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Quando começou isso ? Quem é contra o nordestino ?

Saiu no Agora ( o único jornal que presta em SP), pág. A3:

“Jovem do ABC envia e-mail racista a escola de samba.”

“ Novo e-mail com ataques e palavrões foi recebido ontem pela Acadêmicos do Tucuruvi, que fará homenagem a nordestinos no Carnaval 2011.”

O tema do enredo é “Oxente, o que seria da gente sem essa gente ? São Paulo, Capital do Nordeste !”.

Um jovem de Santo André, que o Agora localizou através do Orkut, faz parte de organizações como “São Paulo Independente”, “Eu amo o Estado de São Paulo”, “São Paulo é a Minha Nação”, “Sou Paulista e Separatista”,  e “Movimento República São Paulo”.

Um dos e-mails que a Escola recebeu dizia assim:
Tomara que esse Carnaval seja o pior de toda a História da escola. É o que deseja (sic) todos os paulistas separatistas. São Paulo é o meu país.”

Fonte: conversaafiada

Renato Rovai

A estudante de Direito Mayara Petruso atendendo ao chamado da campanha
tucana que transformou a campanha numa guerra entre gente limpinha e a
massa fedida, principalmente a que reside no Nordeste e vive do Bolsa
Família, escreveu as mensagens reproduzidas acima na noite de domingo,
logo após o anúncio da vitória de Dilma Roussef.

A estudante é uma típica paulistana de classe média alta. Um tipo que
não gosta de estudar, adora consumir e que considera nordestino um ser
inferior. Nada mais comum em almoços de domingo nos ambientes dessa
elite branca paulistana do que ouvir gente falando coisas semelhantes
ao que escreveu Mayara Petruso na sua conta no tuiter. Na cabeça da
menina, ela não deve ter falado nada demais. Afinal, é isso que deve
ouvir desde criança entre familiares e amigos.

Fui ao orkut de Mayara para checar minhas desconfianças. E confirmei
tudo que imaginava. Ela deve morar na região Oeste de São Paulo, onde
vive este blogueiro há muito tempo e onde este preconceito é ainda
mais latente do que em outras bandas da cidade. Digo isto porque uma
de suas comunidades é a do “Parque Villa Lobos”. Se morasse na Mooca
provavelmente nem se lembraria de tal parque. Se vivesse nos Jardins,
citaria o do Ibirapuera.

Mas há outras comunidades que revelam mais profundamente a alma da
“artista” que escreveu o post mais famoso do pós-campanha. Um post que
levou o debate sobre a questão do preconceito ao Nordeste ao TT
mundial no tuiter.

A elas: “Perfume Hugo Boss, Eu acho sexy homens de terno, Rede Globo,
CQC, MTV, Magoar te dá Tesão? e FMU Oficial”.

Não vou comentar suas comunidades “Eu acho sexy homens de terno” e nem
“Magoar te dá tesão?” por considerar tais opções muito particulares.
Mas em relação ao fato da moça estudar na FMU, a Faculdade
Metropolitanas Unidas, queria fazer algumas considerações. Nada contra
a instituição ou aos que nela estudam, mas pela situação social da
garota, ela deve ter estudado em escola particular a vida inteira e se
fosse um pouco mais esforçada teria entrado numa faculdade onde a
relação candidato/vaga é um pouco mais dura.

Ou seja, como boa parte dessa classe média alta paulistana, Mayara é
arrogante, mas não se garante. Muita garota da periferia, sem as
mesmas condições econômicas que ela deve ter conseguido vôos mais
altos, deve já ter obtido mais conquistas do que a de poder consumir o
que bem entende por conta da boa situação financeira da família.

Ontem, Mayara pediu desculpas pelo “erro”. Disse que afinal de contas
“errar é humano” e que “era algo pra atingir outro foco” e que “não
tem problema com essas pessoas”. Não desceu do salto alto nem pra se
penitenciar. Preferiu fazer de conta que era uma coisa menor, ao invés
de pedir perdão, afirmar que era um erro injustificável e que entendia
toda a revolta que seu post produzira.

“MINHAS SINCERAS DESCULPAS AO POST COLOCADO NO AR, O QUE ERA ALGO PRA
ATINGIR OUTRO FOCO, ACABOU SAINDO FORA DE CONTROLE. NÃO TENHO
PROBLEMAS COM ESSAS PESSOAS, PELO CONTRARIO, ERRAR É HUMANO, DESCULPA
MAIS UMA VEZ.”

Ela foi criada para isso. Para dispensar esse tipo de tratamento a
nordestinos e pobres e por isso a dificuldade de ser mais humilde. É
difícil para esse grupo social entender que preconceito é crime por
ensejar um tipo de xenofobia que coloca quem o pratica no mesmo
patamar de um tipo como Hitler. Ela odeia nordestinos. Ele odiava
judeus. A diferença é que ela não pode afogar de fato aqueles que
vivem na parte de cima do mapa. Já o alemão pôde fazer o que bem
entendia com aqueles que julgava ser um estorvo na sociedade que
governava.

Mas Mayara é o produto de um tipo de discurso. Ela não merece ser
responsabilizada sozinha por isso. Talvez seja o caso de alguma
entidade vinculada à cultura nordestina mover um processo contra a
estudante. Menos pra tirar dinheiro ou coisa do gênero, mais para
utilizar o caso como exemplo. E fazer com que ela atue em espaços
vinculados à cultura da região para aprender a ter mais respeito com a
história e com o povo dessa parte do Brasil.

Os verdadeiros culpados são outros. São aqueles que com seus discursos
preconceituosos têm alimentado esse separatismo brasileiro. E em boa
medida isso se dá pela nossa “linda e bela” mídia comercial e mesmo
pela manifestação de um certo setor da política que sempre que pode
busca justificar a vitória da aliança liderada pelo PT como produto do
“dinheiro dado a essa gente ignara e preguiçosa que vive no Nordeste a
partir do Bolsa Família”. Ou Bolsa 171, nas palavras de Mayara.

Mas esse comportamente também é produto de um tipo de preconceito
velhaco que nunca foi combatido de forma educativa e que é alimentado
diariamente nos ambientes familiares dessa elite branca. Cláudio Lembo
sabia do que estava falando quando usou essa expressão. Ou começamos a
discutir esse preconceito com seriedade, tentando combatê-lo com leis
claras, educação e cultura ou corremos o risco de mesmo avançando em
aspectos econômicos,  retroceder do ponto de vista de outras
conquistas democráticas.

Afinal, ainda há quem ache que pregar a morte daqueles que pensam
diferente é apenas um problema de foco.

Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.

Alexandre Criscione
 
 
São auspiciosas as notícias de que a estudante de Direito paulista Mayara Petruso (foto acima) pode ser processada criminalmente por racismo, crime que cometeu recentemente no Twitter. E de que outros que se juntaram a ela naquele crime estão sendo identificados para sofrerem o mesmo tipo de processo.
 
Os crimes de racismo e de discriminação na internet datam de há muito tempo sem que jamais tenham ocorrido punições exemplares, de forma a pelo menos fazerem com que os racistas e discriminadores por orientação sexual, região do país etc. contenham as suas personalidades degeneradas.
 
No domingo à noite, usuários de redes sociais começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado da eleição presidencial à boa votação de Dilma na região. As mensagens foram desencadeadas após Mayara postar no Twitter a seguinte sentença:
 
@mayarapetruso: “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado. #nordestisto”
 
Não satisfeita, Mayara terminou de expor suas perversões morais:
 
@mayarapetruso: “Brasileiros, agora fodam-se! Isso que da, dar direito de voto pra nordestino. #nordestisto”.
 
Essas postagens da moça no microblog foram o que bastou para desencadear uma onda surpreendente de mensagens furiosas contra negros e nordestinos que engolfou as redes sociais. Todavia, foram poucas dessas mensagens que se igualaram às da jovem paulista estudante de Direito em termos de perfil criminoso, pois ela pregou até assassinato.
 
Por chocante que seja, é preciso rever algumas dessas mensagens:
 
@dilma_Bebada: “Infelizmente quem decide eleição não é quem lê jornal, e sim quem limpa a bunda com ele. Quem perdeu foi o Brasil! #euquero45”
 
@emerlinlipe: “tem gente que fala que todos os brasileiros são iguais discordo… Não quero e não sou igual ao povo do Norte/nordeste”
 
@ClaytonAmerico: “Bem vou trabalhar porque não ganho bolsa família dos nordestinos. Nem faço 2 filhos por ano pra ter mais bolsa família
#nordestisto
 
@Ju_Balog: “Enfie seu OXENTE no cu, vagabundos q vivem de bolsa miseria, vc’s não trabalham 1/3 do q a gente em SP #nordestisto
 
@carolsalgueiro: “Rindo muito da tag #nordestisto. Já vi nordestino dizendo que é educado e inteligente, AVÁ!”
 
@FerLeoni: “Para eleitores de merda, uma presidente de merda! #nordestisto”
 
@suhelen1: “80% do amazonas vota na Dilma… cambada de índio burrooooooooooooo”
 
@andrebittarello: “Me tornei RACISTA HOJE POR CAUSA DE VOCÊS PRETOS FEDIDOS QUE SÓ QUEREM TER FILHOS E ENCHER A BARRIGA COM O DINHEIRO DOS QUE TRABALHAM!!!”
 
@edujunior: “Sou bem a favor de um muro separando sul/sudeste do norte/nordeste”
 
@DeehSativa: “No Sul/Sudeste tem muito mais gente bonita do que no Norte/Nordeste”
 
@LorenzoC_: “ADOREI O QUE A MAYARA PETRUSO DISSE. E XENOFOBIA É O CARALHO, ISSO QUE ELA DISSE É SIMPLESMENTE A VERDADE!”
 
@Pedroo_MG: “A cmo eu Queria Q o sul/sudeste se separasse do Norte/Nordeste. Pra até Q enfim Governo ñ ganhar eleição por dar esmola, e sim por projetos.”
 
@tayane_monteiro: “só nordestinos fdp pra vota na Dilma! Nordestino num serve pra NADA DE UTIL vem pra SP ENCHE O SACO e vota na merDilma”
 
@Mikafrauzola: “Bando de nordestinos FDP …..são tão burros, que qlqr idiota faz a cabeça dles….por isso q eu odeio nordestino…..”
 
@Mikafrauzola: “Tbm esse país é cheio de baiano morte de fome… por isso q ela ganhou….”
 
O que chama a atenção nessas barbaridades é que foram proferidas todas por jovens brancos, ao menos de acordo com as fotos deles nos perfis no Twitter em que foram publicados os textos acima. E, pelo que escreveram, fica claro que são paulistas.
 
O fato de jovens terem posições políticas e preconceitos tão formatados sugere que essa mentalidade decorre da criação que receberam dos pais, até mesmo quando as posições políticas deles não sejam do mesmo jaez das dos filhos.
 
Ninguém que pertença às classes média alta e alta de São Paulo terá sido surpreendido pelo nível de xenofobia, de racismo e de intolerância – e mesmo de ignorância – de jovens que se julgam “inteligentes e estudados”, mas que escreveram textos compatíveis com os mais baixos níveis de instrução ou de civilidade.
Desde que me conheço por gente – e tendo nascido e crescido na classe média alta paulistana, entre a qual vivo até hoje – que ouço preconceitos contra os nordestinos, os quais, em meu Estado e na minha cidade – e, sobretudo, no bairro paulistano em que resido –, sempre foram chamados de “baianos”, sendo-lhes atribuído tudo que há de ruim por aqui.
 
Esse preconceito extremamente arraigado entre a elite paulista sempre esteve lá e sempre ficou fora da imprensa, que jamais denunciou fenômeno que data de décadas e décadas e décadas. A campanha de José Serra à Presidência, porém, teve o “mérito” de expor à luz do dia essas perversões de classe, de etnia e geográficas.
 
Só uma punição exemplar dos que cometeram esses crimes, portanto, pode começar a inibir, se não o preconceito deles, a difusão aberta de suas “idéias” odiosas e repugnantes, vertidas por jovens que têm tudo na vida e que consideram natural externar os preconceitos que lhes foram incutidos no ambiente familiar enquanto cresciam
Na foto, uma reunião do pessoal do SP só para SP

O Conversa Afiada reproduz e-mail do amigo navegante Miguel, do “http://limpinhocheiroso.blogspot.com Limpinho e Cheiroso:

Caros amigos do Conversa Afiada,
Fiquei estupefacto ao ler o Terra Magazine, do Bob Fernandes. A repórter Ana Cláudia Barros fez duas matérias de cair o queixo. Numa, ela entrevistou Fabiana Pereira, 35 anos, autora intelectual (sic) do manifesto que circula na internet “São Paulo para os paulistas”. Em outra, Ana Cláudia entrevistou Willian Godoy Navarro, 22 anos, signatário do manifesto e articulador, juntamente com Fabiana e outros 600 paulistas, do Movimento Juventude Paulistana.Com o Movimento Juventude Paulistana, eles querem mudar, quer dizer, melhorar São Paulo e fazer manifestações à la Greenpeace. A primeira será, observe a coincidência, na Ponte Estaiada. Outra coisa: a Fabiana defende a atitude da xenófoba-estudante de Direito-paulistana Mayara.

Sério! Dá medo ao ler as matérias… Nossa Senhora da Antixenofobia que nos proteja.

O Limpinho reproduziu os textos:

http://limpinhocheiroso.blogspot.com/2010/11/em-manifesto-na-web-jovens-paulistas.html”

Depois de ler os artigos o Limpinho chegou às seguintes conclusões:

1. Em São Paulo, a coisa está muito pior do que eu imaginava. Muito pior…

2. Fazer manifestação na Ponte Estaiada é sintomático. Quem é da capital de São Paulo sabe que o pano de fundo do jornalismo paulistano da Rede Globo é a Ponte Estaiada. Que coincidência!

3. Willian Godoy Navarro, mesmo medindo suas palavras, se entregou: “Essas pessoas [Movimento São Paulo para os paulistas] querem mudar São Paulo, mudar não, pelo menos, melhorar.”

4. A Fabiana Pereira, com todo respeito, não diz coisa com coisa: “Acabaram usando tudo isso [a xenofobia da Mayara] para colocar até um pouco como vítima, né?!”

5. Eles querem usar a mesma tática do Greenpeace, aquele movimento que se calou durante o vazamento de petróleo no Golfo do México, cuja culpa foi da British Petroleum, que se tornou um dos piores da história dos Estados Unidos. Só falta eles querem também seguir os Repórteres com, quer dizer, Sem Fronteiras.

Miguel Baia Bargas

Como foi que tudo isso começou, amigo navegante ?

Começou aqui, amigo navegante: Serra semeou o ódio e agora o Brasil colhe a tempestade do preconceito, da discriminação e da xenofobia.

Recomenda-se reler o texto da professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco, em Mauricio Dias da Carta Capital: “O Nordeste não trocou o voto pelo miolo do pão”.

E aqui para ler “Serra perdeu porque São Paulo só pensa em São Paulo”.

Que horror !

Paulo Henrique Amorim