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O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD) fazem um jogo casado para ganhar mais poder no eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).

O primeiro objetivo é tomar do PMDB o posto de aliado preferencial do PT na aliança que deverá apoiar a reeleição de Dilma. Campos deseja a vaga de vice-presidente, hoje com o peemedebista Michel Temer. Kassab sonha ser ministro da petista.

Ambição e alguma bala para isso, ambos possuem. Campos e Kassab presidem, respectivamente, os seus partidos, o PSB e o PSD. Os dois políticos estão empenhados em reforçar o cacife das suas legendas nas eleições municipais de 2012 para crescer nas disputas pela Câmara, Senado e governos estaduais em 2014.

A quebra da tradicional polarização entre PT e PSDB nos pleitos presidenciais não aconteceria em 2014. Campos dá corda à ideia de que pode se lançar numa aventura desse tipo daqui a dois anos porque isso o deixa bem no noticiário nacional. No entanto, correligionários do pernambucano afirmam que ele tem ciência de que seria uma empreitada temerária.

Apenas um desastre econômico poderia tirar Dilma do páreo em 2014. E, nessa hipótese altamente improvável, ainda haveria o fator Luiz Inácio Lula da Silva. Mais: Campos não teria discurso para se afastar de Dilma e Lula. Uma coisa é atacar o PT. Outra, Lula e Dilma.

O segundo e principal objetivo da dupla Campos-Kassab é se posicionar para a sucessão presidencial de 2018. Alojado na vice de Dilma, Campos seria um candidato natural a presidente, com o suporte do PSD de Kassab.

O prefeito de São Paulo não aposta mais no tucano José Serra para um voo presidencial. Decidiu apoiá-lo na eleição paulistana porque deve a ele o cargo de prefeito. A contragosto, Kassab abandonou a intenção de se aliar ao PT de Fernando Haddad, acordo que costurava pensando em ser ministro de Dilma ainda no primeiro mandato dela.

O PSD tem vocação governista. Foi criado para abrigar oposicionistas loucos para aderir ao Palácio do Planalto. Os dirigentes nacionais do partido preferem entrar na canoa de Dilma em 2014. Para a eleição presidencial de 2018, Kassab sinaliza que Campos seria o seu nome preferido.

RUPTURAS ESTIMULADAS

Para o PSB ganhar densidade política, a legenda precisa sair da posição de aliada tradicional do petismo. Por isso, Campos estimulou o rompimento entre PT e PSB em Recife e Fortaleza. Essas capitais são comandadas por petistas em dois Estados governados por socialistas. O projeto é consolidar a hegemonia política do PSB em Pernambuco e no Ceará.

Em São Paulo, onde o PSB é fraco no Estado e na capital, o governador de Pernambuco tirou o candidato do PT do isolamento político. Fez um tremendo favor ao ex-presidente Lula, dando apoio à candidatura do petista Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. Esse movimento rendeu a Campos crédito para ousar em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte.

Em Minas, o governador de Pernambuco age no sentido de dar mais gás ao PSDB de Aécio Neves do que ao PT do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico) e do ex-ministro Patrus Ananias.

Na capital mineira, o prefeito Márcio Lacerda (PSB) chegou ao poder em 2008 com apoio de tucanos e petistas. Recentemente, o PSB topou a aliança para reeleger Lacerda prefeito, mas se recusou a fechar chapa conjunta com candidatos a vereador do PT.

O PSB esticou a corda, o que levou o PT a retirar o apoio à reeleição de Lacerda e lançar Patrus _um lance que aparentemente fortalece o tucano Aécio Neves, hoje o presidenciável número um do PSDB. Mas Aécio já é forte em Minas. Campos ganhará mais do que o tucano se massacrar o PT em Belo Horizonte.

Em São Paulo, o combinado é deixar a pista livre para o prefeito de São Paulo tentar fortalecer o PSD no Estado se aliando a todo mundo. O jogo de Kassab é transformar o PSD no novo PMDB nacional, uma sigla conservadora com peso municipal e força congressual útil aos presidentes e governadores de plantão.

Resumindo: em 2014, o peemedebismo será o alvo da aliança PSB-PSD. Quatro anos depois, a polarização presidencial entre petistas e tucanos deverá entrar na linha de tiro dessa dupla.

SINAL DE ALERTA

No PT, ouve-se menos críticas ao PMDB. A movimentação de Campos e Kassab causou alarme. Muitos petistas elogiam agora a fidelidade do vice-presidente Michel Temer, que contrariou o próprio partido várias vezes a pedido de Dilma.

IDEIAS E PAPÉIS

Eduardo Campos e Gilberto Kassab são craques na política. Campos faz um governo bem avaliado em Pernambuco. Kassab não vai bem nas pesquisas em São Paulo. O PSD é um partido de centro-direita. O PSB só tem de socialista o nome.
Para um voo presidencial, Campos precisará apresentar suas ideias ao eleitorado sobre os grandes temas do país. Kassab poderá ficar só nos bastidores, o que ele faz melhor.

ADVERSÁRIOS

O avanço da aliança estratégica PSB-PSD é má notícia para alguns partidos. O DEM foi a primeira vítima, desidratado por Kassab. Os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin deveriam se preocupar. O PT sofrerá decepção se julgar que as duas siglas se contentarão em ser meras forças auxiliares no médio prazo.

MEMÓRIA

PSB e PSD já andaram conversando sobre fusão.

Em carta “ao povo de Pernambuco”, deputado federal criticou métodos autoritários do PT, anunciou sua saída da vida pública e defendeu o candidato do PSB em Recife

Valor Online 

 

Agência Brasil

Maurício Rands anuncia saída do PT depois de ser preterido na disputa pela Prefeitura do Recife

 

deputado federal Maurício Rands, que foi pressionado a desistir de disputar as prévias do PT para a escolha do candidato do partido à Prefeitura do Recife, anunciou nesta quarta-feira sua desfiliação da legenda, a renúncia ao mandato de deputado federal e ao “afastamento definitivo” do cargo de secretário de governo de Pernambuco. “Vou sair da vida pública e da política partidária para exercer ainda mais plenamente a cidadania”, escreveu o ex-petista em carta “ao povo de Pernambuco”.

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Poder Online: T recho da carta em que Rands explica desfiliação do PT

No texto, Rands critica os métodos autoritários do PT e defende a candidatura de Geraldo Júlio (PSB), ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do governador pernambucano e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. “Trabalhei diretamente com Geraldo Júlio e sou testemunha de como ele foi central para o sucesso do governo Eduardo Campos. Acredito que Geraldo Júlio é o quadro mais preparado para atualizar e aperfeiçoar a gestão municipal do Recife”, afirma.

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O ex-deputado federal disse que, devido a seu apoio, decidiu sair do PT e, para provar que não se trata de barganha por cargos, também deixará o governo de Pernambuco. O PT concorrerá com o senador Humberto Costa, indicado pela direção nacional do partido, que pressionou Rands a desistir das prévias e impediu o atual prefeito, João da Costa, de tentar a reeleição.

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Essa decisão do PT é criticada por Rands, que disse ter tentado, sem sucesso, renovar os métodos do partido nas prévias. “Na luta pela renovação do partido, no Recife e em outros lugares, infelizmente, têm prevalecido posições da direção nacional, adotadas autoritária e burocraticamente, distantes da realidade dos militantes na base partidária”, afirmou.

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Para o ex-petista, foi “infrutífera sua tentativa de mostrar que o ‘como fazer’ é tão importante quanto os resultados”, em referência velada aos métodos do PT, que tem se aliado a antigos adversários para vencer a eleição e barrado as prévias, prática histórica da legenda. Rands não disse na carta o que fará sem o mandato de deputado federal e sem cargo no governo do Estado. Nos bastidores, comenta-se que ele deve se filiar ao PSB de Eduardo Campos. Retirado da disputa pela prefeitura, o prefeito João da Costa é outro que também pode sair do partido.

Anna Ruth Dantas

Direto de Natal

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), paralisou as mobilizações da sua própria campanha à reeleição e foi ao Rio Grande do Norte para tentar alavancar a candidatura do correligionário Iberê Ferreira. Candidato à reeleição ao governo do Estado, Iberê está em segundo lugar nas pesquisas, 20 pontos atrás da senadora Rosalba Ciarlini (DEM).

O discurso de Eduardo Campos foi centrado na tese de que pesquisas erram e que Iberê Ferreira irá para o segundo turno. Eduardo lembrou que em 2006, quando disputou pela primeira vez o governo de Pernambuco, não era apontado como líder nas pesquisas, mas terminou ganhando o pleito. Campos ressaltou que os pernambucanos “farão uma grande fila” para irem ao Rio Grande do Norte saudar “a eleição no segundo turno”.