Posts Tagged ‘Cyberativismo’

Posted by eduguim on 14/05/11

Puta que pariu / é a elite/ mais tosca do Brasil !!

O verso acima era declamado por mais de mil pessoas que se espremiam diante do shopping  no meio da tarde de um sábado nublado – e esfriando – depois do sol que dera palhinha por volta das 12 horas, quando cheguei ao local do Churrascão da Gente Diferenciada e não encontrei ninguém que me parecesse que participaria de algo assim tão “popular”.

No boulevard que precede os corredores tomados por brilhos, luzes, cheiros e sons que embriagam o endinheirado consumidor do asséptico e verdejante bairro paulistano de Higienópolis para depois depená-lo, senhores maduros, gordos e engravatados riem em duas, três mesas, fazendo-me pensar por que estariam vestidos assim num sábado. Outras mesas eram ocupadas por casais, senhoras e até crianças e adolescentes, mas os maduros predominavam.

Olho para um lado, para o outro, e nada. Ninguém diferenciado. Eram todos iguais na cor da pele, nos perfumes fortes, na aparência bem-nutrida, enfim. Não posso negar que, por alguns momentos, senti-me em Paris. Lembrei-me de um café em Saint Germains des Pres…

Pensei na internet. Deve ter informação. Só que não uso esses telefones que, além de tudo, fazem até chamadas e nos quais se pode navegar na rede. Mas estava em um shopping e todo shopping tem lan-houses… Certo? Errado. Nesse não tem. E por que teria, ora, se todos, ali, andam pelos corredores do shopping e nas ruas olhando seus aparelhinhos mágicos?

Contudo, estava na República de Higienópolis e, ali, até os balcões de informações são… diferenciados – ou seriam iguais aos dos países que aquele bairro-estado emula? Enfim, sei que a garota me disse que NÃO havia lan-houses no shopping ou naquela região (?!), mas que a uns MIL metros dali, na rua Maria Antonia, encontraria. E imprimiu o mapa para mim (!).

É um bairro mais igual, entendem? É o contrário do conceito de “diferenciado”.

Fui até lá e, assim que entro no Twitter, o Luis Nassif me manda uma mensagem dizendo que estava ali “com as menininhas” e doido pra comer churrasco, mas não tinha nada. Deixo-lhe uma mensagem pedindo que me ligue. Ele liga e diz que tem compromisso, lamentando não ter encontrado o churrasco.

Penso que está na hora de voltar. Ficarei até duas e meia e, se não aparecer ninguém, vou ao Sujinho comer bisteca de boi e tomar uma cachacinha Seleta, que as mais famosas não cabem no meu bolso. Saio a passos largos, já suando e maldizendo o blazer que vesti no começo da manhã, quando fazia frio e saí de casa para ir ao Churrascão.

Alvíssaras!, tem gente lá na frente falando com a imprensa. Estão ao lado de um carro da RedeTV! Aproximo-me e algumas pessoas vêm falar comigo. Alguns membros do Movimento dos Sem Mídia, leitores que conheço e várias pessoas simpáticas que não conhecia. A maioria, porém, não conheço. Todos ainda muito tímidos. Eu, inclusive.

Fiquei pensando, naquele momento: como faremos isso aqui? Esse pessoal tão… civilizado e fleumático vai se “horrorizar”.

Ando entre os grupos de pessoas conversando. Vai chegando cada vez mais gente. Uma rede de tevê me pára e pede para dar entrevista, como fazia sem parar. Não guardei o nome porque o afluxo crescente de pessoas começou a surpreender. Daqui a pouco chegam a Band e o SBT. Já havia quase umas duzentas pessoas, no local.

Aí a polícia apareceu, bem como o CET. Chegam manifestantes, chega polícia, chega imprensa… E vão chegando.

Mas os grupos de pessoas só dão entrevista e mais entrevista. Ouço um engraçadinho que não quis se misturar dizer que tinha mais jornalista que manifestante. O sangue sobe. Vou ao centro dos manifestantes e grito: Quem quer metrô, aqui?! Aquela massa crescente acorda e brada: Nós! E ficaram esperando eu dizer mais.

As câmeras se voltam e começo a discursar, com as mãos ao lado da boca numa tentativa de amplificar a voz. Surpreendentemente, ecoou forte. A repórter enfia o microfone na cara e começa a fazer perguntas que respondo não para ela, mas para as pessoas, que assoviam, gritam frases bem-humoradas.

Paro de falar e a manifestação amaina. Em alguns segundos, porém, mais alguém começa a falar. Daí chega o humorista Celso Mim com um capacete de obras “reprimindo” a manifestação como se fosse um funcionário do metrô, dando bronca nos manifestantes. Alguns parecem acreditar, de início.

Quando os discursos e palavras de ordem já proliferavam, ouve-se a batucada lá longe, mas avançando pela avenida Higienópolis. Parecia que jogavam confete. Sambavam, cantavam. Um dos cânticos era mais ou menos assim, se me lembro:

Se esta rua fosse minha / Eu mandava ladrilhar / Com Pedrinhas de Brilhante / Para o meu metrô passar

Alguém aparece com churrasco. Agora está cheio de jovens bem humorados. Maduros, idosos e até crianças diferenciados. Somos muitos. A avenida Higienópolis está tomada. Não passam mais carros. Das imensas sacadas dos prédios, moradores do bairro imóveis e aparentemente em silêncio observam a tudo.

Passo a me esgueirar entre a multidão. Encontro gente que conheço e que não conheço e me conhece e eis que, de repente, vejo, diante de mim, dois colunistas da Folha de São Paulo.

São Fernando de Barros e Silva e Sergio Malbergier, aquele que andou escrevendo sobre o direito dos ricos de não quererem metrô na porta deles. Abro-lhes um sorriso como se fossem velhos amigos e, para minha surpresa, percebo que me reconhecem, apesar de jamais termos nos visto pessoalmente.

– Eu conheeeço você – digo a Barros e Silva, em tom jocoso –, e você também – estendo o cumprimento a Malbergier.

Digo que li o texto de Malbergier e que estava “um primor”. Ele sorri, simpático, como se não ligasse para a ironia. Barros e Silva, porém, fecha a cara, aproxima-se e diz:

– Olha, eu respeito você, Eduardo, mas as suas posições são primárias…

Respondo:

– Eu acredito que você pensa assim, mas não são as minhas posições que são primárias, são as suas que são muito avançadas, próprias para Londres, Paris, Amsterdam…

Barros e Silva franze ainda mais o cenho, percebo os dentes trincando, dá-me as costas, empina o queixo e diz, sem se voltar: “Está vendo como você é primário?”. E sai andando.

Comento com Malbergier: “Ele está zangado, né?”. E ele, sorridente: “Está zangado”.

Bato no braço dele, despedindo-me, e dizendo que acho positivo que tenham ido até lá. E caio no meio da galera.

Dali, a manifestação começa a se mover com batucadas e jovens à frente. Avançam em direção à avenida Angélica. Dobram à direita e começam a subi-la. Ocupam as duas pistas. Olho para a avenida e, diante de nós, está vazia de veículos até onde a vista enxerga. Nos prédios em volta as pessoas se debruçam nas janelas e sacadas. Policiais e agentes da CET parecem nervosos…

Peço ao comandante da operação que me diga o número estimado de manifestantes. Ele tasca 600. Digo que ele só pode estar brincando. Havia mais de mil pessoas fácil, ali. Saio meio zangado, batendo o pé, e nem agradeço. Depois reflito que o oficial não teve culpa. Estava cumprindo ordens.

Vejam o que acham

Enfim, foi mágico para este coração cinqüentão de um homem que cresceu em um país em que fazer um ato daquele significava ser espancado e até preso e torturado, quando não assassinado. E o mais lindo foi ver os jovens exigindo direitos, pregando igualdade com calma, bom humor, pacificamente.

Pena que a grande imprensa não contará direito o que aconteceu em São Paulo nesta tarde fria de maio, mas a internet contará a verdade. Fotos, vídeos e relatos, não faltarão. Não carecia, portanto, que me prendesse a isso. Queria passar ao meu leitor as “primárias” impressões deste “primário” blogueiro sobre essa incrível festa da democracia

Operação Vingar Assange
“A primeira infoguerra séria começou agora.
O campo de batalhas é o WikiLeas.
E vocês são os soldados.”
– John Perry Barlow

Julian Assange diviniza tudo que nós consideramos importante. Ele despreza e luta constantemente contra a censura, é possivelmente o troll internacional mais bem sucedido de todos os tempos, e não tem medo de porra nenhuma (nem mesmo do governo dos EUA).

Agora, Julian é o foco principal de uma caçada humana global, tanto no campo físico quanto no virtual. Governos ao redor do mundo estão disputando o prêmio por seu sangue, políticos estão em pé de guerra pelo seu ultimo vazamento, e mesmo seu próprio país o abandonou aos lobos. Online, o WikiLeaks é o foco de massivos ataques DDoS, legislações e extrema prostituição aos incumbentes corruptos que silenciarem este homem.

Portanto, [o grupo] Anonymous (Anônimos) tem a chance de lutar por Julian. Nós temos a chance de lutar contra o futuro opressivo que aparece a nossa frente. Nós temos a chance de lutar na primeira infoguerra jamais disputada.

1. Paypal é o inimigo. Serão planejados [ataques] DDoS, mas no meio tempo, boicotem tudo. Encoragem amigos e família a fazerem o mesmo.

2. Espalhem os documentos já vazados o máximo que puderem. Salvem-os em HD’s, os distribua em CD’s, espelhe-os em sites e compartilhe-os em torrents. O objetivo final é um DNS humano – algo que só pode ser parado com o desligamento de toda a internet.

3. Vote em Julian na escolha do Homem do Ano da Revista Time. Enquanto isto não ajuda sua causa, irá dar a ele uma necessária exposição pública. (http://tinyurl.com/2wb7ju8)

4. Fale! Twitter, Myspace, Facebook e outras redes sociais são hubs de distribuição de informação. Tenha certeza de que todos que você conhece saibam do que está acontecendo. Se você conseguir convencer todo dia  pelo menos uma pessoa a dizer a outra pessoa, o espalhamento da informação será exponencial.

5. Se você estiver disposto, imprima documentos que sejam relevantes em sua área e os distribua. Coloque-os em paradas de ônibus, estações de trem, postes. Seja criativo e atraia a atenção das pessoas. Usar graffiti para espalhar o site do WikiLeaks também é ma grande idéia.

6. Reclame com seu parlamentar, prefeito ou qualquer outro político que você possa contatar. Peça a ele que comente sobre os vazamentos. Grave cada palavra do que ele disser.

7. Proteste! Organize marchas comunitárias, envie petições, seja ativo. Isto não pode acontecer sem números.

TL;DL (Muito Longo, Não Li):
Proteste.
Informe.
Indague.
Lute.
O futuro da internet está por um fio
Nós somos Anonymous (Anônimos).
Nós não perdoamos; nós não esquecemos.
Nos Espere.

Read more: http://tsavkko.blogspot.com/2010/12/operacao-vingar-assange-hackers-em.html#ixzz17XZcSS7h

Parte 1 – Cultura digital e as eleições 2010: Cultura livre nas redes socais ou controle? Por @GnuEvertonby Everton Rodrigues

in Cibercultura,Conhecimento Livre,Creative Commons,Eleições 2010,cultura livre

Por Everton Rodrigues. Colaborou Julio Oliveira

A cultura livre e colaborativa da internet venceu a propagação do ódio e da mentira da grande mídia.

Nas eleições 2010 a internet tomou proporções gigantescas no debate eleitoral, permitindo pautar a mídia de massas em vários momentos. Com este novo quadro é necessário avaliar seu uso em todos os aspectos, seja a postura das candidaturas, das eleitoras e dos eleitores, das empresas de marketing, das equipes de redes sociais, e é claro, o resultado final das eleições.

Por um lado o resultado é positivo para aquelas(es) que compreendem e defendem “o espírito da internet”, ou seja, a cultura livre e colaborativa ao invés da centralizada. Nós que optamos pelo fortalecimento e uso do “espírito da internet” saímos desse processo fortalecidos e com inúmeros desafios. Podemos constatar também que os defensores do controle da mesma, geralmente durante a campanha eleitoral, jogaram contra a própria rede e não tiveram êxito, por isso, devem intensificar suas movimentações para o controle.

Palavras do ainda Senador Azeredo, e agora eleito Deputado Federal: “A campanha teve dois aspectos: o primeiro, benéfico, foi o uso das ferramentas digitais, em especial das redes sociais como forma de mobilização da militância e de comunicação entre candidatos e eleitores. O segundo, bastante nocivo, foi a disseminação de informações contra os adversários escondidas sob o manto do anonimato.” Ora, todas e todos nós sabemos que foi o P$DB e DEM quem disseminaram preconceitos e boatos diários desclassificando a imagem de Dilma. Para esconder-se no anonimato contrataram especialistas para inundar a internet e agora querem utilizar como exemplo a prática incoerente e mal intencionada produzida por eles para combater o anonimato. http://jogodopoder.wordpress.com/2010/11/06/folha-de-s-paulo-abre-debate-sobre-projeto-de-lei-que-preve-punicao-para-crimes-praticados-na-internet/

Em recente entrevista, o pesquisador Manuel Castells afirma: “O poder tem medo da internet” … “Porque a Internet é um instrumento de liberdade e de autonomia, quando o poder sempre foi baseado no controle das pessoas por meio do controle da informação e da comunicação. Mas isto acaba porque a Internet não pode ser controlada.” http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1722

A grande lição dessa eleição é: Enquanto a colaboração em rede na disseminação de propostas e conteúdos propositivos foram sucesso expresso na campanha da eleita presidenta Dilma, a centralização, o boato e propostas simplórias foram o fracasso da campanha de $erra.

Na campanha Dilma presidenta, nós da equipe das redes sociais da candidata fazíamos uma análise diária dos conceitos e resultados de nossos conteúdos e das ações do adversário nas redes sociais. Assim podíamos debater sobre sua aceitação ou não, e a partir desta avaliação era possível definir as ações para o dia seguinte.

Como podemos verificar na tabela, dos 27 dias de campanha eleitoral no 2º turno, Dilma teve maior aceitação no twitter em 19 dias e $erra apenas em 8 dias.

Nesse processo eleitoral, poucas candidaturas, proporcionais ou majoritárias, possuíam assessorias capazes de iniciar um processo de campanha eleitoral em rede, e que durante a própria caminhada pudessem aperfeiçoar seus métodos e ajustar suas táticas e estratégias, já que este foi nosso primeiro ano de intensa campanha na rede. Para a maioria a Internet foi utilizada uniformemente na lógica da televisão, ou seja, sem qualquer interatividade ou envio de informações específicas para grupos específicos.

Recebemos influências das eleições norte americanas. Muito interessante é observar que a campanha de Dilma teve consultoria de Ben Self, responsável pela campanha de Obama. Já na campanha de $erra o consultor foi o Indiano Ravi Singh, da empresa ElectionMall,  que distribuiu através de spans em todas as redes sociais boatos, mentiras e conteúdos de discriminação contra Dilma. Não coincidentemente, Singh trabalhou a mesma lógica conceitual na campanha de Bu$h em 2000 e também de Juan Manuel Santos (apoiador das políticas de Bu$h) na Colombia. Vale ler esse texto: “Eleições 2010: cultura ou barbárie?” http://congressoemfoco.uol.com.br/coluna.asp?cod_canal=14&cod_publicacao=34951

Nesse processo eleitoral tiveram êxito as candidaturas que mais interagiram na internet,  apresentaram diversidade de propostas, utilizaram humor, inovaram, analisaram suas próprias intervenções e como resultado contribuíram para mobilizar mais pessoas nas ruas.

Alguns acontecimentos vale relembrar e analisar:

Ainda em Abril, a campanha de 45 anos da Rede Globo saiu do ar em menos de 24h, após blogueiros e twitteiros mobilizarem contra a descarada campanha pró $erra. Essa foi a primeira vitória da campanha na internet. Pautamos a mídia. Eles não tiveram coragem de continuar com tanto descaramento. Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=Y9cOIczl4hw

Até aqui por enquanto Depois foi a vez da revista Época e o jornal Folha de SP tentando associar a luta de Dilma pela liberdade contra a ditadura com terrorismo, o que resultou no assunto mais comentado durante várias dias nas redes sociais e no twitter. Utilizamos a tag DilmaFactsByFolha  http://twitter.com/#search?q=DilmaFactsByFolha e a foto de Dilma que o DOPS usou no arquivo.  A revista deu grande destaque,  e assim, foi imediatamente transformada em estampa de camisetas e avatares para as redes socais. http://eleicoesnarede.blog.terra.com.br/2010/08/15/no-twitter-apoiadores-de-dilma-reagem-a-fama-de-guerrilheira/

E então, $erra e a Rede Globo sensacionalizam um “fato” com a intenção de enfraquecer Dilma novamente. Usando imagens do SBT, o suposto agredido por um objeto não identificado foi destaque nos jornais da emissora, mas para todos foi visível que se tratava de uma bolinha de papel. $erra virou motivo de piada no Brasil e no Mundo. Este vídeo é um dos exemplos de uso do humor na contra informação contra a maior empresa de comunicação do Brasil. Vejam: http://www.youtube.com/mpbeverton#p/a/u/0/3h4ZG2de88o e é claro no twitter por alguns dias a tag #SerraRojas http://twitter.com/#search?q=%23SerraRojas manteve-se como a mais comentada.

Após as eleições 2010, temos o desafio de barrar não somente o controle da internet, já tramitando no congresso nacional, mas também de pensar como contornar a nossa dependência de empresas privadas como twitter e facebook nas nossas campanhas eleitorais. Não sabemos ainda como, mas a conta oficial de Dilma foi bloqueada no Facebook, e os apoiadores de Serra criaram mecanismos bastante eficazes para denunciar como spam no twitter, contas de apoiadores de Dilma.

Nossa tarefa nas redes socais não pode parar! É preciso ir em frente! Vamos que vamos!

Sugestões de leituras:

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/carta-aberta-a-soninha?xg_source=facebookshare

http://eleicoesnarede.blog.terra.com.br/2010/08/15/no-twitter-apoiadores-de-dilma-reagem-a-fama-de-guerrilheira/

http://www.jusbrasil.com.br/politica/4731109/campanha-de-45-anos-da-globo-sai-do-ar-em-menos-de-24-horas

http://relatividade.wordpress.com/2010/11/05/idg-now-dilma-venceu-serra-tambem-no-twitter/

Se gostou acima, leia mais abaixo:

  • A vitória do povo Brasileiro já começou, dia 31 é Dilma.
  • Dilma vence mas a direita não está morta: é jovem e tem curso superior
  • RT no Twitter sugere combinação entre campanha de Serra e o humorista @marcelotas do CQC.
  • Jornal Estadão avisa, Globo vai dar golpe
  • Produtoras e artistas do MPB, Movimento Música para Baixar, se reunirão no próximo sábado, 30 de maio, contra o Projeto de Lei 84/99, do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG).
  • GOG e Fernando Anitelli (Teatro Mágico), artistas que apóiam a Música livre e a Economia Solidária abrem seu apoio a Dilma Rousseff.
  • O segundo turno é bom para a esquerda (II)
  • “Imprensa no centro do debate eleitoral” Por Ricardo Kotscho
  • O que aflora em uma campanha desesperada? Os sentimentos mais grotescotes.
  • “Aborto é armadilha da direita” Por Altamiro Borges
  • Na primeira metade do século XX, Joseph Goebels, ministro da propaganda nazista já dizia:

    “De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.”

    E agora, se escuta muitas mentiras e repetidas vezes. Por que será? Se escuta muitas coisas como “O marco civil da internet vai garantir nossos direitos”, “O marco civil da Internet garante o direito à privacidade, garante a liberdade de expressão e a neutralidade da rede”. Qualquer um que faça a decência de ler o projeto de lei da secretaria de assuntos legislativos do ministério da justiça, aquele que faça a decência de ir até a fonte e vez de ficar acreditando só em boatos, vai saber que nada disso é verdade.

    1) Primeira mentira: “O marco civil da Internet é a antítese da Lei Azeredo PL89″

    Para começar, o escopo da Lei azeredo e do Marco civil é o mesmo:  Retenção de dados pessoais e responsabilização dos provedores. Não preciso nem explicar, basta comparar:

    Marco Civil:

    Art. 14. A provisão de conexão à Internet impõe((1)) ao administrador do
    sistema autônomo respectivo o dever de manter os registros de conexão((2)) sob sigilo, em ambiente controlado e de segurança((3)), pelo prazo máximo de 6 (seis) meses, nos termos do regulamento.

    Lei azeredo:

    Art. 22. O responsável pelo provimento de acesso a rede de computadores mundial, comercial ou do setor público é obrigado((1)) a:

    I – manter em ambiente controlado e de segurança((3)), pelo prazo de 3 (três) anos, com o objetivo de provimento de investigação pública formalizada, os dados de endereçamento eletrônico da origem, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada((2)) por meio de rede de computadores e fornecê-los exclusivamente à autoridade investigatória mediante prévia requisição judicial;

    A retenção de dados pessoais, dos logs de IP é inconstitucional, ou será que o artigo 5° parágrafos X e XII onde diz que a intimimidade e a privacidade dos indivíduos são invioláveis, e que as comunicações de dados entre os individuos são também invioáveis não vale nada? É claro que em um Estado de Direito moderno é inadmissível que todos os cidadãos sejam monitorados, portanto, tratados como suspeitos. Seria muito útil se os sujeitos do ministério da justiça começassem a ler a Constituição em vez de só usá-la como suporte para elevar o monitor, como peso de papel ou para enfeitar a estante.

    2) Segunda mentira: O marco civil garante a privacidade e a neutralidade da rede.

    Essa é a segunda grande mentira. Não adianta você escrever em uma lei que a lei “garante a privacidade”, “garante a neutralidade da rede” se o que se passa com a tal lei é vigilância em massa das conexões e registros de IP e responsabilização dos provedores e remoção de conteúdo da internet. Primeiramente, não adianta dizer que garante a privacidade se na mesma minuta do projeto de lei há a obrigação dos provedores de registrar o tráfego. Qualquer calouro de Direito sabe que não dá para positivar dessa forma uma lei, é o mesmo que escrever: “O direito a vida é inviolável, mas em caso de crimes, há pena de morte. é simplesmente insultar a inteligência alheia.

    Quanto a neutralidade da rede, existe o aspecto político e o aspecto técnico. O especto político da neutralidade da rede é que o “o menssageiro não deve ser responsabilizado“, caso o seja, há uma quebra do princípio de neutralidade:  Se o carteiro é responsabilizado pelas cartas que entrega, pode ser que ele não queira mais fazer esse serviço perigoso, ou, para se garantir, terá que abrir as cartas e violar a privacidades dos usuários dos correios;  Se o provedor é responsável pelo tráfego em suas redes, ou não vai mais fazer esse serviço, agora perigoso, ou vai ter que registrar as conexões ou vigiar o que as pessoas estão fazendo na internet. Essa garantia de imunidade que garante que o tráfego seja mantido intacto e que a privacidade das pessoas seja garantida. Quanto ao aspecto técnico de certos operadores de internet quererem fornecer uma conexão de rede limitada aos seus consumidores, isso é o resultado de um monopólio ou cartel.  É claro que uma rede sem limitação nenhuma é um produto muito mais atrativo ao consumidor. Como quebrar cartéis e monopólios é muito mais difícil que regular as atividades destes, se fazem regulações, como a recente Ley de Neutralidad en la Red, no Chile. Mas essa regulação é motivada pelo ponto de vista do consumidor.  Se você ler essa lei que foi aprovada no Chile vai ver que ela não fala nada de Logs ou responsabilização aos provedores. Portanto, vá as fontes.

    A remoção de conteúdo talvez seja a distorção mais evidente na proposta do marco civil da internet, responsabilizando diretamente os provedores, e os forçando a vigiar o que seus usuários façam, se não quiserem ser inundados por notificações e contra-notificações extra-judiciais, ao bom e velho estilo do DMCA. Distorção tão evidente que foi combatida por todos, mas isso só tirou o foco do problema da vigilância e do registro em massa que é o foco da lei. Como as diretivas de retenção de dados da união européia a diretiva ipred na suécia, lei azeredo no brasil, etc.

    De fato, vigilância em massa em uma rede como a internet é totalmente ineficaz. Existem diversos métodos para burlar isso: proxys, VPNs, TOR, computadores zumbis… Se um criminoso consegue uma metralhadora para assaltar um banco, será que um fraudador não faria um simples download de um programinha para se manter imune a vigilância dos logs? Esse tipo de vigilância é dirigida ao usuário médio, os que baixam arquivos restritos, os que postam suas opiniões despreocupadamente, as pessoas comuns que ainda acham que a internet é uma rede segura. Mas o problema não é a vigilância, mas a consciência dela, como explica Foucault no capítulo sobre o “Panóptico“  do livro “Vigiar e punir”. Logs são o nosso panóptico cybernético do século XXI para impor a nós a temência do poder que não pode ser questionado.  Só que nós sempre vamos questionar o poder, inevitável.

    3) Terceira mentira: “Milhares de pessoas escreveram o marco civil da Internet, é uma lei 2.0″

    A história para boi dormir que vivo escutando.  Primeiro que se milhares de pessoas falam ao mesmo tempo, só se escuta ruído, como já dizia a minha bizavó. E do ruído, é muito simples escutar tudo o que se deseja, inclusive que nós queremos ser registrados 24h por dia para pegar os fraudadores de cartão de crédito e pedófilos.  Que a única forma de garantir segurança na internet é registrar as nossas conexões, os nossos logs. Essa na verdade é a grande propaganda Goebelliana do marco civil querendo ludibriar as pessoas.  Eu duvido que milhares de pessoas escreveriam uma lei contra si mesmos.

    A última parte do projeto do marco civil é tão vaga e falta tanta substância que só confirma a real intenção desse projeto que é a retenção de dados pessoais e vigilância das comunicações. De fato, o vigilantismo é a única parte substâncial do projeto, o resto é discurso é assertivas vagas.

    Art. 28. Constituem diretrizes para a atuação da União, dos Estados, do
    Distrito Federal e dos Municípios no desenvolvimento da Internet no Brasil:

    I – estabelecimento de mecanismos de governança transparentes, colaborativos e democráticos, com a participação dos vários setores da sociedade;

    Realmente, isso disse tudo para mim… e logs de tudo que eu faço na internet registrados por 6 meses no meu provedor não dizem nada, não é mesmo? Se há algum marco a alcançar é o marco que estão querendo nos impor: vigilantismo.

    Portanto, comecem a se espertar que o véu vai cair. E tenho dito

     

    Escrito por Rodrigo Pereira em 19 novembro 2010.

    Por Yuri Santos de Brito

    Pela primeira vez nos últimos 25 anos os grandes jornais (e alguns outros meios de comunicação), em especial a Folha de São Paulo, vem tendo que ser publicamente justificados por suas condutas. Essa justificação ocorre em duas formas: defesa de sua liberdade de imprensa e ataque a quem discorda de suas posições e métodos. Nenhuma das argumentações é original, mas seu uso agora chama a atenção por ser inédito.

    Após piadas sobre a Folha serem as palavras mais repetidas no Twitter, foi ao ar na Folha Online um podcast de Ronaldo Lemos, afirmando que “Estar nos trending topics do Twitter não é tão importante assim”, meses depois do inédito “CALA BOCA GALVÃO” ser motivo de matérias e artigos destacados, na Folha e até na própria Rede Globo.

    Sobre as mesmas piadas, a jornalista Mary Zaidan chama de “dilmistas digitais”, “companheiros pagos” e “militantes crédulos” aqueles que estão em discordância com sua concepção de imprensa livre, e, com bom humor, a criticam; e diz que seu intuito é “Tentar ridicularizar o jornal”.

    Na outra linha, Marcelo Tas, do “CQC”, afirmou – às épocas do movimento #HumorSemCensura – que o seu direito de ridicularizar os candidatos estava sendo oprimido, por conta da legislação eleitoral.

    Ora, há contradição entre esses dois argumentos: Ridicularização de políticos é direito constitucional; de jornais, é ataque a liberdade de imprensa.

    Isso se dá pelo fato de elas se sustentarem numa distorção da liberdade de informar, com humor ou não. Enquanto do lado defensivo o discurso soa robusto, uma vez que se baseia numa liberdade constitucional, do lado ofensivo as teses são chocantes e põem em dúvida a crença dos seus profetas na tal liberdade.

    Mas todas as justificativas tem por base uma mesma interpretação. Elas explicam que o comportamento dos jornais e demais meios de comunicação é correto, uma vez que duvidar dessa correção é atacar a liberdade de imprensa. Discordar ou debochar dos veículos tradicionais é discordar e debochar da liberdade de imprensa. Eis a linha-mestra.

    Consequentemente, qualquer opinião que defenda a extensão do direito de informar a todos que desejem exercê-lo é tratada como uma tentativa de cercear esse mesmo direito.

    No entanto, desejar que, com a internet e com um novo marco regulatório – o que temos data de 1962, quando não havia internet e mal havia televisão –, a comunicação se horizontalize, não é igual a desejar que os atuais grandes meios de comunicação fechem. Ainda que, por conta da competição econômica, esse risco exista. É desejar o fim do privilégio, não do direito.

    Assim, a defesa do direito de informar se reduz à defesa do privilégio de informar.

    É certo também que a imprensa – qualquer uma – se move por interesses próprios. Esses interesses podem ou não coincidir com interesses partidários, mas se distinguem, a despeito da freqüência com que eles se misturem, nos mais diversos veículos.

    No entanto, eles são exclusivamente privados. Não há legitimidade – a imprensa não elege nem é eleita – para definir a agenda pública. Há legitimidade – como há para qualquer ator político – para influenciá-la, mas privilégios não são louváveis.

    Qual direito define que uma matéria da Veja gere investigações policiais e uma da Carta Capital não? Nenhum. Não seria a capacidade de retroalimentação denuncista que quatro ou cinco famílias tem: o privilégio de informar?

    Essa prática assemelha-se com o lacerdismo da república de 45: nele, todos os governos sofreram tentativas de deposição. Na república atual, há o mesmo quadro: todos os governos, de Sarney a Lula, com justificativas mais ou menos sustentáveis, sofreram tentativas de desestabilização.

    Ressalto que o exercício da oposição pela imprensa, ainda que danosa a ela própria, é legítimo. Mas o privilégio de informar faz com que isso seja danoso à democracia.

    Não é de se estranhar que Lula, portanto, que definiu o valor de publicidade para quanto o espaço publicitário valia, seja duramente atacado e enxergue os grandes meios de comunicação como adversários a serem derrotados, já que se comportam como tal. E não há problema nenhum nisso. Há problema, isso sim, em conglomerados privados terem privilégios em detrimento, por exemplo, de mim: cidadão que teoricamente tem mais direitos que uma empresa privada.

    É importante ressaltar que um jornalista ou meio de comunicação pode até não ouvir os dois lados, embora seja ética e tecnicamente louvável que o faça. No entanto, o jornalismo e a comunicação tem essa obrigação. Do mesmo jeito, um meio de comunicação, por princípio, tem o direito de portar-se como opositor ou adversário de um governo; mas não pode ter privilégios ou prejuízos por conta de sua posição. Assim, o problema não é o que acredita ou quão capaz é um jornalista, e sim o privilégio ou prejuízo que sua informação tem por estar em determinado veículo.

    Não se pode desqualificar milhares de tuiteiros simplesmente por que eles tem opinião diversa. Não se pode diminuir os meios ditos alternativos. Não se pode blindar as empresas de comunicação de quatro ou cinco famílias através de dispensas de licitação pública para que elas continuem imprimindo muito mesmo que sejam menos lidas. Não se pode tratar desigualmente quem tem iguais direitos. Não se pode existir privilégio.

    É necessário que não haja privilégios para que o direito de informar seja exercido plenamente. Quando esse privilégio tenta diminuir esse direito, há um problema com a democracia.

    Há um problema de contradição com a democracia quando um dos maiores jornais do país fala para uma parcela mínima da população.

    Há um problema matemático quando uma revista é cada vez menos assinada e mantém a sua tiragem e seus lucros; um problema que toma dimensão pública quando o dinheiro envolvido é do estado.

    Há um problema quando meios de igual circulação e relevância façam duas denúncias e, enquanto uma é apurada, o outro meio seja alvo de investigação pelo Ministério Público.

    Há um problema quando o privilégio fica contra o direito e quer usurpar dele a legitimidade que a democracia confere.

     

    *Yuri Santos de Brito tem 18 anos, é tuiteiro(@invictusd), natural de Itabuna-BA, estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia, militante do Partido dos Trabalhadores e militante da Articulação de Esquerda. Vai votar pela primeira vez numa eleição  presidencial.

    Fonte: página13.org

    Pedro Doria

     18 de julho de 2010  – 19h36

    Lentamente, a Câmara dos Deputados vem usando mais e mais o formato da consulta pública via internet como apoio para escrever projetos de lei.

    Por enquanto, os alvos têm sido temas relacionados com o meio digital. Marco Civil da internet, direito autoral, regulamentação das lan houses – projeto nas mãos do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), história contada na edição de hoje do Link. É um ensaio, um estudo de método moderno, eficiente e que está dando muito certo.

    A internet oferece desafios diferentes para vários setores. Ela muda de maneira tão profunda a forma de nos comunicarmos que, não tem jeito: muda junto o negócio da informação – jornalismo, cinema, música – e tudo o que depende de informação. Isso vai da maneira como empresas são geridas ao modo como somos governados.

    No momento em que todos tivermos acesso a um celular ou computador conectado e um software seguro para votar, para que Congresso? Para que intermediários se, no fim, o objetivo é criar leis que representem o desejo da população. Políticos não costumam ser lá muito populares e defender num discurso demagógico a democracia direta é fácil. O problema é que a democracia direta é uma forma de ditadura.

    Chama-se a ditadura da maioria. Uma das utilidades de um Congresso Nacional, nas democracias, é garantir a proteção das minorias. A democracia não serve apenas para impor o desejo majoritário, afinal.

    Outro objetivo, por improvável que pareça, é estimular a conversa sobre temas complexos. Campanhas políticas, por natureza, simplificam o que é complicado. Transformam o que podem num slogan ou num sorriso. Se toda lei fosse decidida em campanha eleitoral, que horror.

    O formato da consulta pública via internet ajuda em ambas as pontas. Por um lado, não cria uma campanha eleitoral para cada lei, coisa que a democracia direta exigiria. Por outro, abre as portas para todo cidadão que deseje opinar sobre um assunto.

    Antes da rede, consultas públicas eram inatingíveis. Era espaço para grupos de lobby e ONGs empurrarem relatórios extensos e complexos goela abaixo dos parlamentares. Na web, virou espaço de conversa.

    Porque a web faz isso bem. No fórum eletrônico aberto pelo governo ou em blogs e redes sociais, quem desejar se mobiliza. Há espaço para os relatórios – mas também para a conversa.

    Pegue um tema difícil como o dos direitos autorais. Quando a conversa ocorre num ambiente ao qual qualquer um tem acesso, tudo muda. Os especialistas e aqueles diretamente afetados podem fazer seu lobby, defender sua causa. Mas o cidadão que acha o assunto interessante também pode entrar na discussão. Só de ler as conversas e bisbilhotar os relatórios, já aumenta sua educação a respeito. Torna-se um cidadão informado e, portanto, apto também a encaixar seus argumentos. Democracia de fato, para quem quiser.

    Não é que a rede faça milagres. Quem conversa na web sabe que há guerras insanas, discussões de baixíssimo nível e que logo, logo, alguém será comparado a Hitler de forma injustificável – é a famosa Lei de Godwin. Há gente, até, que se mete numa boa conversa com o único objetivo de espalhar a cizânia: mas como tem troll nessa pobre internet.

    Ainda assim, talvez por tratar de temas ligados à cultura digital, o formato de consulta pública online está funcionando. Sim, as coisas no Brasil às vezes dão certo. Estar funcionando quer dizer que deixa vontade de mais e mais. Casamento gay, aborto, regulamentação de motocicletas no trânsito, quem sabe até reforma política. O número de assuntos é enorme.

    Queremos discutir tudo!

    http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/