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17 de abril de 2012

 

Da Página do MST
No Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária, os trabalhadores rurais do MST realizaram uma série de mobilizações pelo país, com o trancamento em 80 trechos de rodovias em 21 estados, pela punição dos responsáveis pelo Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, e pelo assentamento das 186 mil famílias acampadas.

Foram realizados protestos em 20 estados. Houve 105 bloqueios de rodovias, estradas, avenidas e ferrovias. Já foram ocupados 45 latifúndios, em nove estados, em abril. Onze superintendências do Incra estão ocupadas (Alagoas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe).

No Pará, na curva do “S”, na PA 150, onde aconteceu o Massacre de Eldorado dos Carajás, o acampamento da juventude, que reúne 3 mil Sem Terra, fez um ato político em memória dos mortos e para cobrar a prisão dos responsáveis. Também foram fechadas três rodovias federais 2 mil pessoas no estado.

Em Alagoas, 17 rodovias foram interditadas pela manhã. Ao todo, 3 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais bloquearam rodovias nos municípios de Maragogi, Flexeiras, Matriz do Camaragibe, Joaquim Gomes, União dos Palmares, Murici, Atalaia, Arapiraca, Piranhas, Porto Calvo, Junqueiro, Olho d’água das Flores e duas áreas em Delmiro Gouveia, ao cobrarem por justiça e denunciando a violência no campo. O Incra e o Ministério de Desenvolvimento Agrário também foram ocupados em Maceió. Houve duas retiradas massivas de cana-de-açúcar plantadas ilegalmente por usinas nas cidades de Messias e Murici.

Em Pernambuco, mais de 2.500 Sem Terra fecharam 15 pontos das principais rodovias de acesso do estado, em protesto contra a violência e a impunidade dos crimes cometidos pelo latifúndio. Foram trancadas 14 rodovias e vias de acesso ao estado, como a ponte que liga as cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia. Também foram bloqueadas a BR 104 nos trechos norte e sul, que ligam o agreste à zona da mata do estado, e vários trechos da BR 232, que corta o estado do litoral ao sertão. Além disso, mais dois latifúndios foram ocupados no estado, somando oito no estado. No município de Feira Nova, cerca de, 70 famílias ocuparam a fazenda Soledade, um latifúndio improdutivo de mais de 2.500 hectares. Em Pesqueira, 110 famílias ocuparam a fazenda Supranor, uma empresa de produção de ração animal.

Em Sergipe, 14 rodovias foram bloqueadas por Sem Terra. Nos protestos, foram homenageados os mártires do Massacre de Eldorado dos Carajás. Foram realizadas três ocupações de latifúndios. No município de Santo Amaro, foi reocupada a fazenda Nossa Senhora das Graças. A Fazenda Camaçari, no município de Itaporanga da D’Ajuda, foi ocupada com mais de 100 famílias. Mais de 100 famílias reocuparam a fazenda Fortuna, que fica nos municípios de Caria e Nossa Senhora da Glória.

No Rio Grande do Sul, foram 16 rodovias federias e estaduais trancadas simultaneamente. As mobilizações aconteceram nos municípios de São Luiz Gonzaga, Sarandi, Trindade do Sul, Eldorado do Sul, Piratini, Candiota e Hulha Negra. Em Livramento, foi realizada uma audiência pública com participação de governo, prefeitura e Incra. Já em São Gabriel, um grupo permanece acampado na praça da cidade desde ontem.

No estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, cerca de 100 pessoas do MST ocuparam a sede do Incra, ao cobrarem o assentamento das 2.700 famílias acampadas no estado e reivindicando políticas de melhorias para os assentamentos. Outros 900 trabalhadores liberaram o pedágio da rodovia federal Fernão Dias, no município de Perdões, deixando o passe rápido aberto e isentando toda a população de pagar pedágio. A BR 365, em Jequitaí, no norte de Minas também foi trancada por mais de 200 pessoas. Foi trancada também a BR 050 com 300 pessoas.

Em São Paulo, aconteceram sete paralisações de trechos rodovias pelo estado. A Rodovia Anhanguera foi paralisada em quatro diferentes trechos, mobilizando cerca de 600 pessoas ligadas ao MST e outros movimentos e organizações sociais. Em Andradina, a paralisação mobilizou 300 pessoas e aconteceu no km 650 da Rodovia Marechal Rondon. No município de Sandovalina, região do Pontal do Paranapanema, 150 pessoas fecharam a Rodovia General Euclides Figueiredo. Em Itaberá, a paralisação durou uma hora e aconteceu na Rodovia Alves de Negrão (SP 258), mobilizando cerca de 100 pessoas dos assentamentos da região.

No Rio de Janeiro, cerca de 300 Sem Terra bloquearam a Av. Presidente Vargas, na altura do prédio do Detran, onde fica a sede do Incra no Rio de Janeiro,que está ocupado. Depois do protesto na avenida Getúlio Vargas, os manifestantes partiram para o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, onde realizaram ato cobrando ações efetivas do Judiciário.

No Paraná, o MST trancou quatro rodovias. Na BR-116, em Curitiba, cerca de 1000 trabalhadores fecharam a rodovia, trazendo consigo faixas, cartazes e cruz em memória aos trabalhadores. No município de Cascavel, a BR-277 também foi trancada, onde aproximadamente 300 integrantes do Movimento levaram bandeiras e fizeram uma apresentação na rodovia. Já na BR-158, em Rio Bonito do Iguaçu, 60 pessoas pararam a rodovia em forma de protesto também. A Rodovia PR 317 por 70 integrantes de 15 assentamentos do MST da região norte e noroeste do Paraná, junto com moradores da Escola Milton Santos de Agroecologia, na altura de Maringá.

No estado de Santa Catarina, os mais de 400 trabalhadores rurais que ocupam o Incra desde segunda-feira (16), em Florianópolis, fizeram um protesto em frente ao Tribunal de Justiça, para relembrar o Massacre e depois se juntaram à outras 10 mil pessoas na 3ª Marcha dos Catarinenses, organizada pela Central dos Movimentos Sociais (CMS).

Em Mato Grosso, trabalhadores rurais fecharam a BR-163, no município de Sorriso, e a Av. Historiador Rubens de Mendonça, mais conhecida como Av. CPA, em Cuiabá. No período da tarde, os camponeses deram continuidade aos protestos com uma marcha que passou na Secretaria de Saúde e no Tribunal da Justiça

Mais ações

Na Bahia, foram fechadas duas ferrovias e sete rodovias federais. Houve bloqueios em pontos da BR-242, que liga as cidades de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, na BR-116, próximo à cidade de Feira de Santana, na BR-110, próximo a Paulo Afonso, no norte do estado, em três localidades da BR-101 e em duas ferrovias importantes do estado, uma que liga Brumado a Sapeaçu e a outra perto de Juazeiro.

Em Tocantins, foi realizado um ato político contra o despejo do acampamento Sebastião Ribeiro no município de Palmas, com 1.000 famílias. Foram fechadas cinco rodovias federais, mobilizando 2.000 pessoas.

No Piauí, 600 pessoas fecharam a principal rodovia que dá acesso à capital, Teresina.

No Maranhão, foram fechadas a BR 316 e a rodovia Belém Brasília, com 600 militantes.

Em Rondônia, o fluxo na BR 364 ficou parado por 21 minutos. Depois, os trabalhadores rurais seguiram em marcha para a cidade de Ji-Paraná. Foi realizado um ato público no Fórum de Justiça, com 400 pessoas.

No Rio Grande do Norte, o trânsito da BR 304 ficou parado por 21 minutos, próximo a Natal, com 600 pessoas. Depois do ato, os Sem Terra fizeram protesto no Tribunal de Justiça, em Natal, juntos com mais movimentos sociais. Em seguida, fizeram manifestação em frente ao Incra.

Na Paraíba, o protesto foi na Avenida Epitácio Pessoa ,em João Pessoa, com 500 pessoas. Depois houve protesto no Tribunal do Justiça.

No Ceará, a BR 116 foi trancada com apoio de uma comunidade que luta pela construção de uma passarela e para denunciar o número de acidentes nessa.

No Mato Grosso do Sul, foi trancada uma rodovia.

com informações de Chico Siqueira, via O Estado

A Justiça deu prazo de 48 horas para que um grupo de aproximadamente 300 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) deixe a fazenda São Domingos, ocupada no último sábado, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema.

Veja também:
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Os sem-terra receberam nesta terça-feira a notificação expedida pelo juiz da comarca de Pirapozinho, Francisco José Dias Gomes, determinando a reintegração de posse requerida pelos donos da propriedade. Na decisão, Gomes dá praz de 48 horas, após a notificação, para os sem-terra deixarem a fazenda voluntariamente, sob pena de uso da força policial.

Lideranças dos sem-terra dizem que vão resistir. Em notra, a PM disse que espera a requisição de força policial pela Justiça para organizar uma operação para dar apoio ao oficial de Justiça e fazer com que a reintegração seja cumprida no mais curto espaço de tempo possível.

A ocupação ocorre num clima de tensão. Nos últimos dias, os donos da fazenda registraram boletins de ocorrência acusando os sem-terra de ameaçá-los e de destruir bens da propriedade. Na segunda-feira a proprietária da fazenda Iracema Calvo Paes procurou a polícia para denunciar que um dos filhos, que ainda estaria na propriedade, tinha sido ameaçado pelos sem-terra. Outro dono da fazenda Manoel Peres Neto também registrou boletim de ocorrência acusando os sem-terra de retirar cercas e derrubar plantações de cana. O MST nega as acusações.

NOTA DO MST

ABRIL VERMELHO


Mucuri, 31 de Março de 2012.


Nós trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST, região Extremo Sul, anunciamos que nesta madrugada rompemos mais uma cerca do latifúndio em nossa região, Ocupamos em Mucuri uma fazenda da SUZANO, na qual 150 famílias estão acampadas, a fazenda tem 1.200 Hectares, não cumpre com a função social, é degradante ao meio ambiente e faz parte de um processo de empobrecimento do solo e do Povo de Mucuri e da Região. Esta é a segunda Fazenda da SUZANO ocupada na região, a Primeira foi realizada em 1º de Março deste ano, por mais de mil mulheres.

 

Está é nossa primeira ocupação, de um total de 50 que devemos realizar em toda a Bahia durante o Abril Vermelho. A ocupação destes latifúndios tem como objetivo cobrar do Governo Federal maior agilidade nos financiamentos e desapropriações para a Reforma Agrária. A direção do MST considera que o Governo Federal vem sendo irresponsável com a Reforma Agrária, sendo o Governo Dilma o que menos tem feito pela superação da pobreza através da Reforma Agrária.

O MST busca também com estas ações trazer as lembranças dos MASSACRES que os trabalhadores sofrem todos os dias, relembrando sempre aqueles que foram covardemente assassinados no MASSACRE DE ELDORADO DOS CARAJÁS em 17 de Abril de 1996 no estado do Pará.

 

Dirigente Estadual do MST –Bahia

Evanildo Costa

(73) 9902-6345

Extraído de: Novo Jornal

O novo ministro do Desenvolvimento Agrário, deputado Pepe Vargas (PT-RS), assume nesta quarta-feira (14) o cargo em meio a um cenário muito mais tenso no campo do que o encontrado pelo seu antecessor, Afonso Florence (PT-BA), no início do governo da presidenta Dilma Rousseff.

Irritados com o que consideram “lentidão” e “falta de compromisso” do governo com a questão agrária, os movimentos de trabalhadores rurais tomaram a decisão de se unificarem na jornada de lutas e prometem um Abril Vermelho muito mais vigoroso.

“Como a pauta agrária no início do governo Dilma não avançou, as desapropriações foram vergonhosas, pior índice dos últimos 16 anos, isso gera uma coisa conflituosa”, analisou um dos coordenadores nacionais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) Alexandre Conceição. “Este ano será um ano atípico na luta no campo que será muito mais forte, sem dúvida”, afirmou.

Ele assume no lugar de Afonso Florence, que deixou o ministério depois de críticas da pasta ter apresentando baixo rendimento no primeiro ano do governo Dilma Rousseff.

A troca foi confirmada pelo governo na sexta-feira. Em entrevista à “Folha”, Vargas disse que o governo não pode pensar só na quantidade de novos assentamentos de reforma agrária pelo país. Para ele, é preciso “assentar com qualidade”.

Em 2011, o número de novos assentados foi o mais baixo desde 1995 e houve uma queda de 44% em relação ao ano anterior. As informações são da Folha.com.

Disputa entre lideranças do MST e José Rainha tem mais uma capítulo. Em algumas cidades do interior paulista, PM impediu ação dos sem-terra.

Da Agência Estado

Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ligados a José Rainha Júnior invadiram ao menos 18 fazendas na manhã deste sábado (9) no Pontal do Paranapanema e na região de Araçatuba, no interior de São Paulo.

Rainha anunciou que as invasões podem chegar a 30 até a manhã do domingo e que o objetivo é recolocar a reforma agrária na pauta dos governos estadual e federal.

A ação faz parte do chamado Abril Vermelho, a jornada de lutas do movimento em defesa da reforma agrária e para lembrar o massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em abril de 1996, quando 19 sem-terra foram mortos pela Polícia Militar no sul do Pará. De acordo com Rainha, a principal reivindicação é a retomada na desapropriação de terras para assentamentos.

Segundo ele, foram mobilizados cerca de 4 mil militantes de 30 acampamentos espalhados por essas regiões. “Estas ocupações mostram para todo o Brasil que a pauta da reforma agrária está presente e que a tese de que há um esvaziamento dos acampamentos não se confirma em São Paulo”, disse. Segundo ele, a luta pela terra está “viva e o governo precisa fazer a parte dele, arrecadando as terras que não cumprem a função social”.

Em alguns locais, os militantes enfrentaram resistência. No município de Queiroz, a Polícia Militar impediu uma invasão usando carros para bloquear o acesso à propriedade visada pelos sem-terra. Um comboio do MST também foi bloqueado em Parapuã, região de Marília. Alguns veículos foram multados e apreendidos porque estavam com documentação irregular