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O Vaticano, no seu empenho em eliminar o comunismo, fez alianças durante a Segunda Guerra Mundial com diversas sociedades secretas, grupos fascistas e agências de espionagem, e desde aquela época mantém esses contatos.

O vínculo com os fascistas

Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, “fingindo-se de louco”, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. “O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais”, afirma Henrique Magalhães.

Há também fortes indícios de que Jose María Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis “são belos e inteligentes” e devem olhar aos demais como “inferiores e animais”. Na máxima 643, ensina que a meta “é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial”. Na máxima 311, ele escancara: “A guerra tem uma finalidade sobrenatural… Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas”. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: “Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões”. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: “Escrivá, com toda certeza, era fascista”.

O poder no Vaticano

Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, “a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger”. Em 1982, a seita foi declarada “prelazia pessoal” – a única existente até hoje -, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia.

Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma “peregrinação” pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica.

Em depoimento à Justiça Militar, em 1970, quando tinha 22 anos, Dilma afirmou ter sido ameaçada de novas torturas por dois militares chefiados por Lopes. Ao perguntar-lhes se estavam autorizados pelo Poder Judiciário, recebeu a seguinte resposta: “Você vai ver o que é o juiz lá na Operação Bandeirante” (um dos centros de tortura da ditadura militar).

Maurício Lopes Lima foi apontado pelo Ministério Público Federal (MPF), em ação civil pública ajuizada em novembro de 2010, como um dos responsáveis pela morte ou desaparecimento de seis pessoas e pela tortura de outras 20 nos anos de 1969 e 1970. Segundo o MPF, o militar foi “chefe de equipe de busca e orientador de interrogatórios” da Operação Bandeirante (Oban) e do DOI/Codi.

Em entrevista em 2003 ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, Dilma foi perguntada de quem apanhava quando estava presa e respondeu: “O capitão Maurício sempre aparecia”.

Dilma, que era uma das líderes da VAR-Palmares, foi presa em 16 de janeiro de 1970. Ela foi brutalmente torturada e seviciada, submetida a choques e pau-de-arara durante 22 dias. No depoimento à Justiça Militar, em Juiz de Fora, em 18 de maio, cinco meses depois de ser presa, Dilma deu detalhes da tortura no Dops. “Repete-se que foi torturada física, psíquica e moralmente; que isso de seu durante 22 dias após o dia 16 de janeiro (dia em que foi presa)”, diz trecho do depoimento.

 

Por Valmir Assunção

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,

o Terreiro Ilê Axé Ayrá Izô, localizado no bairro de Campinas de Brotas, em Salvador, ameaçado até então de despejo por conta de uma ação judicial, continuará a desempenhar o seu importante papel como um dos pilares das religiões de matrizes africanas em Salvador, pois deverá ser desapropriado pelo governador Jaques Wagner.O local que abriga o templo religioso teria sido doado verbalmente pelo proprietário Antônio Gagliano, já falecido, em retribuição a graças alcançadas, sem qualquer registro de documentação. A área de 878 m² é alvo desde 1992 de uma disputa judicial entre os herdeiros, que ainda não chegaram a um acordo sobre o destino dos atuais ocupantes.

A casa, que funciona há mais de 40 anos, além do seu papel social, desempenha também o papel religioso, numa terra em que o laicismo predomina, com a convivência de vários credos religiosos e que, tem nas religiões de matrizes africanas, parte da sua história. E o governador Jaques Wagner, ante os inúmeros apelos feitos por pais, mães e filhas de santo de toda Salvador, entendeu isso e vai interceder, com uma ação de desapropriação do imóvel, para evitar o seu desaparecimento.

O governador fez isso na data em que se comemorou, na última segunda-feira, em todo o mundo, o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Direitos humanos que implica, também, no direito às manifestações religiosas, na qual as religiões de matrizes africanas têm papel fundamental em Salvador, e na Bahia. E fez isso na presença da ministra Maria do Rosário da Secretaria de Direitos Humanos.

O gesto do governador traduz uma preocupação do governo com os direitos humanos, com a livre manifestação religiosa, mas acima de tudo, com o respeito à própria história dos baianos.

“Foi uma importante vitória para o povo de axé dessa cidade, como bem disse o coordenador do CEN (Coletivo de Entidades Negras), Marcos Rezende, à frente da entidade que liderou as ações políticas e a mobilização social que culminaram na sensibilização da Ministra e do governador.

Os atabaques tocarão essa semana em agradecimento a todos os orixás, para que ninguém nessa cidade duvide da força ancestral que emana das nossas tradições. E o povo de santo, e todos os simpatizantes e praticantes das religiões de matrizes africanas, terão muito o que agradecer ao governador Jaques Wagner, ao CEN e a todos os que se mobilizaram por mais essa vitória dos direitos humanos.

Sr. Presidente/a, solicito a V.Exa. que divulgue este pronunciamento pelo programa A Voz do Brasil e demais meios da casa.

Muito obrigado!

http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/discursosFrame.asp

Eles não são fortões, não lutam artes marciais, não usam tatuagens com suásticas e preferem os livros e computadores às facas e socos ingleses. Em vez de estações de metrô e shows de punk rock, seu habitat natural são as quitinetes apertadas do Crusp ou os vastos gramados da USP (Universidade de São Paulo). Eles são os neoconservadores, jovens universitários que defendem valores como o direito à propriedade e a fidelidade matrimonial.

À primeira vista, parecem mais universitários comuns, magricelas, com suas calças largas, camisetas amarrotadas e a barba por fazer. Mas apesar de estarem longe do estereotipo do jovem arruaceiro, cerraram fileiras ao lado de skinheads musculosos nas marchas em defesa do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) e na anti-Marcha da Maconha.

“Estamos aqui para batalhar tanto intelectualmente quanto fisicamente”, apregoa Celso Zanaro, 22 anos, estudante de Geografia da USP. “O que precisamos é de homens dispostos a morrer por seus valores”, completou.

 

Foto: ReproduçãoAmpliar

Folheto faz propaganda da UCC na USP

Zanaro é um dos quatro integrantes do núcleo duro da União Conservadora Cristã (UCC), organização criada em julho do ano passado nos corredores da USP com os objetivos declarados de defender valores como o casamento, a fidelidade conjugal, direito à propriedade e combater o predomínio do pensamento marxista no meio acadêmico e político.

Pouco mais de um ano depois da criação, a UCC conta com 16 membros, 14 da USP e dois da Unicamp. Parece pouco mas nas eleições para o diretório central da USP, os neoconservadores ficaram em 5º lugar entre as dez chapas concorrentes.

“Na época da campanha fomos procurados pela juventude do PSDB mas não dá para fazer aliança aqui dentro”, disse Zanaro.

Em mais de duas horas de conversa, entre um cigarro e outro, o estudante citou pelo menos 15 autores conservadores, muitos deles nunca traduzidos para o português. Mas as principais referências do grupo são o jornalista Olavo de Carvalho (que defende a pena de morte para os comunistas), o integralismo (versão brasileira do nazismo) de Plínio Salgado e o ultra-conservadorismo de Plínio Correia de Oliveira, fundador da extinta TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade).

Sobre a ditadura militar, Zanaro diz: “Se negarmos com veemência a ditadura não estaremos fazendo nada a mais do que reforçar o discurso comunista. A ditadura foi necessária num contexto”.

Na verdade, ele lamenta a falta de pulso do comando atual das Forças Armadas por não intervir no governo Luiz Inácio Lula da Silva durante o escândalo do mensalão.

“A função das Forças Armadas é respaldar as instituições democráticas. O Legislativo é uma delas. A partir do momento em que existiu um esquema para comprar o Legislativo e as Forças Armadas não depuseram o presidente, elas não cumpriram seu papel”.

Para os jovens da UCC, a USP é um antro comunista, nenhum partido político é suficientemente conservador, a pedofilia na Igreja é fruto da infiltração de agentes da KGB, o sexo é uma forma de idiotização da juventude, Geraldo Alckmin colocou uma mordaça gay na sociedade paulista, Fernando Henrique Cardoso foi o criador de Lula e Lula é o próprio anticristo.

Embora tenha resistido à abordagem da juventude tucana, a UCC votou em massa em José Serra nas eleições presidenciais do ano passado, mas com ressalvas. “Serra é um sujeito que, embora tenha se aliado a setores conservadores e renegado uma postura mais virulenta de esquerda, não abandonou totalmente estes ideais”, justificou.

Os integrantes da UCC dizem ser contra qualquer tipo de violência mas não escondem a admiração pelos skinheads, aliados de ocasião. “Essa postura de combate me inspira muito. Uma inteligência que não está disposta ao combate é uma inteligência vazia”, disse Zanaro que, no entanto, faz questão de demarcar o território. “Eles se dizem de extrema-direita mas o líder deles é vegetariano”.

A aproximação tem base na argumentação ideológica dos neoconservadores, segundo a qual é necessária uma elite intelectual que sirva de referência para a massa. “Uma massa conservadora sem uma elite é uma massa de manobra. Não existe educação para as massas. Precisamos de uma alta cultura que sirva de referência para estas massas”, disse Zanaro.

Apesar da aproximação com grupos que, no limite, praticam a intolerância contra minorias, o líder da UCC esclarece que o movimento não tem ligações como nazismo. “Não somos neonazistas. Ao contrário. Defendemos o estado de Israel”.

 

Fernando* estava na aula de artes e tinha acabado de terminar uma maquete sobre as pirâmides do Egito. Conversava com os amigos quando foi expulso da sala aos gritos de “demônio” e “filho do capeta”. Não tinha desrespeitado a professora nem deixado de fazer alguma tarefa. Seu pecado foi usar colares de contas por debaixo do uniforme, símbolos da sua religião, o candomblé. O fato de o menino, com então 13 anos, manifestar-se abertamente sobre sua crença provocou a ira de uma professora de português que era evangélica. Depois do episódio, ela proibiu Fernando de assistir às suas aulas e orientou outros alunos para que não falassem mais com o colega. O menino, aos poucos, perdeu a vontade de ir à escola. Naquele ano, ele foi reprovado e teve que mudar de colégio.
Quem conta a história é a mãe de Fernando, Andrea Ramito, que trabalha como caixa em uma loja. Segundo ela, o episódio modificou a personalidade do filho e deixou marcas também na trajetória escolar. “A autoestima ficou muito baixa, ele fez tratamento com psicólogo e queria se matar. Foi lastimável ver um filho sendo agredido verbalmente, fisicamente, sem você poder fazer nada. Mas o maior prejudicado foi ele que ficou muito revoltado e é assim até hoje”, diz.
Antes de levar o caso à Justiça, Andréa tentou resolver a situação ainda na escola, mas, segundo ela, a direção foi omissa em relação ao comportamento da professora. A mãe, então, decidiu procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra a docente. O caso aguarda julgamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Se for condenada, o mais provável é que a professora tenha a pena revertida em prestação de serviços à comunidade.
Já a Fundação de  Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec), responsável pela unidade, abriu uma sindicância administrativa para avaliar o ocorrido, mas a investigação ainda não foi concluída. Por essa razão, a professora – que é servidora pública – ainda faz parte do quadro da instituição, “respeitando o amplo direito de defesa das partes envolvidas e o Estatuto dos Funcionários Públicos do Estado do Rio de Janeiro”, segundo nota enviada pelo órgão. A assessoria não informou, entretanto, se ela está trabalhando em sala de aula.
A história do estudante Fernando, atualmente com 16 anos, não é um fato isolado. A pesquisadora Denise Carrera conheceu casos parecidos de intolerância religiosa em escolas de pelo menos três estados – Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. A investigação será incluída em um relatório sobre educação e racismo no Brasil, ainda em fase de finalização.
“O que a gente observou é que a intolerância religiosa no Brasil se manifesta principalmente contra as pessoas vinculadas às religiões de matriz africana. Dessa forma, a gente entende que o problema está muito ligado ao desafio do enfrentamento do racismo, já que essas religiões historicamente foram demonizadas”, explica Denise, ligada à Plataforma de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (Dhesca Brasil), que reúne movimentos e organizações da sociedade civil.
Denise e sua equipe visitaram escolas de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Ouviram de famílias, professores e entidades religiosas casos que vão desde humilhação até violência física contra alunos de determinadas religiões. E, muitas vezes, o agressor era um educador ou membro da equipe escolar.
“A gente observa um crescimento do número de professores ligados a determinadas denominações neopentecostais que compreendem que o seu fazer profissional deve ser um desdobramento do seu vínculo religioso. Ou seja, ele pensa o fazer profissional como parte da doutrinação, nessa perspectiva do proselitismo”, aponta a pesquisadora.
Alunos que são discriminados dentro da escola, por motivos religiosos, culturais ou sociais, têm o processo de aprendizagem comprometido. “Afeta a construção da autoestima positiva no ambiente escolar e isso mina o processo de aprendizagem porque ele se alimenta da afetividade, da capacidade de se reconhecer como alguém respeitado em um grupo. E, na medida em que você recebe tantos sinais de que sua crença religiosa é negativa e só faz o mal, essa autoafirmação fica muito difícil”, acredita Denise.
Para ela, a religião está presente na escola não só na disciplina de ensino religioso. “Há aqueles colégios em que se reza o Pai-Nosso na entrada, que param para fazer determinados rituais, cantar músicas religiosas. Criticamos isso no nosso relatório porque entendemos que a escola deve se constituir como um espaço laico que respeite a liberdade religiosa, mas não que propague um determinado credo ou constranja aqueles que não têm vínculo religioso algum”, diz.
*o nome foi alterado em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo
Texto publicado originalmente no blog Maria da Penha Neles !

Do Blog Conversa afiada

O autor do atentado em Oslo, na Noruega, se diz fundamentalista cristão, contra os imigrantes, e membro de uma organização de extrema direita.

Algumas das vítimas participavam de um encontro de uma organização de trabalhistas.

Nos Estados Unidos, o New York Times fez imediatamente essa leitura política do gesto enlouquecido e deixou claro que se tratava de um cristão de extrema direita.

O que, associado à xenofobia, pode contaminar a Europa.

El País da Espanha enfatiza o caráter xenófobo, antimuçulmano do assassino.

Na página da BBC online, se sabe:

O assassino participava de um fórum neonazista na internet.

Ele acredita que os muçulmanos querem colonizar a Europa Ocidental.

E culpa as idéias “multiculturalistas” e do “Marxismo cultural” por incentivar isso.

Para ele não há um único país em que muçulmanos vivam em paz com não-muçulmanos.

E isso sempre tem consequências catastróficas, diz ele.

Ele se considera cristão, conservador, adepto da musculação e da Maçonaria.

É fã do presidente russo Vladimir Putin.

Nos Estados Unidos, esse extremismo de direita, xenófobo, se acolhe no leito macio no movimento Tea Party que tem como símbolo mais exuberante, hoje, a deputada republicana por Minnesota,Michele Bachmann.

Ela é homofóbica, xenófoba, não votará na ampliação do teto para endividamento dos Estados Unidos em hipótese alguma, considera o aquecimento global uma fraude, e acha que uma das opções para negociar com o Irã é jogar uma bomba atômica.

Bachmann pertence a uma denominação luterana e, com o marido, dirige uma clinica de aconselhamento psicológico, que, entre outras atividades comerciais, se propõe a converter homossexuais ao heterossexualismo.

Quem aqui no Brasil, segundo o professor Wanderley Guilherme dos Santos, se apropriou da doutrina da extrema direita ?

Quem explorou o aborto e chamou o Papa para a campanha ?

Quem foi a cultos evangélicos passar a mão da cabeça (a outra mão empunhava a Bíblia) de manifestantes homofóbicos ?

Quem pôs nos bolivianos a culpa pela tragédia da cocaina e do crack ?

Quem disse que a baixa qualidade da educação em São Paulo se deve aos “migrantes” ?

Quem trouxe o Irã para a campanha presidencial e criticou uma política de envolvimento e negociação ?

Quem foi ao Clube da Aeronáutica do Rio denunciar a marxista Dilma Roussef ?

Quem ?

É preciso dar nome aos bois.

Na Noruega, ele se chama Anders Behring Breivik.

Nos Estados Unidos, Michele Bachmann.

No Brasil, José Serra.

Paulo Henrique Amorim

por Cristiane de C. Ramos Abud

Sobre a autora[1]

Uma hermenêutica teológica feminista que tem por cânon a libertação das mulheres de textos, estruturas, instituições e valores patriarcais, retém-se que a Bíblia não deve continuar sendo um instrumento para a opressão patriarcal de mulheres- que somente aquelas tradições e textos que rompem criticamente com a cultura patriarcal e suas “estruturas de plausibilidade” tem a autoridade teológica de revelação[2].

Inspirado na luta das mulheres pelos seus direitos, de seus processos de resistência e do cruzamento de fronteiras entre o que era considerado homogêneo, natural, dominante, contra o patriarcalismo, surgiu no século XIX na França o feminismo.

Na perspectiva de um movimento social, o feminismo inspira-se na transformação social e na atuação política e coletiva das mulheres pelos seus direitos e na mudança estrutural e simbólica dentro de um contexto de autonomia, liberdade e igualdade. Sendo assim, o reconhecimento e o respeito às diferenças e à liberdade tornam-se essenciais neste movimento.

O pensamento moderno feminista vincula-se com a idéia central da escritora Simone de Beauvoir, em 1949, com o livro O segundo sexo, com a citação “não se nasce mulher, torna-se mulher”, frisando a importância das práticas das mulheres, suas experiências, relações contra a subordinação e seu ocultamento na história.

Para compreender e celebrar a diferença é preciso traçar o processo histórico e cultural das relações sociais, por exemplo, entre homens e mulheres, homens e homens,entre mulheres e mulheres, pois a incorporação da categoria gênero aliada a estas relações étnicas e de classe, “não só é útil para a elaboração da história das religiões, é também a chave essencial para compreender a história invisível das mulheres nas religiões e com todas suas formas de estruturação de poder”[3].Não significa, portanto, explorar nas pesquisas, leituras e produções somente as mulheres como grupo isolado, sem suas conexões com outros grupos e contextos sociais, “mas reconhecer a instabilidade semântica da categoria mulheres”[4] , sua temporalidade e divergências. Desta forma, os estudos feministas incorporam outras categorias que podem ser analisadas como de classe, gênero, religião, etnia, entre outras, produzindo e (des)construindo novos olhares sobre os sujeitos, instituições e a linguagem como prática de transformação e subversão.

A religião, mais especificamente, em seu processo de construção social e de produção de sujeitos e subjetividades, é marcada pela influência patriarcal e masculina do Cristianismo, que silencia a presença da mulher nos evangelhos como integrante do movimento de Jesus.

Um olhar a ser lançado sobre a história e a experiência das mulheres é a pesquisa embasada na teologia feminista, na qual a partir do método da interpretação da hermenêutica da suspeita são questionadas as verdades, os valores, as abordagens dos textos bíblicos que vinculam e produzem determinados saberes, práticas e interpretações sobre as mulheres,[5] buscando discursos e conceitos alternativos às práticas de dominação . Apropriando-se de Carvalho[6] , o termo teologia feminista adotado aqui também refere-se ao ser caráter “plural, polifônico, repleto de mudanças e particularidades”, sem ter objetivo de tomá-lo como único ou com estatuto de verdade científica ou teórica. Desta forma, é dentro do contexto histórico que se tem a possibilidade de ampliar os territórios da pesquisa, incorporando a diversidade e a diferença para a produção de novos conhecimentos e caminhos epistemológicos.

Esta nova narrativa cristã, com início na chamada “segunda onda” dentro do contexto feminista, questiona a autoridade do discurso masculino contido nos textos bíblicos, trazendo a oralidade das mulheres à tona, revelando sua importância, valor simbólico e histórico para a disseminação do próprio significado do Cristianismo, dentro de relações de poder, saber e de gênero, pois segundo Scott[7], “o gênero é um elemento constitutivo de relações sociais baseado nas diferenças percebidas entre os sexos, e o gênero é uma forma primeira de significar as relações de poder”. Uma leitura feminista que rompa, portanto, silêncios e que proponha novos conceitos sobre o amor, prazer, sexualidade, liderança da mulher na Bíblia, abordando as relações sociais como históricas e determinadas pelos diferentes discursos sociais sobre a diferença e a diversidade. Percebendo nestes textos, ainda, seu caráter performativo na medida em que legitimam ou questionam as estruturas de poder, naturalizam ou interrompem a hegemonia no mundo, ou inculcam valores dominantes ou emancipatórios[8].

A teologia feminista surgiu no século XIX, em consonância com o movimento feminista , com a publicação da Bíblia da mulher de Elisabeth Stanton, nos EUA, na perspectiva de trazer uma nova teologia de fé, as experiências de grupos excluídos como o das mulheres

A teologia feminista sempre parte da suspeita de que o cristianismo tem mais a oferecer do que aquilo que nos é dado, e que a religião também desempenha um papel de legitimação de normas e padrões culturais passíveis de questionamentos[9] .

Outra representante feminista já no campo católico da teologia da libertação foi Mary Daly, com o livro publicado em 1968, The Church and the second sex, discutindo questões profundas da Igreja, como o sexismo nas escrituras e na tradição eclesiástica.

Dentro do próprio campo da teologia feminista encontramos campos de batalha, por espaços, dizeres, que o constituem com características e identidades próprias.

Baseada na perspectiva da teologia feminista, pretendo neste texto, revelar falas e a presença de algumas das mulheres da Bíblia, bem como sua participação ativa na caminhada histórica e das tradições proféticas do povo de Israel, destacando, assim, seu papel histórico em processos de resistência, contestação e superação contidos na Bíblia, como forma de reencontrar e revelar o poder das mulheres nos textos bíblicos, pois,

Na história da humanidade, uma das formas mais cruéis de opressão contra as mulheres foi a imposição do silêncio: mulheres silenciosas, silenciadas, histórias e vidas silenciadas, gritos de socorros silenciados-silenciados nos textos, pelos textos e seus intérpretes, por fogos, facas, lâminas e guilhotinas, para fazer calar a fala das mulheres e aprisionar seus corpos[10] .

Como fonte principal de onde se partiram as análises metodológicas e teóricas tem-se a “Bíblia Sagrada” ,composta de um total de 73 livros.A Bíblia contém 1189 capítulos e 31102 versículos.

A questão aqui a ser analisada é: que posições são atribuídas às mulheres que “saem do seu devido lugar”, ocupando outros lugares até então lhes negado como legítimo? Que atribuições discursivas, narrativas e práticas lhes são atribuídas na Bíblia que as diferenciam das histórias e representações de outras mulheres que têm suas experiências, valores e atitudes tidos como exemplos de exaltação do sagrado e do divino? Vislumbramos desta forma as múltiplas posições, seus desdobramentos discursivos e conflitantes, pois “os discursos religiosos,(…) e em parte políticos, não podem ser dissociados dessa prática de um ritual que determina para os sujeitos que falam, propriedades singulares e papéis preestabelecidos”[11]. Esses discursos teriam a função de articular uma vontade de verdade, dentro de relações de poder/saber na produção de sujeitos ocupando diferentes lugares em determinados contextos, situações e intenções.

As identidades, portanto, não são fixas e sim construídas através de um “desenraizamento”, onde o escape torna-se o resultado das adaptações do sujeito aos múltiplos contextos proporcionados pela sociedade, o que Bauman[12] chama de identidades mutantes. Identidades que buscam complementação no outro, nas diferenças que não são únicas, mas sim fragmentadas e “constituem ao longo de discursos práticas e posições que podem se cruzar ou ser antagônicas”[13].

O que nos resta é problematizar a forma pela qual nos assujeitamos ou não às verdades do nosso tempo. Mas, produzir um pensamento ou uma prática de resistência não significa ancorar-se em algo seguro, ao contrário, implica arriscar-se a experimentar outras sujeições e a enfrentar novos rumos incertos e conflituosos, “ De qual lado você se ligaria antes de mais nada? É preciso verdadeiramente escolher? Não, não é preciso escolher, mas para qual lado você tenderia? Eu tenderia insinuar-me” [14]

A identidade será analisada aqui por ganhar sentido inserida na cadeia discursiva das diferenças, através das narrativas atribuídas a essas mulheres na Bíblia, ou seja, as categorias discursivas e enunciativas dessa diferença, as estratégias utilizadas que definem hierarquias e processos de exclusão dentro da história de Jesus. A identidade também é marcada pelo jogo dialético entre semelhanças e diferenças, ela não supõe uma homogeneidade, mas uma diversidade, dentro de relações de luta e poder que tentam fixá-la a todo momento para definir a diferença, portanto a diferença é condição imprescindível para a identidade, sendo que o “contorno da diferença é agonístico, deslizante” [15].

Neste sentido ao analisarmos como a diferença é produzida ao narrar as mulheres na Bíblia, estaremos problematizando sua produtividade através dos aparatos textuais e discursivos das passagens bíblicas utilizadas para nomear, caracterizar a presença da diferença. Da mesma forma pode-se analisar nesses textos a presença perturbadora da diferença, por sua linguagem de resistência.

Assim, uma reflexão histórica com o objetivo de desvelar os processos de dominação relacionados às mulheres, orientados por ações, muitas vezes, pautadas em religiosidades, pode refletir sobre o afloramento das identidades de gênero e o movimento permanente entre dominação e resistências, a fim de estudar a pluralidade identitária.

Utilizou-se além da hermenêutica a referência teórica da histórica cultural, ou seja, realizou-se uma leitura para “compreender a série de discursos na sua descontinuidade, desmontar os princípios da sua regularidade, identificar as suas racionalidades”[16]. Buscou-se encontrar na leitura a jornada histórica dos sujeitos, seus rituais, relações culturais, comportamentos, representações e saberes, através de suas falas; perceber a possibilidade de uma leitura social, suas múltiplas versões, permitindo reconstruir, mesmo que não de forma única, a história de determinados grupos e sua trajetória social, cultural, espacial, política, de luta e de conquistas. Ao mesmo tempo procurou-se perceber a dispersão, a suposta ordem dos seus discursos, “desconfiar do estabelecido, do pensamento arranjado e coerente, suspeitar das coisas e dos sujeitos demasiadamente respeitáveis e intocáveis”[17].

A aparente invisibilidade das mulheres nos textos não nega sua presença, pois as palavras revelam sua presença, seja nas práticas cotidianas, nas ruas das cidades, nos templos; mesmo que de forma discreta, nos rituais populares, nas peregrinações, no amor a Jesus. Desta forma, estaremos trabalhando com as experiências e histórias como fonte de reconstrução histórica, sofrimento, superação, sabedoria, opressão , resistência e de sua presença, através do “lugar discursivo e disciplinar de onde as questões de identidade são estratégica e institucionalmente colocadas”[18] .

Em uma das passagens da Bíblia, está escrito “ Em verdade vos digo que, onde quer que venha a ser pregado em todo o mundo o Evangelho, será também contado o que ela fez, para sua memória (Mc 14,9)”, mas, quem foi essa ou mais de uma mulher? Elas precisam ser nomeadas, localizadas na história missionária de Jesus, compreendendo a construção do dualismo hierárquico e masculino introduzidos na teologia, que silenciaram e produziram identidades e subjetividades. Com o “instrumento hermenêutico”, a partir da história de vida e dos testemunhos na ótica das mulheres, pode-se produzir outras interpretações teológicas, uma espécie de

(…)desconstrução da teologia patriarcal, baseada em estruturas hierárquicas realistas, buscando a construção de uma teologia mais inclusiva, ampliando a concepção do masculino e do feminino e visando superar o universalismo do discurso masculino[19].

A Bíblia possui discursos de ordem sócio-política que influenciam imaginários, realidades, identidades, tanto pela ausência, ocultamento ou pelas suas formas de abordar as mulheres; trazendo Campusano[20], “(…)a Bíblia reflete a organização social, as culturas e as crenças não só do povo que deu origem a ela, mas também de outros povos aos quais se faz menção dentro dela”. Assim, sua dimensão da literatura bíblica e como fonte de pesquisa é inegável, além de ser um documento inspirador da Igreja e conseqüentemente para a concepção de mulher. Neste caso, compreende-se que a Igreja Católica, através de seus registros, práticas, imagens, oratória, investiu, negou e normatizou o que é e como deve ser a mulher através dos tempos. Seus corpos e almas tornaram-se objetos e alvo de dominação e submissão, através de diferentes contextos discursivos e disciplinares que os esquadrinharam, desarticularam e o recompuseram numa sistemática desenvolvida, não simplesmente para que se faça o que se quer, mas para que se opere como se quer, de acordo com as eficácias e sua utilidade na aplicação do processo disciplinar corpóreo [21].

Mesmo na leitura da própria Bíblia, encontramos indícios nas leis de Israel de certos elementos de igualdade na relação entre homens e mulheres como em Ex 20:12, “Honra teu pai e tua mãe”, e em Paulo às vezes contraditório e de cultura tão patriarcal, era proposto: “Judeus e gregos, escravos e livres, homens e mulheres, todos são iguais em Jesus Cristo” (Gl 3.27-28).

Sabe-se que, ao interpretá-la também estaremos impregnados de discursos e representações históricos, por isso a pesquisa também não será neutra, mas com a intenção de dar outras vozes e maneiras de se identificar a resistência e a sabedoria das mulheres, pois a própria prática da leitura está “encarnada em gestos, espaços, hábitos.(…)O essencial é compreender como os mesmos textos, podem ser diversamente aprendidos, manipulados”[22], atribuindo diferentes discursos e sentidos ao texto, tornando-o outro(s).

Os discursos aqui analisados estão imersos em jogos de força que constroem e legitimam verdades, saberes, em um processo de subjetivação de sujeitos e identidades que possuem uma historicidade assim como lutas contra formas de sujeição e estratégias de dominação, sejam elas simbólicas ou discursivas, para Foucault[23]:

(…)decifrar as relações de poder, de dominação e de luta, dentro das quais os discursos se estabelecem e funcionam; permitem pois uma análise do discurso que seja ao mesmo tempo política e relacionada com o acontecimento, logo estratégica.

Mulheres como Febe, Maria Madalena,Lídia e Ana que deixaram suas histórias, rastros, que devem ser celebrados produzindo novos processos de subjetivação e interpretação, pois, “chegou a hora para nós mulheres de ler e interpretar a Bíblia por nós mulheres”[24].

Fazendo-se uma análise histórica, percebemos que a vida de povo de Israel foi marcada pela presença de profetisas e profetas que serviam de porta-vozes de Deus. Como a própria palavra diz, falavam em nome de Deus: fazer chegar a mensagem da palavra de Deus ao povo. A mensagem proclamada podia ser de esperança, de encorajamento, de admoestação ou de denúncia. Em 2Rs 22,14 encontramos a menção de profetisa Hulda, consultada por cinco homens.

Pelo visto, Hulda, esposa de Selum, guarda dos vestiários, contribuía para manter a sua família com o fruto do seu trabalho. Os dois buscavam recursos econômicos para o seu bem estar. Não havia preconceito de consultar uma mulher. Importava a certeza de que se tratava de uma mulher com a luz e o espírito de Deus em sua vida. Por outras palavras, a mulher consultada tinha poder religioso e moral de dizer o que convém e o que não convém. E em Lc 2,36-38 temos Ana, profetisa que serve a Deus dia e noite.

Segundo Ne 6,14, ficamos a saber da existência de outra profetisa, Noadias. Para além dela, temos nomes de algumas mulheres profetisas: Débora ( Jz 4-5), Maria ( Ex 15; Nm12), Ana (Lc 2,36-38), mulheres profetisas (1Cor 11,5). As mulheres nunca foram proibidas de profetizar. E Jl 3,1 diz: “Derramarei o meu espírito sobre toda a carne. Vossos filhos e filhas profetizarão”. A existência de profetisas é sinal evidente da influência das mulheres no nível religioso. Podiam ser raras, mas ninguém contesta a sua existência e influência. Aliás, a raridade não significa que esse ministério era contra ou estranho à sua constituição física. Sem dúvidas, houve falsas profetisas (Ap 2,20-23) como também houve falsos profetas (cf. Jr 14,14) que adivinhavam por dinheiro (Mq 3,5.11). Ez 13,17-23 confirma a existência de filhas do povo que profetizam, segundo o seu coração, e com poder de seduzir o povo. Essas profetisas recebem, em troca de suas profecias, cevada e pão. Seu sustento vinha da profecia.

Todas essas constatações levam-nos a afirmar que algumas mulheres desempenharam funções importantes e necessárias para uma boa convivência entre as pessoas, como resolver litígios que surgiam no meio do povo – juízas (Jz 4,4). Essa função implicava estudar as leis, conhecê-las e interpretá-las. Tal trabalho exigia da pessoa muita responsabilidade, seriedade, respeito e uma postura de quem não se deixa subornar.

A mulher não teve apenas funções de profetisa ou de juíza. A Bíblia fala-nos de uma mulher que ocupou o mais elevado cargo político e religioso no reino de Judá, a saber, a rainha Atalia (841-835), sucedendo Ocozias, morto em 841 a. C., por ordem de Jeú. Atalia foi chamada, por algumas pessoas, de usurpadora do poder e ímpia (2Cro 24,7; 2Rs 11,3). Não sei se seria lícito tratá-la dessa forma. Todavia, não vou entrar em discussão neste momento a esse respeito. Mas uma coisa é certa, a história, não só de Israel, mas dos povos, é cheia de traições e de lutas de poder regidas pela lei do mais forte. Se Atalia teve uma participação particular como rainha, assumindo os destinos políticos e religiosos de Judá, houve muitas outras que, ocultamente, influenciaram seus esposos (Jezabel:1Rs 21,7; Sara: Gn 21,10, as rainhas Alexandra e Mariana), filhos ou irmãos na tomada de decisões, muito embora permaneçam no anonimato.

O lugar exclusivo da mulher não era a casa. Em 1Sm 1 diz-se que Ana entrou no santuário de Silo. Sua atitude no santuário e fora dele faz pensar que a mulher podia, independentemente do marido, orar, fazer um voto, dar nome ao filho (Jz 13,24), permanecer em casa até desamamentar o filho, oferecer um sacrifício a Iahweh, apresentar a criança na casa de Iahweh, louvar a Iahweh, ter revelações de Deus (Gn 21,17-18; Jz 13,3-5), profetizar (Lc 2,36-38). A separação entre homens e mulheres no culto é tardia.

É preciso dizer que a participação das mulheres na organização social de Israel foi diferenciada. Por exemplo, o trabalho da mulher comum, ou seja da classe oprimida e excluída, estava mais ligada aos trabalhos do campo, como cultivar, armazenar os produtos agrícolas e transformá-los (fabricação de vinho, de azeite), comercializar diversos produtos (Ex 35,25; PR 31,13.19.24), criar o gado (Ex 2,16-17), trabalhar a lã, produzir tecidos e costurar as roupas, tecer véus para Asherá (2Rs 23,7) e fazer trabalhos da olaria. Enquanto isso, as mulheres de alta sociedade que normalmente se encontravam nas cidades, participavam na transformação social fazendo outros serviços como perfumistas, padeiras, cozinheiras e cantoras (Am 8,3; Ne 7,67)[25]

Cabe destacar que, tanto as representações de mulher na Bíblia que nos remetem à sua submissão, inferioridade como um modelo ideal quanto as representações da negação desse ideal, como mulheres amantes, curiosas e que usam sua liberdade, fazem parte de modelos antagônicos, mas ambos são modeladores de subjetividades que produzem e controlam corpos e práticas até o presente, pois estão em constantes disputas e fazem parte dos efeitos estratégicos das relações de poder. Representações historicamente produzidas de pureza/impureza, ordem/desordem, pudor/luxúria que marcam simbolicamente a sexualidade feminina, pois o oposto, a norma, o Outro foi necessário na produção da rede discursiva para nomear e controlar os sujeitos, mostrando o certo e o errado, o seguro e o inseguro, deslocando o exercício do poder, assim como as imagens de Deus e seu oposto Satanás.

É através da diferenciação pensada como diferença que os sujeitos ocupam outras posições de sujeito e formas de alteridade, conferindo-lhes outras possibilidades até então silenciadas ou negadas, pois somos constituídos diferindo-nos, no jogo de diferir, de desconstrução ao idêntico como espaçamento e que produz a diferença e seus efeitos[26]

Na leitura da Bíblia, também encontramos profetizas como Lidia (At 16,14-18), Ana (Lc 2,36, Jz 13,24)), Febe (Rm 16,1-16). Poetas e escritoras, anunciadoras da palavra de Cristo como Maria Madalena, transmitindo suas experiências oralmente, ocupando espaços, anunciando a ressurreição (Mt 15,40-41; Mc 15,45-47; Mc 16,1-2; Jô 20,1-2; Lc 24,9-10;Mt 28,8-10;Jô 20,13-18). Integrantes de grupos dos discípulos, seguindo e servindo Jesus com seus bens como Joana, Suzana (Lc 8,1-3). Mulheres heroínas, lutadoras que tinham um papel significativo para a prosperidade e manutenção da família

Ela não era uma simples consumidora, mas uma produtora de manufaturados e outros gêneros necessários à família; era responsável pela educação dos filhos, tinha considerável poder; autoridade e liberdade de decisão nesta função.[27]

No mundo greco-cristão, a palavra “irmã” era usada, provavelmente, para indicar a pessoa cuja vida era dedicada ao anúncio do kerigma, ou seja, missionária. Se isso é verdade, pode-se deduzir que a freqüência deste termo nas saudações de Paulo revela o quanto essas mulheres trabalharam no anúncio da boa nova de Jesus como apóstolas e discípulas. Tais mulheres podiam ser solteiras, viúvas, casadas ou separadas[28].

O trabalho missionário das irmãs, neste caso, implicava sair de casa. Sendo assim, pode- se dizer que Júnia, Trifena e Trifosa, Pérside, mãe de Rufo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas (Rm 16,7.12), Evódia e Síntique eram missionárias (viajantes). Elas são ouvintes e praticantes, crêem e testemunham o messias, o salvador, e organizam as comunidades a partir do anúncio que fazem de Cristo. E no dizer de Ivone Richter Reimer, elas “organizam a comunhão e a resistência”.[29]

Marta recebe Jesus em sua casa. É a anfitriã: Ela não só governa a casa, mas é servidora de todos (Jo 12,2b). Ela acolhia e servia os que chegavam na sua modesta e “espaçosa”casa. Tinha espaço para todos. Ninguém passava necessidade. Marta tem outra missão. É ela quem anuncia a chegada de Jesus à sua irmã. Ela faz isso depois da sua profissão de fé. É a primeira coisa que ela faz Jo 11,27-28). Ela não só professa a fé, mas torna-se ao mesmo tempo missionária. Ela representa uma comunidade que crê e é missionária.

Ela é de Magdala. Conhecida com o nome de Maria Madalena ou Maria de Magdala. Seu nome aparece 14 vezes nos sinópticos. A partícula “de” no nome quer ser um indicativo de que ela provinha de um determinado lugar, neste caso, de “Magdala”. Por qualquer razão, ela teria saído deste lugar. Portanto, não morava mais em Magdala. Ela recebeu o pseudônimo “Magdala” provavelmente para distingui-la de outras mulheres que se chamavam Maria. É uma forma de dizer que a pessoa não é natural da região onde é residente. O mesmo se pode dizer do nome geográfico “Nazaré” que se junta ao nome de Jesus. Só o forasteiro/a é que pode também ser conhecido pelo nome do lugar de sua origem. Acredito que, em Nazaré, Jesus não era chamado “Jesus de Nazaré”.

Não se sabe quando é que Maria Madalena teria abandonado Magdala, região que se localiza entre Genesaré e Tiberíades, junto das margens do lago de Genesaré ou do mar de Tiberíades, na Galiléia, e também não se sabe quando começou a seguir Jesus, mas talvez desde o início do movimento de Jesus (Lc 8,3). Provavelmente foi o seguimento a Jesus que a levou a abandonar Madgala. A itinerância deu-lhe o nome “Magdala”. Se ela é de Magdala, então não é de Betânea. Portanto, não é a irmã de Marta.

Curiosamente, Maria de Magdala (Madalena) não está ligada a nenhum homem (esposo, irmão, filho) ou parente. Apenas é ligado ao lugar de onde é originária: Magdala ou Migdali. Era solteira? Tinha família? Para qual imaginário nos leva o silêncio a respeito de sua família? Como ela se mantinha? Como seu protagonismo foi visto nas comunidades marcadas pelo machismo? São questionamentos que não têm respostas consensuais. As respostas são hipotéticas a partir de suspeitas. Seja como for, tudo parece indicar que ela aderiu ao movimento de Jesus desde muito cedo. Talvez seja por isso que seu nome aparece quase sempre em primeiro lugar na lista nominal de mulheres que seguem Jesus, exceto em Jô 19,25. Isso tudo pode ser um indicativo de que era uma líder de uma comunidade que viveu intensamente o despojamento, a partilha dos bens, colocando o que tinha para atender às necessidades dos irmãos.

A primeira referência de Maria Madalena pelo quarto evangelho é feita na hora trágica em que Jesus estava suspenso na cruz (Jo 19,25). Ainda nesse momento marca a sua presença e manifesta a sua união com Jesus, mesmo se o estar junto à cruz seja perigoso, pois a solidariedade com os condenados à morte de cruz podia trazer suspeita de cumplicidade com eles. Mas Maria Madalena parece ignorar o perigo que incorria. Na verdade, ela era cúmplice.

Madalena ainda quer servir Jesus mesmo depois de morto: vai ao túmulo ainda cedo, ou seja, de madrugada (Jo 20,1). Dada a sua cumplicidade com Jesus, torna-se protagonista do anúncio dos acontecimentos do primeiro dia da semana: a ressurreição de Jesus. Os evangelhos concordam em dizer que foi a primeira a quem o ressuscitado apareceu (Mc 16,9-10; Jô 20,10-11.13.18; Mt 28,1-10; Lc 24,9-10).

É a primeira enviada a anunciar aos “irmãos”, aos discípulos que Jesus vive. Em João, observa-se que ela não está acompanhada ou junto com as outras. Está só: Jô 20,1.11.16. Por que este destaque especial? Será que é uma forma de dizer que representava uma comunidade de discípulos e discípulas? Seu protagonismo leva-nos a suspeitar que os irmãos e as irmãs, a quem ela foi anunciar a boa nova da ressurreição simbolizam a comunidade fraterna liderada por ela contrabalançando, deste modo, a figura de Pedro nos sinópticos.

Nas Escrituras, encontram-se, freqüentemente, referências de mulheres que não se encaixavam nos padrões determinados social e culturalmente. Muitas mulheres eram independentes, livres, sábias e conselheiras. Elas lutavam, resistiam e sobreviviam sabiamente. A liberdade de algumas mulheres ameaçou a estrutura patriarcal constituída. Ora, se na sociedade judaica tradicional e patriarcal havia mulheres independentes que podiam dispor de seus haveres, não se pode descartar a hipótese da existência de mulheres livres e independentes cuja práxis contestava o sistema patriarcal e machista presente na sociedade samaritana. Não estou querendo dizer que é apenas a boa situação econômica que possibilita uma verdadeira liberdade.

Portanto, uma leitura atenta às Escrituras nos aponta para o envolvimento das mulheres nos diversos ministérios das suas comunidades e algumas vezes como líderes. O livro dos Atos dos Apóstolos nos fornece uma lista enorme de nomes de mulheres. Algumas dessas mulheres colocaram à disposição suas casas para serem casas de oração, de fracção do pão e de reuniões (Act 12,12). Paulo, nos seus escritos, menciona mulheres como apóstolas, fiéis colaboradoras e as saúda de forma especial (Rm 16,3-7.12-13.15). Lendo nas entrelinhas dos evangelhos, sobretudo no quarto evangelho, encontramos muito evidente o trabalho das mulheres. A presença das mulheres nas escrituras e nas nossas comunidades incomoda, indispõe algumas pessoas que ainda não perceberam que pelo batismo nos tornamos filhos/as de Deus, um em Cristo, e deixa de ter sentido a distinção a partir do sexo, da etnia, da classe social, porque todos somos herdeiros da promessa ( Gl 3,26-28).

Carlos Pinto[30] vem corroborar a necessidade urgente de resgatar textos do quarto evangelho e libertá-lo das “algemas de uma exegese dominada pelos machos… e assim libertar tanto homens quantos mulheres de quaisquer resquícios de dúvidas quanto ao facto de que as mulheres são chamadas por Jesus ao pleno discipulado e ministério na comunidade cristã”.

Ao descortinarmos as formas de exercício do poder e a história das resistências dessas mulheres, também estaremos revelando as formas normativas desse poder no controle dos seus corpos, prazeres e desejos. Poder este que se exerce por relações de força, por redes que se instauram em um espaço polivalente com multiplicidade de pontos de resistência, portanto, complexo, múltiplo e também positivo, na medida em que produz sujeitos, subjetividades desejantes, práticas de combate.

É através dos múltiplos processos constituidores dos sujeitos que se pode exercer diferentes formas de se vivenciar a identidade e as relações de poder e saber de forma não linear, pois “há sempre dobras e frestas por onde as subjetividades deslizam e fluem tornando-se singulares”[31].

Neste caso, trata-se de perceber os outros lugares ocupados pelos sujeitos- mulheres na Bíblia, reveladores de formas de saber e poder produtores do discurso da diferença, na medida em que a narrativa as coloca como sujeitos não-autorizados, por ocuparem o lugar da diferença, que as difere das outras formas de enunciação legitimadas no texto sagrado. Um lugar que revela sua resistência aos regimes de verdade do silenciamento e da negação da importância da mulher no contexto da Bíblia, e que também é político, resultado de processos de estranhamento e descentramento que cruzam as fronteiras da moral e do poder.

A subjetividade para Foucault , envolve as práticas, as técnicas, os exercícios em um determinado contexto social ou institucional, pelo qual o sujeito se reconhece como um lugar de saber e de produção de verdade, e que irão produzir diferentes estilos de vida com intensidades próprias, com a possibilidade de se produzir uma “existência artista”[32].

Partilhando de estudos Foucaultianos, entendemos que não podemos escapar das relações de dominação, pois estamos todos(as) inseridos(as) em regimes de verdade, que bom que podemos dizê-los plurais, assim exercitamos, minimamente, a nossa liberdade. Mas a experimentação da liberdade só é possível em relação àquilo que nos é outro, e os desdobramentos a partir do que nos é situado como diferente, pois é neste exercício que reconhecemos a alteridade e emergimos em outras visibilidades de enunciação. A interpretação do texto aqui, serve também para “resgatar a alteridade feminina e a presença das mulheres na memória histórica do povo de Deus”[33].

A característica da escrita torna-se, assim, uma incessante problematização e reproblematização de si mesmo e de seu tempo. A relação com o presente deve ser construída através de seu estranhamento, de sua desfamiliarização. Trata-se de produzir em nós e nosso passado, fraturas, diferenças, mutações, descontinuidades, proibindo a racionalidade retrospectiva, analisando tudo de um outro ponto de vista, de forma que de constituía uma desrealização do presente [34].

O caminho metodológico aqui adotado não teve a intenção de ser único, no sentido de trazer uma “verdade” ou algo inquestionável, mas buscou compreender as mulheres como protagonistas da experiência religiosa, do fazer teológico, constituidores de identidades e subjetividades

Cada mulher, cada cultura, cada organização produz as suas experiências. Enfim, cada pessoa, cada mulher, cada corpo é um lugar único e inédito. É a partir da experiência de cada corpo de mulher com a Transcendência, que vive a experiência do divino na sua corporeidade, que se faz a hermenêutica e teologia feminista[35].

A análise feminista utiliza-se do aporte da experiência para que as mulheres se reconheçam como sujeitos religiosos, em sua historicidade, relações e produções teológicas ocupando um lugar de fala, assumindo sua própria história, seja ela de opressão resistência ou do deslocamento de domínios da diferença.

Entende-se também o uso da hermenêutica feminista como uma forma para evidenciar a participação e o engajamento das mulheres nos textos bíblicos, assim, as relações de poder passam a ser multifacetadas e conflitantes, produzidas em processos plurais, coletivos e dialéticos e na experiência do cotidiano, pois, “refletir sobre a experiência é historicizá-la, assim como as identidades que ela produz” [36].

A interpretação histórica dos textos,assim como de suas formas de manutenção e produção de poder e saber aliada a uma reconstrução da história da mulher, fazem parte de uma ação para recuperar a “herança feminina”[37].

Cada experiência possui sua característica, simbologia, por isso ela é localizada, produzida em determinados contextos sociais e culturais como nas Sagradas Escrituras, que abordam conceitos e representações que precisam ser revisitados, questionados em um processo de “desconstrução de textos e interpretações sexistas e patriarcais, de reconstrução de histórias e tradições das mulheres e a construção de novas leituras e novos impulsos de espiritualidade”[38]. Assim, os significados são constituídos através de jogos de linguagem que hierarquizam, classificam, ordenam, imperializam os discursos em um processo de produção e reprodução de intenções, valores, práticas que constituem sujeitos e subjetividades. É através da fabricação de seus significados que esses espaços constituem práticas discursivas, produzindo efeitos na moral, conduta ou corpo do sujeito, como afirma Hall,[39] “As práticas sociais, na medida em que dependam do significado para funcionarem e produzirem efeitos se situam, dentro do discurso, são discursivas.” Moral é entendida aqui como uma “possibilidade de perceber as formas pelas quais os indivíduos se submetem, ou não, a princípios de condutas que lhes são impostos”, e também, “às formas pelas quais os indivíduos respeitam ou negligenciam um determinado conjunto de valores” [40].

O desvelar da história dessas mulheres, trazendo-as para a cena do discurso religioso, contribui para a produção de novos olhares sobre a teologia e a fé no presente, trazendo a teologia indecente, ou seja, uma leitura queer da Bíblia, uma “teologia transgressiva” e “uma teologia feminista de libertação que usa a suspeita sexual para desmontar as ideologias sexuais que estruturam e organizam as igrejas”[41].

Precisamos pensar nas resistências, não para investi-las ou dissipá-las, mas como uma forma de luta, para incitar a problematização das formas como somos subjetivados, pensar em promover novas formas de subjetividades por meio do distanciamento do tipo de sujeição que nos é designado há tanto tempo, uma subjetividade incessante em inventar-se e a variar consigo mesma.


[1] Pedagoga. Mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História do Tempo Presente- Udesc/Florianópolis-SC. Professora efetiva da Rede de Ensino Municipal de Florianópolis.e-mail:nani.castro@bol.com.br.

[2] SCHÜSSLER, Elisabeth Fiorenza. Los caminhos de la Sabiduria,2004.,p.61. Uma introdocción e la interpretación femininsta de la Bilbao. Editorial Sal Térrea

[3] BIDEGAIN, Ana M. Gênero como Categoria de Análise na História das Religiões. IN: BIDEGAIN, A.M. (org.). Mulheres: Autonomia e Controle Religioso na América Latina. São Paulo: Petrópolis,Vozes/CEHILA,1996.,p.28

[4] RILEY, Denise. Am I That Name? Feminism and the Category of “Women” in History. Minneapolis, University of Minnesota Press, 1988.p.5

[5] FELIX, Isabel A. A função desmistificadora da hermenêutica feminista da suspeita.Disponível em htttp://WWW.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/I/Isabel_Aparecida_Felix_24_A.pdf. Florianópolis, 2007.

[6]CARVALHO, Maristela M, Relações de gênero e o repensar do fazer teológico tradicional: uma proposta da teologia feminista. Esboços, vol9,n.9. UFSC, Florianópolis, 2001.p.225-230.,p.18

[7] SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. In: Revista Educação e Realidade. Vol.20.POA:FACED/UFRGS,1995. ,p.14

[8] SCHÜSSLER-FIORENZA,E. As origens cristãs a partir da mulher: uma nova hermenêutica. SP: Paulinas,1992.

[9] DEIFELT, Wanda. Temas e metodologias da teologia feminista. In:SOTER(org.). Gênero e Teologia. Interpretações e perspectivas. São Paulo; Belo Horizonte:Paulinas; Loyola;Soter,2004.p.171-186.

[10] OLIVEIRA, Elizabete Conceição P. Teologia feminista e poder. VI Encontro de Padres Casados no Brasil. Salvador, Bahia, janeiro de 2006.11p. (texto mimeo.).

[11] FOUCAULT,M. A ordem do discurso.SP: Edições Loyola,1996,p.39

[12]BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. RJ:JORGE Zahar,2001.

[13] HALL, S. Quem precisa da identidade? In: SILVA, Tomaz Tadeu. (org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. RJ: Vozes,2000.p.103-131.

[14] FOUCAULT,M. Tecnologias de si e outros textos afins. Barcelona: Paidós,1990.p.60.

[15] BHABHA, Homi. O local da cultura. BH: Ed. UFMG,1998.p.159

[16] CHARTIER, Roger. A história cultural. Entre práticas e representações. Lisboa:DIFEL, 1990.,p.133

[17] LOURO, Guacira Lopes. O “Estranhamento” Queer. In: STEVENS, Cristina M.T. & SWAIN, Tânia Navarro (orgs.). A construção dos corpos: perspectivas feministas. Florianópolis, Ed: Mulheres, 2008. p.141-148.

[18] BHABHA, Homi. O local da cultura. BH: Ed. UFMG,1998.,p.81

[19] CARVALHO, Maristela M, Relações de gênero e o repensar do fazer teológico tradicional: uma proposta da teologia feminista. Esboços, vol9,n.9. UFSC, Florianópolis, 2001.p.225-230.

[20] CAMPUSANO, Maria Cristina V. A opressão e a resistência revelada nos corpos peregrinos- Um estudo sobre classe, gênero e etnia a partir dos salmos de peregrinação (Salmos 120-134). Programa de pós-graduação em Ciências da Religião. Tese. São Bernardo do Campo:UMESP,2003.p.30.

[21] FOUCAULT,M. A ordem do discurso.SP: Edições Loyola,1996.p.127.

[22] CHARTIER, O mundo como representação. Estudos Avançados, São Paulo, IEA-USP,Jan/Abr.vol5,n,11,1991. p.173-191.

[23] FOUCAULT, Michel. Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão. RJ: Graal,1977,p.13.

[24] VALERIO, Adriana. A teologia, o feminismo. Revista de estudos feministas. Vol.13,n.2, Florianópolis, Maio/Ago,2005.p.367-376.,p.369.

[25]NEUENFELDT, Elaine. Mulheres com força e poder! In: RIBLA, No 51. Petrópolis: Vozes, 2005/2, p. 70-77.

[26] SANTIAGO, Silviano. (org.). Glossário de Derrida. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.

[27] RUETHER, R. Religion and Sexism, Images of Woman in the Jewish and Christian Traditions. New York, Published by Simon and Schuster,1974. ,p.69.

[28] THEISSEN, Gerd; MERZ, Annette. O Jesus histórico: um manual. S. Paulo: Loyola, 2002.p. 246.

[29] REIMER, Ivoni Richter. O Belo, as Feras e o Novo Tempo. Petrópolis: Vozes, 2000.,p.62.

[30] PINTO, Carlos Osvaldo. O papel da mulher no evangelho de João. In: Vox Scripturae (Revista Teológica Brasileira). São Paulo: Vida Nova, 1993 (vol 3), p. 193-213.

[31] SILVA, Cristiani Beretta Gênero e sexualidade nos livros didáticos de História:algumas questões sobre produções de subjetividades. Anais. VII Seminário Fazendo Gênero. Florianópolis, 2006.p.1-8.

[32] DELEUZE, Gilles.Conversações.1972-1990.RJ: Ed. 34, 1992 ,p.142.

[33] BRANDÃO, Margarida Luiza R. Mulher e homem: igualdade e reciprocidade. Ensaio de aprofundamento teológico. In: BINGEMER, Maria Clara (org.). O mistério de Deus na mulher.Cadernos do ISER,n.25. RJ: Instituto de Estudos da Religião. 1990,p.27-46.

[34] LARROSA, Jorge . La operación ensayo: sobre el ensayar y el ensayarse em el pensamiento, em la escritura y em la vida. In: FALCÃO, Luis F. & SOUZA, Pedro (orgs.). Michel Foucault: Perspectivas. Florianópolis: Clicdata Multimídia/Achiamé,2005.p.127-142.

[35] NEUENFELDT, Elaine.Gênero e hermenêutica feminista:dialogando com definições e buscando as implicações. A palavra na vida,n.155/156.p.45-56,2000,p.49-50

[36] ULRICH, Claudete B. Recuperando espaços de emancipação na história de vida de ex-alunas de escola comunitária luterana.Tese.(Doutorado em Teologia)Escola Superior de Teologia, São Leopoldo,2006.,p.28

[37] SHAUMBERGER, Christine. Bíblia. In: Dicionário de teologia feminista. RJ: Vozes,1996.p.42-51.

[38] STRÖHER, Marga. A história de uma história- o protagonimso das mulheres na teologia feminista. Historia UNISINOS, V.9,N.2,2005.P.116-123.

[39] HALL, Stuart. A centralidade da cultura: notas sobre as relações culturais do nosso tempo. Educação e Realidade.POA, Vol22, n.2, p.15-46. Jul/Dez, 1997,,p.34

[40] SILVA, Cristiani Beretta. As fissuras na construção do “novo homem” e da “nova mulher”-Relações de gênero e subjetividades no devir MST.1979-2000. Tese (Doutorado em História). PPGH/UFSC, Florianópolis,2003.,p.25

[41] ALTHAUSS-Reid, Marcella. Marx em um bar gay. La teologia indecente como uma reflexión sobre la teologia de la libertación y la sexualidade.Margens, n,01,2005.

Fonte: http://www.historiaehistoria.com.br/materia.cfm?tb=professores&id=125

No interior de São Paulo Vereadores passam por cima da Constituição que garante aos brasileiros liberdade religiosa e aprovou por unanimidade uma lei proibindo a prática do candomblé, religião essa que é brasileira por criação. Lá em Piracicaba/SP os seguidores desta religião terão que ir a outro município para professar sua fé ou pagarão multa no valor de R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00 se houver reincidência. Vereadores de vários partidos se sentiram a vontade para aprovar esta lei sob o comando do prefeito psdbista Barjas Negri.

A Câmara Municipal de Piracicaba/SP, por unanimidade, com o apoio dos vereadores dos seguintes partidos: PT, PDT, PP, PPS, PTB,PR, PMDB, PRB, PSDB, aprovou em 7/10, o PL 202/2010 do vereador Laércio Trevisan (PR).
Comentários em Piracicaba, informam que o referido PL. é parte de um MOVIMENTO chamado “ALIANÇA PARA A SUPREMACIA CRISTÓ, que tem por objetivo levar este projeto a outras cidades do Estado de São Paulo, depois, independente de quem seja eleito, encaminhar para a Câmara dos Deputados, através de deputados federais dos partidos envolvidos. Estes deputados, no momento, são mantidos no anonimato.

Íntegra do PL. 202/2010: PROJETO DE LEI Nº 202/10 – Proíbe o uso e o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba e dá outras providências.

Art. 1º Fica proibido o sacrifício de animais em práticas de rituais religiosos no Município de Piracicaba.

Art. 2º O descumprimento do disposto na presente Lei ensejará ao infrator, a multa de R$ 2.000,00 (dois mil reais) dobrado a cada reincidência.

Parágrafo único A multa a que se refere o caput deste artigo será reajustada, anualmente, com base no índice do INPC – IBGE , adotada pelo Poder Executivo através de Lei.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação

Segundo representante dos alunos, ambiente universitário deve ser ‘aberto à diversidade’

Carlos Lordelo – Estadão.edu

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Presbiteriana Mackenzie discorda do manifesto escrito pelo líder religioso da instituição, Augustus Nicodemus Gomes Lopes, que orienta a comunidade acadêmica a se posicionar contra a aprovação do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/2006 – conhecida como ‘lei anti-homofobia’.

Segundo o secretário geral da gestão Hybridaº, o estudante do 6º semestre de Jornalismo Gustavo Di Lorenzo, de 20 anos, o DCE considera “um erro” do chanceler “colocar sua opinião como sendo a da universidade”. “O manifesto vai de encontro ao que pensam os alunos e até mesmo os professores do Mackenzie. O ambiente universitário, como palco do desenvolvimento social e cultural, tem de ser aberto à diversidade”, afirmou.

Os alunos devem se reunir ainda nesta quarta-feira, 17, para deliberar se realizam atos de protesto. Na rede social Facebook, internautas já combinam uma manifestação às 16h30 da próxima quarta-feira, 24, em frente ao câmpus do Mackenzie na região central de São Paulo.

“Somos a favor da aprovação do PL 122. Qualquer manifestação preconceituosa e contrária à diversidade deve ser punida”, disse Di Lorenzo.

Por Uri Avnery

Não se passa um dia sequer – literalmente – sem que um grupo de membros do Knesset apresente uma nova lei racista

Em Berlim, acaba de ser inaugurada uma exposição intitulada “Hitler e os Alemães”. A exposição examina os fatores que levaram o povo alemão a levar Adolf  Hitler ao poder e segui-lo até ao fim.

Estou demasiado ocupado com os problemas da democracia israelita para voar para Berlim. É pena. Porque, desde a infância, essa questão em especial tem me incomodado. Como é que aconteceu que uma nação civilizada, que se via a si mesma como o “povo de poetas e pensadores”, tenha seguido este homem, como as crianças de Hamelin seguiram o flautista para a sua perdição?

Isto me incomoda, não apenas como um fenómeno histórico, mas como um alerta para o futuro. Se isso aconteceu com os alemães, pode acontecer com qualquer povo? Pode acontecer aqui?

Como criança de 9 anos, fui testemunha ocular do colapso da democracia alemã e da ascensão dos nazis ao poder. As imagens estão gravadas na minha memória – as campanhas eleitorais sucedendo-se umas às outras, os uniformes na rua, os debates em torno da mesa, o professor que nos saudou pela primeira vez com “Heil Hitler”. Ressuscitei essas memórias num livro que escrevi (em hebraico) durante o julgamento de Eichmann, e que terminaram com um capítulo intitulado: “Pode acontecer aqui?”, Nestes dias, enquanto escrevo as minhas memórias, volto a essas lembranças.

Não sei se a exposição de Berlim tenta responder a estas questões. Talvez não. Mesmo agora, 77 anos depois, não há uma resposta definitiva à questão: Porque é que a república alemã entrou em colapso?

Esta é uma questão muito importante, pois extamente neste moimento as pessoas em Israel estão se perguntam, com uma preocupação crescente: estaria a república israelita prestes a entrar em colapso?

Pela primeira vez, esta pergunta está a sendo feita com toda seriedade. Ao longo dos anos, tivemos o cuidado de não mencionar a palavra fascismo no discurso público. Ela levanta memórias que são demasiado monstruosas. Agora, esse tabu foi quebrado.

Yitzhak Herzog, o ministro da Previdência no governo de Netanyahu, membro do Partido Trabalhista, neto de um rabino e filho de um Presidente, disse há poucos dias que «o fascismo está próximo das margens da nossa sociedade». Ele estava errado: o fascismo não só está próximo as margens, ele está próximo do governo do qual ele ele faz parte, e do Knesset, do qual ele é membro.

Não se passa um dia sequer – literalmente – sem que um grupo de membros do Knesset apresente uma nova lei racista. O país ainda está dividido pela alteração da lei da cidadania, que vai obrigar os candidatos a jurar lealdade a «Israel como um Estado judeu e democrático». Agora, os ministros estão discutindo se isso será exigido apenas aos não-judeus (o que não soa bem) ou aos judeus também – como se isso alterasse alguma coisa seu conteúdo racista.

Esta semana, um novo projeto de lei foi entregue. O projeto proibe não-cidadãos de atuarem como guias turísticos em Jerusalém Oriental. Não-cidadãos, neste caso, quer dizer árabes. Isso porque, quando Jerusalém Oriental foi anexada pela força à Israel depois da guerra de 1967, não foi concedida a cidadania aos seus habitantes árabes. Foi-lhes concedido apenas o estatuto de “residentes permanentes”, como se fossem novos recém-chegados e não descendentes de famílias que viveram na cidade durante séculos.

O projeto de lei pretende privar os habitantes árabes de Jerusalém do direito de servirem como guias turísticos nos seus lugares sagrados na sua cidade, já que eles são capazes de se desviar da linha da propaganda oficial. Chocante? Incrível? Não aos olhos dos proponentes, que incluem membros do partido Kadima. Um membro do Knesset do partido Meretz também assinou, mas de forma envergonhada, alegando que estava confuso.

Esta proposta vem após dezenas de projetos de lei deste tipo terem sido apresentados recentemente, e antes de dezenas de outros que já estão à caminho. Os membros do Knesset agem como tubarões num festim frenético. Há uma competição selvagem entre eles para ver quem consegue conceber o projecto de lei mais racista.

Vale a pena. Depois de cada projecto de lei, os proponente são convidados para estúdios de TV para “explicar” os seus objetivos, eqnuanto os jornais estampam suas fotos. Para parlamentares obscuros, cujos nomes nunca ouvimos falar, isso representa uma tentação irresistível. Isso tudo com a colaboração dos meios de comunicação.

Este não é um fenómeno exclusivamente israelita. Em toda a Europa e na América, fascistas ostensivos estão levantando as suas cabeças. Os disseminadores do ódio, que até agora vinham espalhando o seu veneno apenas nas margens do sistema político, estão agora chegando no centro desse sistema.

Em quase todos os países existem demagogos que constroem as suas carreiras com base no incitamento contra os fracos e desamparados, que defendem a expulsão dos “estrangeiros” e a perseguição das minorias. No passado, eles eram fáceis de ignorar, como foi Hitler no início da sua carreira. Agora, eles devem ser levados a sério.

Há apenas alguns anos, o mundo ficou chocado quando foi permitido ao partido de Jörg Haider entrar na coligação do governo austríaco. Haider elogiou os feitos de Hitler. O governo israelita chamou furiosamente de volta o seu embaixador em Viena. Agora, o novo governo holandês depende do apoio de um racista declarado, e partidos fascistas obtêm ganhos eleitorais expressivos em muitos países. O movimento “Tea Party”, que floresce nos EUA, tem alguns aspectos claramente fascistas. Um dos seus candidatos gosta de passear vestindo o uniforme da assassina Waffen-SS nazi.

Por isso, estamos em boa companhia. Não somos piores do que os outros. Se eles podem fazê-lo, porque nós não?

Mas há uma grande diferença: Israel não está na mesma situação que a Holanda ou a Suécia. Ao contrário desses países, a própria existência de Israel é ameaçada pelo fascismo. Pode levar o nosso estado à destruição.

Anos atrás, eu acreditava que dois milagres tinham ocorrido em Israel: o renascimento do idioma hebraico e da democracia israelita.

A ressurreição de uma língua “morta” nunca foi bem sucedida em qualquer outro lugar. Theodor Herzl, o fundador do sionismo, uma vez perguntou com desprezo: «Será que as pessoas pedirão um bilhete de transporte em hebraico?» (Ele queria que falássemos alemão.) Hoje, o idioma hebraico está bem melhor do que o transporte ferroviário israelita.

Mas a democracia israelita é um milagre ainda maior. Não cresceu a partir de baixo, como na Europa. O povo judeu nunca teve uma democracia. A religião judaica, como quase todas as religiões, é totalitária. Os imigrantes que fluíram para o país também nunca tinham experimentado a democracia antes. Eles vieram da Rússia czarista ou bolchevique, da Polónia autoritária de Josef Pilsudski, dos tirânicos Marrocos e Iraque. Só uma ínfima parte veio de países democráticos. E contudo: desde os seus primórdios, o movimento sionista promoveu uma democracia exemplar nas suas fileiras, e o Estado de Israel continuou esta tradição (com uma limitação: uma democracia plena para os judeus, uma democracia limitada para os cidadãos árabes.)

Sempre me preocupou que esta democracia estivesse pendurada por um fio, que devêssemos manter a guarda a cada hora, a cada minuto. Agora enfrenta um teste sem precedentes.

A república Alemã levou o nome de Weimar, a cidade onde a Assembleia Constituinte aprovou a sua Constituição após a Primeira Guerra Mundial. A Weimar de Bach e Goethe foi um dos berços da cultura alemã.

Foi uma Constituição democrática brilhante. Sob as suas asas, a Alemanha viu um florescimento intelectual e artístico inédito. Então, porque é que a república entrou em colapso?

Geralmente, são identificadas duas causas: a humilhação e o desemprego. Quando a república estava ainda na sua infância, foi forçada a assinar o tratado de paz de Versalhes com os vencedores da Primeira Guerra Mundial, um tratado que não foi mais do que um ato humilhante de rendição. Quando a república ficou para trás com o pagamento das enormes indenizações que pesavam sobre ela, o exército francês invadiu, em 1923, o coração industrial da Alemanha, precipitando uma inflação galopante – um trauma do qual a Alemanha não recuperou até hoje.

Quando a crise económica mundial estourou em 1929, a economia alemã entrou em colapso. Milhões de desempregados desesperados caíram em pobreza abjeta e gritaram por salvação. Hitler prometeu acabar tanto com a humilhação da derrota como com o desemprego, e cumpriu as duas promessas: deu trabalho aos desempregados na nova indústria de armas e em obras públicas, como as novas rodovias, já em preparação para a guerra.

E houve uma terceira razão para o colapso da república: a apatia crescente da opinião pública democrática. O sistema político da república tornou-se simplesmente repugnante. Enquanto as pessoas se afundavam na miséria, os políticos continuaram jogando os seus jogos. O público ansiava por um líder forte, para impor a ordem. Os nazis não derrubaram a república. A República implodiu, os nazis só preencheram o vazio.

Em Israel, não existe crise económica. Pelo contrário, a economia é florescente. Israel não assinou qualquer acordo humilhante, como o Tratado de Versalhes. Pelo contrário, venceu todas as suas guerras. É verdade que os nossos fascistas falam sobre os “criminosos de Oslo”, tal como Hitler vociferava contra os “criminosos de Novembro”, mas o acordo de Oslo foi o oposto do tratado de Versalhes, assinado em Novembro de 1919.

Se é assim, de onde vem a profunda crise da sociedade israelita? O que leva milhões de cidadãos a encarar com completa apatia as ações dos seus líderes, contentando-se em abanar as suas cabeças à frente da TV? O que os leva a ignorar o que está acontecendo nos territórios ocupados, a meia hora de carro da suas casas? Por que tantos declaram que já não ouvem as notícias ou lêem os jornais? Qual é a origem da depressão e do desespero, que deixam o caminho aberto para o fascismo?

O estado chegou a uma encruzilhada: a paz ou a guerra eterna. Paz significa a fundação do Estado palestino e a evacuação das colonias. Mas o código genético do movimento sionista está empurrando no sentido da anexação de todo país histórico até ao rio Jordão, e com a transferência – direta ou indiretamente – da população árabe. A maioria das pessoas foge de uma decisão, alegando que de qualquer maneira “não temos parceiro para a paz”. Estamos condenados à guerra eterna.

A democracia sofre de uma paralisia crescente, porque os diferentes setores da população vivem em mundos diferentes. O secular, o nacional-religioso e o ortodoxo recebem educações totalmente diferentes. O terreno comum entre eles diminui. Outros fossos se abrem entre a velha comunidade asquenaze, os judeus orientais, os imigrantes da antiga União Soviética e da Etiópia, e os cidadãos árabes, cuja separação do resto está sempre aumentando.

Pela segunda vez na minha vida, posso ter de presenciar o colapso de uma república. Mas isso não está predestinado. Israel não é a Alemanha em passo de ganso daqueles dias, 2010 não é 1933. A sociedade israelita ainda pode ficar sóbria a tempo e mobilizar as forças democráticas dentro de si.

Mas para que isso aconteça, deve acordar do coma, entender o que está acontecendo e para onde isso pode nos levar, protestar e lutar através de todos os meios disponíveis (enquanto isso ainda é possível) para conter a onda fascista que ameaça nos devorar.

Artigo publicado em Gush Shalom

Enviado por luisnassif, qua, 17/11/2010 – 09:38

Por ex wilson yoshio 

Nassif, a manchete foi atenuada, a universidade e o Mackenzie.

Do Yahoo

Universidade de São Paulo irrita comunidade gay ao se posicionar contra lei anti-homofobia

Ter, 16 Nov, 07h26

Por Redação Yahoo! Brasil

A Universidade Presbiteriana Mackenzie, uma das maiores instituições particulares de ensino em São Paulo, causou a revolta de membros da comunidade gay por causa de um artigo assinado pelo seu chanceler e reverendo Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes.

O texto, publicado no site do Mackenzie nesta terça (16) e retirado logo depois, diante da polêmica no Twitter, se mostra contra a aprovação da lei “anti-homofobia” – ou seja, pleiteia o direito de continuar se posicionando contra o homossexualismo.

Gomes Lopes diz que a comunidade presbiteriana respeita “todas as pessoas”, mas que também defende o direito de poder criticar estilos de vida que estejam em desacordo com as ideias da igreja. 

A assessoria de imprensa do Mackenzie não soube explicar o motivo de o texto ter sido retirado do site poucas horas depois de publicado, limitando-se a dizer, em nota: “O Mackenzie se posiciona contra qualquer tipo de violência e descriminação (sic) feitas ao ser humano, como também se posiciona contra qualquer tentativa de se tolher a liberdade de consciência e de expressão garantidas pela Constituição.”

Intitulado “Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia”, o texto assinado pelo reverendo Gomes Lopes se propõe a “servir de orientação à comunidade acadêmica.” Ele se baseia no Salmo 1, que, “juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão.”

Leia abaixo a carta na íntegra, que foi retirada do site do Mackenzie pouco depois de sua publicação:

“Manifesto Presbiteriano sobre a Lei da Homofobia

Leitura: Salmo
O Salmo 1, juntamente com outras passagens da Bíblia, mostra que a ética da tradição judaico-cristã distingue entre comportamentos aceitáveis e não aceitáveis para o cristão. A nossa cultura está mais e mais permeada pelo relativismo moral e cada vez mais distante de referenciais que mostram o certo e o errado. Todavia, os cristãos se guiam pelos referenciais morais da Bíblia e não pelas mudanças de valores que ocorrem em todas as culturas.

Uma das questões que tem chamado a atenção do povo brasileiro é o projeto de lei em tramitação na Câmara que pretende tornar crime manifestações contrárias à homossexualidade. A Igreja Presbiteriana do Brasil, a Associada Vitalícia do Mackenzie, pronunciou-se recentemente sobre esse assunto. O pronunciamento afirma por um lado o respeito devido a todas as pessoas, independentemente de suas escolhas sexuais; por outro, afirma o direito da livre expressão, garantido pela Constituição, direito esse que será tolhido caso a chamada lei da homofobia seja aprovada.

A Universidade Presbiteriana Mackenzie, sendo de natureza confessional, cristã e reformada, guia-se em sua ética pelos valores presbiterianos. O manifesto presbiteriano sobre a homofobia, reproduzido abaixo, serve de orientação à comunidade acadêmica, quanto ao que pensa a Associada Vitalícia sobre esse assunto:

“Quanto à chamada LEI DA HOMOFOBIA, que parte do princípio que toda manifestação contrária ao homossexualismo é homofóbica, e que caracteriza como crime todas essas manifestações, a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre o homossexualismo como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos.

Visto que: (1) a promulgação da nossa Carta Magna em 1988 já previa direitos e garantias individuais para todos os cidadãos brasileiros; (2) as medidas legais que surgiram visando beneficiar homossexuais, como o reconhecimento da sua união estável, a adoção por homossexuais, o direito patrimonial e a previsão de benefícios por parte do INSS foram tomadas buscando resolver casos concretos sem, contudo, observar o interesse público, o bem comum e a legislação pátria vigente; (3) a liberdade religiosa assegura a todo cidadão brasileiro a exposição de sua fé sem a interferência do Estado, sendo a este vedada a interferência nas formas de culto, na subvenção de quaisquer cultos e ainda na própria opção pela inexistência de fé e culto; (4) a liberdade de expressão, como direito individual e coletivo, corrobora com a mãe das liberdades, a liberdade de consciência, mantendo o Estado eqüidistante das manifestações cúlticas em todas as culturas e expressões religiosas do nosso País; (5) as Escrituras Sagradas, sobre as quais a Igreja Presbiteriana do Brasil firma suas crenças e práticas, ensinam que Deus criou a humanidade com uma diferenciação sexual (homem e mulher) e com propósitos heterossexuais específicos que envolvem o casamento, a unidade sexual e a procriação; e que Jesus Cristo ratificou esse entendimento ao dizer, “desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher” (Marcos 10.6); e que os apóstolos de Cristo entendiam que a prática homossexual era pecaminosa e contrária aos planos originais de Deus (Romanos 1.24-27; 1Coríntios 6:9-11).

A Igreja Presbiteriana do Brasil MANIFESTA-SE contra a aprovação da chamada lei da homofobia, por entender que ensinar e pregar contra a prática do homossexualismo não é homofobia, por entender que uma lei dessa natureza maximiza direitos a um determinado grupo de cidadãos, ao mesmo tempo em que minimiza, atrofia e falece direitos e princípios já determinados principalmente pela Carta Magna e pela Declaração Universal de Direitos Humanos; e por entender que tal lei interfere diretamente na liberdade e na missão das igrejas de todas orientações de falarem, pregarem e ensinarem sobre a conduta e o comportamento ético de todos, inclusive dos homossexuais.

Portanto, a Igreja Presbiteriana do Brasil reafirma seu direito de expressar-se, em público e em privado, sobre todo e qualquer comportamento humano, no cumprimento de sua missão de anunciar o Evangelho, conclamando a todos ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo”.

Rev. Dr. Augustus Nicodemus Gomes Lopes
Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie”

http://br.noticias.yahoo.com/s/16112010/48/manchetes-universidade-sao-paulo-irrita-comunidade.html