Posts Tagged ‘Capacidade de Dissuação’

A agência RIA Novosti informa, citando declarações de Seguei Ladygin, representante da estatal russa de armamento Rosobonexport, dadas ontem na SITDEF 2013, exposição de armas que está sendo realizada em Lima, no Perú, que a Rússia teria comunicado ao governo federal que estaria disposta a transferir ao Brasil, sem restrições, cem por cento  da tecnologia  de fabricação dos caças Sukhoi SU-35, de quinta geração, e dos sistemas anti-aéreos Pantzir, independente da conclusão da licitação do Programa FX-2, de compra de caças pela aeronáutica.

O Sukhoi Su-35 pertence a uma classe caças de ataque e superioridade aérea pesados, de longo alcance e multi-função. Com autonomia de 3.600 a 4.600 quilômetros (com tanques externos) e velocidade de 2.700 quilômetros por hora, ele pode atingir rapidamente qualquer região do território nacional.

É equipado com uma variedade melhorada de óptica passiva do sistema de radar N035 Irbis, e com  um radar de retaguarda adicional montado no seu aguilhão da cauda encurtada. Conta também com um radar N035 melhorado com pico mais poderoso e melhores características ECM e com um sistema de guerra eletrônica e auto-contramedidas de defesa eletrônica Khibiny L175M. O cockpit conta com duas telas de LCD e compatibilidade com HMD. O software do Su-35BM tem acrescentada compatibilidade com novos sistemas de armas e outros  aviônicos que incluem informações de longo alcance de alvos e datalink com capacidade de resistência à JAM, além de um sistema de reconhecimento eletrônico.

Texto publicado originalmente em Mauro Santayana

Por Breno Altman

Fonte Site Opera Mundi – 6/4/2013

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo

Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.
Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.
O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.
A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.
Pyongyang, portanto, jamais descuidou de estar preparada para novos conflitos depois do armistício que, em julho de 1953, suspendeu a Guerra da Coreia. Sempre considerou que a disputa entre norte e sul teria a variável da presença de tropas estadounidenses.
Mas outras lições foram extraídas a partir dos anos 90. O primeiro desses ensinamentos foi que, após a debacle soviética, a Casa Branca passara a intervir militarmente contra os países que não se curvassem à sua geopolítica. Iugoslávia, Afeganistão, Iraque e, mais recentemente, Líbia servem como exemplos desse axioma.
O segundo aprendizado está na conclusão de que qualquer guerra convencional contra o Pentágono estaria provavelmente fadada à derrota. Somente uma força nuclear de dissuasão poderia servir de escudo eficaz.
Ao longo do tempo, o governo dos Kim deu-se conta de que, no controle desse dispositivo, poderia impor certas condições econômicas e políticas que ajudassem a recuperação do país, pois os temores militares de Seul e Tóquio obrigavam os EUA a negociar.
No curso dessa estratégia, demonstrações de poderio bélico e vontade de combate são essenciais. Os Estados Unidos recrudesceram, por sua vez, a pressão para que os norte-coreanos se desarmem, como pré-condição para qualquer alívio de medidas punitivas.
Pyongyang resolveu reiterar, nas últimas semanas, que não está para brincadeiras. De quebra, parece sinalizar que não aceita ficar sob o guarda-chuva chinês e rifar sua independência político-militar.
Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo. Eles sabem o que fazem. Seu regime sobrevive porque aprendeu que a única linguagem entendida por Washington é a força. Quem não entendeu isso, dançou na história.
Breno Altman, 51, é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi e da revista Samuel.

Parlamentar petista é o relator do projeto que cria a Amazônia Azul Tecnologias e Defesa S.A

Está tramitando na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3538/12, do governo federal, que cria Amazônia Azul Tecnologias e Defesa S.A (Amazul).

Segundo o relator do projeto, deputado Edson Santos (PT/RJ) o objetivo é dar condição ao governo de fomentar e desenvolver pesquisas voltadas para construção do reator nuclear. “Esse reator será o motor do submarino nuclear que está sendo planejado pela marinha brasileira”.

Edson Santos explicou que essa nova empresa é a melhor forma para o gerenciamento dos recursos humanos.

“A Amazul nos dará condição de qualificar os trabalhadores e remunerá-los de forma a inibir sua saída dos projetos para outros países retendo assim o conhecimento no setor”, avaliaou.

O governo pede urgência na aprovação do texto para garantir um quadro de pessoal qualificado.

Edson Santos destaca que o Brasil precisa proteger sua plataforma continental não só por causa da soberania nacional e do petróleo que vai ser explorado no pré-sal.

“A Amazônia Azul tem cerca de 4 milhões e meio de km² é uma Amazônia com toda a diversidade como também minerais depositados no fundo do mar, como ouro, manganês, diamante e ferro”, afirmou .

(Fabricia Neves e Neide Freitas – Portal do PT)

Leia também >>> Geopolítica do Atlantico Sul

Em 2020, a Petrobras vai  estar produzindo no Brasil 4,9 milhões de barris por dia. Vamos exportar 2,3 milhões de barris. A produção total da Líbia hoje é 2 milhões de barris. Nós investíamos, em 2003, em torno de US$ 5 bi. Hoje, estamos investindo US$ 45 bi por ano (…) US$ 224 bilhões até 2015 (…) mais de R$ 2,3 mil por segundo, nos próximos cinco anos.(…) Para evitar o risco da doença holandesa, é absolutamente fundamental intensificar o investimento na cadeia produtiva de suprimento de bens e serviços para petróleo e gás (…) Se não houver o crescimento dessa produção no Brasil, e nós vamos precisar de alguns equipamentos críticos que não tem capacidade de produção mundial, podemos ter problemas com o desenvolvimento brasileiro. Só para fazer uma conta: 2,3 milhões de barris por dia de exportação, a US$ 80 o barril, são 67 bilhões de dólares de exportação. Sabe o que impacta isso no câmbio?

(Carta Maior; Domingo, 28/08/ 2011)
Publicado por AFIN

Retornamos ao tema republicando a informação anterior como dever de fomentar o debate em bases reais. A íntegra da carta de Luiz Gonzaga Schroeder Lessa permite uma reflexão muito mais densa do que as referencias contidas na matéria da Folha de São Paulo, conforme abaixo se pode constatar.

A reoganização da produção capitalista global e a inserção soberana do Brasil no novo mapa da geopolitica mundial nos obriga debruçar sobre nossas forças armadas, seu papel, sua importância e sua capacidade de responder aos desafios decorrentes das imensas riquezas brasilerias. O pré-sal, o nióbio, o aquífero guarani, as bases militares estadunidenses em nossa fronteira norte se colocam como exemplo, entre tantos outros, da importância da necessária capacidade de dissuação.

Se de um lado mantemos a nossa defesa intransigente da Comissão Verdade como instrumento de pacificação real da nação responsabilizando cada um na exata medida de seus atos. De outro é necessário virarmos também a página de nossa história que construiu a imagem de nossos homens em armas como lacaios dos interesses imperialistas estadunidenses.

Temos bons e respeitáveis brasileiros em nossas forças. O Brasil precisa valoriza-los e dar a si mesmo, como nação, as condições necessárias para a defesa de nossa  soberania. Em nossa opinião o Chaceler Celso Amorim foi a melhor escolha, o homem certo, no lugar certo, na hora certa. Comemoramos a feliz escolha de nossa Presidenta Dilma. Apesar da grande capacidade que tem, já comprovada, o Ministro da Defesa Celso Amorim precisa das condições, orçamento e apoio efetivo, para vencer as resistências ainda existentes no seio de uma tropa que anseia por valorização e condições para cumprir com seus deveres constitucionais.

 

 

Publicado originalmete no Luis Nassif Online


Por Leandro C.

Nada como o texto original, sem intermediarios.

CARTA AO SENHOR JOBIM

Luiz Gonzaga Schroeder Lessa
12 de agosto de 2011

Como era natural, o senhor se foi, sem traumas, sem solavancos, subs-tituído quase que por telefone, não durando mais do que cinco minutos o seu despacho de despedida com a presidente, que, de forma providencial, já tinha até o seu substituto definido. Surpreso? Nem tanto.

Substituição aceita com a maior naturalidade, pois ela é parte da rotina militar.

O senhor talvez esperasse adesões e simpatias que não ocorreram, primeiro, pela disciplina castrense e, depois, pelo desgaste acumulado ao longo dos seus trágicos 4 anos de investidura no cargo de ministro da defesa. E como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram, por dever de ofício, a desventura de servir no seu ministério (veja que omiti a palavra comando, porque o senhor nunca os comandou).

O desabafo à revista Piauí, gota d’água para a sua saída, retrata com fidelidade e até mesmo estupefação o seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores no trato dos assuntos funcionais, o desconhecimento dos preceitos da ética e do comportamento militar, a psicótica necessidade de se fantasiar de militar, envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas, como se um oficial-general se fizesse unicamente pelos uniformes, galões e insígnias que usa, esquecendo que a sua verdadeira autoridade emana dos longos anos de serviços prestados à Nação e da consideração e do respeito que nutre pelos seus camaradas. O senhor, de fato, nunca a entendeu e nunca foi compreendido e aceito pela tropa, por faltar-lhe um agregador essencial – a alma de Soldado.
Sua trajetória no Ministério da Defesa foi a mais retumbante desmistificação daquilo que prometeu realizar.

Infelizmente, as Forças Armadas ficaram piores, ainda mais enfraquecidas. Suas promessas de reaparelhamento e modernização não se realizaram. Continuam despreparadas para cumprir as suas missões e, na realidade, são forças desarmadas, só empregadas no cumprimento de missões policiais, muito aquém das suas responsabilidades constitucionais.

A Marinha poderá até apresentar um saldo positivo no seu programa de submarinos, mas a força de superfície está acabada, necessitando de urgente renovação, que não veio. A Aeronáutica prossegue sonhando com os modernos caças com que lhe acenaram, programa que desafia a paciência e aguarda por mais de 10 anos. O Exército parece ser o que se encontra em pior situação no tocante ao seu equipamento e armamento, na quase totalidade com mais de 50 anos de uso. Nem mesmo o seu armamento básico, o fuzil, teve substituto à altura. Evolução tecnológica, praticamente, nenhuma. O crônico problema salarial que, por anos, atormenta e inferioriza os militares que são tratados quase como párias, não teve uma programação que pretendesse amenizá-lo. A Comissão da Verdade, em face da sua dúbia atitude, é obra inconclusa, que tende a se agravar como perigoso fator desagregador da unidade nacional

O que fez o senhor ao longo desses quatro últimos anos para reverter essa situação, Sr Jobim. Nada! Só palavrório, discursos vazios, promessas que não se cumpriram, enganações e mais enganações. Mas sempre teve a paciência, a lealdade e a fidelidade dos Comandantes de Força.

A Estratégia Nacional de Defesa é o maior embuste que tenta vender. Megalômana, sem prazos e recursos financeiros delimitados por específicos programas governamentais, é um documento político para ser usado ou descartado ao sabor das circunstâncias, como atualmente ocorre, quando é vítima dos severos cortes orçamentários impostos às Forças Armadas, que inviabilizam os seus sonhos de modernização. Mal sobram recursos necessários para a sua vida vegetativa.

O caos aéreo que prometeu reverter com a modernização da infraestrutura aeroportuária só fez crescer e ameaça ficar fora de controle.

Você (como gosta de chamar os seus oficiais-generais) foi um embuste, Jobim.

Por tudo de mal que fez à Nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias, das suas pretensões de efetivamente comandar as Forças Armadas, mesmo que para isso tivesse que usurpar os limites constitucionais.

Você parte amargando a compreensão de que nada mais foi do que um funcionário ad nutum, como todos os demais, demitido por extrapolar os limites das suas atribuições. A contragosto, é forçado a admitir que o verdadeiro comandante das Forças Armadas é a Presidente Dilma que, sem cerimônia, não tem delegado essa honrosa missão exercendo-a, por direito e de fato, na plenitude da sua competência.

Você acusou o golpe. Não teve, nem sequer, a disposição de transmitir o cargo que exerceu. Faceta da sua personalidade que a história saberá julgar.

Como no Brasil tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, vamos ter que aturar o embaixador Amorim, que por longos 8 anos deslustrou o Itamaraty e comprometeu a nossa tradicional e competente diplomacia. Sem afinidade com as Forças, alheio aos seus problemas e necessidades mais prementes, com notória orientação esquerdista, só o tempo dirá se a sua indicação valeu a pena.

No fundo, creio mesmo que só ao Senhor dos Exércitos caberá cuidar das nossas Forças Armadas.

1) O autor é General-de-Exército, Ex-Presidente do Clube Militar e Membro Fundador da Academia Brasileira de Defesa.

2) As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, o pensamento da ABD.

Por droubi

Folha desmonta tese da Globo sobre a demissão de Jobim.

Da Folha

General afirma que Jobim é prepotente e ‘já foi tarde’

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

queda de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, no último dia 4, trouxe à tona o ressentimento de oficiais das Forças Armadas com supostas humilhações impostas a militares pelo ex-chefe.

Um artigo do general reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, ex-presidente do Clube Militar, expõe mágoas da caserna e afirma que o ex-ministro tinha “psicótica necessidade de se fantasiar de militar” e “já vai tarde”.

O texto foi publicado no site da Academia Brasileira de Defesa e circula desde o fim de semana em blogs de militares. Escrito como desabafo dirigido a Jobim, sugere que parte da classe se sentiu vingada com sua demissão.

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês

Caio Guatelli-13.jan.2010/Folha Imagem

O ex-ministro da Defesa Nelson Jobim durante visita a instalação brasileira no Haiti; ele deixou o cargo no início do mês

“Como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram […] a desventura de servir no seu ministério”, diz.

“Por tudo de mal que fez à nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias.”

O general afirma que o perfil do ex-ministro publicado pela revista “Piauí” “retrata com fidelidade” o “seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores”.

Na reportagem, que precipitou a demissão do ex-ministro, Jobim chama a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) de “fraquinha” e diz que Gleisi Hoffmann (Casa Civil) “nem sequer conhece Brasília”.

Em outro trecho, que irritou os militares, a repórter narra uma cena em que ele usa tom ríspido para dar ordens ao almirante José Alberto Accioly Fragelli, diante de outros oficiais e de civis.

O artigo critica o ex-ministro por posar de farda, “envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas”.

PROMESSAS

O oficial ainda ataca a Estratégia Nacional de Defesa, principal projeto de Jobim na pasta. “Megalômana, sem prazos e recursos financeiros delimitados”, critica.

“Suas promessas de reaparelhamento e modernização não se realizaram”, diz. “Só palavrório, discursos vazios, promessas que não se cumpriram, enganações e mais enganações.”

Lessa elogia a presidente Dilma Rousseff, que estaria comandando as Forças Armadas “na plenitude da sua competência”, mas critica a escolha do novo ministro da Defesa, Celso Amorim.

O diplomata é descrito como “sem afinidade com as Forças, alheio aos seus problemas e necessidades mais prementes” e “com notória orientação esquerdista”.

“Como no Brasil tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, vamos ter que aturar o embaixador Amorim”, diz.

Na tarde da segunda-feira (15), a reportagem procurou ex-assessores de Jobim, que prometeram enviar a carta ao ex-ministro. Ele não se manifestou até a conclusão desta edição.