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Em entrevista ao Congresso em Foco, diretora do instituto reconhece erro na amostragem de eleitores nas capitais baiana e amazonense e promete olhar mais crítico nessas duas cidades no segundo turno

Na avaliação de Marcia Cavallari, os dois casos mais preocupantes de discrepância entre a pesquisa e o resultado da eleição foram Manaus e Salvador

O eleitor brasileiro se empolga menos com as eleições e, preocupado em não repetir erros de votações anteriores, decide cada vez mais na última hora em quem votar. Captar para onde vão os votos dos indecisos, nesse cenário, é o principal desafio dos institutos de pesquisa nestas eleições, segundo a diretora-executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari. Essa é apontada pelo instituto como a principal causa de erros que aconteceram nos levantamentos de intenção de voto feitos no primeiro turno.Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, Márcia reconhece que o instituto errou a boca de urna em três capitais – Salvador, Curitiba e Manaus –, mas nega que os casos que ficaram fora da margem de erro, como ocorreu em outras oito capitais, possam ser classificados também como erros. “Algumas vão ficar fora da margem de de erro. Não tem jeito”, afirma a executiva. “Conseguimos prever 95% dos votos corretos do primeiro turno, entre os dias 5, 6 e 7. É o mesmo índice de 2008. Não houve diferença na performance”, acrescenta. Levantamento feito pelo Congresso em Foco mostrou que , das onze capitais que foram pesquisadas, houve erro na pesquisa de boca de urna em oito, considerada a margem de erro.

Leia a íntegra da entrevista de Márcia Cavallari: “Pesquisa não é infalível”
Veja a autoavaliação do Ibope onde houve boca de urna

Márcia admite que o Ibope vai ter um olhar mais “crítico” em relação às capitais baiana e amazonense. Ela acredita que houve erro na seleção da amostragem para a boca de urna nessas duas cidades. “Manaus e Salvador são os casos mais preocupantes por causa da validação da amostragem. Vamos ter um olhar mais crítico nessas cidades. Na verdade, vamos olhar bem em todas que tiverem segundo turno. Mas tem uma variável que nos ajuda agora que é o resultado da amostra”, diz a diretora do instituto.

Como mostrou o Congresso em Foco no domingo (7), as divergências mais acentuadas entre os resultados previstos pelo instituto e os números da votação aconteceram em três das 11 cidades pesquisadas na boca de urna: Curitiba, Salvador e Manaus.

Subestimados e superestimada

Na capital paranaense, Curitiba, a pesquisa indicava segundo turno entre Ratinho Júnior (PSC) e Luciano Ducci (PSB). Ducci acabou superado por Gustavo Fruet (PDT) por uma diferença de 4 mil votos. Na capital da Bahia, Salvador, a disputa também foi acirrada, mas ACM Neto (DEM) ficou à frente de Nelson Pelegrino (PT), ao contrário do que mostrava o instituto. Já na capital amazonense, não houve divergência quanto à colocação dos dois candidatos que avançaram ao segundo turno. Mas a votação atribuída a Vanessa Grazziotin (PCdoB) foi superestimada.

“Em Curitiba, não conseguimos apontar o segundo candidato, porque não captamos a velocidade de recuperação dele. A gente ficou um ponto fora da margem de erro”, diz Márcia. “Em Salvador, a gente não teve essa precisão. Em Manaus, a hipótese é a questão de a abstenção ter uma clivagem diferenciada, que acabou superestimando a Vanessa Grazziotin (PCdoB). Essa diferença foi pulverizada entre os demais candidatos. Foi um pouquinho para cada um. Como eram vários candidatos, ficou concentrado nela”, acrescenta.

Em outras cinco capitais, a votação ficou fora da margem de erro, embora os desvios tenham sido menos gritantes: Porto Alegre, Rio de Janeiro, Goiânia, Recife e Fortaleza.

Explicações

A diretora do Ibope afirma que as pesquisas boca de urna não podem prever a totalidade dos votos corretamente. Segundo ela, três hipóteses podem justificar os desvios em relação ao resultado das urnas: problema no sorteio das amostras, dificuldade de obter declaração de voto de eleitores de um determinado candidato e elevada abstenção.

“O sorteio das amostras de escolas pode não ser tão representativo do conjunto. Caiu uma escola a mais numa área em que um candidato foi melhor que outro. Há risco de não conseguirmos entrevistar ou haver recusas de entrevista de um perfil de eleitor de determinado candidato. A terceira hipótese é a própria abstenção. Em Manaus, por exemplo, a gente via clivagem social entre os dois candidatos. Se há abstenção que não se distribui de maneira igual, pode haver diferença”, avalia.

Divergências

A divergência entre os números finais das eleições e os apontados pelos principais institutos de pesquisa causou polêmica esta semana. Apesar da disparidade mais gritante em três capitais, a boca de urna do Ibope antecipou com precisão o resultado mais aguardado destas eleições municipais: a definição dos dois adversários que se enfrentarão no segundo turno em São Paulo. E acertou, dentro da margem de erro, na boca de urna, os percentuais de votação de José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT) e a queda de Celso Russomanno (PRB). Na véspera da eleição, o instituto havia captado o triplo empate entre Serra, Haddad e Russomanno.

Nas pesquisas da semana que antecedeu a votação, o Datafolha ainda apontava para um segundo turno entre os candidatos do PRB e do PSDB. O Datafolha, que não fez pesquisa de boca de urna no dia da votação, também indicou que haveria segundo turno em Recife. Mas Geraldo Júlio (PSB) venceu a eleição para prefeito em primeiro turno, conforme antecipou o Ibope.

Leia a íntegra da entrevista de Márcia Cavallari

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Arquivos anexos

IBOPE e TSE.pdf (1)

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Sessão do TSE. Brasilia/DF 27/09/2011 Foto:Nelson Jr./ASICS/TSE

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluíram há pouco o julgamento do processo do Partido Social Democrático (PSD) e decidiram pela concessão do registro.

Dessa forma, o PSD se torna o 28º partido político registrado na Justiça Eleitoral e está apto a concorrer às próximas eleições municipais,  por ter atendido os requisitos para sua criação, inclusive a obtenção do registro com mais de um ano de antecedência em relação ao pleito de 7 de outubro de 2012.

A decisão ocorreu por maioria de votos, sendo seis favoráveis, com base no voto da relatora, ministra Nancy Andrighi, e um contrário, do ministro Marco Aurélio Mello.

Diego Zanchetta, de O Estado de S.Paulo.

Sete vereadores do PSDB de São Paulo anunciaram em coletiva nesta segunda-feira, 18, que estão deixando o partido. Embora haja especulações sobre a ida de alguns destes quadros para o novo PSD, do prefeito Gilberto Kassab, o futuro dos parlamentares segue incerto. O presidente da Câmara Municipal, vereador José Police Neto, está entre os dissidentes.

Segue a lista dos vereadores que estão deixando o partido:

José Police Neto

Juscelino Gadelha

Ricardo Teixeira

Natalini

Dalton Silvano

Adolfo Quintas

Souza Santos

Com a saída dos vereadores, a bancada do PSDB na Câmara Municipal, que tinha 13 integrantes, passa a ter apenas seis. Agora, o PT será o maior partido da Casa. Segundo informações de bastidores, outros dois vereadores do PSDB podem deixar a sigla.

A decisão anunciada nesta segunda é resultado de uma disputa interna entre o grupo do governador Geraldo Alckmin e os vereadores da capital paulista, que disputavam espaço para definir os rumos do partido na eleição municipal do ano que vem. O racha se agravou na semana passada, após a eleição do secretário estadual de Gestão Pública, Julio Semeghini, para à presidência do diretório municipal. Semeghini foi uma indicação de Alckmin.

Na semana passada, os dois grupos negociavam um acordo sobre a composição da executiva do partido. Neste fim de semana, entretanto, veio à tona o conteúdo de uma reunião do diretório no qual integrantes do grupo de Alckmin teriam feito fortes críticas e ironias contra os vereadores. A repercussão teria sido o estopim para a debandada.

“É muito ódio contra nós no partido, por causa do compromisso que cumprimos em 2008 (apoio ao Kassab na eleição municipal)”, disse Natalini nesta segunda durante a coletiva.