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mudança foi “espetacular”!

Paulo Henrique Amorim conversou nesta terça-feira, por telefone, com o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos e presidente do IPEA, Marcelo Neri.

Neri analisa os números do IDHM, que analisa os municípios brasileiros, divulgados ontem.

Números que, segundo ele, marcaram uma ”mudança espetacular”, especialmente na última década: “ Os indicadores sociais estão para o Brasil como o crescimento econômico está para a China nesse período”, ele disse.

De acordo com Neri, a carteira assinada e os “ganhos trabalhistas” são os símbolos desse Brasil que, em 20 anos, passou de ”Muito Baixo” IDHM para uma classificação de “Alto Desenvolvimento Humano”, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Segue a integra da entrevista em áudio e texto.

1 – PHA: Ministro, a que o senhor atribuir esse vigoroso – se é que podemos chamar assim – crescimento do IDH municipal brasileiro entre 1991 e 2010?

Marcelo Neri: Acho que você pode chamar de “um vigoroso crescimentodo IDH municipal.

Para você ter uma ideia, em 1991, 85% dos municípios brasileiros estavam com o IDH em ”Muito Baixo” e, em 19 anos, esse número caiu para 0,6%.

Quer dizer, de 85% para 0,6% é uma mudança espetacular. Na coloração dos mapas a gente vê isso de uma forma muito clara: há uma mudança na cor dos mapas nesses 20 anos, com a cor mais forte nos municípios mais pobres.

Como o IDH é uma medida sintética – ele reflete educação, saúde e renda -, na verdade, ele congrega todo o conjunto de ações públicas da sociedade.

Ele sintetiza todas as transformações humanas dos 20 últimos anos.

Os avanços que mais chamam a atenção são os dados da expectativa de vida nesses 19 anos: nove anos – os brasileiros estão vivendo nove anos a mais.

Isso se deve à queda da mortalidade infantil, que eu acho que é a grande conquista da última década: ela caiu 46%, por causa da melhoria do acesso a serviços médicos e à constituição do SUS, entre outras coisas.

Nós tivemos um aumento na renda, durante a última década, de 220 reais por brasileiro – saiu de 500 para 700 e pouco por brasileiro (R$ 767,02 segundo o IBGE).

2 – PHA: Esses números são reais de quando ?

Marcelo Neri: Esses são reais de 2010, de agosto de 2010, é um crescimento em termos reais de quase 40% em uma década.

Isso se dá pela melhora trabalhista, a geração de empregos, o aumento dos salários, mas também pelos programas como o Bolsa Família.

3 – PHA: O que você chama de melhora trabalhista?

Marcelo Neri: É o aumento da ocupação – principalmente do emprego com carteira assinada -, principalmente a partir de 2004, quando passou, praticamente, a dobrar o número de empregos com carteira a cada ano.

Na verdade, o Brasil tem avançado no aumento de emprego e no aumento de salário.

Se a gente olhar os indicadores sociais, há redução de pobreza porque cresceu e reduziu desigualdade.

No fundo, Brasil está fazendo uma espécie de um caminho do meio.

Ele está se beneficiando de fatores econômicos, mas, também, de políticas sociais mais avançadas.

Então, ele (o IDHM) sintetiza avanços em várias frentes, de vários tipos de agentes: governos; sociedade civil; trabalhadores; empresário e  isso em cada recanto do País.

4 – PHA: E ,nisso, o papel da carteira assinada você acha fundamental?

Marcelo Neri: Sim, eu acho que a carteira assinada foi o grande símbolo da mudança, mas isso mais recentemente, do fim da eleição de 2003 pra cá.

Eu acho que esse foi o grande avanço.

Na década de 90, houve uma crise trabalhista, na segunda metade (dos anos 90), (já que ) houve uma informalização, uma perda de direitos trabalhistas na primeira metade da década.

Então, é uma conquista mais recente essa geração de emprego formal. Apesar disso, a renda aumentou nos anos 90, e pode ser que a aposentadoria rural, a lei orgânica de assistência social tenham sido mais importantes.

Nos últimos anos, além da expansão do emprego formal, tem o Bolsa Família que tem um papel importante principalmente para os mais pobres, para os municípios mais pobres.

5 – PHA: O Bolsa Família também não ajudou à Educação, com a obrigatoriedade de que as mães mantenham os filhos na escola para receber o benefício?

Marcelo Neri: Ajuda, sem dúvida ajuda, ainda mais porque o relatório apontou que o maior desafio para a educação brasileira é o ensino médio.

Desde 2007, o Bolsa Família estendeu essa condicionalidade à faixa que deveria estar no ensino médio. A gente capta alguns impactos positivos.

Mas, como o Bolsa Família começa em 2003, lá, boa parte das crianças entre sete e catorze anos, já estava na escola. Então, eu não diria que ali tenha provocado uma revolução – houve uma melhora.

Agora, entre 15 e 17 anos, e agora na pré-escola, que é uma revolução que a gente não tinha feito antes, ai há uma melhora clara.

6 – PHA: O estudo não capta os dois anos da presidenta Dilma. O que dá para intuir, a partir do que já se sabe, no seu Ministério, sobre esses dois anos da presidenta Dilma?

Marcelo Neri: É um período, sem dúvida, de continuidade desses avanços mais acelerados. Apesar de o PIB não ter tido nesses dois últimos anos uma expansão como teve entre 2004 e 2010, mas a renda das pessoas, o ganho trabalhista e a geração de empregos formais avançaram bastante.

Do outro, você teve uma maturação (e programas) e novas agendas, como a agenda da primeira infância, com o Brasil Carinhoso e, mais recentemente, o Mais Médicos.

Uma série de novas ações sociais cujos impactos ainda não estão presentes nesse relatório.

A mensagem que agente tira desse período é que o Brasil até 1980 era o segundo país em crescimento econômico no mundo, mas os indicadores sócias ficaram para trás.

Nesse período (de 1991 a 2010), a gente mostra um crescimento da renda das pessoas, até maior do que o do PIB. Em particular, nos últimos dez anos.

Os indicadores sociais estão para o Brasil como o crescimento econômico está para a China nesse período.

Estamos recuperando o terreno perdido. Os indicadores ainda são muito problemáticos – só pra quem entrar no site da pesquisa, você vai ver como o Brasil em 20 anos mudou completamente as cores dos indicadores.

(http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/130729_Atlas_PNUD2013.pdf )

7 – PHA: Esse crescimento é consistente? Ele pode inspirar confiança ou ele pode ser revertido?

Marcelo Neri: Revertido eu acho que não, eu acho que isso é uma conquista da sociedade.

A gente olha para trás e vê um grande avanço. Acho importante a gente não se acomodar, não entrar na zona de conforto. Ainda há muitas conquistas a serem feitas.

A própria metodologia do IDH foi revista. Por exemplo, na Educação – onde nós tivemos os maiores avanços -, no IDH anterior, bastava que a população acima de 15 estivesse alfabetizada. Agora, a população acima de 18 tem que ter o ensino fundamental completo. Então, o próprio IDH propõe uma agenda de desafios: ele olha para trás, mas, no fundo, quer olhar para frente.

É preciso ver o nível de transparência que existe na sociedade, e esse trabalho faz parte dessa cena. (O brasileiro) sabe em cada lugar do Brasil quais são os problemas e quais são as oportunidades.

O grau de importância que a população dá a questões como Educação e Saúde, por exemplo.

Nós fizemos uma pesquisa na semana passada que mostra que, entre as 16 prioridades, as três principais são: Saúde, Educação e Alimentação de qualidade, o que é uma aproximação da Renda.

Quer dizer, os três elementos do IDH são as três prioridades para a população brasileira.

Como nós estamos em uma Democracia, é de se esperar que essas prioridades se revertam em políticas públicas, como, aliás, está acontecendo.

Clique aqui para ler “Desenvolvimento Humano – fala, Dilma, fala !”.

Clique aqui para ouvir a entrevista.

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LULA PB

Autor(es): PAULO DE TARSO LYRA

Correio Braziliense

Dilma vai se reunir com o ex-presidente para traçar a estratégia da segunda metade do mandato. Entre os temas em pauta, estão o relacionamento com a base aliada no Congresso e as medidas para aquecer a economia

Depois de apontar os rumos da administração de Fernando Haddad em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará com Dilma Rousseff até o fim do mês para afinar o ritmo do governo federal nesta segunda metade do mandato presidencial. Com um Produto Interno Bruto (PIB) claudicante; obras do PAC e da Copa do Mundo em ritmo sofrível; empresários receosos de investir; e uma classe política ressentida de maior atenção, Dilma ainda surfa nos altos índices de popularidade, mas, segundo aliados, é preciso adotar medidas preventivas para evitar problemas futuros. “Não podemos deixar que o discurso da oposição de desconstrução da gerentona cole no imaginário da população”, disse um petista com bom trânsito no governo.

Neste ponto, Lula, que voltou à cena depois de um mergulho no fim do ano passado — provocado, principalmente, pelos desdobramentos do julgamento do mensalão e pela deflagração da Operação Porto Seguro —, poderá dar dicas preciosas à presidente, segundo pessoas próximas a ele. “Lula conversava, tentava convencer no debate de ideias. Não há nada mais afrodisíaco para um político do que saber que tem a atenção do presidente da República”, declarou um dirigente partidário. Ele lembra que, durante o governo Lula, muitos parlamentares chegavam a tuitar os encontros presidenciais. “Essa mensagem, na base eleitoral dos parlamentares, valia ouro. Hoje, essa relação é inexistente”, lamentou o dirigente político.
O encontro de ambos deve ocorrer provavelmente em São Paulo. Lula sempre deixou claro que é conselheiro da presidente, mas que não iria se intrometer nas decisões que ela tomava na administração. A presidente costuma recorrer a ele com frequência. “Essa parceria vem desde os tempos da campanha. A pessoa com quem a presidente mais conversa é o Lula. Por que mudaria isso agora?”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi líder do governo de ambos.
Lula também tem sido, nas últimas semanas, confidente do empresariado, que tem reclamado do excesso de intervencionismo da presidente Dilma. A pressão dos representantes do PIB surtiu efeito e a presidente iniciou o ano recebendo-os em audiências individuais. “No ano passado, ela estava muito concentrada na conclusão dos pacotes de infraestrutura. Agora, que está com mais tempo, poderá ter essas conversas reservadas, que deverão se intensificar até 2014”, garantiu um aliado da presidente.

Os políticos estão preocupados, contudo, com o ritmo do governo. A avaliação é de que as obras de infraestrutura — incluindo as que servirão para a Copa do Mundo — estão em um ritmo aquém do necessário. Não será uma simples conversa, concordam eles, que terá o poder de destravar canteiros de obras. “Mas a burocracia está paralisando o governo”, reclamou um petista, lembrando que Lula sempre reclamou da inércia da máquina pública na hora de acelerar investimentos e projetos. “Nunca as palavras do ex-presidente foram tão atuais”, reforçou.

Excesso de zelo

Ainda está viva na memória dos parceiros a imagem traçada pelo atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante, ao assumir a vaga no lugar de Fernando Haddad. Ele aconselhou seu sucessor, Marco Antonio Raupp, no Ministério da Ciência e Tecnologia, a se acostumar com a presidente, porque ela costumava “espancar os projetos”. Na opiniões de políticos, esse excesso de zeloemperra as ações governamentais.

Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), Dilma tem se esforçado para apresentar as condições ideais para aumentar o nível de investimentos no país. “Ela tem apresentado grandes projetos, estimulado as parcerias com a iniciativa privada e reduzido a taxa de juros”, disse Zarattini. “Essas conversas individualizadas são importantes para afastar os temores”, completou o parlamentar petista.

Dilma também tem problemas na condução política. Se nos dois primeiros anos de mandato ela conseguiu blindar-se das queixas parlamentares, nesta reta final até 2014, ela deverá ter mais atenção com os deputados e senadores, seus grandes cabos eleitorais no caminho da reeleição. “Dilma afastou do Palácio do Planalto os políticos, colocando-os nos ministérios distantes, como Saúde, Educação e Comunicações (Alexandre Padilha, Aloizio Mercadante e Paulo Bernardo, respectivamente) e encheu seu entorno de técnicos. A base não tem interlocução com o Palácio”, reclamou um integrante do grupo governista no Congresso.

Outra queixa de aliados é a falta de politização das ações governamentais. Algo que, durante o governo Lula, era comum, alvo inclusive de ataques da oposição: o famoso “bater o bumbo”. “Passamos oito anos do governo Lula sofrendo com Meirelles (Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central) segurando os juros lá no alto. Dilma baixou as taxas, fez uma intervenção branca nos bancos para que eles ampliassem o crédito, e isso não é celebrado”, reclamou um aliado do Planalto. “Isso não é economia, é política”, exasperou-se o parlamentar.

Os pecados

Confira quais são os sete problemas do governo apontados

1. Ritmo lento das obras do PAC
2. Crescimento pífio do PIB somado ao retorno do fantasma da inflação
3. Ausência de uma interlocução mais presente com o Congresso
4. Afagos raros aos aliados
5. Dificuldades em convencer o empresariado a investir
6. Burocracia reinante na máquina pública
7. Não politização das vitórias do governo (famoso bater o bumbo)

A primeira vez que ouvi um dos mantras do neoliberalismo econômico foi através do pesquisador e cientista político Ricardo Prata, hoje no PPS, ele falava muito em modernidade e eficiência isso foi em 1990 ou 1991, depois desses outros termos passaram a dominar os conteúdos da mídia corporativa e a pautar as nossas discussões cotidianas.

Por Pedro Benedito Maciel Neto*

Nos anos 1990, a partir do governo Collor o ideário neoliberal foi aplicado com radicalidade disciplina, especialmente nos anos de 1995 a 2002.

E não houve eficiente reação a essa violenta ação político-econômica, aliás, não concordo com quem avalia que houve luta popular contra a modernidade, a eficiência do Estado e a globalização, pois penso que a esquerda, de uma maneira geral, ficou atordoada com a velocidade que as coisas aconteciam e não teve competência política, nem capacidade comunicativa de fazer o debate. A comprovar isso é que depois de quase vencer as eleições presidenciais em 1989 não chegou nem perto em 1994 e 1998.

A herança dos doze anos de divulgação, implantação e execução de política publicas de inspiração neoliberal no âmbito econômico incluiu desmonte do Estado nacional, privatização criminosa e corrupta do patrimônio público, desnacionalização da economia, livre curso à financeirização, maior dependência, semi-estagnação.

Coisas vergonhosas foram patrocinadas nos tempos da privatização neoliberal, verdadeiro festival de corrupção e o que é pior, comemorado como exemplo de modernidade e eficiência.
Na privatização da FEPASA, por exemplo, o governo de São Paulo, sob o PSDB de Mário Covas, demitiu dez mil funcionários e assumiu a responsabilidade pelos 50 mil aposentados da ferrovia. No Rio de Janeiro o tucano Marcelo Alencar fez mais e pior. Vendeu o BANERJ por R$ 330 milhões, mas antes da privatização demitiu 6,2 mil dos 12 mil funcionários do banco estadual e como precisava pagar indenizações, aposentadorias e o plano de pensão dos servidores, pegou um empréstimo de R$ 3,3 bilhões, ou seja, dez vezes superior ao que arrecadou no leilão (na verdade 20 vezes superior, porque o Rio de Janeiro recebeu apenas R$ 165 milhões, porque aceitou moedas podres, com metade do valor de face.

Há muitos exemplos, mas basta dizer que um primo de José Serra chegou a transferir ao tesoureiro de Serra e FHC US$ 2,5 bilhões de dólares… Algo pendente de investigação pelo diligente e imparcial Ministério Público. No livro “O Brasil privatizado – um balanço do desmonte do Estado” de Aloysio Biondi tem-se o diagnóstico de que a nação pagou sua privatização e, sob a orientação e gestão neoliberal, o país praticamente foi à falência.

E no plano político, a democracia foi maculada pelo autoritarismo e pela mutilação da Constituição. No plano social, cortaram-se direitos trabalhistas e agravou-se a degradação social. A Nação foi aviltada em nome da tal eficiência. De necessário registro que a eficiência tornou-se principio constitucional apenas em 1998, através da famosa EC n. 19, de 4 de junho de 1998.

Os governos de FHC contaram com generoso apoio da mídia que ajudou a passar a idéia de que naqueles anos houve extraordinário êxito econômico a partir do fortalecimento do real. Bem, essa seria uma falácia neoliberal, pois segundo o professor Theotônio dos Santos não foi o plano real que acabou com a inflação. Ele afirma que “os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. Claro que em cada país apareceram “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isso é falso: tratava-se de um movimento planetário”. E o professor Theotônio dos Santos segue afirmando que no governo de FHC o Brasil manteve uma das mais altas inflações do mundo. Não teria sido o Plano Real a derrubar a inflação, mas uma deflação mundial, mas FHC teve responsabilidade de manter, por razões eleitoreiras, o câmbio em posição de artificialidade, que levou o Brasil em 1999 quase à situação da Grécia de hoje.

Ademais no aspecto fiscal os tempos de falácias neoliberais elevaram a dívida pública de 60 bilhões de dólares para 850 bilhões de dólares. Essa talvez tenha sido a grande obra, negativa, de FHC, um presidente que chegou a fazer vergonhas financeiras para tentar cobrir o déficit. Tempos de irresponsabilidade cambial e fiscal que tornou o povo mais pobre, aliás, nem mesmo era unânime dentro do PSDB apoiou esse tipo de gestão.

Para não esquecermos em 1999 o Brasil não tinha divisas e teve de recorrer a FMI e pedi emprestados 25 bilhões de dólares, sem nenhuma garantia. Foi um período em que as exportações fracassaram e o setor não juntou nenhum recurso em dólar para pagar a dívida, não houve investimentos públicos, enquanto isso a nação assistia incrédula um processo de privatização que faria vergonha até a Margaret Thatcher.

A vitória de Lula representou muito mais do que a mídia e as elites desejariam reconhecer.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República, em 2002, é um marco na história recente e abriu novo ciclo político no país, mas falo disso depois.

* é advogado e professor, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, Ed. Komedi (2007).

Written By ronaldo – livreiro on sexta-feira, 15 de junho de 2012 | 17:06
Blog das Frases

A Petrobrás elevou em US$ 12 bilhões de dólares seu programa de investimentos para o período 2012/2016 em comparação com o planejado anteriormente (2011/2015). No total, a empresa brasileira investirá nesse quadriênio US$ 236,5 bilhões de dólares, a contrapelo da retração econômica mundial. Trata-se do maior plano de investimentos do mundo ancorado em uma única companhia, envolvendo uma massa de recursos bem maior do que os EUA gastaram para enviar o homem à lua.

O nome disso é política contracíclica. Desse total, quase US$ 142 bilhões (60%) serão destinados à exploração e produção, o que significa uma fabulosa injeção de demanda por máquinas, serviços e equipamentos da cadeia petrolífera, que já representa 12% do PIB nacional. A confraria dos acionistas reagiu mal. Ações da empresa caíram na Bolsa. O ‘mercado’ preferia que a estatal brasileira investisse menos e bombeasse mais óleo para o exterior de modo a regar os bolsos dos acionistas com dividendos mais suculentos.

O ideal dessa confraria era a administração garimpeira do tucano Roger Agnelli, na Vale, baseada num tripé devastador: embarques crescentes de minério bruto ao exterior; dividendos polpudos aos acionistas e um legado de crateras às futuras gerações do país.

O que a Petrobrás anunciou nesta 5ª feira afronta essa lógica, daí o muxoxo generalizado da mídia embarcada na lógica das finanças. Um dado resume todos os demais: só as encomendas previstas de 65 sondas de exploração em águas profundas –com progressivo índice de nacionalização– equivale a quase dobrar a frota mundial desse equipamento, formada de 70 unidades hoje. Em meados de fevereiro, a Petrobrás aprovou a encomenda de 26 sondas de perfuração para o pré-sal. É apenas um aperitivo do impulso industrializante embutido no ciclo de exploração das maiores reservas do planeta descobertas nos últimos 30 anos.

Por que a Petrobrás é capaz de fazer, enquanto outras instancias do governo patinam? Um caso é a letargia no setor de transporte. Levantamentos do Ipea mostram que, dos R$ 13,661 bi destinados a construir rodovias em 2012, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram gastos até maio. Pior: somente 7% desse desembolso – R$ 197,4 milhões – diz respeito a despesas do orçamento deste ano. Os demais 93% são restos a pagar. A diferença entre essa contabilidade imobilizante e a Petrobras é que a estatal preservou sua capacidade de planejamento, manteve quadros de alto nível de engenharia e aprimorou sua capacidade de gestão. Ou seja, fez tudo o que foi esfarelado no interior do Estado brasileiro nas últimas décadas –‘para abrir espaço à eficiência dos mercados’, justificava o dispositivo midiático conservador. O resultado é a brutal dificuldade enfrentada pelo país nesta crise para destravar investiments em infra-estrutura. Os ditos ‘mercados’ não fazem; o Estado foi programado para não fazer.

Para quem acha que destacar a singlaridade da estatal brasileira afronta o espírito da ‘Rio+20’ é importante lembrar: graças à Petrobrás a soberania no pré-sal é efetiva; por ser efetiva, em vez da exploração predatória dessa riqueza pelos ‘mercados’ –bem que eles tentaram com o jogral obsequioso da mídia– o país pode incorporá-la agora a uma estratégia de futuro, que incluim entre outras coisas, a instalação de um Parque Tecnológico de ponta na Ilha do Fundão, no Rio — justamente para pensar os desafios da energia e do meio ambiente no século XXI.

 

A política social teve papel central na redução da desigualdade social e fez com que a renda média do brasileiro crescesse 28% e a desigualdade caísse 5,6% de 2004 a 2009. A conclusão é de levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao governo federal, divulgado nesta quinta-feira (15).
“No período 2004-2009, a desigualdade na distribuição de renda entre os brasileiros, medida pelo coeficiente de Gini, diminuiu 5,6% e a renda média real subiu 28%. Essa evolução na distribuição de renda foi, em grande parte, motivada pelo crescimento econômico e a geração de empregos”, aponta o levantamento.
O estudo “Mudanças recentes na pobreza brasileira” aborda as transformações sociais provocadas pela redução na desigualdade de renda de 2004 até 2009.
As mudanças demográficas e o lento aumento da escolaridade da população adulta também foram apontados como causas da melhora dos indicadores, segundo o estudo.
Durante o período analisado, a parcela da população brasileira vivendo em famílias com renda mensal igual ou maior do que um salário mínimo per capita subiu de 29% para 42%, passando de 51,3 a 77,9 milhões de pessoas.
Mesmo com a melhora, em 2009, ainda havia 107 milhões de brasileiros vivendo com menos do que R$ 465 per capita mensais. Usando os critérios para concessão de benefícios do Programa Bolsa Família, as pessoas com essa renda podem ser divididas em três estratos de renda. Extremamente pobres, que, em 2009, tinham renda até R$ 67 mensais; os pobres, com renda entre R$ 67 e R$ 134; e os vulneráveis, com renda entre R$ 134 e R$ 465.Folha.

Postado por O TERROR DO NORDESTE

 Ritmo de crescimento “Chines”: o PDE 2019 aponta que a produção brasileira de petróleo aumentará 161% e a de gás natural 187%.

O investimento necessário para suprir a demanda energética do Brasil na próxima década será de R$ 952 bilhões, de acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2019 (PDE 2019), aprovado nesta segunda-feira, pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Grande parte desta verba, cerca de R$ 672 bilhões, deverá seraplicada em exploração, produção e oferta de petróleo e gás natural.

O PDE 2019 aponta que a produção de petróleo aumentará 161% e a de gás natural 187%. Para acompanhar esse “crescimento chinês” da produção de gás, os gasodutos brasileiros devem ser ampliados em 1,7 mil quilômetros. Atualmente, a malha de gasodutos têm 8,8 mil quilômetros e é 54% maior do que em 2003.

A rede de transmissão, que garante o intercâmbio de energia elétrica entre as regiões brasileiras, também será fortalecida com R$ 39 bilhões. Isso porque as linhas de transmissão terão de ser capazes de suportar uma ampliação de 53% da oferta de energia, que saltará de 539 terawatts hora (TWh) em 2010 para aproximadamente 830 TWh em 2019.

Estão previstas, por exemplo, a integração Manaus– Macapá, e a interligação Manaus – Boa Vista, que irá integrar o estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A extensão atual do sistema de transmissão brasileiro é de 97 mil quilômetros, 28,9% maior do que em 2002.

Aumento na demanda – Com o objetivo de compreender melhor esse aumento gradativo na demanda de energia, os técnicos do MME explicam que, se fossem convertidas todas as formas de energia em “Toneladas equivalentes de petróleo”(Tep), o Brasil teria consumido 228 milhões de toneladas em 2010 e chegará a 365 milhões em 2019, o que corresponde a crescer a uma taxa anual média de 5,4%.

Ainda de acordo com o PDE 2019, a demanda de biocombustíveis terá aumento médio anual de 9,8% para o biodiesel e 8,7% para o etanol, implicando investimentos de R$ 66 bilhões em um futuro próximo.

Produção de etanol – A produção de etanol tem acompanhado esta evolução da demanda. Na safra 2010/11, atingiu 28,5 bilhões de litros, aumento de 12% em relação à safra anterior. A produção nacional de etanol passou de 14,6 bilhões de litros na safra 2003/04 para 25,9 bilhões de litros em 2009/10.

Essa ampliação da oferta de etanol, biocombustível que reduz as emissões de dióxido de carbono (CO2) em até 61%, acompanha a evolução da comercialização de carros bicombustíveis (flex fuel). Foram comercializados, desde 2003, 10,3 milhões de veículos flex-fuel (69% do total). Em 2009, com a venda de 2,7 milhões de unidades, a participação foi de 88% do mercado.

Fonte: Brasília Confidencial

Até 2025, segundo o planejamento do governo federal, 29% de todo o transporte brasileiro será efetuado por hidrovias. 


A conclusão das obras das eclusas de Tucuruí, que será acompanhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (30), além de ser considerada uma dasmaiores obras de infraestrutura logística do país, é politicamente simbólica para o governo federal. Viabilizada pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimento de R$ 1 bilhão, a obra teve início há quase 30 anos e foi diversas vezes interrompida nas administrações anteriores.

“É uma vitória do trabalho sério e da persistência sobre a falta de vontade política, que havia paralisado os serviços diversas vezes desde que a obra começou em 1981”, comemora o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot.

Em 1989, a primeira paralisação – Inicialmente comandada pela extinta Portobras, aconstrução das eclusas teve andamento normal até 1984, quando o ritmo foi reduzido gradativamente até a interrupção em 1989. Nove anos depois, em 1998, os serviços foram reiniciados, mas houve nova desaceleração por determinação do Tribunal de Contas da União. Reativadas mais uma vez em 2004, as obras seguiram até outubro de 2005. Somente em março de 2007, após a inclusão no PAC e a assinatura do contrato de delegação firmado entre o Dnit e a Eletronorte, foi possível retomar a construção.

25 Maracanãs – A obra impressiona pela grandiosidade. O volume de concreto usado na obra seria suficiente para construir 25 estádios de futebol do tamanho do Maracanã. São duas eclusas, com 210 metros de largura e 33 metros de comprimento cada – ligadas por um canal intermediário de 5,5 quilômetros – que permitirão apassagem de comboios de até 19 mil toneladas. Assim, esses comboios farão, sem dificuldade, o percurso de 445 quilômetros entre os portos paraenses de Vila do Conde e Marabá.
Até agora, estes comboios carregados de minério precisavam navegar de Marabá a Tucuruí. Lá, realizavam o transbordo para caminhões e, logo depois do desnível de 74 metros, a carga voltava a ser transportada pelo rio até os portos de Belém e Vila do Conde.

Transporte hidroviário – Com a conclusão das eclusas, o transbordo deixa de ser necessário e a viagem ficará mais curta. O que resulta em redução de custos, além de viabilizar a implantação da siderúrgica Aços Laminados do Pará (Alpa). A Alpa representa um investimento de R$ 3,3 bilhões e a logística está inteiramente baseada no modal hidroviário.

Até 2025, segundo o planejamento do governo federal, 29% de todo o transporte brasileiro será efetuado por hidrovias, meio que polui menos e reduz custos de transporte, tornando os produtos mais competitivos no exterior. Atualmente, apenas 13% da carga no país é transportada por via fluvial.

Fonte: Brasília Confidencial

A Estância Turística de Santa Fé do Sul foi palco no último final de semana (10, 11 e 12), do maior evento de aqüicultura e pesca da região: o II Aquishow, III Seminário de Piscicultura do Noroeste Paulista e IV Enpap. As atividades – como palestras, exposição de produtos, espaço empresarial, entre outras – aconteceram no Complexo Turístico, Cultural e Histórico Roberto Rollemberg.

O prefeito Toninho Favaleça disse que o evento já se consolidou, assim como a atividade da piscicultura. “Nossa região conta hoje com quatro mil tanques-rede, com produção mensal de 1500 toneladas, o que gera 400 empregos diretos. Temos na região duas fábricas de ração e dois frigoríficos de peixe. Participando do evento tivemos 18 empresas e mais de 300 pessoas. Cada vez mais queremos fortalecer a piscicultura e transformar nossa região em uma grande produtora de peixes em tanques-rede. A Aquishow veio somar e engrandecer todo esse trabalho em prol da piscicultura”.
O secretário de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente e organizador do evento, Ademir Maschio, disse que “A Aquishow é um evento que veio para ficar. Os municípios que compõem o Consórcio Intermunicipal para o Desenvolvimento da Piscicultura (Cimdespi) têm feito um grande trabalho para que nossa região se torne cada vez mais forte no ramo e a Aquishow vem consolidar esse trabalho, reunindo no mesmo espaço criadores, empresas, estudantes e interessados na área”.
Nos três dias de evento a aquicultura e a piscicultura – práticas de manejo, espécies alternativas, licenciamento ambiental, mecanização na maricultura, panorama da piscicultura, qualidade do pescado, sanidade e sustentabilidade, tecnologias, entre outros – foram tema das palestras. Nos stands, empresas expuseram produtos variados como rações, material para tanques-rede e produtos feitos com couro de peixe.
Em parceria com o Sebrae, a Aquishow trouxe o Encontro de Relacionamentos e Negócios, onde empresas e compradores reuniram-se para a realização de negócios. No mesmo dia aconteceu o IV Encontro Nacional de Piscicultores em Águas Públicas (Enpap), onde foi feita a assembléia geral que indicou uma chapa, eleita por unanimidade, da Associação Nacional de Piscicultores em Águas Públicas (Anpap). O presidente eleito foi Antônio Carlos Lopes Amaral. Outra decisão foi a mudança do nome da associação, que passa a se chamar Associação Nacional dos Piscicultores (Anp).
No último dia foi apresentada a Carta de Santa Fé, que estabelece metas para o setor no biênio. Questões como organização setorial e união de todos os elos da cadeia; unificação e facilitação das licenças ambientais, regularização da atividade de piscicultura, formalização de protocolo de biossegurança nacional e a regulamentação do seguro aquícola, são algumas das 12 diretivas da carta.
Uma das inovações do evento para o setor foi o 1º Torneio Tilápia de Ouro, que visou aproximar os produtores da região do evento. Todos os produtores da região receberam em setembro um tanque-rede com 50 alevinos que foram pesados quinzenalmente. No dia 8 de novembro foi feita a última pesagem. O exemplar com a maior biomassa foi o da Cooperativa de Rubinéia, com 30,634 Kg. O segundo foi do produtor José Pereira, o Beião, com 30,462 Kg. O terceiro lugar ficou com o grupo Âmbar Amaral, com o exemplar de 30,402.
Na categoria melhor exemplar, o primeiro lugar ficou com o grupo Âmbar Amaral, com exemplar de 988 gramas. O segundo ficou com a Cooperativa de Rubinéia, com exemplar de 936 gramas e o terceiro lugar com José Pereira, com exemplar de 918 gramas.
Outra novidade do evento – esta visando proporcionar diversão – foi a 1ª Pega do Bagre, que teve 16 participantes. O desafio era pegar o peixe, dentro de uma piscina rasa, com as mãos. Quem conseguisse a proeza, levava o bagre.
Para Ademir, o evento foi um sucesso. “Conseguimos atingir o objetivo que era reunir toda a cadeia produtiva do pescado. Santa Fé demonstrou que está na frente na questão da aqüicultura e cada vez mais nos tornamos referência nacional na produção de peixe em tanque rede ”.

Há cerca de sete anos, o camarão era o principal produto da pauta de exportações do Estado. Hoje, a realidade é outra. Os produtores estão mudando o foco e produzindo principalmente para atender ao mercado interno. O alto custo da produção aliado à   queda do dólar e à conjuntura econômica desfavorável fizeram com que o volume exportado caísse significativamente.

DivulgaçãoHá cerca de oito anos, o camarão produzido no Rio Grande do Norte abastecia basicamente a Europa. Hoje os principais compradores são os Estados do Sul e SudesteHá cerca de oito anos, o camarão produzido no Rio Grande do Norte abastecia basicamente a Europa. Hoje os principais compradores são os Estados do Sul e Sudeste

A pauta de exportações do Estado e as mudanças pelas quais o setor exportador como um todo vem passando serão alvo das discussões da segunda edição do ano do projeto Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, uma realização da TRIBUNA DO NORTE, Fiern, Fecomércio/RN e RG Salamanca Investimentos, com patrocínio do Banco do Brasil, Governo do Estado, Assembleia Legislativa e Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern). O tema escolhido é o “Setor Exportador: Agronegócio e Pesca” e o evento será realizado no próximo dia 22, no auditório Albano Franco, na Casa da Indústria, a partir das 8h.

Uma das palestras, ministrada pelo diretor-presidente da Camanor, Werner Jost, tratará do futuro da carcinicultura no Estado já que a crise na atividade atingiu em cheio boa parte dos produtores.

Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão, Itamar Rocha, a recuperação do mercado externo é uma possibilidade remota, embora a produção do crustáceo esteja crescendo. “O foco agora é o mercado interno”, diz. A expectativa dos carcinicultores é produzir de 75 mil a 80 mil toneladas este ano, no ano passado foram 65 mil toneladas, no país.  

Mas apesar desse crescimento na produção, isso não quer dizer que os níveis de exportação devam acompanhar. “Não há perspectiva de retomada das exportações agora. Não vejo mudanças a curto prazo porque não há nenhuma reação na questão do câmbio”, afirma Itamar Rocha. E complementa afirmando que, hoje, o mercado interno é tão atrativo quanto o externo já foi há alguns anos. “A demanda por camarão no mercado interno é crescente. Tanto é que estamos observando que produtores internacionais interessados em entrar no mercado nacional”, diz.

Produção

O crescimento no volume de camarão produzido é uma realidade. No âmbito estadual, a queda do ICMS, a partir de 2008, foi importante para impulsionar a produção para o mercado interno. Em 2003, a produção destinada ao mercado interno girava em torno de 25 mil toneladas. Este ano a expectativa do setor é  comercializar 75 mil toneladas, um salto significativo em um período de sete anos.

“Antes tínhamos 20, 25 empresas que exportavam e mil produzindo. Agora tenho 1.200 produzindo e essas 1.200 são vendedoras. O empresário está mais próximo do consumidor brasileiro do que estavam dos americanos e europeus. Isso ajudou muito na penetração do nosso produto”, afirma Itamar Rocha. Ele acredita que o Brasil tem condições de consumir internamente 300 mil toneladas de camarão ao ano.

Produtores querem incentivos para retomar exportações

A retomada da exportação de camarão é uma possibilidade remota, mas que ainda existe. Para o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha,  para que isso pudesse se efetivar seria necessário que, além do câmbio favorável, o governo concedesse incentivos para os produtores.

Segundo cálculos da ABCC, a diferença entre produzir um quilo de camarão no Brasil e no Equador é que, no país vizinho, o custo é 1 dólar menor. “Não estou falando da China nem do Vietnã, mas de um país da América do Sul. Então, se nos fosse disponibilizado algum incentivo equivalente a um dólar, garanto que nós íamos recuperar a exportação”, disse Itamar Rocha.

Ele frisa que os produtores não estão falando em subsídios e sim em compensação financeira. “Nós estamos pedindo ao governo um dólar por quilo de camarão exportado, que é algo muito mais baixo que o governo já dá para os pescadores no subsídio do óleo diesel, por exemplo”. No próximo mês, Itamar Rocha deve ir a Brasília para uma audiência conjunta com os ministros da Pesca, Altemir Gregolin, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Gonçalves Rossi, para discutir o apoio governamental à carcinicultura.

O incentivo seria, principalmente, para compensar a questão cambial – que é um dos principais empecilhos para a retomada da exportação do crustáceo. Com o custo de produção alto e o dólar em baixa, exportar já não é um negócio tão lucrativo. “Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2004 um dólar valia cerca de R$ 3,00. Hoje, seis anos depois, com o aumento dos salários, encargos, energia e combustíveis, o valor do dólar é R$ 1,65. A atividade fica praticamente inviável”, avalia Itamar Rocha. 

O presidente da ABCC lembra ainda que questões climáticas também podem influenciar na retomada das exportações. Com o tsunami ocorrido na Indonésia há alguns dias, há perspectivas de que a produção asiática seja prejudicada e o mercado europeu deve procurar outros fornecedores.

Curiosidade

O consumo de camarão pelo brasileiro hoje está na faixa das 500 gramas (meio quilo) por pessoa por ano, enquanto o consumo de carne vermelha no ano passado foi de 52 quilos/pessoa. Se compararmos o preço do quilo de camarão, no produtor, com o valor do quilo da carne vermelha, o camarão é igual, ou mais barato, e se trata de um produto nobre.

Outro dado interessante: enquanto no brasil se consome 500 gramas de camarão por pessoa ao ano, na China esse número é o dobro: 1 kg quilo. O México consome 1,6 kg de camarão por cada habitante ao ano, os Estados Unidos consomem 2,4 kg, e a Espanha pouco mais de 3 kg

Por Paulo Cezar

Ótima matéria do Valor expondo as entranhas da Vale e os motivos das pressões pela saída de Agnelli….Os fatos acabam mostrando que ao contrário do que dizem alguns dogmas, todas as organizações humanas são politicas e estão sujeitas a interesses que muitas vezes prejudicam a organização…. A diretora tucana é aliada e executora das ordens duras de Agnelli, que ao que parece, extirpa vozes contrárias e cria inimigos….Me parece que se trata de um tucano enrustido que somente atendeu ao Lula pontualmente para permanecer no cargo… 

Do Valor

Dias tensos nos bastidores e no comando da grande mineradora

Vera Brandimarte, Vera Saavedra Durão, Ivo Ribeiro, Graziella Valenti e Catherine Vieira | De São Paulo e do Rio
05/11/2010

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, vem apresentando resultado recorde apesar dos tempos difíceis do mercado mundial. No terceiro trimestre, o lucro líquido da empresa alcançou R$ 10,5 bilhões, e o acumulado em nove meses, R$ 20,1 bilhões. No melhor ano até então, 2008, no período foram R$ 18,8 bilhões. No entanto, nunca Roger Agnelli, o poderoso, admirado e temido CEO da Vale, esteve tão na berlinda.

Faz alguns meses, o processo de tomada de decisões no conselho tornou-se mais arrastado e as decisões de Agnelli deixaram de ser prontamente referendadas pelos acionistas – entre os quais a controladora Valepar, que reúne a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, e outros fundos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Bradespar, empresa de participações do Bradesco, e a japonesa Mitsui. Até a presidência do conselho de administração está em compasso de espera: Ricardo Flores, que acaba de assumir a Previ, deve ser nomeado para o lugar de Sergio Rosa, ex-presidente da Previ e chairman da Vale desde abril de 2003.

DNA – Na Cidade de Deus, em Osasco (SP), onde fica o headquarter do Bradesco, não há mais sustentação incondicional a Agnelli, um dos mais promissores executivos do banco quando foi indicado para comandar a Vale, nove anos atrás – apesar do prestígio que ele tem junto ao presidente da Bradespar, Mario Teixeira. Agnelli teria violado regra da cultura do banco: não misturar negócios com política e não se indispor, especialmente em público, com governos. 

Um dos problemas seria a declaração atribuída ao CEO da Vale de que os boatos de sua iminente saída da companhia seriam motivados por pessoas do PT (Partido dos Trabalhadores) que querem posições na Vale. Em entrevista ao Valor, Agnelli explica o contexto em que tal declaração foi dada, e diz que não foi uma crítica ao partido nem confronto com o governo do presidente Lula. 

Os percalços de Agnelli têm explicações diferentes dentro da própria corporação. O Valor ouviu, nos últimos dois meses, diretores e ex-diretores da Vale, atuais e ex-conselheiros da companhia, acionistas, competidores, parceiros e analistas para relatar o que ocorre na empresa, cuja imagem no mercado está sendo arranhada diante da possibilidade de substituição do CEO por razões políticas. Seria apenas um rumor sem consequências, sustentado pelo clima eleitoral, quando ambições se exacerbam, ou haveria outras razões para supor-se que o ciclo da gestão Roger Agnelli completou-se na Vale?

Ele esteve à frente da transformação da Vale de uma empresa com receita líquida de R$ 9,5 bilhões, no ano de 2000, em uma companhia de R$ 48,5 bilhões no ano passado (foi a R$ 70,5 bilhões em 2008, antes da crise, e deve alcançar algo próximo a R$ 72,5 bilhões este ano, segundo previsões de mercado). Ainda pelos padrões contábeis brasileiros, seu lucro líquido veio de R$ 2,1 bilhões em 2000 para esperados R$ 22,7 bilhões neste ano (em 2009, o resultado foi de R$ 10,2 bilhões, depois do recorde de R$ 21,3 bilhões em 2008). O valor em bolsa da companhia passou de R$ 16,7 bilhões no último pregão de 2000, para R$ 275 bilhões na última segunda-feira. Os acionistas receberão cerca de US$ 3 bilhões de dividendos e juros sobre capital próprio relativos a 2010 (em torno de R$ 5,1 bilhões), comparados a US$ 246 milhões no ano de 2000.

A Vale comprou empresas mundo afora, disputou o controle de concorrentes, arrematou a Inco, uma das maiores do mundo em níquel e um dos orgulhos canadenses, diversificou-se para áreas como fertilizantes e carvão e virou um negociador à altura de seu tamanho ao puxar o minério de ferro de um patamar de US$ 20 a tonelada para até US$ 140 em dez anos. Em 2005, surpreendeu o mercado internacional ao emplacar um aumento de 70,5%, quebrando o padrão dos leves ajustes anuais, e este ano voltou à carga com a introdução da sistemática de reajuste trimestral, que em um mercado comprador permite recuperação mais rápida de preço. Soube dimensionar e tirar partido do voraz apetite de quem podia pagar pelo seu produto: a China.

Nesse período, o CEO da Vale tornou-se um dos executivos mais admirados e bem pagos. Em 2009, a remuneração paga à diretoria, que na média teve 6,33 membros no ano, somou R$ 43 milhões. Para este ano oito executivos terão R$ 79,8 milhões, dos quais R$ 23,5 milhões em ações, segundo declaração à CVM (Comissão de Valores Mobiliários). 

Por nove anos Agnelli ganhou o prêmio Executivo de Valor, um certificado de sucesso no meio empresarial conquistado em eleição promovida pelo Valor e os maiores headhunters em atuação no Brasil. Por conta desse desempenho, recebeu das mãos do presidente Lula, na festa dos 10 anos do jornal, em maio, um prêmio como um dos cinco executivos da década.

Tudo em sua vida profissional desde que chegou à Vale tornou-se superlativo, o que muitas vezes é criticado interna e externamente. O aparato de seguranças que o cerca em seus deslocamentos, os aviões que o servem – o Global, da Bombardier, que só se rivaliza com o Gulfstream G550, de seu desafeto Eike Batista, ou com o Falcon, da Dassault, todos com preços que variam de US$ 50 milhões a US$ 60 milhões, ou seu mais novo helicóptero da Eurocopter, avaliado em US$ 15 milhões – são de fazer inveja a donos de conglomerados. Mas também é superlativa a carga de trabalho que o executivo se impõe, unanimemente reconhecida como um dos motores do crescimento da Vale.

Mas se não há nada de errado com a companhia e suas perspectivas neste momento, como explicar o ocaso de seu brilhante CEO?

Segundo testemunho de nove diretores e ex-diretores da Vale, Agnelli se desgasta com seu time por sua personalidade forte e centralizadora, demonstra não confiar em seus diretores, proíbe-lhes o contato direto com o conselho de administração e a expressão de opinião, criou um sistema muito pouco transparente de promoções sem critério de meritocracia e acabou por restringir suas relações a um pequeno círculo, incapaz de criticá-lo, no qual desponta Carla Grasso, a diretora de Recursos Humanos e Serviços Corporativos. Com Agnelli, a Vale perdeu muitos de seus valiosos diretores, entre eles Gabriel Stoliar, Mozart Litwinski, Antonio Miguel Marques, Armando Santos, Diego Hernandez, Guilherme Laager, Phil Du Toit, Demian Fiocca, José Lancaster, Murilo Pinto Ferreira, Nélson Silva, Dalton Nosé, José Francisco de Martins Viveiros e Fabio Barbosa.

Ex e atuais executivos reclamam da relação com o presidente e da pouca importância que é atribuída à diretoria executiva, ausente em processos de decisão relevantes. Os diretores executivos, diz um deles, só foram oficialmente informados de que a Vale comprara a Fosfértil (um negócio de US$ 3,8 bilhões) no dia seguinte do anúncio ao mercado. O pedido de demissão de Fabio Barbosa, CFO (diretor-executivo de Finanças) desde 2002 e para o mercado o homem mais forte da companhia depois de Agnelli, assim como sua substituição por Guilherme Perboyre Cavalcanti, foram comunicados aos diretores e conselheiros em lacônico e-mail, numa sexta-feira, 25 de junho, durante o jogo do Brasil com Portugal na Copa do Mundo da África do Sul, deixando todos perplexos. Procurado na segunda-feira seguinte pelo Valor, Sergio Rosa, presidente do Conselho, se disse surpreso. Ele ainda desconhecia as razões da demissão. Da mesma forma o representante do Bradesco, Renato Gomes, admitiu ter sido surpreendido: “Fábio tinha um bom trabalho na companhia. Roger comunicou os motivos da sua saída ao representante dos acionistas, Mario Teixeira, ao longo do fim de semana. Mas como estava de férias ainda não recebi a informação”, afirmou na época ao Valor.

Naquela mesma segunda-feira, Agnelli colocou seu indicado na sala de Fábio Barbosa. Mas, de forma também pouco usual, Cavalcanti teve que esperar por três meses até ser oficialmente nomeado pelo conselho da empresa. Demorou igualmente meses a aprovação da nova estrutura executiva das áreas operacional, logística e comercial, que passou de unidades de negócios para uma estrutura matricial, assim como tem sido retardada a aprovação do novo plano de remuneração dos executivos.

Nada ou muito pouco dessas dificuldades transparece para o público externo. Cada vez mais a Vale tem aparecido em campanhas publicitárias ao redor do mundo e em grandes entrevistas com anúncios de planos – alguns recebidos com ceticismo, como o de tornar-se a maior empresa do mundo em biocombustível. Isso exigiria domínio de vastas extensões de terra, complexas relações contratuais de fornecimento de matéria-prima e de trabalho, conhecimento tecnológico e de mercado, que estão distantes da experiência da companhia.

Incomoda sobretudo ao público interno a sustentação dada por Agnelli a Carla Grasso, a quem cabe executar as decisões impopulares. Ex-secretária de Previdência Complementar do Ministério da Previdência no governo Fernando Henrique Cardoso, ex-mulher de Paulo Renato, ministro da Educação de FHC, Carla Grasso entrou na Vale em dezembro de 1997, logo após a privatização da empresa, como diretora de pessoal, administração e tecnologia da informação do centro corporativo e foi responsável pela “limpeza” da companhia, que incluiu, além do forte enxugamento de quadros, o afastamento de diretores e mudanças no plano de previdência dos funcionários, associados à Valia.

Agnelli não só a manteve mas a promoveu a diretora executiva, responsável também pelas áreas de TI, suprimentos, comunicação e atividades da corporação. Uma de suas funções, segundo depoimentos colhidos, é ‘fritar’ o executivo que cai em desgraça perante Agnelli. Um deles, depois de meses de ‘fritura’, que inclui exposição e cobrança em tom duro de supostos erros durante reunião de diretoria, teria enfartado durante uma viagem internacional. Demitiu-se em seguida e iniciou um novo negócio. Outro executivo, que se propôs a ser candidato a representante dos trabalhadores no conselho, foi demitido sem receber bônus a que tinha direito. Processou a Vale, tomou um processo e acabou por acusar a direção da empresa de abuso de poder e assédio moral. O processo corre na Justiça trabalhista do Rio.

Em comum, ex-executivos relatam a experiência de terem sido ungidos a gênio para cair de repente e sem muita explicação ao inferno, quando um tratamento frio começou a lhes ser dispensado.

Grasso não quis dar entrevista e, por meio da assessoria de imprensa, declarou: “Várias decisões são tomadas em consenso da diretoria executiva. Eventualmente, os diretores podem ter que executar alguma medida em nome do colegiado, o que não significa que tenha sido uma decisão individual”. Agnelli defende com veemência sua diretora, afirmando que ela é apenas a executora das decisões.

Como responsável pela área de comunicações, Grasso tampouco ajudou Agnelli em suas relações com a mídia. Em muitos momentos, quando negociava aquisições internacionais, Agnelli se irritou ao ver publicadas notícias sobre a operação. O executivo chegou a desconfiar até mesmo de seu conselho, de seus diretores, e tornou-se cada vez mais econômico nas informações para seu time. Ao Valor, inúmeras vezes disse que a publicação das notícias era crime, pois aquelas eram informações sigilosas, e que sabia quem as passava ao jornal. Como elas não foram obtidas de forma ilegal, o problema voltava para a própria Vale. Principalmente durante duas dessas operações, da canadense Noranda e da mineradora suíça Xstrata. Esta última, segundo um conselheiro, foi barrada pelo conselho para sorte da Vale. Teria sido um péssimo negócio porque logo veio a crise global, os preços dos metais desabaram e, para fechar a operação, a Vale teria que contrair uma dívida avaliada em pelo menos US$ 50 bilhões.

Agnelli usou, na semana passada, o argumento do crime para advertir os conselheiros de que nada poderia vazar em suas reuniões. Ele poderia reclamar se fossem informações estratégicas, mas não sobre o entrevero que se deu com fundos de pensão a respeito de suas declarações durante viagem à Zâmbia, em meados do mês passado, quando boatos sobre sua substituição já ganhavam corpo. Segundo o jornal “O Globo”, ele disse: “Tem muita gente procurando cadeira, essa é a realidade. E normalmente é a turma do PT. Toda eleição acontece isso. Agora, quem decide são os acionistas”. Sabendo dos bons números que teria a divulgar relativos ao trimestre já fechado, não teve dúvidas em manter sua aposta: “Qualquer decisão (sobre sua permanência no cargo) estará sempre fundamentada em resultados. O resto é jogo de bastidor, jogo de eleição, jogo político, jogo de sindicato”. 

Agnelli justifica que respondeu a pergunta insistente sobre se estava deixando a companhia, e quis apenas explicar que seus acionistas não tinham essa opinião. Mas, pelo período eleitoral e pelas acusações que a oposição tentava colar em Dilma, de que o PT estava fazendo um aparelhamento nas empresas nas quais o governo tinha participação, o comentário não caiu bem. Nem no governo nem nos fundos de pensão, que tomaram as dores e cobraram explicações, e nem no Bradesco, onde a identificação do banco com o executivo da Vale poderia provocar constrangimentos com o governo.

Agnelli teve com Lula um relacionamento mais de altos que de baixos. Esteve ao lado de Lula em todas as incursões internacionais do Presidente da República desde seu primeiro governo, emprestando-lhe um passaporte global. As relações ficaram ruins com a crise, em 2008, quando o governo apelou às grandes empresas para que mantivessem nível de emprego e investimentos, para o país passar sem traumas pela crise.

Mas a Vale esteve entre as primeiras a anunciar uma grande demissão. Lula passou a bater na empresa. Cobrou mais investimentos no Brasil. Agnelli tentou compor. Viu boas perspectivas no setor de fertilizantes e buscou jazidas fora do país. Comprou a Fosfertil, garantindo o que o governo queria: quebrar o oligopólio estrangeiro que se estabelecera no setor de fertilizantes após a privatização.

O governo também julgava que a empresa deveria compensar um Estado pobre como o Pará, porque o minério de ferro de Carajás é extraído sem compensação adequada em impostos. De Carajás a Vale extrai anualmente quase 100 milhões de toneladas de minério de ferro, isento de ICMS, porque é todo para exportação, e tributado em apenas 2% pela Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, sobre a receita líquida anual. A compensação seria uma usina siderúrgica no Estado. Projetos de exportação de placas (aço semiacabado) ficam próximos de portos, onde recebem o minério e o carvão importado. Esse ficaria no meio do caminho entre Carajás e o porto de Ponta da Madeira, no Maranhão, e não havia parceiros interessados. Agnelli resistiu, foi criticado por Lula, até o mercado julgar que sua cabeça estava a prêmio. Cedeu, em busca de reconciliação, sob crítica da área financeira da empresa.

Na siderúrgica do Pará, localizada em Marabá, o Valor apurou com diferentes fontes que os trabalhos de terraplenagem iniciaram-se no ano passado, como queria Lula, com tomada de preços de fornecedores. Mas até hoje o projeto de engenharia não foi encomendado. Tivesse o PSDB ganho as eleições, seria menor a ingerência política na Vale para obrigá-la a fazer investimento sem grande retorno. Um ano atrás, a vitória da candidata Dilma Rousseff, uma desconhecida no mundo político, sobre o candidato José Serra, do PSDB, parecia impossível. Agnelli poderia simplesmente ter tentado ganhar tempo ao postergar o projeto de engenharia. Ele explica que a demora na decisão deveu-se ao problema de logística, solucionado pelo governo com a construção de eclusas no Rio Tocantins.

As relações com seu maior apoiador junto ao PT, Sergio Rosa, também mudaram. No começo da gestão de Rosa, a Previ vinha de um período negro de déficit nas contas e travava guerra pública com o Opportunity, de Daniel Dantas, pelo controle da Brasil Telecom. Qualquer deslize do fundo e dos seus dirigentes significava munição para os adversários. Nesse contexto, a Vale era a menina dos olhos da Previ, que alcançou superávits recordes tendo a mineradora como estrela da sua carteira.

De postura extremamente discreta, Rosa nunca fez uma crítica pública a Agnelli, o que, por sua vez, acabou por identificá-lo com o presidente da Vale aos olhos de áreas do governo. O ex-presidente da Previ agiu como bombeiro nas relações governo e Vale, quando Lula passou a criticar Agnelli, mas pessoas próximas a Rosa consideram que o CEO da Vale não retribuiu o esforço. “Jamais se pediu cargo ou a cabeça de ninguém”, afirmou fonte dos fundos, referindo-se a boatos de que os fundos queriam a demissão de Carla Grasso, vista como o braço do PSDB na Vale junto com o ex-diretor Fábio Barbosa. “A Previ tinha apreensão de que ela saísse, porque acabaria alimentando esse tipo de comentário.” Procurado, Rosa disse que prefere sempre tratar dos assuntos da empresa internamente.

Um executivo experiente do setor avalia ser natural os problemas enfrentados por uma gestão de 10 anos, e, se o CEO não tem habilidade no trato com as pessoas da corporação, “leva a desgaste mesmo que tenha agregado bastante valor à companhia”.

Contra a boataria, Agnelli tem a mostrar o desempenho da companhia, que agrada investidores, sobretudo externos. A seu favor também conta o quanto cairia mal uma substituição entendida como só por razões políticas. A questão é saber quanto do seu desgaste para o público interno seria amenizado por uma eficiente política de RH e até que ponto o novo governo, que será acompanhado pelos demais acionistas, está disposto a correr o risco de sua substituição para renovar a Vale.

Publicado origináriamente no: Blog de luisnassif