefiro não reproduzir aqui. Mas elas estão registradas nas redes sociais e em alguns sites tucanos que pessoas de boa reputação acreditavam serem pessoas de fino trato.

Sem linha de ação para reverter a derrota acachapante, Serra e a cúpula do PSDB dão sua última cartada: tentam criar um factóide.

AGORA EU QUERO SABER: POR QUE ALGUÉM QUER INVESTIGAR A SUA FILHA?

Graças a certificação digital implementada pela gestão do presidente Lula, os funcionários da Receita Federal, ao se logarem nos computadores da instituição, são obrigados a usar uma chave criptográfica privada, acionada por uma senha intransferível. Assim, quando um funcionário da Receita entra no banco de dados e abre uma declaração de renda de qualquer brasileiro, este fato fica registrado nos computadores da instituição.

Graças a este mecanismo, reduziu-se muito o vazamento de informações protegidas por sigilo fiscal. Tanto é que a funcionária da Receita envolvida na quebra de sigilo foi imediatamente identificada. Ela mostrou que só acessou os dados da filha do Serra porque tinha um pedido aparentemente normal dos centenas de pedidos que recebem todos os dias. O problema é que a procuração da filha do Serra era falsa.

Observe que o sistema da Receita permite rastrear quase tudo que é feito lá dentro. Digo quase porque infelizmente ainda convivemos com vazamentos das nossas declarações que são vendidas nas ruas das grandes cidades, como mostrei nas matérias acima. Pois bem, no caso da filha de Serra nada foi escondido. Nenhum funcionário foi chamado para que deixasse de cumprir sua obrigação. Ao contrário do que aconteceu em 1989, quando a Polícia Civil de São Paulo foi usada para acusar o PT de participar do sequestro de Abilio Diniz.

O plano dos estrategistas de Serra é o mesmo de 1989. Equivale a obrigar os sequestradores a vestirem a camisa do PT. A conspiração de 1989 foi denunciada posteriormente por vários editores arrependidos. Era óbvio que os sequestradores chilenos e canadenses não tinham nada a ver com o PT como ficou esclarecido depois. Mas a imprensa, então collorida, chegou ao absurdo de acusar o PT. O jornal O Rio Branco, do Acre, menos sofisticado, estampou em sua primeira página: “PT sequestra Abilio Diniz”.

Serra agora tenta a farsa similar: “PT viola sigilo fiscal da filha de Serra”. Para repercutir o absurdo, temos os colunistas-daslu Arnaldo Jabour, Merval Pereira e Eliane Catanhêde, entre outros de organizações midiáticas com credibilidade decrescente e reacionarismo em elevação.

Bom, já que Serra não se incomoda em colocar sua filha no centro do debate, minha pergunta é: por que alguém iria querer investigar a declaração de renda da sua filha?

Outra coisa: por que os tucanos não se incomodam em investigar as denúncias contra a Alstom? Por que bloquearam a CPI na Assembleia Legislativa de SP? Por que Geraldo Alckmin assinou contratos com a Alstom mesmo depois de saber que ela estava sendo acusada de pagar propina para políticos no Brasil?

Alckmin nunca procurou saber quem estava sendo acusado? Nunca suspeitou de nada? Quais os encaminhamentos que ele adotou para esclarecer se as acusações contra a Alstom eram procedentes? Quem ele afastou? Ninguém?

Geraldo Alckmin é bom de bico. Treinado por marketeiros, Alckmim fala meia dúzia de números e depois cita 3 frases de efeito em suas respostas.

Chega de descaso e desfaçatez. Os Demo-Tucanos tentam a velha saída das elites cansadas: disseminar factóides. Não dará certo. Acho que os tucanos perderam mesmo não somente as eleições, mas principalmente a vergonha. Chegam a esconde FHC para tentar confundir o eleitorado. Elogiam Lula no período eleitoral, mas, antes disso, tentaram inviabilizar de todas as maneiras o seu governo. O Brasil precisa de uma direita mais decente.

Sergio Amadeu da Silveira

Reproduzimos (com asco) o texto do Site namarianews na certeza da importância da questão tratada e do conteúdo, que nos envergonha como cidadãos e nos aumenta a determinação para lutar por mudanças. Boa leitura.
Cap. Virgulino Ferreira da Silva

No dia 16 de julho de 2010, o Secretário de Educação de São Paulo, Sr. Paulo Renato Costa Souza, mandou a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) assinar o seguinte negócio (publicado em 21/julho no DO):

Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2010/09/o-toma-la-da-ca-da-educacao-de-sp.html#ixzz0yby9QPYq
Contrato: 15/00062/10/04
– Empresa: Empresa de Publicidade Rio Preto Ltda.
– Objeto: Aquisição pela FDE de 200 assinaturas anuais do Jornal “Diário da Região” destinados às escolas da Rede de Ensino da Região de São José do Rio Preto, do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura
– Prazo: 365 dias
Valor: R$ 65.160,00

Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2010/09/o-toma-la-da-ca-da-educacao-de-sp.html#ixzz0ybxv0lAfNo mesmo jornal Diário da Região, em 25 de agosto passado, aparece a matéria Aloysio e o desafio de se tornar conhecido, cuja imagem grandiosa – pedindo votos ao seu genuíno latifundiário filho da terra – pode ser vista abaixo:

Para ler tudo na íntegra e conhecer melhor o candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira Filho (como pede José Serra), recorra à página 6A (e/ou a estes links também caso queira confirmar a façanha). Por outro lado, lamentamos não saber informar se tal “santinho” do candidato está nos conformes da legalidade eleitoral.

Para o bom entendedor, uma assinatura basta

Há que ser justo neste vale de lágrimas. Há que se publicar as outras compras de mesma natureza feitas até o momento, pelo Secretário Paulo Renato de Souza, que servirão como incremento pedagógico nas escolas paulistas. Todas sem necessidade de licitação, é óbvio. Sempre visando facilitar a sua vida, ao final a soma dos valores parciais das aventuras. Vamos lá.

  • 22/junho/2010
    Contrato: 15/00060/10/04
    – Empresa: VS Publicidade Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 196 (cento e noventa e seis) Assinaturas do Jornal “Diário da Região” de Osasco, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Osasco do Estado de São Paulo.
    -Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 49.000,00
    -Data de Assinatura: 01-06-2010

    Contrato: 15/00068/10/04
    – Empresa: Empresa Jornalística Tribuna Araraquara Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 50 (cinquenta) Assinaturas do Jornal “Tribuna Impressa” de Araraquara, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Araraquara do Estado de São Paulo.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 16.140,00
    – Data de Assinatura: 10-06-2010.

    Contrato: 15/00071/10/04
    – Empresa: Fundação Ubaldino do Amaral
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 176 (cento e setenta e seis) Assinaturas do Jornal “Cruzeiro do Sul” de Sorocaba, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Sorocaba do Estado de São Paulo.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 50.160,00
    – Data de Assinatura: 11-06-2010

    Contrato: 15/00067/10/04
    – Empresa: a Tribuna de Santos Jornal e Editora Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 142 (cento e quarenta e duas) Assinaturas do Jornal “A Tribuna” de Santos, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Santos do Estado de São Paulo. – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 51.120,00
    – Data de Assinatura: 18-06-2010.

    Contrato: 15/00069/10/04
    – Empresa: Lauda Editora Consultorias e Comunicações Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 139 (cento e trinta e nove) Assinaturas do Jornal “Jornal de Jundiaí Regional”, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Jundiaí do Estado de São Paulo.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 45.314,00
    -Data de Assinatura: 18-06-2010.

    Contrato: 15/00120/10/04
    – Empresa: Jornal da Cidade de Bauru Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 156 (cento e cinquenta e seis) Assinaturas do Jornal “Jornal da Cidade” de Baurú, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Baurú do Estado de São Paulo.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 46.761,00
    -Data de Assinatura: 18-06-2010.

  • 25/junho/2010
    Contrato: 15/00070/10/04
    – Empresa: Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE, de 113 (cento e treze) assinaturas anuais do Jornal “Folha da Região” destinados às escolas da Rede de Ensino da Região da Araçatuba do Estado de São Paulo – Projeto Salas de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 28.589,00
    – Data de Assinatura: 23-06-2010.

    Contrato: 15/00078/10/04
    – Empresa: Empresa Editora o Liberal Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE, de 135 (cento e trinta e cinco) assinaturas anuais do Jornal “O Liberal” destinados às escolas da Rede de Ensino da Região de Americana do Estado de São Paulo – Projeto Salas de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 29.646,00
    – Data de Assinatura: 23-06-2010.

    Contrato: 15/00063/10/04
    – Empresa: Valebravo Editorial S.A.
    – Objeto: Aquisição pela FDE, de 280 (duzentos e oitenta) assinaturas anuais do Jornal “O Vale” destinados às escolas da Rede de Ensino da Região de São José dos Campos do Estado de São Paulo – Projeto Salas de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 77.280,00
    – Data de Assinatura: 23-06-2010.

  • 23/julho/2010
    Contrato: 15/00079/10/04
    – Empresa: Jornal de Piracicaba Editora Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 53 (cinquenta e três) assinaturas anuais do jornal “Jornal de Piracicaba” destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de “Piracicaba” do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 12.455,00
    – Data de Assinatura: 15/07/2010

    Contrato: 15/00077/10/04
    – Empresa: Empresa Francana Editora de Jornais e Revistas Ltda.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 82 (oitenta e duas) assinaturas anuais do Jornal “Comércio de Franca” destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de “Franca” no Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 21.976,00
    – Data de Assinatura: 21/07/2010

    Contrato: 15/00065/10/04
    – Empresa: Empresa Jornalística Orestes Lopes de Camargo S.A
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 159 (cento e cinquenta e nove) assinaturas anuais do Jornal “A Cidade” destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de “Ribeirão Preto” do Estado de São Paulo – Projeto Sala de Leitura.
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 56.604,00
    – Data de Assinatura: 22/07/2010.

Um ninho amigo para os amigos

Além de comprar de tudo em todo Estado de SP, não faltaram negócios com a grande imprensa. Já mostradas neste humílimo blog, entidades como Estadão, Folha, Veja etc., foram gentilmente agraciadas, de novo, pelo desvairado pacotaço e permanecerão nas escolas públicas por mais um ano (compare quantidades e valores de 2009). Alvíssaras!

A pergunta que fica é por que a Carta Capital nunca, jamais, em tempo algum mereceu as mesmas benesses do Estado? Estranho, né não?
Outra: quem mais se beneficia com tais “ações pedagógicas”?

Olha só que meiguice:

  • 27/maio/2010 (também publicado em 26/maio)
    Contrato: 15/00548/10/04
    – Empresa: Editora Brasil 21 Ltda.
    – Objeto: Aquisição de 5.200 Assinaturas da “Revista Isto É” – 52 Edições – destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 1.203.280,00
    – Data de Assinatura: 18/05/2010.
  • 28/maio/2010
    Contrato: 15/00545/10/04
    – Empresa: S/A. O ESTADO DE SÃO PAULO
    – Objeto: Aquisição de 5.200 assinatura do Jornal “o Estado de São Paulo” destinado as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo – Projeto Sala de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 2.568.800,00
    – Data de Assinatura: 18/05/2010.
  • 29/maio/2010
    Contrato: 15/00547/10/04
    – Empresa: Editora Abril S/A
    – Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas da Revista “VEJA” destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São de Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 1.202.968,00
    – Data de Assinatura: 20/05/2010.
  • 8/junho/2010
    Contrato: 15/00550/10/04
    – Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal “Folha de São Paulo” para as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
    – Prazo: 365 dias
    – Valor: R$ 2.581.280,00
    – Data de Assinatura: 18-05-2010.
  • 11/junho/2010
    Contrato: 15/00546/10/04
    – Empresa: Editora Globo S/A.
    – Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas da Revista Época” – 43 Edições, destinados as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo – CEI e COGSP – Projeto Sala de Leitura
    – Prazo: 305 dias
    Valor R$ 1.202.968,00
    – Data de Assinatura: 20/05/2010.

TOTAL PARCIAL DE COMPRAS DA IMPRENSA PELA FDE (pré-eleições):

  • Jornais regionais = R$ 550.205,00
  • Os de sempre = R$ 8.759.296,00
    • R$ 9.309.501,00

Em tempo¹ – Apesar de tantos e tão variados esforços descomunais com o dinheiro público, o candidato-(ex)guerrilheiro, hoje um homem de bens, Aloysio Nunes não está nem entre os seis primeiros colocados; pelo que tudo indica, não vai decolar nesta encarnação. O mesmo para José Serra, que fica a cada dia, por tudo e com tudo, mais por baixo que oritimbó de ofídio. Desesperación total.
Em tempo² – A próxima pesquisa desta casa será sobre um tema muito em voga na campanha do Sr. Alckmin, aguarde.

Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2010/09/o-toma-la-da-ca-da-educacao-de-sp.html#ixzz0ybwsvj2m

Para derrotar Alckmin, Mercadante conta com o estilo “classe média” que agrada aos paulistas; conta também com Lula, Russomano e Skaf
Não gostei dos primeiros programas de Mercadante na TV. O contraste com os programas de Dilma era gritante. Pareciam – os de Mercadante – vídeos envelhecidos, feitos numa linguagem de 20 anos atrás. Será que São Paulo envelheceu? Pode ser… A criatividade hoje parece vir do Nordeste, dos baianos, pernambucanos…

Sem dizer que o Tiririca (que concorre a deputado por um partido aliado do PT em São Paulo) não é – digamos – um apoio dos mais consistentes para o senador.

Mas, mesmo sem uma campanha brilhante, e apesar do Tiririca, Mercadante começa a preocupar os tucanos. A mídia paulista – que elegeu São Paulo e Paraná como as cidadelas que o PSDB deve preservar – já deu o sinal. Ontem, foi uma notinha no “Painel” da “Folha”. Hoje, foi o “Estadão”, que resolveu avisar: “Tucanos se previnem contra Mercadante”.

É como um chamado (do “Estadão”) às tropas: é preciso defender São Paulo da onda petista.

Faz todo sentido. O “DataFolha” (que desistiu de dar aquela mãozinha ao Serra) já mostrou que Dilma passou a liderar até em São Paulo. Se Lula consegue empurrar a candidata para o alto, num Estado em que ela é pouco conhecida, por que não conseguiria empurrar também Mercadante?

O PSDB parece se desmanchar. Talvez Alckmin consiga resistir, até porque ele faz o tipo “circunspecto” e conservador (ao contrário de Serra, que tentou inventar o “Zé”, Alckmin é assim de verdade – conservador e circunspecto) que parece agradar aos paulistas – especialmente no interior e nos bairros da classe média da capital.

Mas o PT nunca teve uma chance tão boa de equilibrar o jogo no Estado.

Em 2002, a onda Lula levou Genoíno ao segundo turno – mas ele acabou perdendo para o mesmo Alckmin. Dessa vez, a onda lulista pode levar Mercadante ao segundo turno. E o senador petista tem um perfil que agrada mais aos paulistas: jeito de professor, sóbrio, estilo classe média. Para alguns, ele seria quase um tucano no PT (o que, ressalto eu, é maldade pura!).

Se Mercadante chegar a 25% ou 30% dos votos (hoje tem menos de 20%), precisaria contar também com a mãozinha de Russomano (o candidato do PP deve conseguir perto de 10% dos votos, graças à imagem de “repórter do povo”) , e de Skaf (o empresário “socialista” pode fazer algo em torno de 5% dos votos, tirando eleitores do PSDB). Os três juntos precisariam chegar a 45% dos votos. Nesse caso, se Alckmin ficar com pouco menos de 45%, teríamos segundo turno – num quadro favorável a uma virada de Mercadante.

A “Folha” e o “Estadão já perceberam que essa é a onda que pode avançar. As pesquisas internas dos partidos também mostram um crescimento (ainda tímido) de Mercadante.

São Paulo – cidadela tucana – pode cair. Com ajuda do Lula.

Mas com ajuda também do Tiririca e do Russomano.