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via Ousar Lutar!! Ousar Vencer!!
Dia 7 de maio, sábado, das 9h às 16h  
Auditório do SENAC, Rua Dr. Vila Nova, 228, Centro, São Paulo, (11) 2189-2100  
Inscrições / Informações através do e-mail viacampesinabrasil@gmail.com, (11) 3392.2660  

Programa:

9 – 13hs Mesa de abertura:
Ministra Izabella Teixeira – Ministra do Meio Ambiente (a confirmar)
Deputado Paulo Teixeira – Líder da bancada do PT
Deputado Ivan Valente – PSOL
Marina Silva (a confirmar)
Dra. Adriana Zawada Melo – Membro do Ministério Público Federal
Dr. Marcelo Goulart – Membro do Ministério Público de São Paulo
Raul Krauser – Movimento Pequenos Agricultores/Via Campesina Brasil
Márcio Astrini – Greenpeace Brasil
Representante da Central Única dos Trabalhadores
Representante da CNBB e Pastorais Sociais
Representante da OAB-SP
Representante da União Nacional de Movimentos por Moradia / CMP  

Coordenação da mesa: 
Delmar Mattes – Associação dos Amigos da ENFF / Coletivo Curupira
Nalu Faria – Marcha Mundial das Mulheres  

Painel: “O atual modelo de produção agropecuária e o Código Florestal” 
João Pedro Stedile – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra/MST
Paulo Kageyama – Pesquisador da ESALQ/USP
Painel: “O Código Florestal nas áreas urbanas”
Renato Tagnin – Coletivo Curupira
Erminia Maricato – Urbanista e professora da FAU/USP  

13 – 14hs – Intervalo  

14 – 16hs Síntese e propostas para o debate 
Luiz Zarref – Via Campesina Brasil
José Antonio S. Prata – Coletivo Curupira

Grupos de Trabalho

Conclusão dos trabalhos

ABEEF – Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal
ABRA – Associação Brasileira de Reforma Agrária
ANDES-SN – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior

Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes
Assembléia Popular
Casa da Cidade
Coletivo Curupira
Coletivo Ecologia Urbana
Conlutas
Dep. Federal Ivan Valente
FASE
FEAB – Federação Brasileira dos Estudantes de Agronomia
FETRAF – Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar
Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
Greenpeace Brasil
Grito dos Excluídos
Intersindical
Jornal Brasil de Fato
Jubileu Sul
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
MMC – Movimento de Mulheres Camponesas
Marcha Mundial das Mulheres
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
MPA – Movimento dos Pequenos Agricultores
Pastorais Sociais / CNBB
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
Repórter Brasil
Via Campesina
Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz

Quando o assunto foi meio-ambiente, Dilma prometeu criar mais áreas de preservação, enquanto Serra propôs parceria com os Estados. Foto: APEm clima morno, Serra e Dilma não puderam se confrontar e apenas responderam indecisos
Foto: AP

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) apresentaram oficialmente suas propostas pela última vez na noite desta sexta-feira (29) antes da decisão final do eleitor no segundo turno das eleições. Em debate realizado pela Rede Globo – que não teve confronto direto entre os candidatos ao Planalto -, um dos únicos momentos mais ásperos ocorreu quando o tucano citou o caso dos “aloprados”, ocorrido em 2006, e a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retrucou lembrando os “sanguessugas”. Citada insistentemente durante toda a campanha e nos debates anteriores, o ex-governador paulista evitou citar a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, e também não ouviu de Dilma nada a respeito do ex-diretor do Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.

Em formato menos estático que os debates realizados anteriormente durante primeiro e segundo turnos, os presidenciáveis se viram obrigados a responder à questões elaboradas por eleitores indecisos que ocupavam as cadeiras do estúdio e a abandonar as tradicionais bancadas.

Ainda no primeiro bloco, Serra criticou a impunidade em casos de corrupção e afirmou que muitas investigações caíram no esquecimento em âmbito federal, sem punição dos envolvidos. Serra citou o caso dos “aloprados”, de 2006, quando petistas supostamente ligados ao então candidato ao governador de São Paulo, senador Aloizio Mercadante, teriam montado um dossiê contra tucanos.

Dilma, por sua vez, citou o caso dos “sanguessugas” (quadrilha que desviava dinheiro para compra de ambulâncias), também de 2006, e disse que, para combater a corrupção, o País nâo pode ter um “engavetador geral da República” (alusão ao ex-procurador geral da República, Geraldo Brindeiro, durante o governo FHC).

“Vimos escândalos de grande porte e não foi ninguém preso, a impunidade floresce. O dinheiro do governo é de todos nós. Tem casos que ainda estão insepultos, que não aconteceu nada, como o caso dos aloprados”, disse Serra.

Na réplica, Dilma afirmou acreditar que nos últimos anos os casos de corrupção começaram a ser apurados com o fortalecimento da Polícia Federal. “É importante investigar e punir, doa a quem doer”, disse. A petista citou a Controladoria Geral da União como um “instrumento importante”, lembrando que foi o órgão responsável pela investigação da Operação dos Sanguessugas.

Educação e salário para o professor
No segundo bloco, a candidata do PT afirmou que para a educação avançar, é preciso haver a valorização do professor por meio de uma remuneração mais adequada. “Não tem como fazer qualidade da educação sem valorizar o professor. Elevamos o salário do professor para R$ 1024. É pouco? É. Mas o professor precisa ser valorizado para ganhar bem”, disse a petista. A presidenciável ainda afirmou que que “é preciso ter diálogo com professores, não recebê-los com ‘cacetete”.

O candidato tucano José Serra disse que tem experiência na educação, pois foi professor. “A remuneração é fundamental. Em São Paulo, o piso já era mais alto. Muitos Estados e municípios não estão pagando nem o piso”, diz Serra, que citou que a eleitora indecisa que fez a pergunta era da Bahia, governada pelo PT, “partido do governo Federal e nem assim foram feitos milagres”. O tucano disse ainda que, se eleito, irá fazer o Plano Nacional da Educação e um pacto com todos pela educação, “acima das disputas políticas e eleitorais”.

do Portal Terra

“A atual política de drogas não resolve nem o problema da saúde dos usuários nem o da segurança pública. Por isso, precisamos de mudanças”. Foi assim que Paulo Teixeira abriu sua fala no debate “Drogas e Eleições 2010”, realizado na Faculdade de Direito do largo São Francisco, em São Paulo, na manhã desta terça-feira (14).

Compondo a mesa junto, estavam os também candidatos a deputado Alexandre Youssef (federal – PV) e Eduardo Amaral (estadual – PSOL). A mediação foi de Cristiano Maronna, advogado e diretor do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), e a organização do evento ficou por conta do coletivo DAR (Desentorpecendo a Razão), da GEMA e da Matilha Cultural.

Paulo Teixeira voltou a defender a descriminalização dos usuários de drogas, que devem ser tratados sob a perspectiva da saúde, e não do direito penal. “Nossa política só agrava a situação. O proibicionismo não convence a população, não protege a nossa saúde. Precisamos migrar para uma política de regulação restritiva, como já acontece com o álcool”, afirmou.

Como autor da primeira lei de redução de danos do Brasil – que permitia a distribuição de seringas para usuários de drogas injetáveis –, Paulo também falou sobre os benefícios desse tipo de política. Para ele, a redução de danos não ignora a existência do fenômeno das drogas. “Ela acata e dialoga para que o problema seja resolvido de outra forma, e é disso que precisamos. No Brasil, cerca de 4 mil jovens morrem todos os anos por causa de conflitos da guerra contra as drogas”, concluiu.

Veja também: infográfico animado sobre descriminalização das drogas e redução de danos http://www.pauloteixeira13.com.br/drogas

Confira as fotos:

 

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

Debate “Drogas e Eleições 2010”

 

10 setembro, 2010
14:53

Não foi apenas o debate da APP-Sindicato que foi apimentado. O pós-debate também foi.

Agora pouco, o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Castro, Antonio Kava, foi registrar uma reclamação policial por agressão física. A denúncia é contra o prefeito de Castro, Moacyr Fadel (PMDB), que é também presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Após o debate dos candidatos ao governo do Estado, os dois teriam se encontrado no banheiro do Shopping Novo Batel, em Curitiba e teriam discutido sobre as reivindicações sindicais.

Fadel teria resolvido partir para agressões e teria desferido socos e pontapés contra o Antonio Kava. Nenhum dos dois foi encontrado pela reportagem do Bem Paraná, mas o motivo da briga teria sido a ação civil pública ajuizada pelo sindicato contra o prefeito (e noticiada ontem aqui no blog).

Justiça – A ação pede o afastamento do prefeito, quebra de sigilo telefônico, bloqueio de bens e ressarcimento aos cofres públicas pela contratação de uma empresa nos bairros Morada do Sol e Araucária em março de 2006, quando o prefeito ainda era Reinaldo Cardoso. Entre os questionamentos da ação estão: excesso de termos aditivos antes do término das obras, uso de máquinas da prefeitura pela empresa contratada, terceirização da obra, diferença de espessura da camada asfáltica e trechos inacabados.

Testemunha – “Eu não vi a briga, mas o rosto do Kava estava todo ferido, a boca também. Os dois tem uma disputa sindical antiga”, contou o deputado federal Florisvaldo Fier (PT), o Dr. Rosinha. Apesar de ser do PMDB, Fadel apoia a candidatura de Beto Richa (PSDB) para o governo do Estado e coordena a campanha do tucano na região dos Campos Gerais.

O colapso do PSDB

Posted: 27/08/2010 in FILOSOFIA, ideologia
Etiquetas:

Por Vladimir Safatle

Há algo de melancólico na trajetória do PSDB. Talvez aqueles que, como eu, votaram no partido em seu início, lembrem do momento em que a então deputada conservadora Sandra Cavalcanti teve seu pedido de filiação negado. Motivo: divergência ideológica.

De fato, o PSDB nasceu, entre outras coisas, de uma tentativa de clarificação ideológica de uma parcela de históricos do MDB mais afeitos às temáticas da socialdemocracia européia.

Basta lembrarmos dos votos e discussões de um de seus líderes, Mario Covas, na constituinte. Boa parte deles iam na direção do fortalecimento dos sindicatos e da capacidade gerencial do Estado. Uma perspectiva contra a qual seu próprio partido voltou-se anos depois.

A história do PSDB parece ser a história do paulatino distanciamento desse impulso inicial. Ao chegarem ao poder federal, os partidos socialdemocratas que lhe serviram de modelo (como os trabalhistas ingleses e o SPD alemão) haviam começado um processo irreversível de desmonte das conquistas sociais que eles mesmos realizaram décadas atrás. Um desmonte que foi acompanhado pela absorção de suas agendas políticas por temáticas vindas da direita, como a segurança, a imigração, a diminuição da capacidade de intervenção do estado, entre outros.

Este movimento foi reproduzido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.

Assim, víamos uma geração de políticos que citavam, de dia, Marx, Gramsci, Celso Furtado e, à noite, procuravam levar a cabo o “desmonte do estado getulista”, “a quebra da sanha corporativa dos sindicatos”, ou “a defesa do Estado de direito contra os terroristas do MST”.

O resultado não foi muito diferente do que ocorreu com os partidos socialdemocratas europeus. Fracassos eleitorais se avolumaram, resultantes, principalmente, de uma esquizofrenia que os faziam ir cada vez mais à direita e, vez por outra, sentir nostalgia de traços ainda não totalmente extirpados de discursos classicamente socialdemocratas. No caso alemão, o SPD acabou prensado entre uma direita clara (CDU, FDP) e uma esquerda renovada (Die Linke).

No caso brasileiro, esta eleição demonstra tal lógica elevada ao paroxismo. Assistimos agora ao candidato do PSDB ensaiar, cada vez mais, um figurino de Carlos Lacerda bandeirante; com seu discurso pautado pela denúncia do aumento galopante da insegurança, do narcotráfico, do angelismo do governo com o terrorismo internacional das Farcs e, agora, o risco surreal de “chavismo” contra nossa democracia. Um figurino que não deixa de dar lugar, vez por outra, a uma defesa de que é de esquerda, de que recebeu palavras carinhosas de Leonel Brizola, de que vê em Lula alguém “acima do bem e do mal” etc.

Nesse sentido, o caráter errático de sua campanha não é apenas um traço de seu caráter ou um problema de cálculo de marketing.

Trata-se do capítulo final da dissolução ideológica de uma sigla que só teria alguma chance se tivesse ensaiado algo que o PS francês tenta hoje: reorientação programática a partir de um discurso mais voltado à esquerda e (algo que nunca um tucano terá a coragem de fazer) autocrítica em relação a erros do passado.

Fonte: blog do Favre.

Durante o debate da band, Alckmin disse que as escolas estaduais são boas e que a oposição só sabe criticar. Empolgado com suas próprias ilusões, Alckmin afirmou que não ocorreu nenhuma greve em seu governo. Imeditamente, centenas de professores começaram a postar na Internet links com notícias de greves no período Alckmin. Um exemplo dos mais twittados foi uma reportagem no uol http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u17943.shtml .

Uma professora que não quis se identificar disse que o governo intimida quem os critica. Na periferia, as escolas tem dificuldades de empolgar os alunos e os professores ganham mal. Para piorar, as escolas que pegam os piores alunos são penalizadas pelo esquema dos tucanos. A “produtividade” dos tucanos esconde a péssima qualidade de ensino que seus processos engendraram.

Para piorar, o aliado de Alckmin do PSDB, o perfeito Kssab do DEM, fecha escolas em SP:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/08/475723.shtml

Everton Rodrigues

 

A dependência química é de uma minoria

A maior parte das internações por abuso de substâncias que alteram a consciência acontece pelo uso indevido de drogas lícitas. Ao que tudo indica, os usuários de maconha e de álcool, em geral, obedecem a um padrão ocasional, o qual não oferece grande risco à saúde

por Victor Palomo

A dependência de substâncias é a experiência da ausência. Paradoxo do encontro entre o indivíduo e uma substância inerte; o casamento estabelecido entre essas partes se dá como desdobramento da angústia, onde a procura por um nome se torna imperativa. Amálgama quebradiço das partes do eu em busca de uma identidade, o consumo contumaz de drogas no mundo atual talvez seja sua mais eloquente expressão de anomia. Protagonista do teatro da procura, onde o passado se esvaiu em pó, fumaças, líquidos, gases ou pílulas, o dependente tem o futuro como fantasia inverossímil, pois a vivência da falta propõe o presente como única realidade estruturante. Porque delirante, alucinante, fabulatório…

Desde sempre consumidas em todas as culturas, como atestam incontáveis documentos1 que ilustram o caráter religioso, medicinal e recreativo dessa prática, ao que tudo indica, é no século XX que o consumo de substâncias psicoativas se torna definitivamente um assunto de domínio público, onde os mais diferentes grupos, com ímpares formações e intenções, emitem juízos de valor e criam sistemas de pensamento visando a compreensão dos motivos humanos que fomentam seu uso, abuso e eventual manutenção de um estado de dependência.

A procura pelas raízes arquetípicas do consumo de substâncias, seja em forma ritualizada ou desestruturante, encontra importantes ilustrações em documentos históricos. Desde quando é possível registrar a experiência humana, pode-se observar a existência de drogas que modificam a consciência. A psicofarmacologia divide-as – tomando como guia a manutenção da clareza da consciência – em depressoras, estimulantes e perturbadoras.

A substância mais consumida do grupo das depressoras é o álcool, havendo registro de seu consumo na Bíblia, como na passagem em que Noé, após o dilúvio, produz vinho e se embriaga. Os egípcios já conheciam o processo de fermentação das frutas desde 3000 anos a.C., assim como Hipócrates (406 a.C.) já descrevia a loucura induzida pelo seu consumo e os problemas decorrentes do seu uso pelos epilépticos. São também notórios os relatos de seu consumo nas festas dionisíacas, na Grécia Antiga. O ópio era utilizado pelos chineses há pelo menos 3000 anos a.C., extraído da papoula, com funções analgésicas e tranquilizantes.

Entre os estimulantes, a cocaína foi isolada em 1860, mas as civilizações pré-colombianas dos Andes já a conheciam e utilizavam suas folhas há, aproximadamente, 4.500 anos – tendo um valor religioso importante –, sendo posteriormente proibida pelos conquistadores espanhóis, que a consideravam um “talismã do diabo”. A nicotina e a cafeína são provavelmente autóctones das Américas, com finalidades religiosas e recreativas. O uso de “perturbadores” também é antigo. Tomando como exemplo o cânhamo, conhecido pelos hindus como ananda, sabe-se que os egípcios e os mesopotâmicos também o consumiam e, entre os chineses, há relatos desde 4000 a.C.

Porém, a perspectiva dos transtornos relacionados ao abuso e dependência de substâncias ganha lugar definido na nosografia psiquiátrica através das classificações que subsidiaram essa prática no século XX, especialmente em sua segunda metade. Com a esperança suscitada pela síntese dos primeiros antidepressivos na década de 50 e um maior detalhamento no diagnóstico em saúde mental, a problemática da dependência química instala uma constatação e um debate no campo científico de referência.

O consenso é fundamentado por estudos epidemiológicos2 que estimam entre 60 e 70% a prevalência de outro diagnóstico psiquiátrico no momento em que o dependente é avaliado, e de 70 a 90% de algum outro diagnóstico daquele que busca ajuda nessa condição. O debate se constela entre os que consideram a dependência de substâncias uma entidade nosológica autônoma, em oposição aos que a compreendem como um sintoma de outras formas de sofrimento da alma como depressão, ansiedade, fobias, transtornos psicóticos (ex: esquizofrenia), transtornos de personalidade e neurocognitivos etc. Se essa última hipótese se confirma, a substância química funcionaria mais como uma tentativa errática de automedicação para uma patologia não antes percebida ou referida.

Terminologia moralizante

A compreensão sobre a clínica das drogas tem avançado, principalmente quando o discurso médico oficial, subsidiado pela Organização Mundial de Saúde – Classificação Internacional de Doenças (CID) e American Psychiatric Association (APA) –, retirou a terminologia moralizante de “viciado” ou “adicto”, a qual colabora incisivamente com um movimento excludente, e adotou o termo “dependente” como forma de tratamento ao paciente. Se por um lado o indivíduo ganha o status de doente, por outro, oculta em tal condição o que lhe é singular, muitas vezes vitimizando-se numa postura de acomodação que tem como desdobramento as incontáveis recaídas, momentos de intensa frustração para aqueles que o tratam. Até porque a maioria dos programas de tratamento registra que apenas 35% dos pacientes mantêm o estado de abstinência após dois anos de acompanhamento.3

Porém, a grande maioria das internações por abuso ou dependência de substâncias acontece pelo uso indevido de drogas lícitas. As internações em hospitais psiquiátricos devido aos transtornos relacionados ao consumo de álcool são majoritárias, em comparação com as outras substâncias passíveis de abuso. Seja nas intoxicações agudas, seja no consumo crônico, onde o risco se estabelece pelos agravos à própria integridade física (gastrites, pancreatites, esteatose e cirrose hepáticas, cardiopatias, demência alcoólica etc.) ou com a participação de outros (acidentes de trânsito, violência doméstica), o álcool é a droga mais consumida em nosso meio, e gravíssimo problema de saúde pública, onerando de forma exorbitante o orçamento. Também a nicotina é uma droga lícita consumida em larga escala, a despeito dos programas que tentam regulamentá-la, ao alertar para seus riscos como doenças pulmonares, cardiovasculares, cerebrovasculares e cânceres, principalmente nos sistemas respiratório, digestivo e reprodutivo.

Atenção e memória

Contrariamente, as drogas ilícitas desencadeiam debates mais acalorados e que, invariavelmente, dividem a opinião dos que optam quanto às estratégias de redução de danos ou às tentativas de implementar programas que objetivem a total abstinência.

São relatados problemas dos efeitos crônicos do consumo de maconha como tendo relação com alterações cognitivas reversíveis, particularmente relacionadas à atenção e memória, como, por exemplo, déficit de atenção e hiperatividade, transtornos psicóticos (se há fatores predisponentes), depressivos (falta de motivação, prazer), assim como bronquites, diminuição na contagem de espermatozóides e cânceres da orofaringe. Em situações agudas, observa-se a ocorrência de episódios de pânico, fóbicos ou reações psicóticas. Mas, ao que tudo indica, a grande maioria dos usuários de maconha e de álcool, no nosso meio, obedece a um padrão ocasional, o qual não oferece maior risco à saúde. Cabe também lembrar, num esforço comparativo, que a dependência de álcool se explicita com muito maior gravidade que a de maconha, e dados estatísticos indicam que a prevalência da instalação de dependência entre os que consomem ambas as drogas é de 10%.

Os dados descrevem uma situação de maior gravidade quando a cocaína é a droga que prevalece, especialmente em sua forma fumada: o “crack”. Euforizante e desinibidora num primeiro momento, ela funciona como um potente “antidepressivo” quando da primeira dose inalada, injetada ou fumada; porém, seus efeitos indesejáveis crescem (embora uma única dose possa desencadear muitos deles), à medida que o uso indiscriminado ou a cronicidade se instalam: excitação psicomotora, impulsividade, pânico, transtornos psicóticos e de humor, assim como complicações cardiopulmonares (infartos, arritmias) e neurológicas (convulsões, acidentes vasculares cerebrais). Sob a forma de “crack”, sua associação com vivências de natureza paranoide e desdobramentos como violência, constituem um flagelo dos grandes centros urbanos brasileiros.

Outras drogas de comercialização também ilícita como o ácido lisérgico, o ecstasy (metilenodioximetanfetamina), quetamina, GHB (gama-hidroxibutirato) estão, na maioria das vezes, associadas ao ritual da cena dos clubes de música eletrônica em todo o mundo, sendo passíveis de abuso.

A perda do controle no consumo de determinada substância, na tentativa de obter prazer ou evitar situações de desprazer, resulta na instalação do abuso ou dependência, denuncia um indivíduo que vive uma realidade objetiva/ subjetiva insuportável e enuncia que a intoxicação é sua única possibilidade de ser, de existir. Ao movimentar a matéria inerte, movimenta-se de forma errática, num desespero frente à diluição de si como um quase outro. Mas, devemos acrescentar que a imensa maioria dos indivíduos que experimenta uma droga não se tornará dependente, mas usuário ocasional, onde os problemas “dependem” das condições para sua obtenção (ou da sua licitude).

Portanto, estamos diante de uma questão clínica em que a disposição do paciente para se tratar é de fundamental importância para a formação da aliança terapêutica. Obviamente, esse aspecto é igualmente importante na abordagem de outros transtornos mentais, e para que seja possível empatizar com a angústia do paciente que procura tratamento é necessário que se desconstrua o estereótipo do sofrido, da vítima ou do esperto, do que consegue driblar quaisquer riscos inerentes ao consumo de substância tóxicas, na busca do específico, do singular em cada dependente. E nessa “vontade de se tratar”, a busca da singularidade do paciente é prima matéria numa clínica igualmente particular, onde a “cura” pode ser compreendida como uma mudança da relação do indivíduo com o produto, da motivação pessoal para o consumo.   

Como a experiência terapêutica tem difícil reprodutibilidade, vem daí a dificuldade em criar modelos ou protocolos eficazes que se apliquem a todos que procuram ajuda. Um grande risco é o de substituição da dependência da droga pela dependência do tratamento ou do terapeuta, fato observado principalmente nas instituições de caráter religioso que utilizam estratégias normatizadoras e repressivas na base de sua abordagem. Desloca-se o foco da dependência. O trabalho é reencaminhar o dependente para próximo de si mesmo, propondo que navegar é preciso e possível, mas viver também é preciso.

Trata-se das idiossincrasias do humano que, entendo, são pertinentes ao manejo da saúde pública e não da justiça. Da ótica da justiça, as consequências muitas vezes inócuas da repressão resultam em fracasso e fomentam a multiplicidade das estratégias de tratamento numa lógica que privilegia algumas substâncias e criminaliza outras, com argumentações mais próximas de contextos ideológicos que médico-psicológicos. É uma lógica que privilegia mais o enclausuramento que as demandas singulares de quem sofre e faz sofrer, porque busca. Busca por um nome na cidade que o abandona.

Victor Palomo é psiquiatra, analista junguiano, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA) e International Association for Analytical Psychology (IAAP).

1     Para mais esclarecimentos sobre a história das drogas, consultar: A. Escohotado. Historia de las drogas. Madrid: Alianza Editoral, 1996.
2   D. A. Regier et al. Comorbidity of Mental Disorders with Alcohol and other Drug Abuse. Results from Epidemiologic Catchment Area Study. Journal of American Medical Association, 264; 19: 2511-2518, 1990.
3     M. L. O. S. Formigoni, B. R. G. Neumann. Comparação da efetividade do tratamento de dependentes de álcool e outras drogas pela técnica de intervenção breve e psicoterapia de grupo. In: Intervenção breve na dependência de drogas: a experiência brasileira. São Paulo: Contexto, 1992, 119-141.