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Estamos republicando o texto abaixo, do blog Matutações como contraponto, estímulo à reflexão crítica vis a vis com a  publicação anterior nossa sobre a mesma matéria. Que tipo de “cooperação” o Brasil vem oferecendo aos parceiros africanos? Que modêlo de produção estamos exportando? Quais intereses nacionais estão sendo favorecidos? Até onde é uma diretriz da nova política externa brasileira a inserção como elo intermediário da corrente de dominação imperialista?  É nosso propósito a internacionalização do latifundio nacional como modelo de produção? Queremos fortalencer a visão de que a defesa ambiental é simplesmente um entrave à produção de riquezas? Assuminos a direção da FAO, defendendo o direito humano  à vida, decorrendo daí o alimento como direito e exportamos o modelo do alimento como mercadoria no âmbito da OMC ?

A Serra Mitucué by Andreas Martin
A Serra Mitucué, a photo by Andreas Martin on Flickr.

Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terras de graça, sem tantos impedimentos ambientais, com o (custo) do frete à China muito mais barato (…) Hoje, além da terra estar caríssima no Mato Grosso, é impossível obter licença de desmatamento e limpeza de área

por África 21 Digital, em 15/08/2011

Brasília – O governo de Moçambique ofereceu a concessão de 6 milhões de hectares de terras a agricultores brasileiros para o plantio de soja, milho e algodão, informou, domingo (14), jornal “Folha de S.Paulo”.

“Os agricultores brasileiros têm experiência acumulada que é muito bem-vinda. Queremos repetir em Moçambique o que fizeram no cerrado há 30 anos”, disse o ministro da Agricultura moçambicano, José Pacheco, em declarações ao jornal.

Moçambique colocou à disposição do Brasil 6 milhões de hectares em quatro estados do norte do país, para explorá-las em regime de concessão por 50 anos, mediante o pagamento de imposto de R$ 21 ao ano (cerca de 9 euros) por hectare, disse Pacheco. As terras estão nas províncias do Niassa, Cabo Delgado, e Nampula, no norte do país, e na Zambézia, província na região centro.

A condição imposta pelo Governo moçambicano para oferecer as terras baratas é que seja contratada no país africano ao menos 90% da mão-de-obra. (Nota de Matutações: Mas o modelo latifundiário da monocultura é de baixíssima utilização de mão-de-obra, por ser altamente mecanizada)

Segundo a “Folha”, a primeira leva de 40 agricultores brasileiros vai viajar em setembro a Moçambique para implantar em terras das províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambezia.

Moçambique também vai dar outras facilidades aos brasileiros, como isenção de impostos para a importação de máquinas e equipamentos agrícolas.

Carlos Ernesto Augustin, presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão

O presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão, Carlos Ernesto Augustin, disse à “Folha” que as terras moçambicanas são muito semelhantes às do interior do Brasil, com a vantagem do preço e da facilidade de obter licenças ambientais.

“Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terras de graça, sem tantos impedimentos ambientais, com o (custo) do frete à China muito mais barato (…) Hoje, além da terra estar caríssima no Mato Grosso, é impossível obter licença de desmatamento e limpeza de área”, declarou Augustin, citado pela Folha.

Augustin organizou a missão de agricultores para ir ao país em setembro ver as terras. Um consultor da Ampa já está no país contatando autoridades e preparando a viagem. “Quem vai tomar conta da África? Chinês, europeu ou americano? O brasileiro, que tem conhecimento do cerrado”, diz Augustin.

Os produtores vão a reboque da Embrapa, que mantém na área o projeto Pro-Savana, com a Agência Brasileira de Cooperação e a Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão). (Nota de Matutações: isso não é novidade, em Angola a Embrapa já tem também os seus projetos, que começam sob o disfarçe da transferência de tecnologia agrícola, com vistas à agricultura familiar, mas no fim, o objetivo é a monocultura do açúcar (etanol), sob a batuta firme da onipresente Odebrecht. Ou seja, não dá para desvincular a política externa brasileira como a defesa, pura e simples, do capitalismo concentrador de renda, a despeito da “fala mansa” das alianças Sul-Sul)

O projeto de cooperação técnica em Moçambique é o maior da Embrapa fora do Brasil -terá 15 pessoas a partir de outubro. Em duas estações no norte do país, eles estão testando sementes de algodão, soja, milho, sorgo, feijão do cerrado brasileiro, para adaptá-las ao norte moçambicano.

“Nessa região, metade da área é povoada por pequenos agricultores, mas a outra metade é despovoada, como existia no oeste da Bahia e em Mato Grosso nos anos 80″, diz Francisco Basílio, chefe da Secretaria de
Relações Internacionais da Embrapa.

Fonte: http://www.africa21digital.com/noticia.kmf?cod=12261139&canal=402 e

http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=46353